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Primeira Hora | Forza Horizon 2 (Xbox One)

ForzaHorizon2

Sempre que vou escrever a respeito de um game de corrida preciso afirmar que não sou o tipo que é fã de carteirinha desse gênero. Minha curtição com esse tipo de jogo em geral vem da diversão que o mesmo proporciona quando não existe aquela preocupação com mecânicas que simulam a realidade ao extremo e aí o game pede que o jogador dedique seu tempo sendo perito em seguir regras de ultrapassagens, marchas e curvas perfeitas. Nesse sentido fica claro que não me divirto nem um pouco com Forza Motorsport, que possui como foco a simulação realista da experiência automobilista. Agora, o que dizer sobre Forza Horizon?

Essa variação já havia despertado a minha atenção com o primeiro título da série, que saiu para Xbox 360. Horizon é muito mais arcade do que Motorsport, muito menos preocupado com a experiência real, e bem mais descompromissado em seu um game sobre carros. Horizon é mais uma experiência sobre viajar em num mundo aberto, sendo estimulando visualmente e sonoramente dentro de um universo onde para seguir seu curso se faz necessário estar em um carro.

Pra mim Forza Horizon 2 é muito mais uma experiência sandbox, de liberdade para fazer o que quiser, quando quiser e ir para qualquer lugar do que um game focado apenas em corridas. E é isso que me chama atenção e desperta a diversão. Para escrever esse Primeira Hora, não joguei somente uma hora do game, precisei ir um pouco mais além pois não queria escrever apenas sobre o início do game, já que qualquer um pode experimentar esse começo através da demo disponibilizada na Xbox Live. Precisei ir um pouco mais adiante, mas o o suficiente para virar um “impressões iniciais”. Há ainda muito que ver e descobrir em Horizon 2.

O jogo lembra muito o primeiro título da série, mas é perceptível o esforço dos desenvolvedores para dar alguns passos além do game anterior. Alias é uma vantagem imensa estar num novo console, com maior poder de processamento que pode gerar gráficos ainda mais impressionantes. Visualmente Forza Horizon 2 é inacreditável em certos trechos. A primeira vez que o jogador corre na chuva é memorável, um pelo parâmetro para o que deve se tornar padrão a partir de agora nos games de corrida. A sensação é realmente de estar dirigindo na chuva e é impressionante o nível de detalhamento que o game cria para dar essa imersão. O mesmo acontece, porém em menor intensidade, quando passamos ao cenários noturno.

Imersão é uma boa palavra para definir Horizon 2. Ela acontece em vários níveis, desde a forma como os personagens do festival conversam com o jogador, ao GPS que atende pelo nome de “Anna”e com as rádios que possuem até mesmo apresentadores próprias para cada estação, e tudo devidamente e competentemente dublado em português do Brasil. O jogo quer lhe convencer, e o faz magnificamente, que você está participando de um festival de carros, com corridas, circuitos, passeios, buscas, desafios e várias coisas diferentes para se entreter enquanto está dentro de seu carro. Há realmente a convicção de estar participando de uma evento que só poderia acontecer por meio de um videogame. É fácil se pegar dirigindo pela área livre do game, apenas curtindo o visual do game, buscando algo escondido aqui e ali.

É interessante o game usar o sistema de Drivatar, que pega os carros de conhecidos da sua lista de amigos e seguidores e transporta estes carros personalizados para o jogo, assim como também utiliza (ainda que falta aperfeiçoar ainda mais) a forma como estes conhecidos dirigem em seus próprios games e imitam parcialmente essa forma de direção pessoal e particular de cada um. Parte da alma de Horizon 2 está no sistema de Drivatar, pois mesmo que você não esteja jogando o modo online, o sistema de Drivatar funciona independente disso. No modo campeonato (que seria a campanha principal do game) você está sempre disputando com os drivatares de seus amigos. Não existe NPCs sem identidade no game, ainda que os Drivatares não sejam exatamente controlado pelos seus próprios amigos, é uma incrível simulação e sensação de estar jogando contra algo a mais do que apenas uma inteligência artificial padronizada.

Claro que o game ainda permite jogar e competir online com amigos, mas essa é uma experiência que não testei, apesar de ter tentado o passeio online com desconhecidos e não ter entendido direito o que fazer. Ainda vou me empenhar para entender melhor essa parte do multiplayer online, até porque não tenho muitos carros tão incríveis ainda e mal conheço todas as estradas do game.

Outro detalhe que gostei bastante foi a parte de customização dos carros, que permite ao jogador pintar os carros com as cores que bem entender, usando texturas legais e alguns até meio bizarras (como textura de madeira), além de pintar partes individuais e também de colar adesivos nos carros, sejam os que o game lhe dá ou fazer seu próprio. O maior barato no entanto é que seus designs podem ser compartilhados online no poder da nuvem do console e qualquer um pode pesquisar designs de outros jogadores que compartilharam os mesmo. Eu comprei um fusca (aquela da década de 60) todo personalizado com o símbolo e as cores do Flash (sim, o super herói da DC). Achei engraçado, fora que já existiam trilhões de designs do Herbie, clássico fusquinha da Disney, e decidi por uma variação diferente. Isso porque não estava com tempo ou disposição suficiente para criar algo próprio, fora que há a questão do potencial criativo, o que nem sempre tenho sobrando. E se você é parecido comigo, a boa é que não vão faltar designs próprios da comunidade online, sempre diferentes e originais, para você também usar no seu carro.

Um dos pontos importantes para esse tipo de game, que clama pela imersão, são os controles e a jogabilidade e aqui não há do que reclamar. Para quem curte e entende quer algo mais profissional, existe a parte de tunagem de carro que é incrível (mas dá para deixar o game fazer isso automaticamente, sem nenhuma dor de cabeça se você não entendo nada). Os controles respondem bem e no estilão arcade para esse tipo de jogo. Claro que pistas diferentes fazem os carros se comporem de forma diferente, assim como classes e tipos de carro, porém o game é amigável com jogadores que querem apenas correr sem se preocupar com a física realista da coisa. Fora que o game tem níveis de dificuldade para quem procura algo mais hardcore e também o normal para quem esta ali apenas pela diversão. Além da delícia que é o controle do Xbox One com seus sensores de vibração nos gatilhos.

Para encerrar, apesar de ter jogado um pouco mais de três horas, já pude conferir bastante coisa do modo principal de Horizon. Diferentes trechos de corridas, em estradas, em terrenos de terra, na chuva com a pista molhada, a noite com as luzes para lhe guiar, circuitos fechados, circuitos abertos, corridas contra aviões, corrida contra rivais, desafios de velocidade além dos itens que podem ser desbloqueados por placas encontradas pelo mapa principal do game e também do sistema de níveis que rendem bônus (girados numa roleta) e pontos de vantagem que dão novas habilidades. É impressionante como você nunca está fazendo a mesma coisa em Forza Horizon 2. É sempre algo diferente, um lugar diferente e carros diferentes para serem habilitados. Tente o circuito dos clássicos, com uma Kombi ou um Fusca, pois eu achei bem maneiro os carros que não correm muito disputando um campeonato. Tento os circuitos de luxo, os de off-road. Tem de tudo um pouco. É um game que não te deixa ficar entediado fazendo apenas a mesma coisa.

Forza Horizon 2 mandou bem pra caramba em sua estreia no Xbox One. É um game sólido, divertido, competente e que permite até mesmo quem não é totalmente fã do gênero de corrida aprecia-lo. Talvez no Xbox 360 a experiência não seja a mesma coisa e talvez eu não me interesse por um Forza Horizon 3 em menos de 2 anos, mas este aqui e agora, valeu seu lançamento. Quem ficou pensando se o jogo era desnecessário porque Forza Motorsport 5 saiu ano passando, pensou errado. São games diferentes, com estilos diferentes e até mesmo buscando públicos diferentes. Está mais do que recomendando aqui! Se você está na dúvida, experimente o demo no Xbox One, pois ele representa muito bem o que é jogar Horizon.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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