Edição 1 | Slam Dunk, descobrindo um clássico! (Impressões)

Dá tranquilamente para dizer que Slam Dunk é um dos melhores mangás de todos os tempos publicado no Japão. Não estou dizendo que é o melhor, mas um dos melhores. Que isso fique bem esclarecido.

A obra de Takehiko Inoue é famosa mundialmente, foi produzida e publicada originalmente no oriente entre 1990 e 1996 e rendeu 31 encadernados tankoubon em seu formato tradicional.

Interessante abrir um parêntese agora e dizer que a versão que a editora Panini está lançando por aqui é uma edição diferenciada, baseada na chamada versão kanzenban, que é como os japoneses categorizam uma versão meio de luxo, meio como uma versão definitiva. O ponto que interessa é que essa versão compila a obra completa em 24 volumes, trazendo mais capítulos por edição. São 240 páginas em cada volume, aproximadamente.

Na prática isso faz com que a atual versão nacional de Slam Dunk se pareça muito com o tratamento gráfico que One-Punch Man tem recebido no Brasil. Nada de papel jornal (ufa), e sim o papel branquinho e limpinho do offset. Têm orelhas, aquelas abas laterais na capa (como livros) e como é baseado na versão kanzenban há algumas páginas coloridas abrindo cada edição (mas a quantidade deve variar de edição para edição, por exemplo, o segundo volume tem apenas duas folhas coloridas – 4 páginas – enquanto a primeira edição tem quatro folhas – 8 páginas).

Talvez você não saiba, mas esta não é a primeira vez que o mangá é publicado no Brasil. Na verdade a Conrad o publicou entre 2005 até 2008, no formato dos 31 volumes originais. De toda forma é totalmente válido esse retorno pela Panini, em um formato mais caprichado, uma nova revisão, tradução e uma nova chance para aqueles, como eu, que nunca sequer deram chance a obra – o que hoje, após ler a primeira edição, posso dizer ter sido uma tremenda mancada minha.

Takehiko Inoue é também o autor de Vagabond outro título que eventualmente também preciso dar uma chance – e que é também publicado no Brasil pela Panini. Faz sentido que diante do sucesso de Vagabond, que é a atual obra do autor, a editora tenha resolvido relançar Slam Dunk, que foi seu primeiro sucesso.

Qualidade de um clássico

 Bons clássicos são assim, divertem independente da época em que foram produzidos. Claro que às vezes se faz a necessário um olhar crítico para o momento na qual estas obras foram escritas e publicadas, entender certo contexto da sociedade e da cultura em questão, e nem todo mundo tem essa capacidade analítica.

Felizmente esse olhar para o passado não parece tão importante para apreciar o primeiro volume de Slam Dunk. O mangá funciona muito bem de forma atemporal, como se estivesse sendo escrito junto com os atuais títulos japoneses em publicação.

O único contexto que claramente é uma influência da época em que fora produzido talvez seja o estereótipo do valentão delinquente escolar de topetão que existia nas obras da década de 80 e 90 e que provavelmente refletiam essa classe estudantil japonesa.

Considerando que até hoje o leitor brasileiro se diverte (muito) com o adorado Yu Yu Hakusho, na qual seu protagonista (Yusuke Urameshi) tem exatamente esse mesmo arquétipo é muito fácil se simpatizar com o protagonista de Slam Dunk, o grandalhão Hanamichi Sakuragi.

Aqui entra um ponto pessoal: nunca gostei de mangás de esporte. É realmente um gênero que não cai na minha graça. São raras exceções mesmo. Um destes casos de exceção que posso citar é Yowamushi Pedal, na qual descobri a versão em animê pela Crunchyroll e que me entreteve bastante em suas duas primeiras temporadas (depois disso achei que ficou meio cansativo).

No geral sou mais solícito a obras de fantasia e ficção científica, de universos fantásticos e aventura, os clássicos (e clichês) shonens de batalhas e um ou outro título de comédia (quanto mais nonsense e absurdo melhor – obras como Nichijou e Arakawa Under the Bridge são bons exemplos).

Não sei dizer qual meu problema com mangás esportivos. Talvez parte seja porque a ação nesse gênero esteja atreladas as partidas, ao evento esportivo em si, o que pra mim, um sedentário que tem horror a atividades físicas e que fugia da Educação Física nos tempos de colégio, não são tão incríveis assim.

Claro que gostos mudam e gêneros cansam. E não é para menos que ando dando muitas chances a coisas que no passado sequer faria questão de ler. A gente envelhece e os clichês dos gêneros na qual sempre adoramos passam a nos irritar. No meu caso me obriga a ir conhecer outros gêneros para voltar a me surpreender.

Esta primeira edição de Slam Dunk traz 11 capítulos da série e dá para sentir bem a pegada da obra e o estilo do traço do autor – que para a época em que fora produzido é muito impressionante e refinadíssimo, sem deixar perceptível de que se trata de uma obra bem antiga para 2017.

Porém o que mais me empolgou foi à narrativa e ambientação. Slam Dunk é um mangá de basquete, isso sua capa deixa bem claro, porém ele é também um mangá de comédia, o que só dá para descobrir lendo-o. Os personagens são carismáticos, extrovertidos e bem humorados.

Posso exemplificar usando o próprio Sakuragi, protagonista da série. O cara é um valentão, líder de uma gangue, na qual todos os membros dela tiram sarro dele porque ele é sempre rejeitado pelas garotas da escola, na qual perante elas, o grandalhão fica todo abobalhado ao se declarar e ao ser rejeitado vira comicamente um chorão depressivo. Na hora que outros valentões de classes avançadas cismam com ele ou um de seus amigos, o pau come na hora, em uma incrível transição de traço, na qual o autor muda o espírito e clima da situação, criando adrenalina ao momento. E Sakuragi e sua gangue são fortes, encarando qualquer outra gangue de valentões.

O começo da série trabalha bem estes momentos antes de inserir o elemento basquete nele. O esporte surge quando Sakuragi conhece essa garota apaixonada pelo esporte que encasqueta que ele seria um incrível jogador se entrasse para o clube de basquete do colégio. Temendo mais uma rejeição e vendo que a garota quer se tornar sua amiga, Sakuragi de repente se torna fã do esporte.

Claro que se tudo fossem flores o mangá não teria graça. Aí vêm as adversidades na qual a primeira edição trabalha tão bem. Sakuragi conhece um rival, que não é um valentão, mas um estudante jogador famoso, tirando-o de seu ambiente seguro. Tudo é novo para Sakuragi. Depois vem a entrada do clube e o desafio contra um veterano, que aqui não vou revelar sua importância, mas o cara tem.

E é legal que todos estes personagens do mundo do basquete possuem boas personalidades que funcionam de inesperadas formas contra o temperamento de Sakuragi. O primeiro volume tem esse desafio contra um veterano que é repleto de imprevisto enquanto Sakuragi não manja nada de basquete, mas insiste que precisa ir bem para impressionar a garota. É comédia pura.

Considerações de primeira edição

A edição termina ainda na comédia, mas elevando em boa dose a determinação do time e do que virá a serem as disputas esportivas e os campeonatos. Certamente o protagonista, e seus amigos escandalosos tornam a trama divertida, e muitas vezes gerando momentos improváveis.

Slam Dunk é um título que não estava em meu radar, mas passou a estar após a leitura dessa edição. O mangá foi lançado no final de 2016 pela Panini, mas felizmente é um destes títulos que podem ser adquiridos em lojas virtuais, como a Amazon e FNAC (com desconto no preço de capa, o que é ainda melhor). Como tem periodicidade bimestral, as bancas recentemente receberam o sexto volume da série, o que significa que ainda tenho tempo de sobra para correr atrás dos demais volumes. Tanto é que adquiri esta semana a segunda edição (e a terceira e quarta pego ainda neste mês de outubro).

Sendo assim espero ter outras oportunidades para vir relatar e comentar sobre as próximas edições, enquanto vou me surpreendendo em estar me divertido com um mangá de esporte! Hoje já consigo entender porque a obra é famosa, tem tantos fãs e o peso de um clássico muito respeitado. Se os demais volumes possuírem a qualidade que encontrei aqui, Slam Dunk deve ser um daqueles mangás que dificilmente me esquecerei.

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