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E o multiplayer online sem matchmaking? | Destiny e suas Incursões (Raids)!

Não tem sido fácil jogar outro game no Xbox One nestes últimos meses. Destiny realmente te suga pra dentro dele e é difícil escapar. E é curioso como o jogo possui muito daquela identidade dos games da era 32 bits quando nos tornávamos fãs de determinado título: a repetição incansável.

Você joga as mesmas fases na missão heroica do dia, os mesmos assaltos na lista de assalto, repete as patrulhas e os mesmos contratos de recompensas, além das partidas competitivas do Crisol que se passam em poucos mapas. Claro que pequenas mudanças acabam ocorrendo após tantas horas de jogo. Armas mudam, especialmente os tipos, o jogador acaba tentando se especializar e se adaptar as muitas variáveis que o arsenal pode oferecer. Os equipamentos lhe tornam mais forte, mas em contraste os níveis mais avançados de Destiny também não fazem tudo ficar molezinha, especialmente quando você chega naquele momento onde os inimigos tem escudos e tipos de danos que são efetivos ou inúteis. Mas essencialmente, você está apenas fazendo a mesma coisa desde a primeira hora de game, porém o ponto positivo é que tudo isso, apesar de terrivelmente megalomaníaco, ainda é divertido.

Entretanto, cheguei num momento do jogo em que minhas opções estão diminuindo consideravelmente. Já vi de tudo e já fiz de tudo. Não tenho tudo que gostaria de ter em termos de equipamentos e armas, mas isso porque o sistema é feito para criar barreiras onde você só vai conseguir tudo com o tempo e paciência, afinal o jogo limita o quanto de dinheiro virtual se consegue semanalmente e até mesmo agora se tem as Estigmas da Vanguarda e do Crisol que limitam ainda mais a compra de itens dentro do game. Fora que contar com a sorte para dropar um item desejado em Destiny não é saudável (agora eu entendo isso).

Estou atualmente no level 31 e minhas últimas metas tem sido opter os Ranks 3 das facções, para que possa com o tempo ter acesso as armas lendárias específicas de cada facção, além da opção de poder ter armas lendárias com tipos de danos diferentes. A segunda meta, feita vagarosamente é subir no ranking da Maldição de Crota, e também fechar outros bônus que o jogo cede através do Grimório (usar certas armas para matar tantos inimigos, jogar certos modos x vezes e eliminar tipos específicos de inimigos tantas mil vezes). Mas não irei obter, nesse momento, o level 32, o máximo que se pode chegar em Destiny.

Para isso eu teria que jogar as famosas Incursões (ou Raids no original). Destiny possui duas fases assim atualmente, uma que veio com o jogo, A Câmara de Cristal, e a outra lançada em seu primeiro DLC, O Fim de Crota. São nestas fases que se consegue as melhores armas lendárias e equipamentos lendários, justamente nos modos mais difíceis e ao mesmo tempo, restritivos do game.

As Incursões foram feitas para serem jogadas cooperativamente. Não se consegue fechá-la sozinha do início ao fim, apesar de alguns ainda tentarem por meio de glitchs e bugs que podem ocorrer mas que são constantemente arrumados em patches. E quando digo “impossível fechar sozinho” não estou dizendo isso porque ela é muito difícil, mas porque sistematicamente não se consegue. Elas funcionam em partes onde requerem que dois ou mais jogadores fiquem em pontos distintos da arena executando funções diferentes para que algo na fase funcione, como ativar ao mesmo tempo portais, ou segurar relíquias enquanto outros jogadores atacam ou ativam plataformas. Sozinho não se consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo. E até aí tudo bem!

Criar um modo de jogo que exija obrigatoriamente um multiplayer não é problema. O Crisol também só funciona se houver jogadores online para brincar competitivamente. Mas o chato é que as Incursões de Destiny não possuem Matchmaking, ou seja, você não consegue que o jogo organize partidas online com outras pessoas que estejam querendo desbravar estas fases. Você só consegue jogar estas fases se houver amigos online que possuam Destiny e estejam com tempo para terminá-las e que aceitem o seu convite para entrar em seu game. É um sistema bem restritivo.

A princípio isso não me incomodou. Afinal era apenas uma única fase, ainda que uma das mais difíceis de todos os tempos segundo muitos relatos na internet, que levou times a ficarem dezenas de horas tentando terminá-las (e hoje há times que terminam elas em menos de 1 hora). Mas agora já são duas e em março serão três com o lançamento do próximo DLC. E isso começa a me incomodar, pois começo a perder uma grande parte da experiência do game ou fico limitado a jogar quando há pessoas que possuem disposição e tempo para jogar comigo privadamente. Enquanto isso, a própria Bungie, estúdio do game, já afirmou que as Incursões não terão Matchmaking porque não foram projetadas para terem.

Destiny Atheon

Lendo uma matéria da Forbes a respeito do assunto meio que dou razão aos argumentos que são discutidos no texto (que está em inglês). Tudo bem as Raids funcionarem da forma que funcionem, pois há sim uma exigência de comunicação, liderança e entrosamento dos times que eventualmente jogadores aleatórios reunidos randomicamente pelo sistema as vezes não vão ter, mas isso não elimina o fato que poderia haver sim uma forma do sistema ajudar as pessoas que não possuem muitos amigos que possuem horário e disposição simultânea para encerrar as incursões. Fora as panelinhas que esse tipo de modo cria e que dificulta para que outros jogadores encontrados em comunidades ou dentro do próprio sistema do jogo permita que um desconhecido entre para brincar numa partida que há vaga, mas não para quem não faz parte do clã ou da rodinha de amigos.

Isso me faz lembrar do modo Horda de Gears of War 2 e 3, que quando lançado no Xbox 360, também exigia cooperação e horas e horas para vencer as 50 ondas que o modo possuía. Nunca me esqueço da minha primeira horda vencida do começo ao fim, ininterruptamente. Eu e uns amigos começamos a jogar as 22h e só fomos conclui-la as 04h da manhã. E foi uma partida privada. Claro que isso não me impediu de jogar a Horda de Gears por muito mais horas e horas no matchmaking publicamente, conhecendo novos amigos, jogadores e nunca zerando as 50 ondas por lá, mas ainda assim era sempre divertido. Até porque reunir estes mesmos amigos novamente para uma madrugada onde ninguém desistisse devido o horário, não era tarefa fácil. Fora que jogar com as mesmas pessoas, mesmo que sejam seus amigos, muitas vezes se tem o mesmo estilo de jogo, enquanto publicamente, cada jogador joga de um forma, possui seu estilo, seja pra pior ou melhor. Isso sempre me atraiu nos multiplayers online, a diversidade de tipos de jogadores, que proporciona experiências diferentes.

E além disso, a Bungie prega que as Incursões devem ser jogadas com amigos e conhecidos, mas isso não anda ocorrendo. Há inúmeras comunidades de Destiny LFG (Looking for a Group), inclusive há uma enorme aqui no Brasil via Facebook, que reúne notícias, discussões e completos estranhos para baterem as incursões. É quase como um matchmaking manual (meio que a manivela), onde você vai num fórum, diz que quer jogar e tem X vagas e quem quiser aparecer é só adicionar a pessoa. Claro que aí rolam exigências (as vezes chatas) como ser determinado level, ser de tal classe, ter experiência nas fases, aceitar ser o portador da relíquia etc. Muitas vezes o novato, noob, acaba ficando de fora porque é o cara que não sabe nada. Novas panelinhas se formam entre experientes de um lado e novatos de outro. Ou seja, a Bungie diz que você só deve jogar as Incursões com amigos, mas na prática as pessoas estão indo na internet buscar qualquer um que queira jogar, porque os nossos amigos não estão online 24 horas e nem estão jogando os mesmos jogos que a gente. Cada um tem seu próprio horário e disponibilidade. E não tem coisa mais chata do que ter dia e tempo certo pra jogar aquilo que você quer jogar agora? Tu tá com tempo livre na segunda-feira, mas só vai ter amigos online pra fechar uma Incursão numa sexta depois das 23h. Você está com a faca e o queijo na mão, mas o seu amigo que está com o pão só vai trazer pra ti daqui 4 dias. Que merda!

Quem defende as Incursões sem matchmaking, diz que não quer iniciar uma com 4 amigos e de repente ver a entrada de 2 pessoas que o sistema jogou na partida atrapalhando a cooperatividade do time. Sim, porque há aqueles jogadores trolls ou babacas que só atrapalha. Todo multiplayer online tem isso. Eu não vejo isso como uma justificativa sensata. Volto ao exemplo da Horda de Gears of War, que funcionava privativamente e publicamente. Você deveria poder abrir uma Incursão em Destiny com apenas seus amigos e dentro da formação do esquadrão, dar a opção dela funcionar privadamente, apenas por contive e ter um outro modo matchmaking onde publicamente outros jogadores sem time pudessem se reunir. Assim estes não atrapalhariam aqueles que possuem clãs ou times ou não querem desconhecidos em suas partidas.

Digo isso porque tenho problema em reunir pessoas para concluir as Incursões, que preferencialmente precisam de 6 pessoas online ou a dificuldade (em especial no modo Hard) é sacana de propósito. E muitas vezes quero jogar uma Raid e não encontro gente disponível (e rola a preguiça de ir no PC procurar gente no Facebook e no Destiny LFG). Qual foi a solução que encontrei? Fui na lista de Assaltos, que possui matchmaking, e comecei a adicionar todos que completavam assaltos comigo por lá. E disso, a minha lista de conhecidos e jogadores de Destiny inflou. Há sempre 40 ou 50 “amigos” online assim. E sempre há alguém jogando Incursões. Nem sempre há vaga ou a panela me deixa entrar na partida, mas eventualmente recebo convites ou posso entrar em partidas de pessoas legais que não se importam de ir lá dar uma força (até porque já jogo Destiny relativamente bem).

É curioso que brasileiros tem muito mais preconceitos de aceitarem desconhecidos do que os americanos. Joguei nestes últimos dias algumas partidas na Câmara de Cristal sempre com um americano gente boa (que conhece por um assalto que concluímos junto via matchmaking), que me chama quando vê que estou online e nem se importa que eu não fale muito, apesar de saber que estou escutando as instruções que rolam nas partidas. E ele mesmo tem alguns amigos que nem precisam de instruções ou conversa. Há incursões que rolam no maior silêncio, com cada um sabendo pra onde ir, o que fazer ou qual tipo de suporte dar. Até mesmo eu já peguei o esquema. As incursões se aprende jogando e observando e cada um joga de um jeito. Não há um único jeito.

Para concluir, só trago essa reflexão para dar o que pensar a respeito dessa ideia de ter modalidades de jogo onde só seja possível jogar mediante convite. Eu acho errado e escroto. Cria panelas, preconceito e limita o número de pessoas que poderia estar se divertindo ali. Não digo que as Incursões não devem ser planejadas e criadas para funcionar de forma diferente, porém não vejo problema algum se houvesse uma forma dela funcionar também em modo público, usando o matchmaking e deixando desconhecidos se reunirem automaticamente para brincarem ali na hora em que estão disponíveis, sem depender de amigos ou conhecidos online para jogar em dia e hora marcada.

Por enquanto Destiny possui apenas 2 Raids, e isso incomoda muito pouco quem não pode curti-las. Mas eventualmente, se esse número continuar crescendo, pode ter certeza que mais pessoas irão se sentir incomodadas em ter algo no game que não podem jogar a vontade devido a uma limitação imposta pelos desenvolvedores. É algo que certamente poderia ser repensado, talvez sem a necessidade de um Hard Mode, mas o modo normal mesmo funcionando em matchmaking. Acorda Bungie!

Destiny Crota

Obs: quer me convidar para uma Incursão em Destiny? Basta me adicionar na Live e chamar: TTHIAGO MACHUCA (tudo em maiúsculo mesmo). Plataforma Xbox One! Geralmente estou online diariamente (ou quase) depois das 23h!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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