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Mega Man Legacy Collection (3DS) | O legado do robozinho azul na palma da mão!

No último dia 23 de fevereiro a Capcom liberou Mega Man Legacy Collection para uma nova plataforma além das já lançadas ano passado: o Nintendo 3DS. A data marca o lançado da coletânea em mídia física, tanto no 3DS quanto no PlayStation 4 e Xbox One – ainda que nesta última plataforma, aparentemente, não estar sendo vendida oficialmente aqui no Brasil, porém lá fora saiu.

Para quem passou batido pelo título quando o mesmo saiu digitalmente em agosto do ano passado para PlayStation 4, Xbox One e PC cabe aqui explicar (rapidamente) que se trata de uma coleção pequena, trazendo apenas os seis primeiros games da série clássica de Mega Man. E por que somente estes seis games?

Essa também foi uma das minhas grandes indagações ano passado quando o título foi anunciado. Agora, tendo passado esta última semana jogando Legacy Collection no 3DS, eu entendo melhor a proposta do game: é tudo a respeito do “legado“, ou seja, isso não está no título da coletânea sem exatamente ter um propósito.

O que se encontra nessa coleção são os primeiros games de uma franquia que se dividiu e ramificou em tantos outras séries e games diferentes. E justamente são estes os seis games iniciais que mais se mantiveram fieis ao conceito original da série. Quer dizer, há também Mega Man 9 e Mega Man 10 na qual ambos trouxeram os elementos e gráficos originais há alguns anos atrás, entretanto seria estranho uma coletânea na qual do Mega Man 6 pulasse para Mega Man 9 e 10. E trazer Mega Man 7 e 8 arruinariam o conceito da coletânea. É, eu compliquei as coisas… percebi.

3DS Mega Man Legacy Collection

Em suma, Mega Man Legacy Collection é sobre aquele velho Mega Man de 8 bits, de jogabilidade de arrancar os cabelos, de velhos (e nostálgicos) gráficos, de trilha sonora em 8 bits. Outros games do robozinho azul destoariam a proposta da coleção, por mais legais que eles também sejam, especialmente quando você pensa em Mega Man 7 e Mega Man 8 que possuem gráficos e jogabilidade muito mais avançados.

Legado então é a palavra chave para validar esta coletânea, sem que alguém diga que ela está incompleta. Claro que isso não é desculpas para a Capcom até hoje não ter lançado outras coleção como Mega Man Anniversary Collection e Mega Man X Collection daquele jeitinho lindo que foi na geração Nintendo Gamecube e PlayStation 2, mas isso é papo para um outro dia. Todos nós, fãs de Mega Man, queremos todos os games em HD e digitalmente nos atuais consoles. Os seis primeiros são importantes, mas é inevitável aquela pontinha de “precisamos de mais do que apenas estes seis primeiros games“. Pense nisso Capcom!

Venha para o Mega Museu!

Cabe parabenizar a decisão da Capcom de ter decidido lançar o game para o Nintendo 3DS. Isso porque os antigos games da série já são vendidos individualmente no eshop do portátil há muito tempo, entretanto Legacy Collection é bem mais valioso e interessante do que ter apenas os games originais separados. O conteúdo do pacote é fator principal que acaba te conquistando.

O título contém um impressionante museu com a história de Mega Man. São artworks, rascunhos e histórias em detalhes de coisas que talvez nunca os fãs tivessem acesso por outros meios. A versão do 3DS vem ainda com 100 itens a mais no museu do que a versão em outras plataformas.

O museu e o banco de dados são separados por cada um dos seis games e apresentam a história de criação de todos os robôs, chefes e normais de fase de cada um dos seis jogos, além das artes de várias versões das caixas originais do game, até mesmo fotos dos cartuchos da época, mais esboços de rascunhos das primeiras versões de muitos dos robôs presentes nos games.

O banco de dados vem com vários textos e explicações da criação de todos os robôs presentes nos games, o que eles eram originalmente antes do Dr. Willy alterá-los!

É algo que se você pegar com carinho para olhar um por um, é capaz de ficar horas e horas olhando tudo e ainda assim não terminar. É realmente de aplaudir de pé o trabalho que a Capcom teve de resgatar todo esse material extra e reuni-lo aqui.

E quem estiver pensando que ver isso na tela do 3DS é desconfortável ou pequeno demais, todas as artes possuem a opção de zoom, ficando enormes, podendo até ver detalhes de textos minúsculos das boxarts originais.

Mega Man Legacy Collection 001

Outro elogio, obrigatório de se fazer, diz a respeito de que todo esse banco de dados que a coletânea possui, com todos os textos explicativos, estarem 100% localizados no Brasil, ou seja, tudo em português, para qualquer um ler e aprender mais sobre o universo de Mega Man.

Mas atenção! Somente isso está localizado em PT-BR. Os seis games originais continuam no idioma original da época de seu lançamento: inglês ou japonês. Alias são as versões inglês e japonês e não apenas a alteração dos textos – ainda que eu não tenha descoberto se existem diferenças nas fases entre as versões.

Além da parte visual do museu, há também um tocador de música, com todas as faixas e trilhas de som dos seis games clássicos. Pena que as músicas só ficam tocando enquanto você deixar o Nintendo 3DS aberto. E elas também não tocam em sequência, você precisa clicar na próxima quando uma trilha acaba.

Velhos games, novos desafios!

Outra novidade muito bem vinda e que havia julgado meio mal quando a Capcom mostrou antes do lançamento do título são os desafios criados especialmente para a coletânea.

Estes desafios são pequenos testes de habilidade ao jogador. Vença um desafio em 6 minutos, sendo que este se passa entre trechos de vários fases de um determinado game da série. Vença um chefe em um apertado tempo estipulado, sendo que nesse caso você já começa direto no chefe, sem que precise jogar a fase toda.

Pegou a ideia? São testes, challenges, que pegam trechos clássicos de todos os games e misturam em um modo cheio deles, onde cada desafio possui tempo, ritmo e objetivos diferentes. É uma modalidade desafiadora e que muda um pouco os trejeitos dos games clássicos, pois permitem o jogador encarar momentos icônicos destes jogos de forma diferente de que quando está jogando no formato original.

Os desafios forçam o jogador a ser rápido e ágil, além de ensinarem alguns macetes das fases que você talvez não descobrisse no gameplay normal. E há um ranking de colocação, do terceiro ao primeiro lugar. Depende de quão rápido você encerrar um desafio.

Pena que o game não venha com todos os desafios destravados. Há muitos, mas você precisa ir avançando nos primeiros para que novos possam ser liberados. Se acontecer de empacar em alguns e não conseguir vencê-los, vai ficando mais difícil destravar novos desafios. Isso é meio chato.

Mega Man Legacy Collection 002

Também é possível salvar o replay de todos que conseguir terminar. Mas esse save é direito no cartão de memória do 3DS (vai ocupando espaço então de acordo com quantos você for salvando, porém isso é opcional, salve se quiser). Não é um save na nuvem. Também não é possível ver o leaderboard mundial destes eventos tal qual na versão dos consoles da coletânea. Achei meio mancada isso. Eu perderia fácil algumas horas assistindo alguns replays nesta versão para o 3DS e tentando quebrar tais recordes.

Mega Man 29 anos depois…

Volte no tempo comigo. O primeiro Mega Man foi lançado em 1987. A série está bem próxima de completar 30 anos em 2017. É tempo pra caramba. O último game da coleção, Mega Man 6, foi lançado no distante ano de 1993 – me lembro de assistir Tiny Toons e O Pequeno Scooby Doo na Globo nessa época, com meus 9 aninhos, rá!

A pergunta que precisa ser feita aqui é… se depois de tanto tempo, ainda vale a pena jogar pela primeira vez ou até mesmo revisitar os primeiros Mega Man. Os games não envelheceram mal com o tempo?

Dá para responder essa indagação com um sim e com um não. Ruim os primeiros games não são, e pra ser sincero, pra mim qualquer um que se acredite ser um gamer – ainda que um gamer moderno aos dias de hoje – precisa conhecer algumas coisas do passado dos videogames. É preciso saber as origens e ver algumas bases.

Posso citar alguns títulos que qualquer um precisa ter jogado ao menos uma vez na vida, nem que seja para dizer “que merda é isso hoje em dia!“. Vem comigo: qualquer game de Atari, como Pitfall, Smurfs, River Raid ou Enduro, um Sonic The Hedgehog da trilogia clássica, Super Mario Bros (e quase que sou obrigado também a dizer Mario Bros, que é outro game bem diferente do “Super”) e alguns dos primeiros Mega Man, com uma forte tendência a indicar o Mega Man 2, que muitos o consideram o melhor e mais memorável dessa fase clássica.

Jogou algo de Atari, jogou um Sonic, jogou um Mario e jogou um Mega Man antigo? Você pode ganhar uma medalhinha de gamer, ou de conquista desbloqueada, que é mais comum aos games de hoje. São jogos que estão no DNA de tudo que existe hoje em dia. E olha que nem precisei citar Pac-Man, mas se estiver revisitando esse mundo dos old games, dê uma olhada no Pac-Man original, especialmente se nunca jogou nenhum Pac-Man – o que é difícil já que Pac-Man tem ótimas versões nos celulares de hoje.

Mega Man Legacy Collection 003

Voltando para Mega Man, como estava dizendo, a fórmula é sim antiga, e muitos dos defeitos do game dá época de seu lançamento original foram mantidos na coletânea, como os slowdown quando há muita coisa em tela (e muita coisa entenda por três coisas se mexendo, no final da década de 80 isso era “muita coisa”).

Eu até acho perigoso jogar Mega Man em um portátil. Estou lá eu jogando o primeiro Mega Man, em um daqueles clássicos estágios onde os blocos somem e você precisa ir acompanhando o caminho enquanto eles surgem na sua frente, e depois de 20 mortes precisei parar, respirar, xingar um pouco e fechar o 3DS por alguns segundos. Caso contrário eu teria arremessado ele pra longe. Apesar de que com um controle da atual geração o risco é o mesmo. Esse Mega Man era esse tipo de jogo, que te faz espumar pela boca de tão preciso que precisam ser os pulos e tiros em algumas situações.

Lembre-se que o primeiro Mega Man tem apenas seis fases, mais os estágios finais. Então o jogo te obrigava a morrer, e morrer, e morrer, e morrer, e morrer… e coloque “e morrer” por mais vinte vezes aqui … tudo para que o jogador aprendesse o ritmo, as artimanhas que o desenvolvedor colocou ali para lhe testar. Depois de treinado, você passa suave algumas fases, mas não antes de sangrar um pouco pelos dedos de tão doloridos que eles vão ficar.

E sim, isso era uma coisa boa para a época e é algo interessante de se experimentar nos dias de hoje, na qual os games praticamente se jogam sozinhos, você é apenas uma muleta para a ação pré-determinada.

Faz bem esclarecer que apesar de semelhantes no estilo os seis games clássicos não são exatamente iguais. Mega Man 6 é bem diferente do primeiro Mega Man, mostrando que de 1987 à 1993, a série sofreu melhorias e alguns facilitadores. Há quem diga que o tempo o deixou mais fácil. No último game da coleção o Mega já carrega a buster (sua arma principal), e executa dash (aquela deslizada marota no chão), além de possuir amigos auxiliares, como o Rush. No primeiro game não havia nada disso. Até mesmo o clássico elemento de 8 chefes/8 fases principais por game só surgiu a partir de Mega Man 2. Os seis títulos possuem uma progressão interessante de se perceber.

Jogar estes Mega Man hoje em dia é como viajar pela história dos videogames e isso acaba sendo muito divertido.

E a coleção está bonita e prática no Nintendo 3DS. É uma pena que eu ainda não tenha tido a oportunidade de ter essa coleção em um console de mesa – cadê na promoção semanal da Xbox Live ao membros Gold? estou esperando – para ver como os games estão em uma TV enorme, apesar de que acho que estes slowdown e gráficos de poucos bits me incomodaria muito mais em uma televisão ou monitor do que na pequena tela do 3DS. Alias, como Mega Man 6 é muito mais bonito e rico em detalhes do que o primeiro Mega Man. Talvez em uma tela maior meu baque nostálgico e sentimental não rolasse com tanto afinco quanto senti aqui no 3DS.

Toda a apresentação da coleção é de se elogiar, como as barras que preenchem as laterais dos games (já que eles são em fullscreen) e toda a trilha dos menus enquanto você se decide qual game jogar.

Vale ou não vale?

Ao fim as críticas a Mega Man Legacy Collection acabam sendo poucas. Poderia ter mais games? Não poderia pelo fator “legado” explicado lá no início, porém todo mundo sabe que os fãs de Mega Man estão há tanto tempo sem novidades da franquia que quanto mais Mega Man melhor, ainda que sejam os antigos. O tocador de músicas não funciona como poderia e dá para sentir falta dos leaderboards na versão do 3DS, para poder ver tempos e replays de outros jogadores mundo afora nos desafios. Mas este são pequenos detalhes que não desmerecem a proposta da coleção.

Talvez o maior pesar seja o preço oficial na eshop nacional do 3DS: 59 reais. Lá fora o preço é de 15 dólares (parece mais justo). Tempos difíceis em que vivemos onde o dólar para nós custa quatro vezes mais do que deveria. Em outros tempos, tempos mais felizes, certamente veríamos essa coleção chegar no 3DS via digital custando reles 30 reais: o mesmo valor que se cobra atualmente pelo título na loja virtual do Xbox One e PlayStation 4.

Mega Man Legacy Collection 004

Ainda assim acredito que vale um esforço para ter a coletânea, na plataforma que melhor convier ao seu bolso. Mas não tem como não pensar na comodidade que existe em tê-la no 3DS, para jogar esse clássico onde quiser e na hora que quiser. É tanto saudades do pequeno robô azul, que vale ter essa nostalgia pura.

Observação extra: quem tiver o Amiibo do Mega Man (normal ou dourado) e um 3DS com suporte aos Amiibos pode destravar 11 novos desafios em Legacy Collection. Só é difícil pensar que no Brasil os Amiibos também não são nem um pouco baratos e que os 3DS mais antigos precisam de um acessório pra funcionar como base para os Amiibos. No fim, é um extra que não é muito fácil de se conseguir por aqui. Mas fica o registro.

Mega Man Legacy Collection

Legado é um ponto chave do título
Seis games que mexem na memória do jogador
Modo Museu é uma agradável surpresa
Modo Desafio é inesperadamente incrível
Extras em português (mas os games não)
Fiel ao gameplay original (com slowdowns)
Sem leaderboard online

Uma verdadeira viagem pelas origens de um dos personagens mais queridos da velha guarda gamer!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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