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Análise | Wolfenstein: Youngblood

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, PC e Nintendo Switch

Enfrentar nazistas não é novidade nenhuma para os fãs de longa data da clássica serie de jogo de tiro em primeira pessoa Wolfenstein, e Wolfenstein: Youngblood continua esse legado, claro!

Porém desde Wolfenstein 3D a forma de se jogar é basicamente a mesma. E quando Youngblood foi anunciado com um modo cooperativo, fiquei bastante animado. Os últimos jogos já haviam me agradado, na minha cabeça a MachineGames tinha tudo para fazer mais um jogão adicionando novos temperos na velha receita.

Ah, e ainda por cima a Arkane Studios estava ajudando no desenvolvimento do design de mapas do jogo. Opa, duas ótimas desenvolvedoras trabalhando juntas não podia dar errado, eu pensava, e estava bem otimista para a nova aventura.

Então vamos lá. Dá pra afirmar que Youngblood é um bom jogo. Sim, BOM. Mas é complicado colocar ele ao lado dos jogos anteriores que são ótimos, já que ele bebe da mesma fonte mas tenta fazer muita coisa diferente e foi aí que a coisa ficou a desejar.

Pra começar, sabe o grande herói que amamos controlar para acabar com a ameaça nazista? Pois é, o sensacional B.J. Blazkowicz! Agora esquece, pois o lance agora é controlar as duas filhas dele nos anos 80. Pois é. Agora o jogo é delas. Sempre em modo cooperativo. Mesmo offline!

Tenho que dar o braço a torcer, a dupla tinha potencial. Enquanto Jessica parece ser uma garota legal, Soph parece ser aquela irmã mais chatinha. Alguns diálogos entre elas são bem legais. Mas na real, tanto faz escolher uma outra no fim das contas, e o game perde a chance de explorar essa dupla e dar tempo de fazer você se apegar a elas. Eu não via a hora do velho B.J. voltar a ação…

O importante mesmo é entender que obrigatoriamente o jogo sempre tem a presença das duas, e a outra irmã tem que ser controlada por outra pessoa, pois a inteligência artificial é muito, muito terrível. É sério, parecia que eu estava jogando e passando raiva como na época de Resident Evil 5.

Sabe aqueles mapas maravilhosos e cheios de personalidade dos Wolfenstein antigos? Pois é dava gosto andar por eles, e aconteciam cenas incríveis neles. Mas não aqui em Youngblood, onde é perceptível que a Arkane Studios deu uma forçadinha de barra. Agora os mapas se comportam como um pequeno segmento recheado de coisas a se descobrir, mas para isso é preciso passar por eles várias vezes e com avanço de level. Olá repetição!

Então na maior parte do tempo do jogo é preciso voltar várias vezes em busca de segredos, itens e maiores níveis, o que pode ser legal em jogos como Dishonored, mas que em algo caótico e frenético como os jogos Wolfenstein não é uma boa ideia. Eu sinceramente teria dispensado a ajudinha da Arkane.

Por outro lado, meter bala nos inimigos continua legal, apenas a arvore de habilidades e o acesso ao armamento ficou muito limitado, meio sem graça. Ruim mesmo é a falta de momentos épicos e inimigos que dão raiva em você como nos jogos anteriores, isso é bem perceptível e anula boa parte da diversão para quem curte a série. Tem hora que tudo parece uma correria repetitiva, apenas para ganhar um pouco mais de level e avançar no jogo. Stealth? Aqui ficou em segundo plano, infelizmente.

Olhando como um todo, Youngblood simplesmente não mantêm o alto nível da série, contudo, jogar com um amigo faz toda a diferença e é altamente recomendável de ser feito caso queira encarar essa nova aventura. Não tivesse Wolfenstein no nome, certamente a impressão geral seria bem melhor. Mas vá lá, experimente!

Tecnicamente o jogo é bem produzido, e é sempre curioso e maravilhoso ver a cultura nazista sendo retratada por Wolfenstein, agora em plenos anos 80. Pare um pouco e ouça as músicas e abra um sorriso com as referências culturais espalhadas pelo game. Em muitos momentos ficava só ali admirando o belo trabalho do estúdio em dar essa curiosa atmosfera de realidade alternativa.

Mas algumas coisas no game design são imperdoáveis, como não poder pausar de jeito nenhum, e a ser obrigado a aturar uma I.A. parceira toda quebrada quando se joga sozinho. Eu realmente não esperava esse tipo de coisa. Mas, se tiver um parceiro humano para jogar eu recomendo que dê uma chance para Wolfenstein Youngblood. Por isso mesmo o game conta com o recurso de Buddy System, que permite jogar com um amigo mesmo que ele não tenha o jogo.

Mas é o seguinte Bethesda, no próximo jogo eu quero o B.J. de volta e fases mais marcantes como sempre, combinado?

Dando uma nota

Atirar sempre é bom aqui, GRANDES TRABUCOS! - 9
Capricho estético e culturais, dá gosto ver as referências! - 9
Voltar aos mapas várias vezes é meio chato... - 4
Jogar com I.A. burra ninguém merece! - 3.5
Jogar tomando cerveja e comendo amendoim no coop! - 8

6.7

Bom

Mesmo não oferecendo a narrativa e a ação característicos dos últimos Wolfenstein, Youngblood diverte quando é jogado como foi pensado para ser: com um amigo, humano.

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Mauri Link

Um gamer inveterado desde a primeira geração de consoles, aficcionado por histórias em quadrinhos, nerd de carteirinha, e super-herói nas horas vagas!
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