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Análise | Timespinner

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC

Timespinner é um jogo independente que abrange os gêneros RPG, ação e plataforma 2D. Tem o visual em pixel art com aquele charme retrô que encontrávamos nas eras 16 e 32 bits. Foi desenvolvido pela  Lunar Ray Games, distribuído pela Chucklefish, e chegou ao PC e PlayStation 4 em setembro de 2018, após uma campanha de financiamento coletivo. Agora, em junho deste ano fez sua estreia no Xbox One e Nintendo Switch. A versão utilizada para este review foi a de Xbox One.

O jogo está todo em português, o que facilita muito seu entendimento, principalmente das missões dadas pelos personagens, e dos relatórios históricos disponíveis através de itens que encontramos, como cartas e softwares. Aqui todo o desenrolar da trama é por meio de conversas em texto, o jogo não tem áudio de voz para os personagens.

O estilo de gameplay de Timespinner segue uma linha metroidvania, um ambiente interconectado em que o jogador precisa ir descobrindo novas habilidades para seguir adiante, e também voltar para áreas que inicialmente não poderia acessar.

Em outro aspecto, Timespinner também me fez lembrar um pouco de Star Wars, na premissa de como seu universo funciona e o fio condutor de sua história. Vejam se aceitam o meu ponto de vista: temos no enredo as pessoas chamadas de Jedi… opa peraí, aqui são os Timespinner (ou Mensageiros do Tempo); indivíduos que se destacam na multidão pelo fato de possuírem poderes especiais. Devido a isso recebem um treinamento para desenvolverem essa aptidão e para utilizá-la para o bem do mundo. A protagonista, chamada Luna, busca vingança contra o império que assassinou sua mãe – sua única família – e em meio a eventos em que o império está tentando adquirir o controle do mundo e dos poderes desses Mensageiros do Tempo. Sei lá, pra mim, veio esse link com Star Wars. Ainda que não seja uma referência direta e explícita.

Contextualizando a trama

No passado havia um planeta chamado Lachiem (governado pelo império) que descobriu outro mundo chamado Winderia. Este por sua vez era muito pacífico, e o império logo notou a possibilidade de negociação com os habitantes deste novo mundo, conseguindo assim novos suprimentos em troca de sua tecnologia. Mas as coisas mudam quando o império de Lachiem descobre a Timespinner, uma tecnologia e um objeto que dá a possibilidade de algumas pessoas especiais – também chamadas de timespinners – a forma de viajar através do tempo. Assim rapidamente o império decidi adquirir o objeto divino para si. Mas a cada tentativa de roubo da Timespinner, um mensageiro do tempo se joga no fluxo do tempo e impede que tal roubo tenha êxito.

Mesmo que o ato de viajar no tempo seja algo constante para os habitantes de Winderia, o evento possui grandes consequências. No momento que a Timespinner é utilizada, o mensageiro que a utilizou é apagado da memória de todas as pessoas… e em seu retorno do tempo, apesar de ser recebido com festividade, devido a sua bravura e sucesso, ninguém se lembra mais dele. Um cruel dano colateral das viagens no tempo.

Devido a essa constante ameaça do império, há sempre alguém que é treinado para essa missão de proteger a Timespinner. E neste caso, o escolhida foi a jovem Luna, a qual o jogador assumirá o controle e sua perspectiva sobre toda a trama. Mesmo tendo recebido todo o treinamento – o que não é bem visto por alguns habitantes do planeta, já que quem recebe o treinamento é considerado diferente – Luna não estava preparada para o que aconteceria… o próprio imperador de Lachiem parte ao ataque e ao destruir a Timespinner (objeto), mata a mãe de Luna. A jovem é pega no calor do momento e na explosão resultante do ataque e ao invés de viajar ao passado é arremessada no fluxo temporal, indo parar no… presente. Logo descobre estar dentro do planeta Lachiem. Agora cabe a ela buscar a sua vingança contra o imperador, e talvez dar um jeito de solucionar todo esse problema causado pelo destruição da Timespinner.

Com o desenrolar da trama e após algumas adversidades Lunais descobrirá uma forma de viajar entre as eras e acaba parando mil anos no passado. O jogador irá encontrar nessa dinâmica uma mistura interessante de fantasia e ficção científica, potencializada pelas viagens temporais para um passado mais rústico e a um futuro tecnológico e sombrio.

Conversando com os personagens, logo o jogador se dá conta de que no mundo nem tudo é preto no branco. Há muitos tons de cinza. Não há exatamente bem ou mal nesta guerra milenar entre duas nações, mas sim lideranças tirânicas nos dois lados e em diferentes eras. O que mais uma vez pode lembrar Star Wars.

O desenrolar do enredo vai sendo influenciado pelas ações desempenhadas por Luna, e pode levar o jogador a até três finais diferentes. Talvez um pequeno spoiler aqui, mas há inclusive uma participação do pai de Luna, que até então a jovem não tinha conhecimento de quem era e nem que estaria de certa forma envolvido com toda essa aventura. Descobrir quem ele é e encontrá-lo ficará a cargo do jogador.

Mestre do fluxo temporal

Se você já jogou algum Castlevania ou Metroid na sua vida já vai saber o que vai encontrar aqui em Timespinner, o que não é nada mal. Achei fantástico o jeito como o jogo se desenvolve e as semelhanças com os jogos dos caçadores de vampiros. Afinal, sou fã da série Castlevania. Temos familiares igual em Castlevania Symphony of the Night, eles atacam os inimigos automaticamente de tempos em tempos, ganham experiência e sobem de nível. Estes familiares ainda podem ser controlados por um segundo jogador e desta forma passam a ser mais eficientes nas batalhas, e dá um pequeno gostinho de multiplayer ao título.

Há dois mapas, um no presente e outro no passado, interconectados por áreas com diversas passagens secretas, itens que vão aumentar o seu medidor de vida, sua magia e a sua areia  – que é usada para parar o tempo por alguns segundos, o que pode ser útil por exemplo para usar um inimigo como apoio para chegar a áreas mais altas do cenário -, variações de armas como os orbs que ficam circulando ao redor de Luna e que são usados nos ataques, há variações elementais que nos permitem soltar fogo, raios, lâminas, espadas, meteoros e etc. Também há outros orbs relacionados aos ataques especiais, e que vão usar a barra de magia. Além de equipamentos para serem usados e modificarem status, itens de recuperação de saúde, areia e afins.

Muitos destes itens são encontrados pelas áreas do mundo em baús geralmente em locais de difícil acesso, em passagens secretas ou até mesmo vendidos por um corvo que de, alguma forma, também sabe viajar no tempo. Aqui as escolhas e ações feitas, pelo jogador, no passado vão afetar o mundo do jogo no presente. Um exemplo: no presente há baús que estão atrás de cipós enrijecidos e para tirar esses obstáculos do caminho é preciso voltar ao passado e queimá-los enquanto ainda estão pequenos.

Muitas vezes não se pode acessar uma parte do mapa no passado, mas ao explorar o mapa no presente, em outra área, o jogador irá receber um item que vai permitir o acesso destas áreas no passado. Meio que novas habilidades. Dou exemplos aqui também: o clássico pulo duplo, a máscara que permite acessar áreas envenenadas e a máscara que nos permite respirar debaixo d’água. São itens que irão permitir o jogador acessar áreas novas, seja no passado ou presente.

O som da aventura

A viagem no tempo em Timespinner é embalada pelas composições de Jeff Ball, que foi chamado para compor a trilha sonora do trailer e logo após para compor todas musicas do game. Segundo o próprio, a natureza mais longa dos ciclos de desenvolvimento de um jogo independente deu a ele uma oportunidade de pesquisar e desenvolver seu estilo para as músicas metroidvania, com inspiração nos anos 90. Para tanto o compositor se propôs a jogar vários jogos da época e compor muitos esboços diferentes até chegar nas músicas que iriam para a versão final do jogo. As músicas em si variam de gênero, de um concerto para um rock progressivo, de música barroca as músicas góticas, tudo junto e misturado e espalhadas por todos os cantos da aventura.

Esta trilha sonora se mostra memorável e em várias composições pode-se identificar os sons de pianos, harpas, músicas metal e até mesmo um tom doce e sensível nas partes mais tranquilas. A variedade de melodias e instrumentos consegue representar bem as eras e os momentos retratados na aventura. Para quem jogou Castlevania: Symphony of the Night dá até mesmo para perceber e até mesmo confundir com as faixas da série dos vampiros em determinados trechos. São aquelas melodias que casam perfeitamente com os ambientes e as situações enfrentadas pela protagonista e pelo jogador.

Considerações finais

Se você é destes que curte explorar os cenários em busca de novos locais, de achar todos o familiares, todas as armas, subir a vida e demais atributos ao máximo e, é claro, abrir 100% do mapa, aqui a festa será boa. Timespinner lhe incentiva a ficar indo e voltando pelo cenário como em todo Castlevania ou Metroid. Para escrever este review me aproximei ao final do jogo e estava com o relógio marcando 7 horas de exploração ao mundo de Lachiem. O que é uma ótima contagem para um título independente.

O jogo ainda arranja um tempo para fazer algumas situações engraçadas nas conversas, pequenas pitadas de sensualidade e de mostrar sem medo temas considerados polêmicos como o poliamor (por meio das conversas feitas pelo casal de súcubo e íncubo que enfrentamos em determinados momentos) e a homossexualidade, deixando bem clara a diversidade que encontramos atualmente na sociedade. É interessante como apresenta estes temas, mas sem necessariamente erguer bandeiras.

Ao fim, Timespinner entrega o que promete. Dá ao jogador um vasto repertório de elementos, tem uma exploração que lhe envolve a explorar o fluxo temporal, ver as diferenças que podem ser realizadas. Tem um bom catálogo de habilidades, inimigos e ótimos chefões, destes gigantes que todos adoram. Músicas inspiradas, uma ótima pixel art, totalmente localizado em português e uma ambientação que brinca com fantasia e ficção de uma forma muito coerente. É um jogo que me impressionou, e portanto, vale sua indicação.

Galeria

Extra – Gameplay do início

Dando uma nota

Mais um metroidvania bem feito e criativo - 9
Cenários pedem para serem explorados ao máximo - 9
Diversidade de inimigos e ótimos chefes - 8.5
Músicas inspiradoras e visual pixel art charmoso - 9
Bom catálogo de armas, e belo uso dos Familiares - 8
Totalmente localizado em português - 9
Bom enredo, apresentando um belo universo próprio - 8.5

8.7

Excelente

Timespinner segue uma forte inspiração na fórmula clássica de um Castlevania, porém o tema é mais fantasia e ficção, ao invés do terror sobrenatural. O título apresenta uma boa jogabilidade, ótima trilha sonora e belos cenários em pixel art, tudo isso com aquela velha nostalgia e boa sensação de evolução que o gênero tem conquistado ao longo dos anos.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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