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Análise | Pikuniku

Disponível para Nintendo Switch e PC

Lançado no último dia 24 de janeiro, Pikuniku é uma aventura curta, mas peculiar. O título é um projeto da pequena equipe (de quatro pessoas) do estúdio indie Sectordub, tendo sido distribuído pela Devolver Digital. Antes de continuar, já aproveito para indicar sua adorável página no Twitter, que apresentam ilustrações e também conta toda a trajetória do título até seu lançamento. Vale a visita.

Pikuniku é um jogo estranho. Meio bobo, mas não de uma forma pejorativa. Pelo contrário, é aquele bobo adorável, cheio de simpatia e carisma. Lembra, de uma certa forma, o estilo visual colorido e minimalista de LocoRoco, título da Sony Japan Studio.

Porém a comparação para por aí. LocoRoco é um jogo de plataforma em que o jogador controla o ambiente ao invés do personagem, fazendo o mundo inclinar enquanto a bolotinha segue a física do terreno, escorregando, saltando e comendo frutinhas para ficar ainda maior.  Pikuniku é um título mais tradicional, em quê o jogador controla Piku, um pequeno ser sem braços, enquanto ele acorda em uma caverna e sai para explorar o mundo. A proposta do game é conversar com as pessoas desse mundo, enquanto resolve puzzles e utiliza diferentes tipos de plataformas para explorar o mundo em busca de moedas, itens e o próximo lugar a se visitar.

O que é bonitinho em Piku são suas pernas e a física criada para sua movimentação. Elas são flexíveis e adaptativas. Significa que ao andar por terrenos imperfeitos, ela vai se adaptar, esticando até onde for necessária para que o pequeno protagonista ande sem que o jogador precise saltar um pequeno obstáculo. Ela também é perfeita para chutar os pequenos habitantes das vilas que Piku irá encontrar. Não serve para nada chutá-los, mas você o fará mesmo assim, vai por mim. Em outra situação, as pernas também serão necessárias para pendurar Piku em pequenos ganchos, para a realização de saltos e também para chutar botões ou outros objetivos afim de resolver pequenos puzzles.

Adoravelmente bobo

Pikuniku apresenta essa história onde um grande empresário está promovendo uma espécie de campanha onde dinheiro está sendo dado de forma gratuita aos moradores dessa pequena ilha a qual se passa o jogo. “Grana de graça!”, o mesmo anuncia. Em troca, robôs gigantes de sua corporação estão coletando recursos da ilha. Percebeu? De graça, mas nem tanto.

O ponto é que todos estão maravilhados com a chuva de moedas que a Radiante Ltda envia para toda a ilha e não estão tão preocupados assim com a coleta de recursos que a empresa está fazendo por todos os locais. Muitos gostam das moedas, então não se importam muito com o resto. Entretanto durante sua jornada Piku irá encontrar alguns NPCs preocupados com tais coletas, preocupados que isso trará danos terríveis no futuro.

De uma certa forma, a história de Pikuniku tem um certo grau de crítica em algumas camadas. Uma população alienada, querendo apenas ganhar dinheiro sem pensar os motivos pelo qual estão sendo bem tratados. Uma corporação que se vende como boa samaritana, mas que logo se descobre ter motivos escusos. E a ideia de que um levante popular, de um pequeno grupo de habitantes pode fazer a diferença. Piku se vê envolvido e compelido a ajudar a rebelião.

Vale apontar que todo o jogo está localizado em português. Então é super acessível aos jogadores aqui no Brasil, inclusive crianças. Que vão adorar os diálogos e piadinhas bobas presentes no game. Há um humor adulto algumas vezes, mas nunca com palavrões ou conotações impróprias para menores. É tudo muito ingênuo, meio meigo, e super carismático.

Problemas a serem resolvidos

Piku irá se ver em meio a diversos quebra cabeças para serem resolvidos. Nada realmente difícil. Pikuniku é um game muito fácil de se avançar, sem frustrações por não saber o que fazer a seguir. Os objetivos são sempre bem diretos e óbvios. A diversão está em descobrir como o jogador apresenta certas soluções ao jogador.

Conversar com todos os habitantes da vila é uma das mecânicas principais do jogo. Há alguns objetivos e recompensas secundárias ao se fazer isso. O jogador conquista pequenos, mas adoráveis troféus que podem ser conferidos em uma galeria, e também chapéus para Piku.

No que diz respeito as mecânicas principais, há algumas além do apenas andar, pular e chutar. Piku irá receber chapéus que ativam plataformas, além de outras funções que vale a pena você não saber agora. Há também alguns mini games simpáticos ao longo da curta aventura, como um jogo de basquete que se joga com as pernas. O título quebra, de uma forma positiva, várias vezes o ritmo de andar e conversar para apresentar estas atrações sempre divertidas dentro do mundo do game.

Já na parte dos desafios de plataformas, aqui mora talvez uma das partes mais legais e desafiadoras do jogo. Não que sejam realmente difíceis, mas eventualmente o jogador vai quebrar a cabeça tentando chutar uma bola até uma plataforma, apenas para que ela aperte um botão para abrir uma porta. O mundo do game também esconde alguns troféus e moedas em partes escondidas do cenário, o que torna interessante explorar todos seus cantinhos.

E depois que a trama principal acaba, o jogo segue aberto para que Piku possa explorar tudo novamente e resolver pequenos puzzles que ele ainda não chegou a resolver. Como encontrar um dente de ouro para um feiticeiro que mora nas nuvens. Não é o melhor fator replay do mundo, mas é divertido.

Pare a aventura e vá conhecer Niku

Piku é o protagonista da campanha single player de Pikuniku, mas quem é Niku? Bem, este é o parceiro de Piku nas nove fases cooperativas que existem no título. Piku é o vermelhinho, enquanto Niku é o laranja.

As fases cooperativas do jogo não apresentam um mundo conectado como na aventura solo. São fragmentos de desafios que precisam ser conquistados em cooperação entre jogadores, afim de Piku e Niku chegarem a um pequeno barco que os levará ao próximo desafio.

Em comparação com os desafios do jogo solo, alguns desafios do modo cooperativo são realmente difíceis. Houve alguns que me tomaram mais de 15 minutos com o meu filho, de seis anos, para concluirmos. Muitos envolvem trabalho em equipe, como apertar botões ao mesmo tempo, segurar portas enquanto o outro as atravessa, e chutar objetos para atingir algumas plataformas nas fases. Uma das modalidades mais complicadas envolve Piku e Niku ficarem amarrados por uma corta o estágio inteiro.

O modo cooperativo de Pikuniku é ouro puro. O jogo poderia ser apenas assim e seria algo inacreditavelmente inesquecível. Pena que são apenas nove estágios. Poderiam ser 100 estágios assim e talvez ainda fosse pouco por todo o potencial que tal modalidade poderia oferecer. Não preciso nem dizer que meu filho adorou brincar nessa modalidade.

Considerações finais

Pikuniku é um pequeno jogo independente a qual não irei me esquecer tão cedo. É verdade que trata-se de um título bem curtinho. Quatro ou cinco horas são suficiente para ver tudo que o mesmo tem a oferecer. Um jogo de um sábado a tarde.

No meu caso foram três sessões em três dias seguidos. Sentei com o meu pequeno, li todos os diálogos da aventura principal, e nos divertimos juntos, enquanto assumia o controla da aventura. Interessados e curiosos com esse mundo peculiar do jogo.

Depois rimos e nos divertimos no modo cooperativo, a qual terminamos em uma única sentada. Realmente deveriam haver muitos mais estágios cooperativos. Nove não chega nem perto de ser o suficiente. Mas é divertido chutarmos uns aos outros, competirmos nas pequenas corridas, ver quem salta primeiro e afim. A tela do modo cooperativo é inteligente, separando quando estamos distantes ou formando uma só quando estamos próximos.

Na aventura solo, Pikuniku oferece bons momentos. Há alguns chefes, que não são tão complicados a ponto de serem exatamente grandes batalhas. Não há inimigos nas fases, e as moedas não servem para tanta coisa assim (o que serve como uma crítica dentro da história do jogo em si, acredito). Há momentos divertidos com mini games e muitas piadinhas bobas, mas que fazem com que aquele sorriso nunca saia do seu rosto enquanto está jogando o título.

O que penso é que Pikuniku é uma proposta que não chega a atingir todo o potencial que poderia ter. Funciona como plataforma, funciona como algo cooperativo. Funciona pelo humor leve, da mesma forma que é também inteligente na crítica a qual se propõe a fazer. É uma pena ser apenas tão curtinho assim.

Só me resta torcer para que esta não seja a única investida de seus criadores. Que haja a possibilidade do título virar uma série, que possa ter uma sequência, com mais fases cooperativas, novas aventuras com Piku, que com mais plataformas, quem sabe alguns inimigos e novas ideias inesperadas. Pikuniku tem uma excelente apresentação, mas me deixou querendo mais. Muito mais.

Galeria

Dando uma nota

Adorável, charmoso, simpático e encantador, de uma forma meio boba - 9
A física das pernas de Piku e Niku tornam a jogabilidade divertidíssima - 8.5
Modo cooperativo é incrível, mas muito curtinho - 7.5
Campanha principal é simples, mas envolve o jogador e apresenta um bom ritmo - 8
Totalmente localizado em português (legendas) - 10
Bom humor, bons mini games, boa trilha sonora - 8
Puzzles que envolvem chutar algo são os mais divertidos - 8.8

8.5

Adorável

Pikuniku é um jogo simples, bobo, mas adorável e cativante. O visual minimalista dá personalidade ao jogo, assim como o mundo e história apresentada. Sua jogabilidade é simples, porém divertida. A ideia do modo cooperativo deveria ser maior do que um simples extra. Curtinho, mas encantador.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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