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The Swapper | Na solidão espacial, clones são sempre importantes!

Falei mais cedo sobre indie games e a fórmula dos puzzles nas impressões de Stealth Inc 2 e logo depois fui testar outro título que está em preço promocional na Xbox Live desta semana The Swapper e novamente me depara com um indie com elementos de puzzles, porém aqui a experiência proporcionada me pareceu bem diferente daquilo que estava discutindo na outra postagem. Ou talvez não e eu esteja maluco.

O caso é que em The Swapper a parte puzzle é importante, mas ela acaba ficando em segundo plano frente a qualidade dos outros aspectos do game. Se encaixa justamente naquilo que estava comentando a respeito de títulos como Limbo e Braid, onde a experiência é tão intensa, tão diferente, que os puzzles apenas somam-se a experiência de contar e avançar em uma história. Não é um game que funciona pelos puzzles, mas os puzzles que funcionam pelo game. Dizer isso pode soar a mesma coisa, mas não é.

O universo do game te suma para dentro dele. Você é esse pequeno astronauta, que desce no que acredito ser uma estação espacial próximo a um planeta. O jogo me parece dar muitos detalhes sobre a história no começo, não que se faça necessário esse nível de detalhes, ao menos aparentemente. Basta saber que você começa estacionando nessa estação em órbita de um planeta (que não é a Terra), e a encontra praticamente desabitada. Enquanto caminha dentro da estação você escuta vocês no seu comunicador, “vá embora“, “não venha para cá” e coisas arrepiantes assim.

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E o game segue nessa tipo de imersão. Você sozinho em uma gigantesca estação, tentando descobrir o que aconteceu ali dentro. Há outras pessoas, nas quais até agora nunca as alcancei. Há vocês falando no comunicador há todo momento e sempre mensagens confusas, assustadoras ou me mandando parar de vasculhar o local. Não há formas alienígenas ali dentro, mas obviamente algo aconteceu para todo mundo ali sumir ou ser influenciado dessa maneira. Há estranhas pedras pelas quais sempre que você passa por uma, a tela escurece e uma mensagem que parece mais alertas e conselhos sobre a vida surgem na televisão, dando dicas e suspeitas de que essas rochas talvez tenham enlouquecido todo mundo da estação.

Logo você percebe que a estação era um laboratório de pesquisa, especialmente após encontrar uma arma que permite criar cópias de si mesmo, ao total de quatro além de você, e que todas se movimentam da maneira que você se movimentar. São como sombras sólidas, projetadas da maneira que você quiser em certos ambientes. Mais a frente você descobre que a equipe descobriu que há certos feixes de luz que interrompem essa habilidade da arma, como a luz azul que lhe impede de criar cópias ou a luz vermelha que impede de se materializar em uma destas cópias. Sim, você pode mudar de corpo, indo parar em uma de suas cópias. Qual a vantagem disso? Somente o original controla a arma e suas habilidades. Por última, há uma luz rosa, que lhe impede de usar a arma.

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É aqui que The Swapper se prova como um puzzle original, diferente e criativo. Ao vasculhas a estação, cabe ao jogador recolher orbs que são a fonte de energia dos terminais, e todos estão desligados. Recolha as orbs e vá destravando novas áreas. E no geral as orbs estão em salas onde é preciso usar a arma de cópias para alcançar estas orbs. E não adianta colocar uma cópia para se materializar junto a orb. Não funciona assim. O astronauta matriz precisa recolher a orb. Então são puzzles onde você manipular todos as cópias ao mesmo tempo, desliga luzes, mexe em alavancas e vai manipulando o ambiente até conquista a orb da sala. Aí você vai para outra sala. Tudo em uma atmosfera incrível.

Joguei um pouco mais de 2 horas do game e ainda estou bem no começo, mas já me apaixonei. Não são puzzles difíceis, apenas exigem atenção e algumas tentativas e erros. Não travei em nenhum a ponto de me sentir frustrado. Ponto para os desenvolvedores até aqui então. Porque travar no começo de um game de puzzle é péssimo, claro.

Não há inimigos no momento, e não sei se haverão. Mas do jeito que o jogo vai se levando, não acho que isso seja necessário. Se houver ótimo, senão ótimo também. O que mais me intrigou é a manipulação do tempo em que alguns puzzles e áreas exigem do jogador. Explico. Quando ativo a arma de cópia, o tempo praticamente congela, você se mexe muito, mas muito lentamente. Então com o tempo congelando, você consegue se materializar na sua cópia que ainda está no meio do ar, e dela, materializar outra cópia ainda mais para cima, e se mandar para ele. Isso lhe permite, por exemplo, subir em grandes alturas, o que é bem impressionante. Em um dos puzzles que enfrentei, ele basicamente consistia em ficar no arma no meio de um buraco enorme (se cair eu morro) na qual com o tempo congelando, escoando lentamente, eu ia pulando de cópia a cópia no meio do ar, enquanto esperava uma grande porta se abrir para poder passar por ela para recolher a orb. Que experiência interessante!

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Eu gostei muito das mecânicas que o game me ofereceu nesse começo. Achei totalmente imersivo a atmosfera proposta pelo game e os desafios propostos pelos puzzles são igualmente bem casados com todos os elementos do game. Até mesmo a trilha sonora, que as vezes alterna para sons instrumentais ou ambientes onde há completa ausência de som, com aquela sensação de algo zumbindo ao fundo, o que dá um certo arrepio na espinha. O game não dá sustos, ao não me deu nenhum no momento, mas assim como qualquer história especial, ficar sozinho em uma estação espacial onde todos desapareceram, sempre te dará medo do que pode encontrar na próxima sala. Você não fica com medo, mas instigado a vasculhar.

Um último elemento que acho necessário comentar é a parte da exploração. The Swapper não é necessariamente um game estilo metroidvania, apesar de parecer. Para quem não se recorda o que é metroidvania, é aquele gênero que te obriga a ficar passando pelos mesmo cenários e ambientes a todo o momento, voltando salas para abrir salas que você deixou para trás. The Swapper se passa sim em um grande mapa, mas a sensação de progressão é muito maior do que passar a toda hora por ambientes iguais.

O jogo consiste em ir abrindo áreas e dentro destas áreas você precisa explorar todas as salas. Feito isso, você passa para a área seguinte. O mapa ainda tem um ótimo marcados que te mostra aonde você não foi ou salas onde você entrou e não pegou a orb. Isso facilita muito não se perder ou ficar rodando pelos mesmo locais. Sem inimigos, ficar apenas rodando pra lá e pra cá por onde você já passou seria apenas muito chato. Após isso, há também portais de teletransporte que te leva a algumas áreas que você venceu. Por que você voltaria a estas áreas? Ainda não sei, mas talvez o game depois me obrigue a volta, mas se for esse o caso, fico satisfeito por ele ter atalhos que me levem direto para onde preciso ir.

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Dito tudo isso, estou falando de The Swapper hoje porque justamente esta semana ele se encontra em promoção na Xbox Live. Custando a merreca de R$ 7,25. E o desconto só vai até amanhã, dia 26 de outubro. Corre e compre se puder! Senão conseguir, na terça ele volta para os 29 reais padrões. É caro pedir isso pelo game? Um pouco talvez, mas isso só porque eu sou realmente um voraz devorador de descontos, porém admito que o game tem qualidade o suficiente para custar esse preço.

 O game é de uma pequeno estúdio chamado Facepalm Games lá da Finlândia. Foi lançado originalmente em 2013 no PC, que é onde basicamente muitos indies legais chegam primeiro, e ao longo destes últimos dois anos já foi disponibilizado para Linux, Wii U, PlayStation 3, 4 e Vita e em junho desse ano chegou ao Xbox One (e sempre digo, antes tarde do que nunca!). Talvez você repare no nome Curve Studios ao começar o game no Xbox One. Sim é o mesmo estúdio do Stealth Inc 2. A Facepalm fez uma parceria com a Curve Studios para deixar eles a cabo de portar o game do PC para todas as versões de consoles. Mas foi só isso que eles fizeram. O mérito de toda a qualidade do título vai realmente para essa pequena desenvolvedora na Finlândia. Parabéns para eles, porque The Swapper é realmente impressionante! Eu estou atrasado nesse história, mas se você também não jogou ainda esse título, bote na lista de games que você precisa jogar futuramente. E fecho mais uma indicação de indie games!

Visual incrível, a imersão e a beleza gráfica são pontos altos do game
Os puzzles são um mal necessário, mas aqui eles não incomodam em nada
A ideia de criar cópias de si mesmo cria mecânicas excelentes de jogabilidade
Trilha sonora do game é animal, te arremessa de cara para dentro da ambientação
Mesmo parecendo um metroidvania, não há voltas desnecessárias ou tediosas
A temática espacial sempre rende uma trama que prende qualquer pessoa
Uma tremenda pena o título não ser localizado no Brasil, nem mesmo legendas.

Uma fenomenal experiência, onde, aí sim, puzzles casam perfeitamente com a proposta e ambiente criado!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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