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Rainbow Six Siege | Tática e dedicação em oito ou oitenta! (Impressões)

Ano passado tive a oportunidade de testar o beta de Rainbow Six Siege e na ocasião as minhas impressões não foram tão animadoras quanto esperava que pudessem ser. O tempo passou, o jogo foi lançado, está fazendo sucesso e resolvi encarar o desafio de novo, agora com a missão de fazer um review definitivo do game aqui para o site. E devo dizer que alguns sentimentos mudaram desde o beta e outros ainda permanecem. Ficou curioso?

Claro que é até meio óbvio que as impressões de uma versão beta, na qual o período de experiência era limitado e nem tudo estava disponível ao jogador nunca poderá ser igual ao de ter acesso ao game completo e por muito mais tempo do que apenas algumas horas de um final de semana. Betas também podem causar o mesmo efeito que alguns demos mal bolados as vezes dão, e passarem impressões erradas sobre o game em si. Acontece.

O fato é que passei esta última semana inteira jogando Rainbow Six Siege. Foram mais ou menos quase 10 horas de gameplay registrado no Xbox One, o que pra mim (como jogador) são bastantes horas. E ainda assim, com certeza o game pode e deve me render ainda mais algumas 20 a 30 horas de experiência de jogo na qual as coisas ainda devem dar a sensação de progressão, por meio do sistema de level e aquisição de personagens e customizações de armas. E isso é algo bem impressionante, para o bem ou para o mal, saber que Rainbow Six Siege tem essa enorme curva de coisas a serem destravadas e customizadas que levam tantas horas para serem adquiridas.

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Para aqueles que adoraram o game, dizer que o jogo pode render 30 horas de gameplay parece soar até pouco. Certamente a quem se deu muito bem com a proposta que Rainbow Six Siege apresenta o jogo tende a durar muito mais. Especialmente agora em 2016 com as expansões que já estão saindo e que a Ubisoft prometeu que não precisam custar um mísero centavo se você é um daqueles jogadores que se dedicam de verdade (explicarei isso mais adiante).

A longa curva

Então ao contrário da minha experiência limitada durante o beta do game, desta vez pude me dedicar e começar o aprendizado de Rainbow Six Siege de uma forma bem tranquila e inesperadamente lenta, aprendendo as mecânicas e propostas de seu universo. E é estranho pensar que este é um game focado com uma experiência de multiplayer online, porém que apresenta uma curva de aprendizado enorme offline: o modo cenários.

O jogo deixa bem claro ao inicia-lo pela primeira vez: é recomendado ao jogador experimentar e concluir o modo cenário antes de partir para a experiência online. E esse não é exatamente um modo curtinho de ser encerrado.

Entendo aqui que a Ubisoft teve a intenção de trazer quase uma espécie de campanha para o game, ao contrário de furadas que outros games cometeram recentemente – como, por exemplo, a campanha de Titanfall, que depende de jogadores online. Sendo assim a campanha de Rainbow Six Siege é toda executada offline, exceto a última, que é meio que uma parada extra e especial, chamada “artigo 5”. Esta última missão é meio que uma missão do modo terrorista, que irei comentar mais abaixo, e serve justamente para ela ser a sua primeira missão online.

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O modo cenário é interessante sim, apresentando algumas vinhetas em CG no começo e em seu final, fechando a ideia de que o time Rainbow estaria sendo recrutado novamente para o bem dos Estados Unidos e assim, quando o jogador encerrar a campanha composta de 10 capítulos e feito o recrutamento de todo o time, o jogador estaria hábito para ir jogar online e assim o time Rainbow estaria pronto para executar as missões mundo afora.

Acredito que na média alguém leve em torno de quatro ou cinco horas para fechá-lo. Exceto se você for realmente muito bom nesse tipo de game. Aí em três horas talvez você consiga tirar de letra. Fechar em duas horas? Se você conseguir de primeira e sem trapacear olhando detonados ou You Tube, eu lhe dou meus mais sinceros parabéns.

Devo dizer que conceitualmente o modo funciona muito bem. Sem dúvida é um modo com dois polos em extremidades opostas, criando um mundo e background para o game, ainda que ele não precisasse de algo assim, ao mesmo tempo que serve como o fio condutor para o multiplayer e suas regras. Você termina o modo cenário realmente hábito para o modo online, entendendo perfeitamente os mapas, as armas, os armamentos extras, os modos de jogo e os diferentes personagens, aqui chamado de Operadores.

A campanha é como um dos maiores treinamentos e tutoriais que já vi em um game. Isso pode soar como algo ruim, e em parte talvez seja, depende da sua percepção pessoal. O problema não é se o modo é divertido ou não, o problema é ser algo meio obrigatório. Você pode ignorá-la e ir para o online? Pode, mas sabe qual o sentimento ao fazer isso? Lembra daqueles games antigos com atalhos na qual você pulava quase que todo o game? Como o atalho para os mundos finais em Super Mario Bros. na fase 1-2 ou o mundo estrela do Super Mario World. Não jogar o modo cenário é como pular parte do DNA de Rainbow Six Siege. Você pode pular, mas será que deveria pular?

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Afinal é uma solução interessante para preparar os jogadores para o mundo online do game, ao mesmo tempo em que serve como um modo offline de campanha para quem precisa disso em todos os jogos. Só que o revés é que ao iniciar Rainbow Six Siege você já quer imediatamente ir para o modo online. Eu mesmo meio que joguei todo o modo cenário de olho naquele menuzinho do online, esperando o grande momento em que eu sairia dessa academia e iria para a ação propriamente lá fora. “Me deixe ir para lá“, eu pensava.

Obviamente isso é um sentimento muito pessoal e que não é todo mundo que vai se sentir assim. Um jogador sem minhas neuroses talvez jogue um ou outro cenário e já se sinta confortável para ir para o online do game. Talvez alguém que tenha amigos com o jogo e conheça suas mecânicas por estes amigos. Só que a minha impressão é que a partir do momento em que você vai para o modo online, você não quer mais ir para o modo cenário. Tipo… nunca mais! E aí você perdeu um pedaço do game.

Por isso, a minha recomendação caso alguém me perguntasse “fazer ou não fazer antes de ir para o online” seria dizer para jogar todo o modo cenário antes, ao menos no normal. E só depois disso entrar nos modos online do game. Mas esta é só a minha opinião e não uma trave ou bloqueio do game, que fique bem claro.

Credibilidade e aquisições

Outra das vantagens de fazer o modo cenário é que desde lá o jogador já vai ganhando experiência (ainda que mínima) e vai subindo de nível dentro do game. E com isso também vai sendo liberado pontos de credibilidade. E o que é isso?

Os pontos de credibilidade ou apenas “Credibilidade” é uma espécie de dinheiro ficcional do game. Isso porque tudo em Rainbow Six Siege vem travado, exceto seus modos de jogo. Quer os Operadores para jogar no modo online? Você precisa comprar eles com pontos de credibilidade. Quer melhorar suas armas, com novas miras, melhores recuos e até mesmo outras skins de armas? Você só precisa gastar seus pontos de credibilidade nisso.

Cada missão do modo cenário lhe dá 600 pontos (se você executar três objetivos específicos em cada). Assim quando terminar o modo offline, você já tem garantido em torno de 6.000 pontos. Há também três vídeos tutoriais para assistir e vendo todos, mais 600 pontos estão garantidos.

Isso é mais do que suficiente para começar a comprar os Operadores do jogo. O jogo tem quatro grupos padrões de famosas equipes táticas do mundo real, contendo quatro membros cada. Ou seja, há dezesseis Operadores no total. Para quem está chegando agora, há um quinto grupo, com somente dois Operadores, e estes custam 25.000 pontos. Estes são personagens de DLC e daqui a pouco falo mais sobre eles.

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Nos Operadores padrões, o primeiro de cada grupo custa 500 pontos de credibilidade, ou seja, com dois mil pontos você já garante um quarto dos personagens que vem no game. O segundo grupo de Operadores que o jogador for adquirir em cada grupo o valor já aumenta um pouco: custam mil pontos cada. O terceiro vai te custar ainda mais e o quarto muito mais. Fazendo as contas então, com 6.000 pontos você já consegue comprar metade dos personagens do game (dois mil os quatro primeiros de cada grupo e quatro mil os segundos de cada grupo). Matemático!

E como que se ganha os pontos de credibilidade? Basicamente jogando online, seja ganhando ou perdendo. Cada modo dá uma certa quantidade de ponto. Na média os modos de combate de cinco jogadores contra cinco jogadores rendem no geral 250 pontos de credibilidade. No modo terroristas os pontos são mais tímidos, indo de 30 a 100 pontos dependendo de cada partida. Isso talvez seja definido pela velocidade das partidas. Quer dizer, o modo contra outros jogadores pode demorar em torno de 20 minutos em média, já o modo terrorista é mais rápido, coisa de 10 minutos ou até menos. Por isso um modo demorado dar mais pontos do que o outro. Me parece uma decisão bem planejada.

O game ainda apresenta desafios diários que também dão pontos, podendo ser, por exemplo, missões de eliminação de um número certo de inimigos ou jogar com um tipo específico de Operador. Quanto maior seu nível, mais desafios você pode ter, sendo que o limite são quatro desafios por dia (ou seis caso o jogador tenha o Season Pass ou a edição Gold de Rainbow Six Siege). O fato é que modos e meios de ganhar pontos de credibilidade é o que não faltam no game.

Se você se dedicar e jogar com algum ritmo, tudo vai aos poucos sendo destravados. Com 10 horas eu fiz apenas a metade dos Operadores, mas certamente há quem consiga fazer muito mais em menos tempo.

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E se você quiser começar o jogo direto no online, sem grana para comprar seu primeiro Operador? Pode também! O game tem um Operador chamado recruta, com um equipamento básico e padrão. Comparado aos outros Operadores o recruta é meio sem graça, mas ele quebra o galho dos novatos sem dúvida alguma.

Ah e lembra do que disse dos Operadores de DLC custando vinte e cinco mil pontos cada? Pode parecer algo ruim, mas é bom tirar o chapéu para a Ubisoft que permitiu que os jogadores comprassem com o dinheiro do game os novos personagens, ainda que estes valores sejam bem altos. Ao menos é uma opção para quem não quer usar dinheiro real, já que o game tem microtransações para adquirir quantos pontos de credibilidade para quem quiser pagar por eles. Mas reforço: pague só se você quiser, pois o game lhe dá pontos de credibilidade suficientes para você ter de tudo, basta se dedicar a jogá-lo. E essa não é, no geral, uma ótima ideia? Fazer com que as pessoas continuem se dedicando e jogando o online? Me parece que sim.

Um online de muita técnica e tática

Então em que ponto estamos? Você aprendeu as mecânicas e regras do game no modo para um jogador e entendeu o que os pontos de credibilidade fazem pelo game e como destravar o que puder antes de ir para o modo online. Resta agora então apenas se tornar um profissional e sair ganhando todas as partidas, correto? Bem, quase isso né.

O modo online de Rainbow Six Siege consiste em duas modalidades: jogar partidas de cinco contra cinco contra outros jogadores espalhados pelo mundo ou reunir um time de cinco jogadores para o modo terrorista, que se assemelha bastante ao modo cenários.

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Antes de ir para o competitivo entre jogadores se matando, melhor falar um pouco sobre o modo terrorista. O modo consiste em cinco jogadores reunidos para cooperativamente executar algumas da missões estabelecidas pelo game.

O interessante de Rainbow Six Siege, uma decisão até meio que genial da Ubisoft, é que o game não dividiu os dois modos de jogo online em várias sub categorias. Gosta das missões de defesa e não das de refém? Ou é melhor desarmar bombas do que escoltar um refém? Bem, azar do jogador, pois o modo online é um modo com diversas destas situações, reunidas de forma aleatória. Você nunca sabe exatamente qual será a sua missão no online.

E antes de reclamar, pense que isso é muito bom pois não segrega a comunidade online na qual apenas os modos populares funcionem e os outros modos fiquem às mocas, com poucos jogadores. Essa é uma maneira de não segregar e fazer os jogadores jogarem de tudo um pouco. Para alguns isso talvez soe ruim, mas a meu ver é um limitador que traz mais benefícios a longa prazo do que prejuízos. Ainda que não acharia ruim um modo extra na lista para mapas ou situações populares ou especiais que pudessem mudar semanalmente e que dessem XP extras, mas novamente, esse é um pensamento segregador, o que é uma complicação dependendo dos números de jogadores online (que não sei dizer quantos são).

Enfim, voltando. O modo terrorista então consiste em missões onde cabe o jogador cumprir duas situações na maior parte das vezes: executar uma missão envolvendo bombas ou reféns ou apenas eliminar todos os terroristas de um cenário. Esta última tende a ser mais rápida e divertida na minha opinião, mas no geral sinto que chegar agora ao game é um momento excelente, porque muitos dos jogadores já sabem o que fazer, como fazer e dão a brecha para os novatos aprenderem, acompanhando o ritmo imposto pelos veteranos nas partidas. E com isso estas missões acabam rápidas, pois ainda que o game esteja controlando os NPCs que o time de cinco jogadores precisam eliminar, há sempre padrões na qual a nossa percepção vence as limitações da inteligência artificial. Ainda que vez ou outra saia um NPC inteligente do nada para surpreender o último jogador vivo. Pode acontecer.

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No modo competitivo, apesar das missões também se limitarem a eliminar todo o time adversário ou proteger/escoltar o refém (as que envolvem bombas me pareceram ser menos frequentes, mas posso apenas ter dado azar) a imprevisibilidade ao se lidar com jogadores online vai lá nas alturas.

Quer dizer, no modo terrorista as vezes você tem uma missão de cinco jogadores contra vinte NPCs e bate fácil a vantagem numérica. O mesmo não ocorre no competitivo. Já vi casos onde um único jogador venceu cinco oponentes sozinho. É tudo muito imprevisível. Há jogadores que jogam com segurança absurda, há os que dominam todo o cenário, indo e vindo dos lugares mais imprevisíveis. As vezes é realmente uma aula de sobre táticas de defesas e ataques. Chega a ser impressionante a forma profissional como alguns lidam com certas missões, ainda que 99% das partidas que joguei, mesmo estando com um headset para escutar comunicação, ninguém parecia estar interessado em falar com o time ou comandar as coisas. Me pergunto se isso é algo apenas regional do brasileiro ou se os jogadores mundo afora realmente não usam tanto o headset nos dias de hoje para se comunicar com desconhecidos como eu via usarem no começo da geração dos Xbox 360 (na qual jogava bem mais com americanos lá fora, pois o Brasil ainda não tinha seus próprios servidores).

E é admirável que mesmo sem usarem comunicação por voz, os jogadores saibam trabalhar em equipe, ao menos em grande parte das partidas e situações que vivenciei. E sempre partem em auxílio de um companheiro caído, exceto claro nas vezes em que se percebe que o cara está jogando sozinho, distante da equipe e fazendo o que bem entender. Justo que nesse caso o cara morra sem assistência, não?

Só que também é preciso reforçar que o multiplayer de Rainbow Six Siege é extremamente tático e cirúrgico. Os jogadores precisam saber exatamente o que fazer e como fazer. Aí está importância do modo cenário. Não é como outros multiplayer competitivos que você apenas sai por um grande mapa matando todo mundo e sendo morto a toda hora. Aqui a morte é cruel, pois o jogador morto fica apenas assistindo a partida até a mesma acabar, o que para muitos pode soar como uma tremenda tortura.

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Pelo que vi, com tais imposições, os jogadores tem então um cuidado para não morrer logo de cara nas partidas. Jogam com cuidado e quando não o fazem, são logo os primeiros mortos nas partidas, o que acho sempre bem chato quando ocorre, mas entendo o porque de serem assim.

No modo multiplayer 5 Vs 5 as partidas ocorrem em rounds, que intercalam entre momentos onde seu time ataca e em outro onde você defende. O time que marcar 3 vitórias de rounds primeiro vence a partida. Imagine então que esse modo pode ter até cinco rounds inteiros, o que pode parecer uma eternidade para quem está acostumado com multiplayers online ágeis. O ruim é que a demora não significa necessariamente mais pontos de credibilidade ou XP para subir de nível, então partidas de 5 ou 4 rounds as vezes podem se tornarem cansativas.

E antes que me esqueça, Rainbow Six Siege também oferece partidas rankeadas para jogadores realmente competitivos, que gostam de se organizar em times com os amigos. Porém esse modo só é possível para aqueles que ultrapassem o nível 20 no game. Também parece uma decisão lógica, já que essa restrição impede que os jogadores novatos baguncem a seriedade das partidas por ranking.

Quanto ao loading do matchmaking no modo online, achei que as vezes é mais demorado do que deveria ser. Há loading para fechar times, loading para escolher os Operadores e o loading para começar a partida em si. Dá para perder um seis minutos inteiros antes de uma partida começar. Pode parecer pouco, mas a menos que você se mantenha online e jogando partida após partida, cada começo de matchmaking demora um pouco mais do que se esperaria. Não que isso seja um agravante catastrófico. Soa apenas como algo que a Ubisoft poderia trabalhar para um patch o fazer o jogo carregar um pouco mais rápido. Apesar de que posso suspeitar que não seja um problema geral do game, mas de algo regional, já que a banda de internet no Brasil é ruim e as conexões são problemáticas. Mas o elogio vem depois, pois o carregamento pode demorar, mas em nenhuma partida encontrei lags que desnivelassem as partidas. E não ter nenhuma lag é muito melhor do que ter um loading demorado antes da partida iniciar.

Oito ou Oitenta

Dá para concluir que Rainbow Six Siege é um game oito ou oitenta. Você pode amá-lo da mesma maneira que pode odiá-lo. Quer dizer, lá em outubro do ano passado quando disse que ele não é exatamente o meu estilo de jogo, não era uma mentira.

De fato tenho problemas com games que requerem tática e dedicação demais, isso porque sou daquele tipo de jogador que precisa ficar pulando de jogo para jogo, sem tempo para me especializar em apenas um único. E isso não vem de agora, só por causa do site. Desde criança gosto de jogar de tudo um pouco e Rainbow Six Siege exige mais tempo e dedicação do que um game normal geralmente pede de seu público.

O jogo requer técnica e treino, para quem tem amigos, grupos e clãs especializados em treinarem em poucos títulos, Rainbow Six Siege é um dos fortes candidatos a funcionar magnificamente nesse tipo de jogador. Ele requer horas e mais horas de dedicação e isso não é necessariamente um defeito, de fato é uma característica de um gênero que não existe com tanta frequência quanto certamente os amantes do gênero gostariam. Dá para dizer que é um game de nicho? Dá e não que isso seja algo ruim.

Me soa como um game perfeito para aquele público que não pode sair comprando todos os lançamentos ou ter games demais. É um jogo que rende, que tem uma durabilidade incrível na mão do jogador que souber (e quiser) aproveitá-lo ao máximo.

Hoje em dia é até impressionante você dizer que é um game de nicho, pensando justamente em um público alvo muito específico. Especialmente quando você pensa que no mesmo lado dessa moeda, você tem a Ubisoft fazendo games como Assassin’s Creed, que tem uma apelo de público muito maior. É interessante que a empresa tenha decidido apostar em um game nesse formato, e louvável que tenha funcionado, porque você pode até sussurrar que outros games dessa geração… cof… Evolve… cof… tentaram algum muito parecido e não deram tão certo quanto Rainbow Six Siege parece ter dado.

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Os planos para o título ao longo de 2016 também parecem promissores, com mais 3 expansões vindo aí pelos próximos meses, sendo que nenhum deles serão obrigatório a compra com dinheiro real, e nada de pacotes de mapas pagos, pois isso segregaria a comunidade do game. É ótimo para os jogadores um plano de negócios nesse formato, pensando em outros games populares como Call of Duty e suas expansões que na brincadeira o jogador pode gastar até muito mais do que 100 dólares por toda a experiência. Em Rainbow Six Siege, tudo pode ser conseguido com o dinheiro do game, leve o tempo que precisar levar. Novamente a palavra chave aqui: dedicação.

É um game ambicioso, jeito de aspectos que nem deram tempo de serem abordados por aqui, como as individualidades de cada um dos operadores ou mapas incríveis como de um navio encalhado no ártico, uma universidade em meio a um ataque de gás tóxico ou um enorme avião estacionado em um aeroporto. Rainbow Six Siege tem estes vários momentos onde ele impressiona o jogador, seja pela jogabilidade, sejam seus efeitos (a jato de sangue das mortes sujando o cenário chega a dar calafrios de tão real pode parecer) ou sejam os gráficos que beiram um absurdo de fantásticos em algumas ocasiões. Parece um pecado também não mencionar as habilidades destrutíveis dos cenários, de paredes, objetos e tetos e são elementos que apesar de existirem em outros games, jamais foram utilizados com uma maestria como Rainbow Six Siege fez. São detalhes dignos de serem notados.

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Vale a pena jogá-lo? Certamente vale, seguindo as ressalvas feitas ao longo deste review. Não é um game que vai agradar todo mundo, mas é um jogo que se você testou no beta e não curtiu muito, é possível que talvez você se divirta muito mais agora, vivenciando a experiência completa. Quem ainda não jogou, vale a pena experimentar quando tiver uma chance.

É uma experiência bem diferente de um Battlefield, Call of Duty, Halo ou Destiny. Estes games citados a gente pode pensar em multiplayers mecanicamente mais arcades, feito para o jogador menos compromissado (ainda que hajam profissionais em cada título), enquanto o Rainbow Six Siege remeter a compromisso e dedicação. Jogue pelas regras, jogue pra valer, pense antes de agir, e se envolva no conceito de seu multiplayer, que é jogar e cooperar com seu time. Se você não topar nada disso, certamente a sua experiência com Rainbow Six Siege acaba sendo comprometida.

Sendo assim, dá para se concluir que não é um título para qualquer um, mas se você não for qualquer um, as chances de se divertir em um nível inesperado são bem grandes. É uma proposta diferente do padronizado, escalando para algo genuíno e original, e o jogador precisa ter isso em mente ao apostar no título.

É um game para se gastar dezenas de horas jogando-o e não apenas alguns minutos por dia vez ou outra. Não é se Rainbow Six Siege serve para você, e sim se você serve para Rainbow Six Siege? Essa é uma excelente pergunta!

Gameplay tático que exige habilidade do jogador
Visualmente impressionante
Modos mistos, não segregam online
Não possui um apelo popular (game de nicho)
Modo cenários como campanha/treinamento
Planos de DLC com dinheiro do game
Recompensador se houver dedicação e tempo

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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