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Análise | Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics

Disponível no Nintendo Switch

Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics chegou exclusivamente ao Nintendo Switch no dia 05 de junho, oferecendo uma experiência digital única em clássicos jogos de tabuleiro (e outros mini games) baseados nos mais famosos jogos espalhados por toda a parte do globo. Uma coletânea realmente recheada de surpresas e interessantes jogos que talvez você nunca sequer tenha ouvido falar, e que agora estão facilmente acessíveis a um (único) Switch de distância.

Este título foi desenvolvido pelo estúdio japonês, pertencente a própria Nintendo, conhecido como NDcube. O estúdio foi fundado em 2000, porém a Nintendo somente o adquiriu plenamente em 2010, em um momento em que diversos ex-empregados da Hudson Soft (que veio encerrar suas atividades em 2012) passaram a integrar a equipe da NDcube. Deste então o estúdio tem cuidado para a Nintendo da franquia Mario Party (a qual a Hudson cuidava), iniciando tal tarefa em 2012 com Mario Party 9 (Nintendo Wii).

A NDCube também é responsável por outros títulos notáveis de multiplayer de sofá da Nintendo, como o Wii Party (2010), Wii Play Motion (2011) e Wii Play U (2013). O estúdio até mesmo trabalhou com três títulos de Mario Party no Nintendo 3DS (Island Tour, Star Rysh e The Top 100), assim como é responsável por Super Mario Party para o Nintendo Switch, lançado em 2018. Ou seja, é um estúdio que sabe trabalhar com jogos para diversão em família.

Quanto a série Clubhouse Games, é legal apontar que este lançamento parece ser um sucessor de Clubhouse Games: 42 All-Time Classics lançado originalmente em 2005 no Japão, para o Nintendo DS. Um clássico do DS que foi bem apreciado em sua época, chegando as demais regiões do globo em 2006 e 2007, com variações, em certas regiões, do jogos que compunham a coleção. A Nintendo também atuou como publisher do título, mas neste caso seu desenvolvimento foi realizado por um estúdio chamado Agenda. Ou seja, a Nintendo resgatou uma ideia de outrora e a adaptou à sua atual plataforma de games. O que já devo adiantar e dizer que foi uma excelente ideia.

Controles convencionais vs. sensores

Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics apresenta então – como o nome sugere – 51 jogos dentre tabuleiros, cartas entre outras brincadeiras divertidas que exploram a ideia de jogos para a família, porém que aqui foram traduzidos para um meio eletrônico e digital, ainda que o Nintendo Switch tenha um vantagem muito grande em exteriorizar para o mundo real um pouco da experiência tátil que alguns destes títulos podem passar. Para isso o console se aproveita muito do uso do modo portátil, da tela de toque e até mesmo dos controles com sensores de movimento e giroscópio. Funções estas que nem sempre são bem aproveitadas por outros games lançados no console, ou são de forma errada. Porém aqui, há um acerto bem grande, ainda que longe de aproveitar um potencial talvez maior.

O que estou tentando dizer? Que existem limitações em alguns dos jogos oferecidos pela coletânea que sequer faz sentido existirem. Exemplo, existe um jogo chamado Yacht Dice, a qual o objetivo é chacoalhar cinco dados em um copo e fazer combinações com eles ao arremessá-los. Nesse jogo é possível chacoalhar o copo simplesmente balançando o controle do console. É divertido, passa uma sensação bacana, graças ao rumble (vibração do sensor do controle). Porém existem outros jogos com dados em que não posso chacoalha-los assim. Ludo, por outro lado, o rolar dos dados é por meio de um apertar de botão.

O título fica entre um meio termo entre oferecer opções com sensores de movimento, tela de toque e uma jogabilidade mais tradicional, e que tenta não exagerar demais, como talvez fossem títulos como Wii Sports ou Wii Play, há duas gerações atrás, quando o Nintendo Wii e seus controles de movimento eram um sucesso completo. Há muita sobriedade nos controles deste Clubhouse Games. E admito que talvez seja um pouco mais do que estava esperando.

Posso dar outro exemplo. Dentro da coletânea há diversos jogos que parecem como antigos brinquedos de apertar botões. Como aquele de boxe em que duas crianças ficavam apertando botões enquanto os bonecos ficavam se socando. O objetivo era tirar o boneco do ringue ou fazer sua cabeça saltar. Talvez você já tenha visto algo assim em filmes, ou é velho o suficiente (como eu sou) para se lembrar. Enfim, há diversos jogos assim aqui no pacote, muito deles com a temática de esporte.

Nestes jogos, não foi realizado nenhuma tentativa de traduzir o formato para algo que pudesse utilizar controles de movimento. Há um Toy Tennis, por exemplo, que se joga controlando o bonequinho em uma grade na quadra, e se rebate a bola com os botões do controle. Nada de controles de movimento aqui. O que me fez pensar que houve uma chance desperdiçada de me fazer lembrar o sucesso que era a modalidade de Tennis em Wii Sports.

Um último exemplo, há um mini game chamado Shooting Gallery, em que o jogador atira em alvos em movimento. E novamente não se aproveita os sensores do controle, fazendo o jogo funcionar de forma mais tradicional, com o analógico controlando a mira e um botão para atirar. Este é outro caso que seria interessante se houvesse duas opções de controle.

E na contramão dessa linha de controles, Darts, merece elogios, pois ele funciona somente com sensores de movimento. O jogo aqui é aquele clássico arremesso de dardos. O jogador precisa segurar o joy-con como se fosse um dardo para arremessá-lo, com um sistema de mira e força no movimento. É surpreendentemente divertido e um dos poucos títulos da coleção que se aproveita desse estilo que é acessível a qualquer pessoa que nunca pegou em um controle na vida (e que por isso fez tanto sucesso no Nintendo Wii).

Mas não que os controles convencionais sejam uma barreira aqui. Na verdade Clubhouse Games se sai muito bem ao oferecer aos jogadores acessíveis a qualquer jogador. Boa parte dos games são tabuleiros e cartas, então é o movimentar de um analógico e um botão para confirmar. Em jogos como Klondike Solitaire, o analógico até mesmo se comporta como um mouse, com um ícone que percorre a tela e deixa o jogador ir até a carta desejada e arrastá-la. É bem simples.

Além disso, o título oferece uma grande variedade de jogos em que se pode usar a própria tela do Nintendo Switch, se utilizado em modo portátil, como controles de toque. Apesar de que particularmente tenho um dó enorme de ficar colocando dedos gordurosos na tela do meu Switch, por mais que tenha uma película. Também tenho uma caneta touch, destas que se compra em qualquer loja de materiais escolares, mas não é tão prático assim ficar segurando uma caneta e o console. Uso essa caneta exclusivamente no Super Mario Maker 2. Enfim, gosto que haja muita opção para o touch em Clubhouse Games, mas não é minha opção favorita. Se posso usar o controle, preciso desta forma.

Cartas, dados, peças e diversão

Não faltam opções de jogos em Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics. Há diversidade para todos os gostos, indo dos mais famosos jogos de cartas, até mesmo os de cassinos, para jogos de tabuleiros, alguns que existem há centenas de anos, aos jogos que simulam brinquedos e que possuem gráficos realmente muito bonitos, estes com uma direção de arte meio realista, para atividades que lembram mini games no estilo Mario Party, para até mesmo os mais variados games com peças estranhas originais do oriente. Há até mesmo uma antiga brincadeira de escola em que consiste em riscar linhas em pontos até fechar quadrados (Dots and Boxes) a qual havia “séculos” que não me lembrava sequer que existia.

A lista é grande, mas certamente vale à pena mencioná-la aqui. Vou manter os nomes originais em inglês porque infelizmente é assim que eles são apresentados dentro do game, que infelizmente não possui localização em português. Alguns sequer saberia como são chamados no Brasil, ou se sequer possuem nomes por aqui. Os jogos são: (1) Mancala, (2) Dots and Boxes, (3) Yacht Dice, (4) Four-in-a-Row, (5) Hit and Blow, (6) Nine Men’s Morris, (7) Hex, (8) Checkers, (9) Hare and Hounds, (10) Gomoku, (11) Dominoes, (12) Chinese Checkers, (13) Ludo, (14) Backgammon, (15) Renegade, (16) Chess, (17) Shogi, (18) Mini Shogi, (19) Hanafuda, (20) Riichi Mahjong, (21) Last Card, (22) Blackjack, (23) Texas Hold-em, (24) President, (25) Sevens, (26) Speed, (27) Matching, (28) War, (29) Takoyaki, (30) Pig’s Tail, (31) Golf, (32) Billiards, (33) Bowling, (34) Darts, (35) Carrom, (36) Toy Tennis, (37) Toy Soccer, (38) Toy Curling, (39) Toy Boxing, (40) Toy Baseball, (41) Air Hockey, (42) Slot Cars, (43) Fishing, (44) Battle Tanks, (45) Team Tanks, (46) Shooting Gallery, (47) 6-Ball Puzzle, (48) Sliding Puzzle, (49) Mahjong Solitare, (50) Klondike Solitare, (51) Spider Solitare.

Para quem não reconheceu certos nomes, acho válido mencionar que alguns bem populares no Brasil, tais como Ludo, Gamão (conhecia, nunca joguei e aprendi aqui como se joga), Xadrez, Damas, Ludo, Dominó e Jogo da Memória. Alguns destes clássicos possuem até mesmo regras que também não conhecia, como criar novas trilhas em dominó ou no ludo ter que tirar um certo número para entrar dentro do ponto seguro do tabuleiro. Ludo, por sinal, não tem sua versão Ludo Real, que é bem mais famoso aqui no Brasil, com casas coroas que fazem o jogador avançar ainda mais rápido pelo tabuleiro.

Dentro os jogos diferentes, que mais despertaram a minha atenção, e que são realmente divertidos, posso mencionado Mancala, um jogo de tabuleiro que precisa levar pedras coloridas até um deposito no tabuleiro, e que se joga com duas pessoas. Four-in-a-Row, a qual não lembro seu nome em português, mas é um antigo jogo que consiste em encaixar peças em um depósito vertical, afim de formar uma linha de quatro peças da mesma cor na horizontal, vertical ou diagonal. Já Hit and Blow é um divertido jogo de enigma, a qual você tem 5 chances para descobrir uma ordem de bolas coloridas com base em pistas e deduções.

Na falta de um jogo como batalha naval (fez falta), há Hex, na qual o jogador tem a disposição um enorme tabuleiro a qual precisa ir pintando casas com sua cor afim de traçar um caminho de uma extremidade a outra do campo de batalha, enquanto seu adversário irá tentar fazer, mas também irá barrar seu caminho, impedindo a passagem. Outro jogo bem parecido, mas minimalista, é Hare and Hounds, a qual um jogador controla três estátuas de cachorros e seu oponente o de um coelho, e o objetivo é prender o coelho, impedindo seu avanço. Parece simples, mas é realmente um jogo inteligente e difícil para quem nunca o jogou.

Outro que preciso mencionar é Hanafuda, um jogo de cartas oriental que foi desenvolvido pela própria Nintendo, antes mesmo dela entrar no ramo dos videogames. Um jogo que me parece ser bem popular até os dias de hoje no Japão. O jogo consiste em formar pares e combinações de cartas que formam certos conjuntos especiais que rendem pontos. O diferencial aqui é que não se jogo com cartas do tradicional baralho, e sim com cartas próprias, com belíssimas ilustrações que representam os meses do ano.

Dentre as opções de baralhos, há para todos os gostos. Desde duas versões de Paciência (Solitarie), aos jogos de cassino como 21 (Blackjack) e Poker (Texas Hold’em), para outros que não vou saber seus nomes nacionais, como Pig’s Tail que consiste em dois jogadores colocando cartas em cima de cartas, sem usar naipes iguais, caso contrário eles pegam pra si todo o monte descartado. Ganha em quem terminar todo o baralho com menos cartas em mãos. Há também uma versão para o que aqui chamamos de Uno (Last Cards).

Para estes jogos de cartas, Clubhouse Games traz uma surpresa bem bacana aos fãs da Nintendo. Hanafuda, assim como o Jogo da Memória (Matching) e todos os jogos que envolvem cartas do baralho tradicional possuem versões de cartas que destravam um visual com a temática do Super Mario. É um detalhe estético, mas que dá aquele toque de carinho que os fãs esperam de títulos da Nintendo. Pena inclusive que não existam mais visuais destraváveis com outros temas de jogos da Nintendo – imagine um baralho de The Legend of Zelda? Olha aí a sugestão para um futuro update.

Há também jogos que não são de tabuleiro ou cartas na coleção, como os mencionados jogos que simulam brinquedos de botões. Há um de Futebol (Toy Football) que é uma versão bem diferente do nosso pebolim ou totó. Porém há também adaptações de jogos maiores, como Golf, Bilhar e Boliche. Golf é mais um mini golf, e se joga com os controles tradicionais mais, mirando e tendo cuidado com vento e força do arremesso, em pistas em miniatura. Já o boliche, este tem uma pegada bem divertida, pois pode se jogar na tela de touch do Switch ou com os joy-cons imitando o movimento da bola. Bilhar é bilhar, sem nada de diferente do jogo físico. Há também o Dardos, a já qual mencionei mais acima.

Dentro outros diferentes, há que se mencionar Air Hockey, que é uma daquelas meses que se vê muito em salões de festas infantis, com um disco que voa sobre uma mesa e dois jogadores ficam rebatendo nela até entrar no gol do oponente. Esse jogo é surpreendentemente bem legal, se parecendo bastante com a física do jogo verdadeiro. E quem se lembra do Autorama? Uma pista de carrinho motorizada do tempo em que não havia tantos jogos eletrônicos de corridas como há hoje em dia. Slot Cars é isso, mas não achei divertido como certamente um verdadeiro seria. O elogio fica realmente ao cenário desse jogo, que tem um charme muito peculiar.

Na categoria de jogos que não me impressionaram muito, estão um de pesca (Fishing) e os dois jogos com tanques de guerra (Battle Tanks e Team Tanks). Pesca me parece simples demais, e não me cativou muito ao usar os controles tradicionais. Prefiro pescar em Animal Crossing: New Horizons. Já os mini games de tanques, eles sequem aqueles controles dos clássicos Resident Evil, em que você gira o tanque em seu eixo e avança colocando para cima. Eu entendo a nostalgia aqui, mas não significa que goste. Contra a CPU, os jogos de tanques não são muito divertidos, funcionando melhor quando se está com amigos para jogar. Uma modalidade consiste em matar um ao outro, enquanto na outra somos aliados para eliminar tanques controlados pela CPU em três estágios próprios.

Para encerrar esse segmento da análise, preciso mencionar rapidamente três joguinhos que achei deveras divertido: Shooting Galery, 6-Ball Puzzle e Sliding Puzzle. O primeiro é o jogo de tiro a qual critiquei seus controles alguns parágrafos acima. Bem, ele poderia ter outro sistema de controle, mas não quer dizer que seja ruim. Pelo contrário, é bem divertido atirar em alvos em movimento. Me faz lembrar de Duck Hunt, um clássico da Nintendo. Pena que é um jogo fácil, destes que você vence de primeira. Poderia ter mais fases ou uma programação de gerar alvos de forma procedural. 6-Ball Puzzle é uma espécie de Tetris, encaixe 6 bolinhas e não deixe a tela se encher, faça formas especiais e mande mais bolas para a tela do oponente. Já Sliding Puzzle é um daqueles tradicionais jogos de puxar os quadrados e formar trilhas, enquanto uma tartaruga não para de andar e não pode sair da trilha, devendo pegar todas as joias do tabuleiro. Difícil, mas igualmente divertido.

Acho que deu para mostrar que não faltam opções, certo? Muitos destes jogos possuem dois níveis de dificuldade. Indo do normal ao difícil, assim como alguns jogos tem condições mais simples de partida ou mais complexas. Paciência, por exemplo, pode ser feito com um único naipe, ou com todos os naipes do baralho. É um título que certamente foi desenvolvido para jogar em família, mas que o jogador solitário vai se divertir igualmente com tantas opções de jogos, níveis e regras individuais.

Multiplayer cheio de regras e limites

Talvez o ponto mais contraditório de Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics diz respeito a como todo seu sistema de multiplayer é estruturado, a qual muitos jogos funcionam bem em multiplayer local com a família, enquanto outros jogos limitam para alguns cenários que são bem irreais em uma país a qual consoles são caríssimos. Vou explicar melhor.

Primeiro é preciso saber que nem todos os jogos disponíveis em Clubhouse Games funcionam em multiplayer local compartilhando controles em um único console. Dominó, por exemplo. Não dá para jogar dominó em local, afinal não tem como uma única tela compartilhar as informações do que cada jogar tem em sua mão sem que o outro veja. Muitos outros jogos de baralho sofrem também desse problema, e por isso nada de multi local para eles.

Essas limitações aumentam ainda mais quanto maior for o número de jogadores locais. Afinal, com quatro pessoas não se joga dama ou xadrez. E aqui faz sentido. Há jogos que foram criados para apenas dois jogadores. Não há como adaptá-los para funcionar com três ou mais jogadores. Esse é um ponto esperado, então não serve como crítica. Porém há uma crítica que cabe aqui em relação a necessidade do números de controles necessários para jogar em quatro pessoas certos jogos.

Ludo é um jogo de tabuleiro que permite ser jogador em quatro pessoas. Mas para que se possa jogar nessa totalidade, é necessário quatro joy-cons. Um para cada jogador. Será que neste caso isso seria realmente necessário? Afinal é um jogo em que cada pessoa tem sua própria vez, e os demais não fazem nada enquanto não é sua vez. O jogo não poderia funcionar com um único joy-con, com os jogadores passando o controle como se fosse um dado? Faria muito sentido funcionar dessa forma. Pense que boa parte das pessoas não possuem quatro joy-cons em casa.

Esse problema vai ficando mais profundo quando se percebe que outros títulos como boliche ou dardos sequer podem ser jogados localmente com três pessoas. Deveria, não? Além do Ludo, o único outro jogo que permite que quatro pessoas jogar em um único controle, com quatro controles, é Blackjack. Nesse ponto, o título pode desapontar um pouco quem esperaria algo no estilo Mario Party, com diversos membros da família jogando juntos.

Claro que esse aspecto muda quando o multiplayer se torna online. Na modalidade online estas barreiras caem por terra porque está cada um em seu próprio Nintendo Switch. Na parte online, são 47 jogos disponíveis, para dois, três, ou quatro jogadores. Há mais abrangência. E devo adiantar e dizer que o online funciona relativamente bem. Alguns jogos, como o Shooting Gallery, que ocorre com dois jogadores efetuando uma ação ao mesmo tempo, as vezes que joguei tiveram uma certa lentidão, mas estavam em níveis aceitáveis. Já em outros casos, como jogos de tabuleiro, não há problema a lentidão, pois cada um jogo na sua própria vez.

Talvez o grande recurso de Clubhouse Games, e que vejo ter pouca própria aqui em nosso país, diz respeito ao modo convidado (Guest Mode). Este modo funciona como uma antiga funcionalidade que surgiu lá no Nintendo DS. Basta uma pessoa ter o jogo, que ela pode convidar outros três Nintendo Switch para jogar localmente seus jogos, sem que cada um precise ter uma cópia paga do título. Isso certamente é uma grande função, mas somente se você tem amigos e parentes na qual cada um tenha seu próprio Nintendo Switch e que vocês possam se encontrar com frequência (o que nesse período de quarentena não é recomendado). Ao ativar o Guest Mode, cada Switch terá que baixar uma versão gratuita do game, que vai funcionar somente enquanto o anfitrião estiver conectado na rede.

Com esse modo ativado, alguns jogos que normalmente não funcionariam em multiplayer local, como dominó e certos jogos de cartas, passam a funcionar. Aí fica cada jogador em sua tela e o multiplayer pode acontecer. É legal, mas novamente, penso que no Japão, a qual todo mundo deve ter um Nintendo Switch, essa modo faça total sentido. Por aqui, são raros os casos de pessoas na mesma família, que moram sobre o mesmo teto, que possuam dois consoles para aproveitar a plenitude dessa tecnologia. Mas se este for seu caso, é uma boa notícia. Uma cópia do jogo é o suficiente para se divertir com mais de um console.

E isso ainda não é tudo. Existe um Mosaic Mode que eu apenas vi vídeos dentro do jogo mostrando, mas que parece incrível. É uma parada que sequer sabia que o Nintendo Switch poderia sequer fazer. Trata-se de duas ou até quatro telas do console conectadas uma a outra que geram uma única imagem consolidada. Exemplo, em pesca, você enfileira quatro telas, e tem um rio ainda maior para pescar ou forme um quadrado e ao invés de ruim, as quatro telas formas um segmento oceânico. Não são todos os jogos que trazem essa função, mas os que trazem parecem entregar um fantástico efeito visual. Não se trata um recurso que todo mundo irá ver, porém é legal saber que o console pode fazer algo assim, com um simples arrastar de dedos entre as telas (e uma programação que permite isso, claro).

No geral, a minha visão é que Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics é um título que tem tantas vertentes em termos de multiplayer, tanto local quanto online, que há pequenas falhas importantes em todo o escopo. Como um jogo single player, parece funcionar muito bem, o que chega a ser impressionante. Mas no multiplayer local, vai deixar algumas pessoas querendo que o título desse mais opções, que não envolvessem ter mais controles ou até mesmo mais consoles. O Online se faz presente e funciona, ainda que tenha sentido uma falta de ranking ou de poder mandar alguma mensagem ou curtida para a pessoa que disputou comigo, de poder me comunicar com aquela cara que mandou muito bem na partida. Com amigos online é preciso do app de smartphone para conversar (só que nesse caso você talvez só queira usar mesmo o WhatsApp). Enfim, alertas dados. O multiplayer está aqui e funciona, mas é cheio de regrinhas e limitações que desapontam na hora da do teste prático. Felizmente boa parte dos jogos são divertidos até mesmo de ficar olhando outras pessoas jogando, então os familiares e amigos podem ficar dando palpite em suas jogadas.

Considerações finais

Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics é uma inesperada surpresa, isso não tenho qualquer dúvidas. Tenho que admitir que não tinha grandes expectativas para com o título. Afinal não é a primeira vez que videogames tentam emular a diversão dos jogos de tabuleiros, muitas vezes sem qualquer sucesso. Desta vez, acho que há grandes méritos que merecem seus elogios.

Primeiro que o pacote funciona porque são realmente muitos jogos. 51 como o título diz expressamente. Dá até para dizer 52, porque o jogo também traz um pequeno piano musical que o jogador pode ficar dedilhando pela tela de toque do console. Gostei, mas como não tenho qualquer habilidade musical, não tive sucesso em nada ali. Poderia ter algumas músicas simples para ensinar aos jogadores.

Enfim, a variedade de jogos inseridos nesse pacote faz muita diferença. Não é o tipo de enganação quando se coloca faz um pacote de 10 jogos e metade são parecidos ou versões modificadas da mesma coisa. Nada disso. Os jogos são únicos, envolventes e interessantes. Mesmo que você diga que tem bastantes jogos que envolvam baralhos, muitos deles são totalmente diferentes, que nos fazem pensar de forma diferente. São criativos por si só. Fora os jogos mais especiais, que possuem peças diferentes, que são baseados em clássicos de outros países a qual nunca poderíamos experimentar aqui porque sequer os encontramos para comprar. Os jogos que envolvem cenários reais, brinquedos antigos e pequenos puzzles são divertidos.

E se você não souber jogar a maioria deles? Até nisso o jogo tem um toque todo especial. Um cuidado muito bem feito com sua apresentação, mesmo estando em inglês. O jogo contém um globo mundial em sua navegação que vai lhe apresentando diversos bonequinhos que vão lhe servir como guias. Alguns são temáticos e separam os jogos por semelhanças, outros trazem curiosidades, alguns presentes. E antes de cada jogo, há uma pequena apresentação do mesmo em vídeo por estes bonequinhos, com eles jogando rápidas partidas. Isso serve para lhe dar uma ideia de como se joga, enquanto depois destas introduções, também é possível acessar um menu e ler as regras e dicas sobre o jogo selecionado. E se nada disso ajudar, os jogos mais complexos tem um modo assistência, que te dá uma forcinha ao que deve fazer na sua vez de jogar. Ou seja, por mais que muitos dos jogos sejam desconhecidos, eles são totalmente acessíveis e compreensíveis. Não há nada aqui que não tenha testado e entendido o que deveria fazer.

Então, o que posso dizer para encerrar esta análise de Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics? Com visuais realmente agradáveis, com uma direção de arte muito competente em reproduzir muito bem a sensação do tabuleiro físico, do espaço a qual muitos desses jogos são jogados, o título faz um ótimo trabalho de imersão. A impressão é que este é um jogo que todo mundo que curte jogos de tabuleiro e de jogá-los com a família, deveria ter em seu console. É um título maravilhoso para se apresentar a crianças. Meu pequeno, de 7 anos, ficou maravilhado com muitos destes jogos, a qual ele nunca tinha ouvido falar. Compartilhei o Switch com ele diversas vezes enquanto testava o game para esta análise. Eu jogava uma partida contra a CPU, ele via e entendia as regras, e depois queria tentar também. O que podia jogar com dois joy-cons também jogamos. Foi uma experiência maravilhosa.

Acredito que a Nintendo tenha acertado magnificamente neste jogo, e é um título que tem o charme que o Nintendo Switch tem. Que não acho que funcionaria tão bem, como funcionar aqui, neste console tão versátil. É um título que vale ser recomendado, sem dúvida alguma – e é ótimo vê-lo disponível em nossa eshop, com um honesto preço em reais. Pode não ser perfeito, mas ainda assim ele vai além do que poderia se esperar de tal proposta. Isso é admirável.

Galeria

Dando uma nota

Possui uma ótima apresentação, que torna jogos desconhecidos totalmente acessíveis a qualquer um - 9
Visualmente encantador, com uma estética realista que dá o senso correto de imersão - 9.5
Incrível seleção de jogos, de todos os tipos, gêneros e certamente clássicos - 10
Se aproveita bastante da tecnologia do console, ainda que não explore sempre seu pleno potencial - 8
Multiplayer local surge com bastante limitações, ainda que crie um muito bem vindo Guest Mode (1 cópia, vários consoles locais) - 7
Multiplayer online funciona bem, seja com amigos ou desconhecidos, e com uma ampla variedade de jogos - 8
Altamente divertido, para se entreter em família e amigos - 9

8.6

Ótimo

Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics é uma inesperada e surpreendente iniciativa de reimaginar em uma mídia eletrônica o sentimento de clássicos jogos de tabuleiro e similares. E o faz de uma forma muito carinhosa com todos os 51 jogos selecionados. Tropeça na hora de transpor alguns destes jogos em certas regras limitadas de multiplayer, mas oferece o suficiente para que tudo funcione e seja divertido em família e amigos. Entrega o que propõe e conversa muito bem com a plataforma a qual foi desenvolvido. É um título perfeito para o Nintendo Switch.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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