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Análise | Giga Wrecker Alt

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC

Giga Wrecker Alt abrange os gêneros ação, puzzle, plataforma e progressão sidescroller 2D (deslocamento lateral). Além disso também bebe da fonte metroidvania (no quesito exploração) e tem certas inspirações na temática robótica de Mega Man, sendo produzido pela mundialmente conhecida Game Freak, desenvolvedora dos jogos principais da série Pokémon, e distribuído globalmente pela Rising Star Games.

A versão anterior deste game, chamada de Giga Wrecker teve seu lançamento para PC em 2017, mas somente em maio deste ano esta nova versão com o nome Giga Wrecker Alt chegou para Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One. Esta versão turbinada para os consoles conta com um modo de dificuldade maior, 20 níveis extras e dicas para a resolução dos puzzle – estas disponibilizadas pelo simpático robô Dölma, que se junta a aventura em determinado ponto e serve como um conselheiro, dando dicas e mostrando uma possível solução para os desafios. Só que estas possíveis soluções funcionam de uma forma similar às aulas de matemática que tínhamos na escola: não adianta termos a resposta final e não soubermos como fazer o processo para chegar até lá.

A versão utilizada para este review foi a de Xbox One, que está toda legendada em português, o que é muito bem vindo, já que a história do jogo é vasta e bem extensa. Na parte sonora não contamos com dublagem pois os personagens não possuem vozes, com os efeitos sonoros se resumindo a sons ambientais e ruídos dos inimigos e chefes.

Experimentação além do habitual

Se você é um treinador Pokémon tradicional  – deixando de lado Pokémon GO, já que tem o dedo de outro estúdio – com toda certeza já deve de ter associado Game Freak aos games Pocket Monsters, como Pokémon é conhecido lá no Japão. Afinal é um estúdio que toma conta dessa franquia desde 1996, data de lançamento japonês de Pokémon Green e Pokémon Red (neste lado do mundo saíram as versões Blue e Red, mas isso é história para outra hora). E é sempre uma surpresa vê-los fazendo outros tipos de jogos, até mesmo alguns que saem em plataformas concorrentes da Nintendo.

Como curiosidade vale lembrar de alguns jogos que são da Game Freak e que talvez você não tenha notado (um destes jogos no meu caso) ou talvez nem mesmo conheça por também serem exclusivos da Nintendo. Drill Dozer saiu para Game Boy Advance e tinha uma menina com uma broca (uma espécie de carro) que saia derrotando seus inimigos utilizando a mesma. HarmoKnight que saiu para o Nintendo 3DS era uma game de plataforma com uma pegada musical. Teve também Tembo The Badass Elephant que é multiplataforma (PlayStation 4, Xbox One e PC) e lhe permite controlar um elefante e sair causando pela cidade. Particularmente joguei os três, e parando para pensar agora, nunca havia me tocado que Tembo era da Game Freak. E não podemos esquecer que o estúdio também acaba de lançar Little Town Hero. Assim, Giga Wrecker Alt faz parte desse pequeno grupo de pérolas criativas da Game Freak.

Tais jogos só puderam ser lançados após uma reestruturação interna da própria Game Freak, para que a mesma conseguisse fazer outras produções além de Pokémon. Fora que eles não deixam de ser jogos com conceitos próprios e únicos, servindo até mesmo uma espécie de laboratório experimental. O que é muito interessante, já que ao produzir estes outros jogos, o próprio estúdio arrisca ideias e conceitos que talvez venha (ou não) a usar em futuros jogos de Pokémon. É algo para limpar o palato, antes de repetir mais uma vez a velha fórmula de Pokémon.

Futuro nada agradável

Em Giga Wrecker Alt. temos um futuro alternativo em 2035, onde a Terra foi invadida em 20 de março de 2032, devastada e conquistada por robôs alienígenas. Nós, humanos, não possuíamos a tecnologia necessária para conter essa invasão e eventualmente fomos subjugados. Lutamos e resistimos, porém com o tempo fomos vencidos. Poucos humanos conseguiram sobreviver, e estes se escondem da forma que podem, feito ratos, somente esperando pela sua captura e o inevitável fim de suas vidas. Doentes, velhos e crianças são mortos na hora da captura, e os jovens, por sua vez, são levados para centros de detenção, onde são obrigados a trabalharem como escravos incansáveis até que encontrem o seu fim. Pois é, um futuro realmente cruel.

Chegamos então ao ano de 2035, e após alguns minutos, onde controlamos outra personagem, assumimos finalmente o controle da jovem chamada Reika Rekkeiji, de 19 anos, que estava presa em uma fábrica dos robôs. Logo após ser resgatada, escapa da morte ao ser transformada pelo doutor Kozuki (que tem uma grande semelhança com Kisuke Urahara do mangá Bleach) em uma espécie de ciborgue através da integração de melhoramentos cibernéticos. A procura de várias respostas, e de uma forma de acabar com os invasores, Reika vai atravessar uma série de níveis 2D com plataformas, puzzles, e momentos de ação.

Mas não é somente essa a loucura do plot. Essa personagem que controlamos antes do jogador assumir o controle de Reika, tenta matar a protagonista no momento de seu resgate, sob o argumento de que ela irá causar a destruição do que sobrou da humanidade, alegando saber disso pois veio do futuro. Sim, não bastasse um mundo pós-apocalíptico, robôs-alienígenas, humanos com melhoramentos cibernéticos, há também uma viajante do tempo e a tentativa de quebra de uma linha temporal. Maravilhoso, estamos em um videogame!

Enfim, fazendo um resumo bem compacto, vamos explorar ambientes grandes em busca dos chefes para assim nos aproximarmos do responsável pelos robôs, encontrar respostas para toda a loucura narrada acima e consequentemente adquirir conhecimento, novos poderes e novas habilidades.

Quebrando caminhos

Os puzzles são muitas vezes incrivelmente complexos, sempre se baseando na sua resolução em duas fases distintas, primeiro o processo mental do jogador de descobrir a provável solução para a situação apresentada, e segundo, a colocação em prática da mesma, ou melhor na destreza para a executar ela. Todos os puzzles funcionam tendo como matriz a física, o que significa que você pode achar várias alternativas de solução, desde que as leis aplicadas pela física sejam respeitadas.

Para conseguirmos resolver os desafios, primeiro temos que aprender e dominar as mecânicas de jogo. Reika tem a capacidade de recolher os destroços à sua volta, (desde que os mesmos tenham partes cibernéticas, podendo ser partes do cenário ou “sangue” de restos dos robôs inimigos) formando com esse material uma bola que é carregada por seu braço biônico, que depois de adquirirmos certas habilidades podem ser moldados em armas e ferramentas (dentre eles blocos, bolas, espadas e brocas). O bloco, por exemplo, pode ser largado pelo cenário e usado como plataforma, a bola pode ser molhada com borracha líquida, o que a deixa elástica e pode atirá-la para direções opostas, e tem a espada que pode cortar partes do cenário, além da broca que, conforme já deve ter imaginado, serve para abrir buracos pelo cenário e acessar áreas específicas.

Explicando de forma mais clara, a forma de progredir pelos cenários 2D normalmente envolve quebrar, mover ou encaixar algo em partes de estruturas que são destrutíveis. Não se trata de um desafio puramente de pular plataformas. É preciso criar obstáculos que permitam pular ou alcançar meios de progredir pelo ambiente. Para isso o jogador conta com habilidades diferentes que moldam os destroços de Reika, permitindo encaixá-los em pontos do cenários que são móveis, caso o ato de simplesmente quebrar tudo para achar o caminho não funcionar. E não se preocupe em quebrar demais e não conseguir resolver o problema com uma pilha de escombros, pois é possível resetar a área, fazendo-a retornar ao seu estado original, para assim testar outros meios de avançar.

O jogador possui ainda uma árvore de habilidades que pode ir completando e adquirindo mais vida, mais defesa e alternativas para os ataques, pulos e demais atributos. Para conseguir adquirir cada uma das habilidades, precisasse de pontos, para tanto, temos que ir coletando fragmentos brilhantes das sucatas, e eles por sua vez vão completando uma barra abaixo do display de vida (no canto inferior esquerdo da tela), e cada vez que ele for completado ganhamos mais um ponto. A maioria das habilidades necessidade de 2 destes pontos. Pode parecer que vai ser difícil completar toda a árvore, mas os fragmentos estão em vários locais (partes destrutíveis dos cenários) e nos inimigos. Sair destruindo tudo após descobrir a forma correta de superar um desafio é uma boa alternativa, já que às vezes sobram partes do cenário destrutíveis que não são utilizadas no processo do desafio.

Outros aspectos técnicos

A distribuição dos comandos nos botões é boa e bem responsiva, com um  mapeamento fácil de decorar. O pulo é meio estranho, admito, mas é um caso de se acostumar. Reunir destroços é bem tranquilo e moldá-los idem. Talvez o que tenha me incomodado um pouco seja a ausência de controle da câmera, pois achei que acaba dificultando a jogabilidade as vezes.

Há momentos que a câmera se afasta demais, deixando a imagem muito longe, ficando fácil de se perder no controle de Reika. Em outros momentos, a câmera aproxima demais e os saltos serão perdidos ou as ações serão executadas incorretamente, pois é difícil ver para onde estamos indo. Entendo aqui que isso é uma escolha da direção dos produtores para manter a perspectiva diversificada e menos fixa. Só que não acho que ela funcione bem em todos os casos da progressão do jogo.

No que diz respeito ao visual de Giga Wrecker Alt, posso dizer que achei gostei de ser baseado nas animações japonesas, sobretudo na apresentação da história e na manifestação dos diálogos escritos na tela. E muitas destas conversas possuem um toque de humor nonsense dos animês conforme vamos nos acostumando mais com Reika, Dr. Kozuki e Dölma.

Infelizmente como a câmera não é muito amigável, diminuindo o zoom próximos dos inimigos, os detalhes da modelagem destes e até mesmo de Reika ficam comprometidos. Melhora quando entra cutscenes ou nas batalhas contra os chefes, e aí Reika fica deslumbrante, com o braço cibernético e as partes extras adicionadas ao corpo, tudo em gloriosos detalhes e animações de alta qualidade.

Por fim, os efeitos sonoros são a melhor parte do áudio, desde o esmagamento de blocos até o turbilhão da broca. Os efeitos sonoros dão a Giga Wrecker Alt o charme necessário, pois sua trilha sonora acaba decepcionando devido a repetição à exaustão. É bem incomodo que a trilha seja curtinha e recomece várias vezes durante a repetição dos quebra cabeças até a sua efetiva e correta resolução.

Física e seus problemas

Conforme comentado, o jogo reage as regras da física, e é aí que mora o problema. Todos os itens citados anteriormente reagem fisicamente diferentemente no cenário, como um bloco que pode ser usado para fazer peso em um botão, porém o peso pode não ser o suficiente para que o botão entenda o peso, nisso o bloco ainda pode se movimentar sozinho e não dar o resultado esperado. E essa lógica continua: a espada pode cortar o cenário e os destroços não caírem conforme o necessário para o quebra cabeça, a bola elástica pode sair rolando sozinha e não lhe arremessar no lugar necessário, e por aí vai.

A ideia da física é interessante, mas nem sempre vai funcionar na primeira tentativa, então ocorre do jogador ficar tentando a mesma coisa mais de uma vez até que o sistema de física e os objetos ajam em harmonia e lhe concedam o resultado necessário. Seria um elemento interessante essa brincadeira da tentativa e do erro se não fosse o fato de às vezes demorar mais que o suportável para dar um resultado a qual você já sabe qual será.

Notei também que Reika fica instável quando pula como se a física não se aplicasse a ela, enquanto os detritos recolhidos na bola são afetados de verdade pela física do jogo. Isso cria momentos onde, por exemplo, saltamos de uma plataforma baixa para uma mais mais alta enquanto seguramos detritos e eles por sua vez atingem o fundo de uma parede, fazendo com que a maioria dos detritos caiam no chão enquanto Rekia flutua.

E conforme relatado mais acima, todas as salas com desafios possuem um feixe de energia que ao ser ativado causa uma oscilação de ondas eletromagnéticas em um campo de táquions que provoca uma explosão destes, permitindo Reika viajar alguns segundos no tempo, para o passado, rebootando assim a sala e o ambiente do puzzle, para uma nova tentativa de fazê-lo funciona. Os inimigos também voltam e somente a energia de Reika não volta, o que pode ser desastroso caso tenha perdido muita energia na luta contra os inimigos da sala.

Por falar nos inimigos, eles são todos robóticos e o jogador deve utilizar a mesma bola de destroços para derrotá-los. Todos caem com somente um ataque direto, porém alguns temos que destruir suas armas antes. Para se ter êxito nessas batalhas, é preciso atacá-los com destroços de tamanho iguais ou maiores que eles. Quando estiver apto a derrotá-los, eles vão emitir um brilho, sinalizando que é possível causar dano caso ao atacar. No caso destes inimigos onde destroços são necessários, sempre haverá destroços para se recolher em algum ponto próximo, ou os próprios inimigos vão poder ser destruídos em partes (como uma cauda) para que o jogador possa criar uma massa de destroços. O jogo não trava em uma área por ter um inimigo forte demais e nenhum destroço para ser reunido.

No que diz respeito aos chefes, estes utilizam da mesma estratégia, normalmente envolvendo ter que destruir suas armas ou partes do cenário para assim formarmos a bola de entulho que será utilizada para o ataque. O desafio aqui será entender o padrão de ataques do chefe, ver a janela de oportunidade de coletar os entulhos e achar a hora certa para fazer o ataque. E digo que achei legal que eles mudam seu padrão de movimentos durante a luta, principalmente quando estão à mercê da derrota, próximo do golpe final do jogador.

De certa forma, é aqui, nos confrontos contra os chefes que se encontram os momentos desafiadores das batalhas de Giga Wrecker Alt. São momentos que obrigam os jogadores a observar e aprender padrões, dominando todos os elementos presentes e as alternativas disponíveis. Repetir momentos faz parte do contexto das mecânicas do título.

Considerações finais

Para concluir, acredito que Giga Wrecker Alt. é uma experiência divertida e desafiante. É um jogo que brinca com uma mistura de gêneros, dentre ação, exploração semiaberta estilo metroidvania, puzzles que envolvem desconstruir cenários e saltos em plataformas. É nessa brincadeira que torna o ritmo interessante, ainda que parte de suas mecânicas envolvendo física possam cansar o jogador pela repetição.

Além disso é muito legal que o jogo esteja totalmente localizado em português, com todos os diálogos em textos em nosso idioma. E o jogo tem muitos diálogos e história para ser contada em meio ao ritmo de sua jogabilidade. Torna-se mais agradável seguir a aventura dessa forma, especialmente para aqueles não muito habilidosos com um outro idioma, como o inglês. É uma boa localização, sem erros grotescos e se esforçando para manter o humor do texto original. Não é uma história incrível ou que deve ser levada a sério, mas não é de se jogar fora, servindo ao seu propósito.

É uma produção da Game Freak mais uma vez experimentando uma ideia singular, sem necessariamente fazer algo apenas por fazer, dando mais do mesmo ao mercado. Longe disso, sua física e puzzles dão um toque único ao ritmo e à proposta do jogo. Talvez não sejam perfeitos, mas ainda assim são uma mecânica bem original e criativa.

Encerro esta análise dizendo que o conjunto como um todo deve ser experimentado aos que ficaram interessados pelas mecânicas aqui abordadas. Especialmente a galera mais nostálgica, que curte estes jogos com uma pegada 2D mais tradicional. Existe sim um nível de frustração que pode surgir com o fracasso e a repetição de cenários, e não ajuda muito o loading ser meio demorado quando se é preciso rebootar um ambiente, entretanto acredito que não seja nada que estrague verdadeiramente a experiência de jogo. Vale a experimentação, sem dúvida alguma.

Galeria

Dando uma nota

História meio maluca, porém é interessante, instaga a continuar - 8
Quebrar cenários e interagir com os mesmos dá personalidade para a jogabilidade - 8.8
Física nem sempre dá resultados esperados, frustra pela repetição exaustiva - 6.5
Tem ritmo e boa dinâmica, sabendo mesclar momentos entre puzzle, ação e plataforma - 8
Bom repertório de habilidades envolvendo a coleta de destroços - 8.2
Tentar, errar e repetir: esse conceito se faz muito presente ao longo da aventura - 7.5
Tem uma apresentação curiosa, boa arte visual, mas nem sempre é atraente - 7.9

7.8

Bom

Giga Wrecker Alt é uma experiência diferente, desafiadora e que brinca com elementos de física envolvendo cenários. Mistura gêneros de puzzle, metroidvania e plataforma que dão ritmo a aventura pós-apocalíptica de um mundo destruído por robôs. Pode frustrar pelo erro e tentativa, mesmo que isso faça parte de sua proposta. Acaba sendo um título que vale à pena por sua inventividade.

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Paulo Roberto L. S.

Gamer desde o antigo Master System 3. Leitor de HQs (Marvel/DC) e de Mangás, como atividades extras me dedico a treinar Pokémon e sair em busca de conquistas e troféus.
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