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Rocket League | Pé no acelerador e chute para o gol! (Impressões)

Rocket League chegou ao Xbox One na semana passada, dia 17 de fevereiro, custando 39 reais e trazendo em sua versão todos os DLCs (exceto a skin do DeLorean de De Volta para o Futuro) com carros, a arena Wasteland e vários customizáveis destes packs lançados após seu lançamento original, em julho de 2015, para PlayStation 4 e PC.

Passei os últimos dias jogando o game e estou surpreso pelo quanto gostei dele, especialmente se considerar que não sou um grande fã de games tradicionais de esportes – como os de futebol como PES e Fifa – apesar de curtir bons games de corrida. E Rocket League me causou um pouco desse conflito na minha mente. “Estou mesmo gostando de um game de esporte? Sim, estou!“. Isso porque a proposta de Rocket League é ser divertido acima de tudo e é notável como cumpre isso devidamente bem e sem apresentar uma complexidade de controles. Talvez seja essa a simplicidade que o faça ser um ótimo game de física, de futebol com carros, em uma pegada/jogabilidade totalmente arcade.

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O jogo funciona com regras claras e simples. O jogador controla um carro que precisa bater em uma bola com o objetivo de fazer um gol. A arena é totalmente fechada e não há regras como bola fora, impedimentos ou até mesmo faltas caso você resolva bater no carro adversário ou até mesmo explodi-lo. Vale tudo dentro da arena de Rocket League.

As engrenagens de Rocket League

A física dos carros e da bola são incríveis. Os carros correm muito bem, com um turbo consumível que não lhe faz perder o controle mesmo em alta velocidade e ajuda muito o fato das arenas serem uma espécie de cúpula de vidro, o que faz com que os carros possam até mesmo andar em suas paredes e temporariamente até mesmo de ponta cabeça! Além disso os carros em Rocket League podem pular e dar uma cambalhota no meio do pulo, o que pode funcionar como um segundo impulso no ar, tornando a brincadeira ainda melhor, já que não se trata apenas de atingir a bola com o carro no chão, mas de pular com o carro para acertar o “chute” na bola. E a bola de Rocket League tem uma física também admirável, não fazendo curvas malucas ou improváveis, exceto quando vários carros a atingem de múltiplas direções ao mesmo tempo. E ela é grande o suficiente em relação aos carros do game, mas não grande o suficiente para você sempre a acertar. Passar de raspão na bola em um turbo ao máximo faz parte da boa diversão do game.

Melhor ainda é a câmera de Rocket League! Diferente de um game de futebol, na qual você joga de uma perspectiva de visão superior do campo de futebol, aqui a câmera é em terceira pessoa, colada na traseira do carro, podendo focar no que estiver à frente do carro ou fixar e acompanhar a bola do jogo. Eu prefiro esta segundo opção, pois me deixa a todo momento de olho onde está a bola e assim planejar minha investida nela. No outro modo de câmera existe uma seta sempre indicando para qual lado a bola está. Sinceramente não o achei muito prático. Parece funcionar melhor em momentos onde a bola subiu verticalmente e a câmera fixa nela te atrapalha um pouco. Imagine olhar totalmente para o céu e tentar andar enquanto continua olhando. Difícil, não? Nesse momento você desliga a câmera que fica fixa na bola e olha sua sombra no chão. Fica a dica.

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No geral Rocket League não é um game de longas surpresas no sentido de novas adições a jogabilidade. E nada de campanha ou história, o que faz sentido. Após meia hora de game você meio que já entendeu e experimentou de tudo um pouco. É um jogo focado no multiplayer competitivo, na qual os modos que não são online servem mais para você treinar e experimentar as coisas malucas que no online não tem (como mutadores).

Boa modalidades

O que há para se fazer em Rocket League? Antes de começar é sempre legal correr para o modo treino, na qual o nome já diz tudo. Existe um modo temporada, na qual você compete contra a Inteligência Artificial do game em uma série de rodadas afim de vencer um campeonato. No modo temporada você pode regular algumas coisas, como número de partidas e nível de dificuldade dos bots, mas a sensação de competição é bem realista. Na minha primeira temporada a vitória foi acirrado chegar ao final do campeonato, por pouco não fico para a terceira colocação, sem chance de disputar a final.

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No modo exibição, que pode ser jogado com amigos, o jogador tem a maior liberdade para colocar regras, como tempo de partida, escolher a arena do game, se haverá bots e seu nível de inteligência, e até mesmo mutadores que podem mudar totalmente a física do game, como a gravidade e tamanhos da bola e até mesmo jogar uma partida com uma bola quadrada! O game suporta um modo cooperativo offline para até 4 jogadores, sim com a tela dividida em quatro! Uma opção até que admirável na geração do multiplaer online. Só é difícil achar um dono de Xbox One ou PlayStation 4 com quatro controle em casa. Foi o tempo disso, não? Eu mesmo só tenho dois aqui em casa…

Mas é no modo online que o game brilha! Há alguma modalidades, mas as mais interessantes parecem ser as que possuem mais jogadores por partida, como 3 jogadores vs 3 jogadores ou a 4 vs 4. Partidas com um menor número de jogadores são mais interessantes quando se está com amigos e comunicação por voz, pois assim podem se comunicar e criar táticas para as partidas. No geral, sem amigos e sem headset, é cada jogador do time por si, tentando se entender e cooperar juntos apenas indo na vibe da partida. Não existe a real sensação de que é obrigatório um headset ou criar estratégias para vencer as partidas de Rocket League, ao menos na esfera casual. Claro que no cenário de eSports, as coisas precisam ser mais sérias, mas isso não vem ao caso hoje nesta resenha.

Alguns pontos interessantes

As partidas no online duram 5 minutos. O que é perfeito para quem não tem muito tempo no console. Duas partidinhas no almoço, ou para dormir, e você já tem a sensação de que se divertiu em Rocket League. No modo exibição as partidas podem ir até 20 minutos, mas isso me parece um grande exagero (e meio cansativo talvez).

Os carros são customizáveis, desde as cores de cada time (tons azul/roxo ou tons amarelo/laranja/vermelho), pneus, efeitos de pintura, adesivos, enfeites de antenas, chapéus e a fumaça do turbo de cada carro. Porém os carros de Rocket League são apenas cosméticos. O que quero dizer é que eles não possuem atributos diferentes, como velocidade, pulos, turbo ou pesos para cada carro. Todos são exatamente iguais, apenas são visualmente diferentes.

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Isso talvez seja um pouco chato, pois mata um pouco a possibilidade de estratégias mais complexas, como jogar com um carro mais lento, porém com melhor salto, enquanto outros do time podem possuir atributos diferentes e criando assim cenários de competições bem diferentes uma das outras. Seria legal que cada carro tivesse, nem que fosse minimamente, um atributo diferencial.

As arenas de Rocket League também possuem essa mesma característica: todas são exatamente iguais, mudando apenas a skin de cada. A exceção fica por conta de Wasteland, que é uma arena um pouco maior e com um terreno menos plano. Essa foi uma das arenas de DLC pós lançamento original (e que está incluso na versão do Xbox One), o que pode ser um indício de que os desenvolvedores podem em um futuro criar novas arenas mais diversificadas entre si.

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Quer outra coisa que poderia ser ainda mais maluco? Um modo que pudesse trazer itens de trapaça, semelhantes ao gênero Mario Kart. Não faria mal algum um mutador assim, onde eu pudesse atacar um oponente a longa distância ou um que me deixasse teletransportar direto para dentro do gol para uma defesa de chute a gol. Mas este sou eu exercendo um poder de imaginação em algo que hoje não existe… mas poderia.

Um game que merece ser experimentado!

Rocket League é um excelente game, mas ainda dá um pouco a sensação de que não é uma versão definitiva de uma grande ideia. Há margens para o game crescer em vários aspectos, o que é algo muito bom.

Porém ele é incrivelmente divertido e viciante. Faz realmente muitos anos que não me divirto tanto com um game maluco de futebol diferenciado. Dá pra arriscar dizer que os últimos games futebolisticamente malucos que realmente me conquistaram foram a versão de Mega Man Soccer (SNES) e Super Mario Striker (GameCube) e agora Rocket League, que entra nessa minha seleta lista pessoal. Porém a vantagem de Rocket League é que ele funciona muito bem nesse mundo do eSports que existe hoje em dia.

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A vantagem máxima do game talvez seja o preço. 39 reais parece uma bagatela por um game tão divertido, seja jogando com amigos no sofá, ou pelo modo online ou simplesmente sozinho. Tem muito game de 200 reais no mercado hoje que não tem metade do fator diversão que Rocket League me apresentou nesta semana que o testei.

O Thales, meu parceiro de review em muitos games aqui no site, com seus 3 aninhos ficou maluco no Rocket League. Pra ele é um Hot Wheels de futebol. Eu só pude realmente jogar o game no dia do lançamento depois que ele foi dormir à noite, pois até então só ele queria jogar e descobrir como tudo funcionava. Foi realmente legal vê-lo sentado e concentrado aprendendo a controlar o carro e se divertindo apenas correndo pelas paredes das arenas.

Ah e antes que eu me esqueça, há duas ponderações: a versão de Xbox One não tem cross-platform como o PlayStation 4 possui com a comunidade do PC. E o estúdio do game já disse que não haverá mesmo (ainda que eu fique com aquela pulguinha de que poderia ter, sem qualquer problema, cross-platform se houvesse uma versão exclusiva de Windows 10, já que isso está começando a acontecer com outros títulos de Xbox One). E não acho que o Xbox One, que tem uma sólida comunidade online, realmente precise somar números com o pessoal do PC para ter um online cheio de jogadores. Não é como se o console tivesse falta de gente online, geralmente nos games populares não há esse tipo de problema.

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A segunda ponderação é sobre relatos que vi em outros reviews internacionais, de que o modo online poderia engasgar um pouco. Não posso afirmar por outras plataformas, mas na minha experiência ao longo desta semana que joguei bastante no modo online, eu não tive problemas de performance nas partidas online. Nada que fosse perceptível pra mim ou que tornasse a experiência desagradável ao menos. E todas as partidas foram encontradas rapidamente, sem ficar muito tempo esperando o matchmaking. Nesse ponto não tenho que reclamar dos servidores da Live para Rocket League.

Rocket League pode parecre um game simples em um primeiro momento, mas existe uma complexa engrenagem em sua programação que torna a jogabilidade um imenso prazer, deixando o game agradável a um público realmente grande de jogadores. Sejam estes experientes ou casuais. Rocket League abraça todo mundo e se torna um amigão fácil de todos. É um jogo que a gente acaba querendo ter na biblioteca de jogos, que você joga um pouquinho todo dia ou sempre que tem apenas alguns minutos para jogar, é um game perfeito em dia de visita ou festinhas, torna-se um excelente game para zoar com os amigos.

Excelente controles e jogabilidade
Competitivo equilibrado e divertido
Vale mais do que o preço cobrado
Boas customizações, mas carros sem atributos diferenciados
Ótimos modos multiplayer offline e online
Trilha e efeitos sonoros combinam com o game
Ótimo para todos os jogadores (hardcore e casuais)

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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