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Armello | Role os dados e vença a podridão do Rei! (Impressões)

Andei alguns dias desta semana testando e aprendendo a jogar Armello, um board game que foi lançado na plataforma Xbox One agora no final de agosto, mas que se encontra à venda na Steam há mais de um ano. Desenvolvido por um estúdio australiano, fundado em 2011, chamado League of Geeks, sendo Armello o primeiro projeto deles, tendo conseguido parte dos recursos para tornar o game realidade graças a uma campanha de crowdfunding (financiamento coletivo) bem sucedida. Como é massa essa era em que vivemos onde as pessoas normais podem ajudar estes pequenos projetos, não?

É curioso pensar que estou escrevendo sobre um game que tem como a premissa ser um jogo de tabuleiro virtual. Digo isso porque já aconteceu mais de uma vez, ao longo desse último ano, de alguns leitores virem conversar comigo dizendo que o Portallos poderia falar mais sobre board games. E não é que eu não queira, mas tal como respondi a todos que me sugeriram isso, o caso é que realmente não tenho tempo na vida adulta para esse tipo de entretenimento com amigos ou colegas presentes em um mesmo ambiente.

Até cheguei a ser convidado uma vez para participar de um grupo que está sempre jogando jogos de tabuleiros por aqui, mas sabendo que vivo uma rotina de trabalho puxada, tendo que me dedicar ao site nas horas de folga, tendo que cuidar da família, educar o filho pequeno, e ainda ler e jogar games para criar o conteúdo aqui, realmente não saberia como encaixar jogos de tabuleiros reais nessa minha rotina maluca, na qual até pouco tempo atrás nem livros conseguiam entrar. Só que admito que nem me passou pela cabeça que poderia ao menos testar board games virtuais, em consoles, até descobrir Armello.

Armello

Daqui em diante quero passar a ter mais atenção a esse gênero de game. Não conheço muitos, então se houver alguém que queira indicar games assim, sinta-se a vontade. Me chame no Facebook, participe do nosso Grupo lá, ou deixe um comentário com a sugestão aqui na postagem. Mesmo que eu suspeite que, ao menos para o Xbox One, não deve existir muitos jogos assim.

A podridão que assola o reino!

Armello então é um game de tabuleiro, mas que mistura vários formatos de board games, enquanto mantém aquele jeitinho de videogame. O objetivo do game é acabar com o Rei, que sucumbiu a podridão, algo que seria equivalente ao poder de trevas. Tem algo o influenciando, estragando sua alma. Resta ao clã de quatro raça de animais se rebelar contra o rei, encontrando um jeito de curar ou matar essa loucura monárquica.

Para tal há quatro clãs: do lobo, do rato, do coelho e do urso. Existem dois personagens, chamado de heróis, para cada um dos clãs do game (há mais via DLC). Cada herói tem status, habilidades e formas diferentes de serem utilizados no tabuleiro de Armello. Cada clã também tem uma peculiaridade. Isso cria dinâmicas diferentes no jogo.

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Por exemplo, o clã dos coelhos domina melhor a magia, enquanto o clã do rato é mais suscetível a podridão e o clã do urso pode mais facilmente dominar o poder da luz, que pode curar o rei. O clã dos lobos é clã guerreiro, que pode mais facilmente lidar com guardar e matar o rei. Isso não significa que personagens não possam tentar coisas diferentes, se apegando apenas ao que normalmente seriam normais para sua classe..

Cada partida é diferente dependendo do personagem escolhido. Antes da partida ainda há relíquias e talismãs que podem ser escolhidos e que mudam um pouco a parametrização de seu herói. O próprio tabuleiro do jogo, composto por terrenos de diversos tipos, muda de forma aleatória a cada partida.

Dentre os diferentes tipos de terrenos estão o normal, que não faz nada, o pântano, que causa dano, as montanhas, que aumentam defesas, os círculos de pedra, que restauram vida e matam personagens com podridão, há vilarejos que dão moedas, e também masmorras, que possuem tesouros, enquanto alguns terrenos podem ter maldições jogadas pelo Rei e que podem prejudicar o jogador que pisar em tal lugar.

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Armello é um jogo de tabuleiro por turnos. O jogador pode andar, normalmente, por três casas em cada turno. Nisso pode usar livremente cartas que geram aprimoramento de status, criam armadilhas em terrenos ou heróis ou podem adquirir magias que criam benefícios quando utilizada. O confronto existe somente quando dois personagens pisam em um mesmo terreno. No turno dos adversários, é permitido ao jogador mexer, equipar e jogar cartas no tabuleiro.

Nas batalhas vigora um sistema simples de dados. O jogador utiliza para ver quantos pontos de ataque e defesa vai ter, e apanha quando sua defesa for um número menor que o de ataque do adversário. A saúde dos personagens varia, entre cinco a sete pontos. O jogador não vai matar um personagem de primeira (as vezes pode ocorrer), mas ainda que não o mate, pode expulsar um personagem de dentro do território invadido, caso o ataque seja bem sucedido.

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Enfim, não gostaria de ficar explicando todas as regras de Armello aqui. Não quero fazer um impressões como se fosse um manual de como jogar o game. Minha intenção aqui é apenas fazer uma apresentação geral das regras do game. Em suma, cada jogador controla um herói, enquanto anda pelo tabuleiro cumprindo certos objetivos e atacando oponentes para roubar ou tirar algo deles. Entretanto é possível vencer em Armello sem matar nenhum herói, pois o objetivo do game é sempre lidar com a podridão que infectou o Rei.

Como se vence em Armello?

Antes de explicar isso é preciso explicar mais uma coisa. O Rei fica no centro do tabuleiro, mandando ordens que prejudicam os jogadores a cada ciclo de dia e noite do game. Dois bons exemplos são cobrar imposto (toma-se moedas do jogador) e Guarda Real deve atacar e invadir vilarejos, assim como os jogadores. O Rei é super forte e não sai nunca do castelo, que é rodeado por guardas. Para enfrentá-lo, muitas vezes é preciso passar por um guarda.

Ganhe-se a partida quando um jogador conseguir vencer o rei, derrotando-o por completo, sem morrer. Não é fácil, e normalmente um jogador consegue ir tirando pontos de vida do Rei, enfraquecendo-o. Só que é uma batalha onde o Rei perde -1 ou -2 de vida e o jogador já é expulso do castelo, as vezes até morre no confronto. O Rei tem um status alto de podridão que o faz ser super forte. O ideal é o jogador se fortalecer cumprindo objetivos no tabuleiro, as missões de aventura.

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Se acontecer do jogador matar e morrer no processo, o jogador que tiver o maior prestígio, que é um status do cenário político do game, na qual o herói de maior prestígio é o aliado do rei, este jogador de prestígio ganha o game. Ganha-se prestígio fazendo missões, em cartas, vencendo heróis e batalhando contra a podridão, este último se não for infectado pela mesma.

Outra forma de ganhar o jogo é reunir 4 pedras de luz, que aparecem aos poucos, somente uma por turno, e geralmente longe de todo mundo. Obtido as quatro pedras de luz, é preciso ir até o castelo e ficar de frente ao Rei para purificá-lo.

Por último, se mata o Rei quando o jogador consegue acumular podridão o suficiente para superar a podridão do Rei, e assim o vence facilmente em batalha. Mas se morrer, a vitória é de quem tiver o maior prestígio. Esse recurso da podridão é complicado, pois ter podridão, usando maldições ou enfrentando pássaros das trevas no tabuleiro cria certas desvantagens, como ser morto ao passar por um terreno de círculo de pedras. Se o jogador morre, ele não sai da partida, apenas volta no próximo turno dentro de seu ponto de início.

Armello (25)

Sendo assim, dada as explicações, nota-se que Armello é um game contra o tempo, a cada turno o Rei fica mais forte, mais cruel. Nisso cada jogador precisar  uma tática e tentar cumpri-la antes que outro herói o faça. Você pode atrasar alguns heróis, mas isso não o fará ganhar o game a menos que também esteja planejando cumprir alguns dos requisitos mencionados acima.

Nos detalhes o game te conquista

Armello tem vários pequenos detalhes que acabam conquistando o jogador. O game tem uma apresentação geral muito boa, dá uma sensação de que o game é impactante. Antes mesmo do jogo começar há uma belíssima animação tradicional, mostrando quatro dos personagens e apresentando aquele clima da história do game. Veja os trailers no final destas impressões.

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Porém não é apenas isso. Tem muitos detalhes gráficos que são realmente bonitos ao longo de seu gameplay. As cartas são todas animadas, os desenhos e gravuras nelas se mexem, o que causam um belíssimo efeito que cartas físicas jamais poderiam causar. No site oficial de Armello há alguns gifs de como as cartas se comportam no game, vale a pena dar uma espiada.

Outro aspecto oficial que o game chamou a minha atenção foram nas cenas de batalhas, onde os personagens ganham esse visual o 2D visto na abertura do game, na qual atacam e defendem dependendo do resultado do rolar dos dados no confronto.

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Mas sabe qual o derradeiro aspecto que me conquistou completamente? O game está todo em português. Que irado encontrar um board game digital na qual tudo nele está em nosso idioma. Cartas, explicações, diálogos de personagens, status de missões. Não há uma única palavra em português, e é até por isso que não se faz necessário que eu fique aqui explicando e detalhando as inúmeras regras do jogo. Sua localização o torna tranquilamente acessível a qualquer jogador.

Não que o game leve muito tempo para se aprender ou conhecer suas regras básicas. Armello vem com um prólogo que coloca o jogador na pele de cada um dos clãs, e vai apresentando não só a história do tabuleiro, como cada personagem e seus atributos funcionam. É um prólogo demorado, dura aproximadamente uma hora, mas vale a pena jogá-lo.

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E mesmo que as partidas de Armello sejam um pouco demoradas, podendo levar um pouco mais de uma hora jogando contra NPCs, imagino que possa levar até mais se estiver jogando-0 em seu multiplayer online. No caso do single player, os turnos são salvos automaticamente, então o jogador pode retornar de onde parou caso precise interromper um momento na qual esteja jogando e não queira perder seu progresso.

Vale ou não vale?

Como não existe game perfeito, claro que Armello possui alguns aspectos na qual achei que poderiam ser melhores. O tabuleiro, por exemplo, não há tantos tipos de terrenos quanto gostaria que tivessem, e mesmo que o jogo gere suas localidades aleatoriamente cada vez que as partidas se reiniciam, a impressões que tive foi que o game estava sempre com a mesma cara.

Seria legal, por exemplo, partidas na qual o tabuleiro pudesse mudar certas regras utilizando-se de aspectos visuais, como mudanças de estações climáticas. No inverno, por exemplo, poderiam ter outras ameaças condizentes com a estação, e os personagens se moverem menos por turno, exceto se utilizassem itens para tal estação.

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No momento o tabuleiro de Armello até possui duas skins (verão e inverno), mas que até onde testei, e pesquisei no fórum oficial, não encontrei nada que diga que algo muda, sendo apenas algo estético mesmo. Seria legal se a estação mudasse de fato durante as partidas, e com isso, as regras do tabuleiro. E isso não ocorre.

O sistema de dados foi outro aspecto que fiquei com a impressão de que poderia ser melhor. Para rolar eles, basta mexer no analógico do controle. O que é meio sem emoção. Poderia ser um sistema semelhante aos dados de um Mario Party, por exemplo, com as figuras passando rapidamente, dando aquela impressão de que jogador está tentando acertar o que ele realmente quer. No sistema que o jogo utiliza, parte muita casualidade e sorte da IA do programa, muito mais do que a sua destreza de “jogar” os dados.

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Porém tirando estes dois detalhes, as mecânicas de Armello tem muito mais a oferecer do que atrapalhar. O game é divertido, tem uma boa dose de estratégia, tornando cada partida realmente diferente uma da outra, com muitas cartas para serem descobertas, segredos e missões para se conhecer. É um game que pode levar mais de 10 horas fácil para se descobrir todos seus mistérios. E mesmo que você descubra todos, ainda assim jogá-lo continua sendo bem legal.

O jogo até mesmo possui um sistema de progressão, na qual quanto mais jogá-lo, mais anéis e talismãs, que são escolhidos antes da partida começar, acabam sendo destravados. As cartas, conforme o jogador as vê pela primeira vez, são colocadas em uma galeria, na qual o jogador pode estudá-las posteriormente. Ao todo são aproximadamente 150 cartas únicas, no total de todas as categorias existentes no game.

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Por fim, a única coisa que achei que iria me empolgar, mas não rolou, foi seu multiplayer. Armello não possui multiplayer local, ou seja, só posso jogar o game com amigos online, o que é meio bizarro. Fui dar uma olhada em fóruns do game no site oficial e na Steam e vi que há jogadores surpresos com isso, até chateados. Há respostas lá dos desenvolvedores explicando que o problema com multiplayer local é que isso tiraria uma das regras do game, que permite os jogadores mexerem em suas cartas (equipando ou colocando em terrenos) enquanto os outros personagens estão se movendo pelo mapa.

Sinceramente, não acho essa explicação tão justificada assim. Talvez eu seja muito amador, mas sinceramente só mexo nas minhas cartas na minha vez. No geral gosto de ver o que os NPCs estão fazendo e aonde estão indo. E no nível de IA normal, eles nunca atacaram ou mexeram em suas cartas enquanto estava em meu turno no no de outros NPCs. Bastaria desligar isso, não? Cada jogador mexe nas suas coisas em seu turno e pronto, o jogo funcionaria sem problema com multiplayer de sofá, com os amigos presentes em uma mesma tela.

No que diz ao multiplayer online, lá diz que posso iniciar uma partida até mesmo sozinho, e aguardar outros jogadores entrarem na sessão, ou preencher a ausência de um ou dois jogadores com bots. Sei lá. Acho legal que tenha a opção online, mas vendo os fóruns oficiais, tirando os amigos que possuem e tem o game, a galera que busca jogadores desconhecidos no modo online normalmente escrevem meio chateados lá, comentando como é difícil encontrar pessoas online e como muitos saem no meio das partidas (que são longas). Sem mencionar que Armello não possui sistema cross plataform, o que significa que a turma dos consoles não podem disputar com jogadores do PC, o que segmenta totalmente a comunidade online.

Pra mim, as funções online de multiplayer acabam não tendo qualquer peso. Estão ali por estar.  Acaba fazendo uma falta tremenda o game não se adaptar e funcionar em modo local de multiplayer. Mesmo que isso tirassem algumas funções e regras pertinentes ao jogo.

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Descubro então que Armello é um board game digital divertido, mas que funciona melhor na experiência individual, do que multiplayer. Não tira os méritos da qualidade do game e sua diversão (mesmo sozinho, o game é divertido), mas dá o que pensar. Especialmente pelo fator do que um “jogo de tabuleiro” normalmente significa jogar com amigos. Aí você precisa convencer alguns amigos a comprar Armello para jogar contigo online, diferente da experiência de um jogo de tabuleiro real, na qual uma única pessoa pode ter o game e convidar os amigos para jogar em casa, comendo uma pizza.

Armello está disponível na Xbox Store, por amigáveis 24 reais, na Steam por receosos 40 reais e no PlayStation 4 por salgados 61 reais. Para quem curte jogar sozinho, Armello é um ótimo game, porém quem procura a experiência online, precisa nesse caso se esforçar mais, procurar jogadores que queiram e joguem sempre o game, já que o online com estranhos pode ser um pouco difícil de encontrar, dependendo da plataforma que você tiver o game. E pensar que é algo que seria muito mais simples se o game simplesmente tivesse um modo de multiplayer local.

Recomendo Armello, mas atento as condições estabelecidas nessa última parte a respeito do sistema de multiplayer do game.


Mais imagens!

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Há aspectos gráficos que se sobressaem aos olhos
Board game divertido e estratégico
Totalmente localizado em português
Sem multiplayer local (de sofá), apenas online
Não é tão complexo, mesmo tendo bastante regras
Pequenos detalhes ainda podem ser aprimorados

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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