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Dishonored 2 | A boa caixinha de inesperadas surpresas! (Impressões)

Quem acompanha o site com certa regularidade deve ter percebido que estive ao longo destes últimos três meses entretido com Dishonored 2. Digo isso porque escrevi alguns miniposts mostrando alguns dos aspectos que estavam me agradando enquanto desfrutava da jornada de Emily Kaldwin para reaver seu reino e salvar seu pai, Corvo Attano, protagonista do primeiro game.

A campanha de Emily me tomou aproximadamente 30 horas para ser concluída. O que de uma certa forma me impressionou bastante, já que infelizmente não tive a oportunidade de jogar o primeiro game (lançado na geração passada, em 2012) e por conta disso não tinha qualquer expectativas, positivas ou negativas, para com este título.

Acabei encontrando em Dishonored 2 uma das minhas melhores experiências desta geração. Tudo no game me surpreendeu. Suas mecânicas de jogabilidade, os gráficos, sua trama, o alto valor de replay, a trilha sonora e a fantástica dublagem em português na versão da campanha com Emily, além de todas as surpresas e segredos que o jogo me fez correr atrás, dando aquela satisfação recompensadora por ter me dedicado tanto tempo ao mesmo.

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Salve Dunwall!

A trama de Dishonored 2 coloca o jogador 15 anos após os eventos do primeiro game. Muito da aventura anterior surge aqui em várias referências e circunstâncias, mas são pontos que nunca travam a história para os jogadores que estão chegando agora à franquia sem saber nada do game que o precedeu.

Há personagens que retornam, cidades que são revisitadas, mas a narrativa da sequência é tão convidativa a veteranos e novatos que em nenhum momento o jogador fica realmente sem entender o que está acontecendo ou porque os personagens estão agindo de tal maneira. Isso vindo, claro, da minha percepção, sem qualquer experiência com o jogo anterior.

O pessoal da Arkane Studios fez um ótimo trabalho de contextualização ao universo criado em 2012, especialmente na campanha e perspectiva da personagem Emily. A jovem narra sua história entre cada capítulo do game, explicando sobre si mesma, sobre quem foi seu pai, sobre a importância de cada região e seus governantes. Quando a mesma chega em locais do primeiro game, Emily conta ao jogador como esse lugar foi no passado, ou ao menos a forma como ela ouviu que era através das histórias de seu pai. O jogador nunca fica de fato perdido na trama de Dishonored 2.

O storytelling (saber contar uma história) de Dishonored 2 é genial. Eu fui pego muito fácil por tal universo. Fiquei imerso, e em casa tanto meu pequeno, quanto a minha esposa, estavam sempre parando o que quer que estivessem fazendo para ouvir Emily contar suas histórias. Jogar Dishonored 2 virou um evento. Fui proibido de jogar de madrugada sozinho, cada missão era como um capítulo de um seriado. Todo mundo em casa tinha que estar presente para ver o que iria acontecer em seguida.

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A respeito da trama em si; o jogo apresenta então uma Dunwall que prosperou após os eventos do primeiro game. Corvo Attano perdeu sua esposa, mas Emily cresceu e agora começa a assumir o posto de imperatriz de Dunwall, enquanto o reino celebra o aniversário de morte de sua mãe, Jessamine Kaldwin. Só que nem tudo está realmente bem.

Há um serial killer matando figuras importantes que se opõem ao governo da família Kaldwin. E as pessoas começam a suspeitar que Corvo e Emily estão por detrás destes assassinados (e Emily diz ao jogador que não estão). A situação piora quando Delilah Copperspoon invade os portões de Dunwall, sob a proteção de Duke Luca Abele de Serkonos, reino vizinho de Dunwall, e alega ser a legítima herdeira do trono de Dunwall, dizendo ser a meia irmã de Jessamine.

Nesse ponto Dishonored 2 pode caminhar para duas direções, Corvo Attano ataca Delilah e desfere um golpe fatal em seu corpo, porém a antagonista revela ser imortal. Emily e Corvo estão cercados. Aqui o jogador precisa escolher: com quem você irá jogar a campanha de Dishonored 2? Emily ou Corvo?

Ao escolher seu personagem o outro será transformado em pedra. Deixando ao jogador as seguintes missões: salvar a pessoa que se tornou pedra e salvar Dunwall, mas antes disso é preciso descobrir quem é realmente Delilah e como é possível derrotar alguém imortal. Delilah não agiu sozinha, há um complô! Revele essa conspiração. Cace todos que ajudaram e estão envolvidos com Delilah, e talvez você descubra o segredo para sua imortalidade e poderes!

Inesperadas surpresas

Se a trama de Dishonored 2 é ótima, o gameplay é espetacular. E sabe da melhor? Ele constantemente se renova a cada uma das nove missões que existem dentro da campanha. Sempre há um twist em suas mecânicas ou no ambiente do jogo. E acima disso são as possibilidades dentro do conceito “jogue do seu jeito“.

Esse alerta aparece logo no primeiro minuto em que o jogador é solto no mundo do game. Quer sair matando e atacando todo mundo? Pode. Quer sair correndo e ir do ponto A ao ponto B com dezenas de inimigos lhe perseguindo? Pode. Quer ser furtivo e não deixar que ninguém lhe veja? Pode.

Não há um caminho linear, não há uma direção certa para onde seguir. O design de fases do título é genial, a ponto do jogador poder escolher invadir áreas internas de edifícios para passar por bloqueios, ou ficar nas ruas e ir sorrateiramente passando entre a andança dos guardas, ou até mesmo subir em alturas maiores e ir pulando de ponto em ponto até chegar a bons pontos de ataques furtivos.

É possível terminar missões sem matar ninguém, sem ser detectado ou matar tudo mundo e dar com a cara e a coragem frente a combates que são realmente complicados, pois os inimigos lhe cercam e te atacam de forma inteligente. A própria inteligência artificial dos inimigos é digna de elogios, pois mesmo distraindo-os, eles são espertos o suficiente para continuarem lhe procurando até achar o motivo para uma garrafa ter sido quebrado ou outros barulhos terem sido realizados durante as inserções furtivas do jogador.

Os inimigos se reúnem, dividem informações e ficam entre pontos na qual muitas vezes não são simples para o jogador chegar furtivamente para atacá-los sem que outros não notem. Há até mesmo inimigos mais a frente da campanha que podem lhe notar mesmo que estejam de costas ou que você esteja no mais alto dos edifícios tentando distraí-los. Brinque demais e eles vão lhe encontrar. Tenha certeza disso.

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Some a tudo que foi relatado o fato de que cada região visitada pelo personagem que você escolher tem suas próprias peculiaridades. Há regiões infestadas de moscas de sangue (seriam como abelhas gigantes em qualquer outro game de aventura, se chegar muito perto elas lhe atacam), algumas que sofrem com intensas nuvens de poeiras, outras protegidas com perigosos robôs autônomos, ou criaturas sobrenaturais e assim por diante. A melhor delas é aquela na qual o jogador precisa transitar entre o passado e presente para conseguir se locomover dentro de uma mansão e descobrir um terrível segredo. — Você terá coragem de mudar passado?

Então o ambiente do game muda a cada uma das missões principais, trazendo consigo novos desafios. Os inimigos também progridem dependendo de cada um dos lugares que em o jogador visita. No início eles são meros guardas, mas logo o jogador irá encontrar inimigos muito mais perigosos e ameaçadores, que o fará repensar qualquer tática de atacar primeiro, se esconder depois.

Na cereja desse bolo há a árvore de habilidades de cada um dos protagonistas do game. Logo no começo da aventura o jogador irá encontrar uma enigmática figura chamada O Estranho (The Outsider no original) que irá lhe oferecer poderes sobrenaturais, na qual obviamente são de caráter sombrios, das Trevas. Daqueles que podem corromper facilmente uma pessoa normal. Você irá aceitar tais poderes?

Ao aceitar, mais habilidades são colocadas em sua árvore. Se teletransporte para grandes alturas, veja através de paredes, se transforme em uma figura que pode andar por canos, intimidar ratos, e até mesmo criar um clone de sombra. Emily e Corvo tem habilidades exclusivas de cada um. Ou o jogador pode escolher não aceitar e jogar o game inteiro sem o risco de ser corrompido. Mas isso não é algo fácil de se fazer em uma primeira viagem pelo game, esteja alertado.

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Importante dizer que Dishonored 2 sabe equilibrar muito bem a progressão do jogador por essa árvore. É impossível habilitar tudo antes do game acabar. Isso porque os pontos necessários para subir de nível, por assim dizer, não existem. Emily ou Corvo só destravam novas habilidades coletando Runas perdidas pelo game e depois de um determinado número de Runas é que se torna  possível adquirir uma habilidade.

E as Runas são limitadas. Não existem o suficiente para completar a árvore 100%. Coletá-las também é um desafio, pois muitas estão escondidas e nem sempre estão no caminho na qual o jogador deve ir. Explorar tudo em Dishonored 2 acaba sendo tão importante quanto avançar. Claro que se você odeia explorar, sem saber exatamente onde um item está, saiba que as Runas são indicadas por um coração corrompido na qual o jogador acaba tendo posse logo no primeiro encontro com O Estranho. Nada então de explorar a esmo. O coração lhe mostra, mas ainda assim nem é fácil descobrir como acessar tal lugar ou chegar a tal Runa.

Alias o Coração tem uma habilidade muito boa, que é revelar a verdade ou história de qualquer humano que o jogador apontar para ele. É uma forma de revelar segredos profundos dos humanos presentes nesse universo. E os segredos as vezes são bem pesados. Mas o coração diz, “não se preocupe, ainda há bondade no mundo“… será mesmo?

Caminhos das pedras

Dishonored 2 também segue a linha de estrutura básica todo jogo lançado pela Bethesda: o jogador precisa tomar decisões que irão definir os rumos da historia. Há diversos momentos em que o game para e lhe pede para decidir o que fazer.

Com quem quer jogar? Vai aceitar os poderes do Estranho? Vai tentar redimir algumas pessoas? Irá se vingar e irá assassinar figuras importantes da trama ou tentará o caminho alternativo e até a redenção de algumas destes personagens chaves da trama? Cada decisão irá impactar o final do game, que sim, tem diversos tipos de finais.

No geral há dois finais centrais, um na qual o jogador optou por ver o circo pegando fogo (caos) e um outro na qual o jogador tentou agir da melhor forma possível, resistindo ao caos (e a corrupção dos poderes do Estranho, caso você o aceite) e assim revelando um final menos caótico e ruim. Mas dentro destas duas possibilidades existem pequenos detalhes que podem mudar vários outros aspectos secundários da história, seja terminando com o Corvo ou com Emilly.

Quem irá governar Serkonos, por exemplo? Há algumas opções bem interessantes nesse aspecto ao final do game, dependendo de como o jogador agir na missão que irá envolver o Duke Luca Abele.

Em outro momento um outro personagem ao fim do game irá revelar um segredo de seu passado. Você irá perdoar ou não? O jogador pode até mesmo escolher matar personagens centrais da trama que não são necessariamente os alvos principais da missão. E ao fazer isso está mudando eventos e histórias e como a narrativa vai progredir. Você pode bem chegar ao ponto de não ouvir certos segredos e mistérios do game.

Existe até mesmo uma missão na qual envolve um inteligentíssimo puzzle de lógica que você pode sentar e tentar resolver (porque ele gera dados aleatórios para cada jogador para impedir que as pessoas olhem a resposta na internet) na qual se o jogador resolver – eu consegui depois de 3 dias pensando e apresentando o mesmo a várias pessoas – é possível simplesmente pular um pedaço enorme da missão que iria envolver matar um chefe da região para apresentar a outro chefe, para que um destes lhe desse a resposta do enigma.

Esta não é a resposta do enigma acima…

São momentos como estes que mostram que Dishonored 2 não tem um caminho certo a seguir. O jogador tem táticas, tem decisões e tem peso e responsabilidade sobre seu atos, porque eles impactam o resultado final do game. As vezes impactam até mesmo como o jogo vai progredir a partir daquele ponto. Eu deixei de ter um aliado no final do game porque escolhi não alterar o passado, por exemplo!

Tome suas próprias decisões e seja responsável por seus atos. Dishonored 2 tem uma mensagem muito bacana. Vingança dente por dente vai te levar para um caminho sombrio. Você pode lidar com isso? Seja você como Emily, seja como Corvo, ao escolher o lado sombrio, você não estaria apenas se tornando aquilo na qual está combatendo? Algo que Delilah já se tornou?

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Considerações finais

Chegando ao fim da análise não sei se me esqueci de algum detalhe importante que esteja me escapando entre os dedos e meu teclado. Sinto que não fiz qualquer crítica quanto ao game, e sinceramente não acho que tenha realmente nada de agravante para dizer.

Encontrei ao longo destes três meses apenas um problema com a versão de Xbox One após uma certa atualização sistemática do game, na qual o jogo ficou crashando (o console volta ao seu menu principal e o game se encerra) constantemente (a cada 10 ou 15 minutos). Ficou assim por quase um mês até que uma nova atualização consertou o problema. Depois disso tive apenas mais umas três ou quatro situações de crash. Não é ideal que isso ocorra, mas sendo justo, não tive tempo (e coragem) para desinstalar e instalar novamente os 50GB do game com a minha terrível internet de 4MB (a única disponível em minha rua). O que fiz para amenizar isso foi passar a salvar manualmente o game de forma constante, o que não chegou a me incomodar – de fato até me ajudou a consertar erros mais frequentes ao logo da jogatina, como impedir de ser detectado ou ir para lugares errados.

Quanto aos demais pontos, não tenho mesmo do que reclamar. Vi relatos na internet de pessoas que não curtiram pontos específicos da trama. A parte, por exemplo, do serial killer que dá início a história não é exatamente bem aprofundada, sendo apenas um meio para outro fim. Poderia ter se investido em algo mais interessante, mas não é algo que estrague as coisas. Especialmente porque é um plot inicial, enquanto a trama real vai se revelando por debaixo dos panos, o que é o correto a se fazer.

O game possui vários tipos de inimigos, mas é notável que a skin dos guardas normais não muda do início ao final do game. Os uniformes parecem ser os mesmos, até mesmo quando se viaja para o passado. Não é um aspecto que estrague tudo, mas eu me peguei algumas vezes pensando se os desenvolvedores não deveriam ter feito uma variedade maior de skins com os rostos e roupas desses personagens. Mas a verdade é que o jogador não fica muito tempo parado pensando nesses tipos de inimigos como personagens únicos. Eles são como Goombas e Tartarugas do Super Mario Bros, estão ali como obstáculos para a passagem do jogador ter o desafio necessário.

De resto, Dishonored 2 é tudo e muito mais do que descrevi acima. Vivo dizendo por aqui que não sou um grande apreciador de jogos em primeiro pessoa, preferindo muito mais jogar em terceira pessoa, mas Dishonored 2 me conquistou de tal maneira que isso sequer importou.

Gostei de que o game em nenhum momento passa a mensagem de que é você ali, na perspectiva de um personagem sem alma, sem graça ou sem personalidade. A essência de Corvo e Emily se fazem presente durante todo o game, independente do jogador estar vendo apenas suas mãos. É um aspecto importantíssimo pra mim isso.

Joguei com ambos os personagens, ainda que não tenha ido até o fim com o Corvo (mas espiei por aí seus finais) e digo que gostei muito mais da Emily, que foi quem passei 30 horas de campanha. Acho normal isso, já que o Corvo está aqui como uma opção para os jogadores que vieram do primeiro Dishonored (na qual agora quero muito jogar). O fato é que a dublagem da Emily está espetacular. As linhas de diálogo são dignas de todo os elogios que a dublagem brasileira possui nas animações para cinema. Está nesse nível. Não só da Emily, mas de todos os demais personagens do game. A voz do Corvo mesmo é legal, mas as poucas horas que passei com ele fiquei com a sensação de um personagem com um tom mais amargurado, enquanto a voz da Emily é mais triste, mais sofrida por toda bagagem ruim que sofreu desde a sua infância. Me conquistou mais do que o Corvo. Apenas isso.

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Por último, vale comentar que depois que o game terminou pela primeira vez, dá a vontade de jogar tudo de novo. Seja com outro personagem, seja com o mesmo. Existe um New Game Plus (Novo Game +) que carrega as runas e outros itens coletados na primeira jogada, permitindo assim que o jogador ouse e explore melhor as primeiras áreas do game, deixando a segunda campanha bem diferente da primeira.

Pena apenas que Dishonored 2 tenha sido um game que saiu de forma tímida do Brasil. E é uma injustiça que tão poucos tenham tido a chance de experimentar. Espero que com esse texto consiga despertar a curiosidade de mais jogadores para com o título. A nota máxima na análise não é exagero. O game realmente merece, porque faz muito mais do que parece prometer. Tem ritmo, é acessível a novos jogadores ou quem já teve contato com o primeiro título, tem um trabalho de localização incrível no Brasil e é um daqueles jogos que vale o preço, porque apresentam uma experiência única e duradoura, na qual incentiva o jogador a se dedicar por dezenas de horas nele. Em resumo: não deixe de jogar!

Galeria

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Excelente trama, que se desenrola de diferentes maneiras
Mecânicas e jogabilidade se renovam do começo ao fim
Exploração dos ambientes é atraente e aditivo
Dublagem brasileira está incrível, nível de cinema
Longevidade e alto valor de replay
Decida como jogar, pontos da trama e quais poderes ter

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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