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Steven Universo segue o modelo atual de sucesso do Cartoon Network!

Steven Universe Poster

O Cartoon Network vive uma boa fase de novos desenhos e produções originais, e é curioso notar como os atuais desenhos não se importam com origens ou contextos iniciais. Me lembro que existiu uma época onde isso era uma característica muito mais comum em animês do que em desenhos animados americanos.

Quero dizer, as produções americanas sempre se preocupam com origens de um novo universo, especialmente fantasioso. De onde aquele personagem veio, qual seu passado, em que momento ele descobriu seu destino, como aquela fantasia se justifica? Pegue uma geração anterior de desenhos do Cartoon Network e você percebe que muitos deles possuem episódios de origem e de apresentação, As Terríveis Aventuras de Billy & Mandy, Mega XLR, A Mansão Foster para Amigos Imaginários, A Vida e Aventuras de Juniper Lee e até mesmo Samurai Jack. São desenhos que em sua estreia contextuam as bases do show. Isso meio que não acontece mais nas atuais produções do canal.

Os primeiros episódios destes novos desenhos em nada se parecem com os tradicionais primeiros episódios. É como se o espectador estivesse chegando no meio da viagem. Tanto faz em que momento você pegou esse desenho, seu impacto será igual ao de quem conseguiu pegar desde o começo. Você aprende sobre o contexto da série assistindo, vendo as aventuras e pegando as migalhas deixadas pelos criadores.

Foi assim com Hora de Aventura, que só depois de trocentas temporadas percebemos que Finn & Jake vivem num mundo pós-apocalíptico. A dica estava ali desde o começo, mas a confirmação real só veio muito depois. Em Apenas um Show, somente temporadas a frente é que os criadores resolveram fazer um episódio, excelente por sinal, na qual é mostrado como Mordecai & Rigby foram contratados pelo Benson e como conheceram todos os personagens que ali viviam. Fora que há outros contextos nestes desenhos, de outros personagens e seus passados que são também apresentados muito mais a frente, em episódios espalhados em meio a outros normais de cotidiano.

Essa é uma boa características dos desenhos atuais do Cartoon Network. Prova que os americanos estão aceitando mais o modelo dos animês, onde as explicações não surgem logo no início, tudo mastigadinho, para que você tenha que aceitar um universo absurdo. Se algo ainda não foi contato, não é um erro de falta de contexto, ele apenas não é importante para esse momento, devendo o espectador apenas curtir aquilo que está na tela. Talvez alguns não curtam isso, porém eu acho uma tendência bacana, pois acredito que enriquecem a produção essa liberdade em lidar com um novo universo de fantasia.

E eis que estão surge Steven Universo, que estreou aqui no Brasil há em abril desse ano e que parece seguir exatamente essa mesma premissa, onde a origem não importa, estes são seus personagens, esse é o estilo visual do desenho e estas são suas aventuras, divirta-se. E parece que pra mim funcionou.

Steven Universo não é tão surreal quanto Titio Avô (link). Ele lembra muito mais um Hora de Aventura, trazendo as história de um garoto que vive com três guardiãs chamadas Crystal Gems, sendo Steven o quarto membro desse grupo de guardiãs mágicas que protegem o universo de certas ameaças. E Steven faz parte desse grupo porque possui uma Crystal Gem que herdou de sua mãe que deu sua vida para que Steven pudessem nascer (ou seja, ela morreu durante o parto do Steven). Isso não é mostrado no desenho (não no primeiro episódio e não sei se há algum flashback em episódios futuros que não tenha visto), sendo apenas citado em algumas ocasiões.

Sabe-se que a mãe de Steven era a líder das Crystal Gems e tinha um papel muito importante no grupo. Agora as guardiãs que restaram ficaram incumbidas de cuidar do Steven, servindo como irmãs, mães e professoras para o garoto. O pai de Steven, Greg Universo, vive próximo, mas não junto ao filho. Greg mora numa van, no melhor estilo velho hippie e também cuida de um lava jato e ele aparenta não curtir muito dessa coisa de magia, mesmo quando tinha um relacionamento com a mãe de Steven, mas aceita que Steven está destinado a viver nesse mundo.

O desenho mostra essa vida do Steven, um garoto ingênuo, sem soar como burro ou imbecil, que precisa lidar com um mundo estranho, onde ele precisa honrar a memória da sua mãe se tornando uma Crystal Gem (é estranho usar o feminino para isso, mas as Crystal Gems são mulheres e o Steven é o ponto fora da curva), ao mesmo tempo em que precisa crescer e amadurecer como um garoto normal que vive em Beach City. É um personagem que quer se provar, sempre disposto a viver aventuras com as Crystal Gems, a se relacionar e nutrir memórias com seu pai e que se sente como o caçula da família, o que precisa sempre crescer para fazer frente as irmãs mais velhas.

As Crystal Gems lembra um pouco das Meninas Superpoderosas, um clássico do Cartoon Network, na ideia de serem três heroínas com super poderes e personalidades distintas. Garnet é a atual líder e a personagem mais centrada, sempre mostrando ao Steven que tudo bem ter medo, tudo bem não conseguir enfrentar certas situações pois tudo isso que ele precisa virá com o tempo. Pérola é a personagem mais mãezona, é a intelectual do grupo, sempre ensinando ao Steven boas maneiras e condutas ao mesmo tempo em que é superprotetora e preocupada com a segurança do garoto. Por último, Ametista é a “moleca rebelde” do trio, sempre desleixada, mas sem ser irresponsável nas missões mais sérias, é a despreocupada do grupo e a mais propensa a colocar Steven em travessuras e confusões. São personagens simpáticas, que funcionam muito bem com o Steven.

E o desenho funciona assim, com Steven vivendo em Beach City, com aventuras estranhas com as Crystal Gems, com personagens também estranhos que moldam esse mundinho dele, sempre com aquela ideia de que Steven está crescendo, apreendendo e amadurecendo como o caçula de uma família diferente. É um desenho sobre aceitar a si mesmo e as coisas ao seu redor. Steven poderia ser um personagem pesado e denso em qualquer outro universo de desenhos animados, mas aqui ele é positivo, feliz e de bem com a vida e é isso que torna o conceito do show divertido, ao mesmo tempo em que traz camadas de reflexões sobre os desafios de ser apenas um garoto que foi destinado a seguir os passos de sua mãe, num plano muito maior do que ele mesmo.

A princípio pode parecer bobinho, mas até então Hora de Aventura quando começou anos atrás também parecia. Vejo Steven Universo com a mesmo potencial de um Hora de Aventura. E não é para menos, afinal a criadora de Steven Universe, Rebecca Sugar (link) trabalhou até 2013 no time de produção de Hora de Aventura, sendo inclusive uma das roteiristas da série. Vem então de uma boa e ótima base!

Fica então mais essa recomendação e opinião pessoal em torno de Steven Universo! Mais um acerto do Cartoon Network!

Steven Universe

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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