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White Night | Um detetive na escuridão sobrenatural de um assassinato!

Lançado em março do ano passado, White Night é um game de survival horror que mescla uma narrativa em formato de puzzles para criar uma história densa e envolvente em um estilo gráfico diferente e imersivo. O game foi desenvolvido por um pequeno estúdio independente chamado OSome Studio. Atualmente o game está disponível no PlayStation 4, PC e Xbox One.

White Night tem esse clima em preto e branco, apelando para o formato semelhantes a filmes Noir, na qual instiga ao jogador o medo da escuridão, criando um ambiente claustrofóbico ao mesmo tempo em que lhe empurra em uma situação onde se faz necessário vasculhar cada canto de ambientes com baixíssima iluminação.

A trama conta a história desse detetive, controlado pelo jogador, que em uma noite qualquer, em meio a uma estrada escura, atropela uma mulher que surge em frente ao seu veículo, ocasionando uma violenta batida. Ao despertar do acidente o detetive descobre que não há um corpo na estrada, nem mesmo indício de que houve realmente um atropelamento.

Ferido, o jogador na pele do detetive se vê obrigado a se refugiar em um casarão que se encontra nas proximidades da estrada. A princípio não parece ter alguém lá no momento. Mas você precisa pedir por socorro e descansar do acidente, então meio que encontra uma forma de entrar no casarão. E lá se envolve em uma trama de assassinato, com fantasmas percorrendo a escuridão do ambiente, enquanto precisa sobreviver a noite e se recuperar do acidente, e nesse tempo vai encontrando pistas do que realmente ocorreu ali. Teria o acidente na estrada ter algo correlacionado aos eventos do casarão macabro?

Muito texto e nenhuma localização.

A premissa de White Night é muito instigante. Uma pena o game estar completamente em inglês e ter muito (mas muitos mesmo) colecionáveis que são textos enormes em formato de diários diários, recortes de jornais e cartas que complementam a história do game. Eu não tenho problemas em ler em inglês, mas cheguei ao ponto de ficar cansado de ter que ler tantos documentos da história, atrapalhando um pouco o ritmo do gameplay.

Provavelmente nem mesmo se todos os textos estivessem em português acabaria tendo paciência de ler. E isso seria algo que o jogo poderia simplesmente ter resolvido com áudio logs, deixando o próprio protagonista ler, como por exemplo Rise of the Tomb Raider, que em todos os documentos encontrados ao longo do game a própria Lara lê ao jogador.

Felizmente não se faz necessário ler todos os documentos colecionáveis de White Night. Os pontos chaves da história são bem claros, e os mais importantes estão em formato de narração pelo protagonista do game. Os documentos são um complemento ao fim. Dos males, o menor.

White Night

Investigue na escuridão!

O game é do gênero investigação. Se faz necessário percorrer o ambiente atrás de pistas e soluções de pequenos puzzles apresentados para conseguir ir avançando por novos cômodos da casa e assim deixar a história se desenrolar.

A grande sacada de White Night, que também é meio que seu calcanhar de Aquiles é o sistema de iluminação e progressão. O jogador não pode ficar no escuro. Ficar no escuro faz o game pulsar, o som de batidas surge e vai aumentando até ficar ensurdecedor e agoniante, da mesma forma o controle começa a aumentar sua vibração. Após alguns segundos, você morre no escuro.

White Night (4)

Para evitar a escuridão, a maior parte dos cômodos tem uma pequena área de luz, geralmente ligada através de interruptores escondidos em algum lugar do ambiente. É muito importante encontrar estes locais e manter a luz acessa, mesmo que você já tenha vencido o desafio do local e ido adiante. Não apague as luzes, e quando elas se apagarem, ligue-as novamente.

Nos locais sem luz você tem os fósforos. O jogador consegue carregar um caixinha de fósforos contendo ao máximo 12 deles. Não é um número muito grande considerando que ao acender um, ele dura em torno de 2 a 3 minutos. Felizmente há uma quantidade razoável de fósforos espalhados pela casa e por todos os cômodos.

Ainda que mesmo assim eu tenha passado por uma situação de grande aperto durante minha jogatina, na qual me vi preso em um momento do game sem fósforos e tendo que rezar para encontrar um em alguma área já vencida, me esgueirando apenas pela luz elétrica que acendi pelo caminho entre os cômodos.

Segure o coração!

Sustos! Pode esperar por sustos em White Night! Eu meio que perdi as contas quantas vezes tomei um susto no game. A trilha de ambiente do jogo te faz ficar totalmente tenso e é comum em meio as andanças pela mansão tomar susto com um barulho de trovão que há na trilha de efeitos especiais.

Isso porque é fácil confundir o barulho de trovão com as aparições de fantasmas que há dentro do casarão. Eles surgem das sombras e indicam locais que você ainda não deve ir. Muitos puzzles envolvem iluminar as áreas em que eles se encontram. E não se engane, fique dando sopa ao redor da área dos fantasmas e eles saem atrás de você, mesmo você estando iluminado pela chama dos fósforos! Fantasmas apenas tem medo de luz elétrica. É agonizante ficar preso em um ambiente com um fantasma!

Fazia tempo em um game não me dava tantos sustos. Não aqueles de passar mal, apenas aquele típico de xingar a TV e o jogo. Mesmo sabendo que há fantasmas em um local, ainda assim as vezes o susto é inevitável. Ainda que tenha entendido suas mecânicas, o game consegue me pegar de surpresa constantemente. Em geral por ele consegue te deixar imerso na investigação e na busca de pistas nos cômodos e do nada… bum!… um fantasma. Quando não é uma aparição é o bendito trovão!

Tipo Resident Evil!

Vale também comentar que o sistema de navegação e câmera são fixas no game. Sendo bem semelhante a clássicos como Resident Evil. Você apenas enxerga aquilo que o jogo quer te mostrar e nada mais.

Não há como mexer a câmera para ver um outro ângulo um cômodo. Pra isso você tem que andar até a câmera mudar sozinha. O cenário é tão fixo quanto a câmera, o que ajuda totalmente a sensação de claustrofobia que o game deseja passar.

White Night (3)

O sistema de save também é um pouco angustiante, pois o jogo não tem auto save. O jogo só é salvo em pontos chaves em alguns lugares, executando o ato de sentar em uma poltrona com o ambiente iluminado.

Isso é um pouco ruim porque cada vez que você senta, você apaga um fósforo. Então não dá para ficar voltando toda hora para o save point senão você fica sem fósforos mais rápido do que gostaria. E se morrer não há checkpoint do local, você precisa carregar seu último save point. Imagine ficar jogando por uma hora sem salvar e acabar morrendo: significa que perdeu uma hora de jogo. É preciso saber a hora certa de salvar e quando poupar fósforos.

Um outro problema que enfrentei durante as horas que joguei White Night é ficar um pouco perdido pelo casarão. Isso aconteceu em algumas vezes em que passei vários dias sem jogar o game. “Onde estava mesmo? Pra onde ir?”

O jogo meio que te deixa desnorteado ao retornar para jogá-lo. Não há um mapa ou um indicador para onde ir. Isso é um pouco frustrante. Há um roteiro da história, que você pode ver apertando o Y no Xbox One. Lá você vê uma espécie de diário da história, com os pontos chaves das pistas encontradas e puzzles solucionados. Por ali pude refrescar a minha memória e me lembrar para onde ir, ainda que não soubesse a localização exata. Aí o jeito foi gastar uns fósforos pra me localizar e depois morrer e carregar o save para pode ir direto aonde deveria ir.

Para quem curte um desafio!

No geral White Night é um ótimo game. Porém não é indicado para qualquer jogador. É realmente um game difícil e com ótimos puzzles. Alguns destes cheguei a travar e passar bons minutos pensando o que diabos deveria fazer para avançar na história. Nenhum deles precisei ir olhar no You Tube, felizmente.

É preciso ter cuidado ao gerenciar os fósforos, quais os momentos para salvar e principalmente avançar com cuidado em ambientes escuros justamente para não morrer. E a morte em White Night é instantânea. Não há barra de energia ou segunda chance. Bateu de frente com um fantasma porque estava correndo na pressa? Morreu e volta ao último save ponto. O game é cruel nesse sentido. Cuidado também ao salvar com poucos fósforos.

Não é um game mamão com açúcar, mas achei a história e gameplay envolvente. Há estas pequenas falhas aqui e ali, como o fato de eu ter ficado sem fósforos e mesmo diante de uma vela acessa, não pode pegar a mesma a usá-la para encontrar mais fósforos. Entretanto para um Indie Game é impressionante sua qualidade.

Para quem gosta do gênero de survival horror, com estas mecânicas mais masoquistas como os antigos Resident Evil possuem, White Night é um prato cheio, na qual você o delicia em um quarto totalmente escuro!

No Xbox One, versão na qual testei, o game está com um preço bacana (R$ 29) e já entrou em promoção algumas vezes nas ofertas da Xbox Live da semana. Também não ocupa muito espaço em disco, tendo apenas 1,83GB. Sendo assim, digo que vale a pena!

Visual Noir apaixonante
História Imersiva
Boas mecânicas de jogabilidade
Gerenciar recursos (fósforos e save points)
Sustos podem ocorrer!
Muitos textos e nenhuma localização
Bons puzzles!

Um mistério, um casarão assombrado e muito escuro! White Night é uma ótima forma de tomar sustos! Sobreviva se puder!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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