Conversa de MangáDando Nota!Japão

One-Punch Man | Impressões do Volume 3!

Daqui alguns dias deve estar sendo lançado One-Punch Man Vol. 05 nas bancas, a capa ao menos já consta no checklist de novembro da Panini. Enquanto isso ainda nem consegui correr atrás do volume quatro, mas existe uma certa beleza no mundo dos quadrinhos, na qual nem sempre existe aquela urgência, aquela euforia para ler tudo no dia do lançamento. Ler é algo que requer tempo, momento, calma, sossego e acima de tudo atenção. É preciso estar no clima.

Claro que ajuda a segurar a ansiedade pelo próximo volume de OPM saber que parte desse começo eu pude ver no animê de 2015, então estou apenas refrescando a minha memória nestas primeiras edições do mangá. Entretanto sigo achando excelente que os capítulos extras, presentes até o momento nos três primeiros volumes, não foram animados, pois reserva ao menos um pouquinho de novidade a cada edição do mangá caso a pessoa tenha assistido ao animê.

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Também reafirmo algo que disse nas impressões dos volumes anteriores: a versão nacional impressa de One-Punch Man certamente é um dos mangás mais bonitos em bancas atualmente. A Panini realmente tem feito um excelente trabalho com o título. Mantendo o modelo das capas com abas, todo o material extras interno sendo publicado, um bom trabalho de tradução (ao menos não me tem incomodado) e é um mangá com uma quantidade satisfatória de páginas (uma pena não estarem enumeradas). Há sempre aqueles que reclamam da gramatura e da transparência do papel, e sempre repito aqui que não é algo que me incomoda nesse título. Porém reforço que acho uma pena que as vezes a grossura da encadernação come parte da arte das páginas duplas (aqui neste terceiro volume houve novamente uma ocasião na qual isso me incomodou – vide abaixo).

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Histórias do terceiro volume
com um pouco de spoiler desta vez, já que faz tempo que esta edição foi lançada

Este volume segue construindo a narrativa e o universo proposto pelo ONE (autor da série) para Saitama, um herói que é tão poderoso que pode derrotar qualquer inimigo com um único golpe, além do fato dele ser basicamente invulnerável. Lendo o primeiro volume é difícil imaginar para onde uma série com tal premissa poderia ir, já que os vilões são como moscas ao redor do herói. Qual a graça nisso? Significa que a série não terá confrontos empolgantes? É neste volume que o autor começa a mostrar que o Saitama não precisa estar em todas e que isso abre um leque infinito de situações possíveis.

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A começar que o mangá começa a trabalhar na profissionalização do herói, a categorizar os mesmos e também a explicar o contexto do mundo da série, com cidades separadas por letras e mais especificamente a cidade e local na qual o Saitama mora.

Antes disso há toda a situação de Saitama e Genos participando o teste de aptidão da Associação de Heróis, que por sinal é uma excelente ideia para o autor conseguir trabalhar com todo tipo de herói e mostrar ao leitor que há heróis bem poderosos, mas que não beiram o mesmo absurdo que o Saitama é. Gosto desse momento inicial da série, pois é importante para os rumos dos próximos arcos.

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Logo em seguida há tudo que os fãs querem ver sendo desenvolvido e aperfeiçoado pelo autor, que é o nível de força de Genos e o quão distante ele está do Saitama. O duelo deles neste volume é épico, e é impressionante como o mangá não deixa nada a dever para com a versão animada. Saitama tem um aprendiz que ao mesmo tempo funciona como a regra do rival nos shonens normais. Genos é o rival camarada, mas ainda assim para treinar ele não mede esforços.

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Já parte do Saitama com Sonic, há momentos épicos (o mangá é cheio disso, não?), mas o que gosto desse momento é que a história não fica apenas no fanservice das batalhas frenéticas e poderosas. Aqui há um trabalho no humor, nas piadas e na falta de noção do Saitama. Não sei ainda o que deveria achar do Sonic. Mais a frente ele vai voltar a aparecer e em um papel ainda maior, entretanto ele também funciona como um rival, mas é tão fraco frente ao que Genos aparenta ser quando quer engrossar o caldo. Eu espero no futuro poder ver uma batalha entre o Genos e o Sonic. Isso sim seria interessante.

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Por último, dentro da linha da cronologia, o terceiro volume encerra com um de seus melhores momentos a meu ver. É aqui que o ONE meio que prova que One-Punch Man não só legal por conta do Saitama, mas que a proposta da série em si é que a torna original e incrível.

Trata-se da batalha no beco próximo ao local em que Saitama mora, na cidade Z, também conhecida como cidade fantasma. Alguns heróis da Associação são encarregados de investigar o lugar e se deparam com uma criatura persistente e complicada de derrotar.

Gosto da sensação de urgência desse ponto da história. De haver heróis em situações de vida e morte, de uma ameaça que a todo momento faz o leitor pensar que essa criatura marinha é realmente algo assustador e perigoso. Como uma batalha característica deste gênero de mangá, esse trecho do terceiro volume é muito bem competente.

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E aqui surge uma característica importante do que vai se seguir nos próximos arcos de One-Punch Man: a de quê mesmo que você saiba que o Saitama se chegar ali vai resolver tudo com um único soco o que importa não é este momento de conclusão, mas o desenrolar da trama até isso acontecer. Como os personagens precisam lidar com isso, enquanto o Saitama está fazendo compras ou aguando as plantas. Esse é um elemento que torna o mangá incrível. A espera é um dos atrativos e charmes da narrativa do mangá. O leitor não anseia mais pela conclusão, pelo contrário, o desejo é ver até onde o circo pega fogo e até onde a situação se torna desesperadora antes do Saitama chegar e resolver tudo facilmente.

Claro que em meio a tudo isso o mangá segue trabalhando na sutileza de um protagonista que é tão poderoso que não tem mais aquele fogo dentro de si. Saitama segue com seu drama, seu desespero privado na qual tudo para ele perdeu a graça. A chegada de Genos certamente mexeu com sua rotina, mas não acrescentou aquilo na qual ele tanto deseja, que é o ardor de uma batalha. Ao leitor fica aquela expectativa: será que algum dia Saitama encontrará alguém tão forte quanto ele?

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No que diz respeito aos capítulos extras, sigo adorando eles. O primeiro, Verão, apresenta um conto dos dias em que Saitama ainda estava se tornando aquilo que é hoje em dia. Nem cabelo ainda havia perdido, porém é um ponto na qual ele já está bem forte, absurdamente forte. A história se passa um pouco adiante do capítulo extra do volume 2, mas ainda assim é muito legal conhecer o passado do personagem. Não há uma batalha aqui, apenas o bom humor nonsense da série, e isso já o bastante desta vez.

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O segundo capítulo extra, sim neste volume há dois, o Saitama é apenas uma figura passageira, um símbolo para reforçar a lição moral no final do capítulo. A história é sobre um cara qualquer que também almeja ser um herói. Porém ao longo da história as pessoas e as situações na qual ele se mete dizem para ele que não há esforço no mundo que vá o tornar um herói poderoso, já que existem pessoas com super habilidades especiais. Dê que adianta se esforçar diante dos absurdos destes seres especiais e com talentos de natureza sobrenatural. Ao fim, é claro que ele conhece o Saitama e todas as convicções que enfiaram na sua cabeça caem por terra. Saitama é o exemplo do esforço e da perseverança. Além disso é bacana ver a Tatsumaki do Tornado do Horror ter um papel até grande aqui, vendo a sua irmã sendo derrotada e assumindo as rédeas da trama por um breve momento. É uma personagem que também vai desempenhar um papel legal em breve na série em si.

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Ao fim, este terceiro volume de One-Punch Man segue a boa diversão proposta pelo mangá. O universo da série segue expandindo, novos personagens (que não são vilões) seguem sendo apresentados e Saitama vai saindo cada vez mais de sua rotina, entrando em novas interações e situações. O mangá segue criativo e interessante. Fazendo o leitor imaginar até onde toda essa loucura criadas pelo ONE pode chegar. Fora que os desenhos do Yusuke Murata continuam fenomenais. É um mangá bonito demais. Talvez não tenha a trama mais complexa ou filosófica de todos os tempos (ou talvez tenha, mas é tão sutil que não incomoda quem não se interessa por notá-la), mas é competente ao apresentar uma proposta diferente, quase uma sátira, mas que sabe se renovar e criar novos elementos a cada volume lançado. Agora mal posso esperar pelo quarto volume. Preciso correr atrás dele…

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Outras edições de One-Punch Man:

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Teste de aptidão da Associação de Heróis
Genos versus Saitama
Sonic da Velocidade Sônica, o retorno
Heróis versus Kombu Infinity (Cidade Z)
Histórias extras deste volume
Encadernação que come a arte de páginas duplas

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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