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Análise | Destiny 2 – Fortaleza das Sombras (Shadowkeep)

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, Google Stadia e PC

Destiny 2Fortaleza das Sombras (Shadowkeep) é a mais recente expansão de um grande jogo que está sempre prometendo muito, porém nem sempre consegue atingir os altos padrões que exige a si mesmo. Esse novo pacote de conteúdo foi lançado em 1º de outubro (do ano passado), e que só pude começar a conferir no finzinho de dezembro – e tem me mantido interessado pelas primeiras semanas deste mês de janeiro.

Fortaleza das Sombras detém alguns marcos importantes para sua desenvolvedora, a Bungie (a qual nunca esqueceremos de seu trabalho exemplar na franquia Halo). A expansão marca o momento em que o estúdio passa a ser sua própria distribuidora (publisher), desfazendo a parceria a qual originalmente tinha com a Activision quando Destiny 2 foi lançado originalmente em setembro de 2017.

O momento também marca a decisão do estúdio de oferecer parte da experiência e do conteúdo de Destiny 2 de uma forma totalmente gratuita a qualquer um que deseja iniciar essa aventura, versão que foi intitulada de Destiny 2 – Nova Luz (New Light). Isso significa que basicamente qualquer um, em qualquer uma das plataformas em que o jogo se encontra, pode iniciar sua jornada, como Guardião, sem ter que desembolsar um único centavo. Desfrutando assim das primeiras campanhas, atividades PvE e PvP do título. Entretanto, é preciso saber: esta jornada será limitada até certo ponto, pois os conteúdos das expansões Renegados (Forsaken) e Fortaleza das Sombras não estão inclusos nessa versão gratuita – a qual você pode adquirir depois caso sinta-se compelido a continuar.

Colocando em miúdos, Destiny 2: Nova Luz oferece gratuitamente as campanhas e conteúdos das jornadas Guerra Vermelha, Maldição de Osíris e A Mente Bélica. As primeiras lançadas desde o lançamento original.

Seguindo adiante, com o lançamento de Fortaleza das Sombras, Destiny 2 recebeu a maior reforma estrutural das muitas que jogo já teve desde seu lançamento; reformando inventários, progressões de personagem, balanceamento das armas e perks, melhor divisão dos modos de jogo e atividades. Uma atualização que afeta a todos e não apenas aos possuidores da mais recente expansão.

Por último, Destiny 2 também passa por uma mudança em seu modelo de negócio, oferecendo Passe de Temporada em meio aos seus eventos sazonais, que ainda terão parte de seus conteúdos gratuitos. Passes estes que darão continuidade a expansão da trama, mas que se divide em conteúdos gratuitos a quem não quer adquiri-lo e parte exclusivo aos pagantes, entregando a estes direito a novos emotes, itens lendários e exóticos, assim como jornadas e atividades exclusivas.

De volta ao satélite natural da Terra

A jornada da mais recente expansão de Destiny 2 leva os jogadores a um local conhecido – e até mesmo nostálgico – para àqueles que se aventuram no primeiro Destiny (2014): a Lua! Aqui os jogadores são levados a um mistério, sob a tutela de Eris Morn, outra figura emblemática do universo da franquia, e que estava desaparecida desde a queda dos Guardiões, no começo da Guerra Vermelha.

Eris retorna com uma chocante revelação, a descoberta de uma pirâmide escondida dentro das entranhas da Lua, que segue rodeada e dominada pela raça de inimigos conhecidos como Colmeia. Para aqueles que jogaram a primeira campanha de Destiny 2 e viram as misteriosas pirâmides, como gancho ao final do arco, percebem que há certa relação, indicando que um prenúncio maior ainda está por vir para o mundo de Destiny.

Falando sobre a Lua em si – e daqui a pouco volto para a trama da campanha em si – a Bungie fez um trabalho incrível trazendo locais conhecidos da região relacionados a Lua do primeiro Destiny, assim como a expandiu com novas regiões, eventos, atividades, muitos segredos e mistérios. A colmeia segue dominando as cavernas e entranhas do satélite, e o jogador vai passar por muitos locais conhecidos, como o Templo de Crota ou a Tumba do Mundo, enquanto parte para novos locais, por meios de passagens a locais bem conhecidos.

É divertido, e igualmente incrível, revisitar uma região que muitos gastaram incontáveis horas no jogo anterior e descobrir como o estúdio soube refazer o ambiente, enquanto também o modificou e adicionou novidades em meio a tudo que há para se oferecer no cinzento satélite.

Uma curta jornada de perguntas sem respostas

A campanha de Fortaleza das Sombras segue uma narrativa não muito esclarecedora, em quê o jogador, no controle daquele Guardião que é o centro de todas as novas histórias desse universo, sai em uma jornada de investigação, auxiliado pela Eris Morn, para descobrir como ativar a tal misteriosa pirâmide, afim de descobrir o que há dentro dela. De onde ela vem, a quem pertence e o porquê dela repousar na Lua. Estas são as perguntas, o que não significa que ao terminar a campanha o jogador irá encontrar todas as respostas. Infelizmente não encontrarão.

O caso é que a campanha narrativa single player desta expansão é uma das mais curtas que Destiny 2 recebeu até o momento. Ela pode ser concluída em torno de três a quatro horas. E o final é um baita gancho para o que virá a seguir dentro do universo do jogo, sem dizer exatamente se isso virá nesta ou em uma nova próxima expansão ou quem sabe somente em Destiny 3 – que não deve tardar a sair logo no começo da próxima geração de consoles que se iniciará no final deste ano.

Pelo sim, pelo não, a Bungie já declarou que novos eventos e conteúdos vão continuar saindo para Destiny 2, ao longo dos próximos meses, trabalhando um pouco o que vem acontecendo dentro da trama do jogo, por meio dos eventos sazonais e dos passes de temporada. Ainda não achei muito claro se isso pode vir a incluir novos capítulos de jornadas single player, e assim trazer novos momentos após o final de Fortaleza das Sombras. Resta aguardar.

Fórmula conhecida

Mecanicamente a nova campanha segue a fórmula de Destiny até aqui, sem reinventar nada, sem surpresas. A diferença é que a Lua é o local central aqui, sem a necessidade de ir para outros planetas fazer coisas secundárias que não acrescentam em nada ao ambiente narrativo proposto, algo que outras expansões chegaram a fazer. A campanha dividi-se entre jornadas lineares, a qual o jogador vai limpando o caminho até chegar ao destino final, normalmente encabeçado por um chefe, e em eventos de história que nos apresentam outras atividades secundárias que estão presentes na Lua, como os novos eventos públicos envolvendo os inimigos da Colmeia intitulados como Pesadelos e seus rituais.

Sim, a trama fará aquelas pausas comuns de ter que eliminar X inimigos pela Lua, recolher certos materiais para energizar um cristal e afins. Aqui até mesmo um set de armadura é obrigatório para adentrar na fase final da campanha. Equipamento que se adquire fazendo as atividades secundárias, caçando inimigos e participando de eventos.

Em termos comparativos, a campanha de Renegados (2018) é bem mais envolvente e épica. Talvez porque envolva a morte de um importante personagem para a série, ou porque talvez este personagem fosse mais carismático do que a sombria Eris. Mas não só isso; as fases de campanha de Renegados eram sim mais emblemáticas; sabendo apresentar um set interessante de inimigos diferentes, em meio a uma atmosfera de vingança, em uma localidade bem inesperada, em meio a ação, explosões e até mesmo uma certa dose de suspense e terror. Alguns eventos da Lua simulam esse terror em meio a corredores escuros, mas a Colmeia não é tão ameaçadora quanto já foi um dia. Essa é a verdade.

Também não me agrada o escopo da fase final da campanha, envolvendo a sua entrada na pirâmide e no fato do jogo reciclar pequenos momentos de grandes confrontos com chefes passados a qual você já os derrotou. Sabe aqueles episódios de seriados que recontam os melhores momentos de temporadas passadas? Meio que é isso. Por mais de que o retorno da Lua traga esse sentimento de nostalgia, acho que há um certo exagero até onde isso funciona. No final da campanha estava esperava algo diferente e não apenas um recorde de memórias de coisas que venci no passado.

Ainda engajante

Mesmo com minhas críticas, sobre a narrativa entregue na campanha de Fortaleza das Sombras, é preciso pensar em outras aspectos de Destiny 2, pois o mesmo tem uma proposta que vai muito além de uma experiência de campanha. Há muitos outros elementos que tornam o ato de jogar o título altamente viciante, imersivo e que sabe recompensar o engajamento de sua comunidade.

A verdade é que meu Guardião estava um tanto de férias desde o final de Renegados, quando foi sofrido perder Cayde-6. Não estive presente para experimentar certos eventos, como a modalidade Julgamento em Artimanha, as partidas de horda dentro da Forja com o Arsenal Negro, ou até mesmo as hordas oriundas da temporada da Opulência, lá dentro do Cativeiro. E mais recentemente há o Relógio do Sol, em mercúrio que também coloca um grupo de jogadores para enfrentar inimigos fortíssimos, ainda que parte dessa atividade seja apenas exclusiva àqueles que detém o atual passe de temporada.

O ponto é que Destiny 2 melhorou e muito seu aspecto PvE (player versus environment, ou como normalmente chamamos em português: jogador contra ambiente). Foi uma surpresa encontrar tantos modelos de eventos diferentes nesse aspecto, com mapas e arenas modeladas individualmente para cada um destes modos que foram adicionados ao longo do último ano. Tudo bem que as jornadas para liberá-los, em alguns casos, é uma encheção de linguiça enorme, porém o esforço da repetição vale a recompensa.

Em outro aspecto, até mesmo a mudança em como as armas, armaduras e seus perks agora funcionam adicionam funcionalidade ao sistema. Com perks que não são mais consumíveis, o que impedem que o jogador estrague um setup de arma ou peça de armadura, adicionando um atributo que não produz o efeito a qual pensou se desejar. Armaduras agora podem ter vários atributos que consomem certos status de energia. Fora que as armas e armaduras não possuem perks e status iguais aos mesmo modelos, voltando a ser uma roleta curiosa de atributos que podem ser fixados ao adquirir uma mesma arma já obtida.

Vale mencionar que os Guardiões também ganharam um novo setup dentro de uma das classes de poder (solar, arco e vácuo) de seu Guardião. O Titan, por exemplo, agora tem um martelo de fogo que é arrasador quando ativa como Super Habilidade, além de ter uma machadinha que ele arremessa tal qual a classe de Caçador faz com uma adaga. Fora isso, há as finalizações, que não é tão especial assim, mas visualmente são bacanas de se usar vez ou outra.

O jogo também está sabendo bem como recompensar o jogador em atividades e desafios. O status de Luz chega a 900 de forma bem rápida, sendo que após isso é fazendo atividades mais complexas que lhe darão equipamentos e armas com um status de Luz mais cadenciado. A escalada diminui, mas com 900 você consegue se virar em qualquer lugar ou modalidade online, até mesmo o Crisol. Fora que há desafios semanais que são completados rapidamente, como o Crisol e a Artimanha, o que conferem aos jogadores ao menos um equipamento de melhor nível de Luz.

No que diz respeito as Incursões, sigo no meu discurso de que acho um tremendo vacilo não terem uma modalidade que funcione com matchmaking, excetuando os Jogos Guiados, que podem ou não funcionar, porém normalmente demoram bastante para reunir jogadores, já que exige grupos vinculados a clãs. Aliás, cheguei a fazer um anoitecer em Jogos Guiados: e não precisamos trocar uma palavra sequer. Prova de que depois de um certo tempo, os jogadores sabem o que fazer e como agir, independente de terem ou não vontade de se comunicarem via microfone. Volto a dizer, entendo a lógica das Incursões, porém acho que não precisaria ser tão restritivo quanto sempre foi.

Migrando para uma modalidade que sempre me diverte, e que achei que está finalmente no eixo correto, é o Crisol. Me recordo lá do começo, quando Destiny 2 foi lançado; o quanto o PvP era fraco, com times de quatro jogadores apenas, muito mal balanceado, com mapas estranhos. Talvez seja a modalidade que mais sofreu reformas e melhorias positivas desde o lançamento original do título. Enfim, agora sim o Crisol está tinindo, com times de seis jogadores para as modalidades mais clássicas, as excelentes falas do Lorde Shaxx, boas recompensas e um balanceamento justo, permitindo que até mesmo os jogadores mais novatos consigam se dar bem contra Guardiões veteranos.

Considerações finais

Destiny 2: Fortaleza das Sombras foi um importante passo para a Bungie, sem qualquer sombra de dúvida. Entretanto não foi o passo mais ousado que o estúdio deu ao longo dos últimos anos com a franquia. A maior impressão é que esse foi um momento para colocar a casa em ordem. Arrumar a forma como perks funcionavam, criar novos sets e jornadas por armas ainda mais legais, aprimorar e muito as atividades que envolvem PvE, enquanto refinavam o Crisol a sua gloriosa forma.

A parte narrativa desse novo momento da série realmente deixou a desejar, reforçando perguntas a qual seus criadores não querem ainda responder, além de enaltecer a nostalgia tanto de forma positiva, quando exagerando um pouco ao final da experiência da aventura, resultando ao algo que é legal, mas passa um pouco do ponto em que deveria.

Achei divertidíssimo retornar à Lua, isso não dá para negar. Revisitar áreas do primeiro Destiny, batalhar contra a Colmeia, e até mesmo revisitar um antigo chefão clássico do satélite, é maravilhoso. Na parte da novidade, a Fortaleza Escarlate, onde rituais e pesadelos estão constantemente surgindo, se tornou uma área pública altamente movimentada de Guardiões e inimigos, criando um espetáculo em forma de evento público, superando até mesmo a muvuca que foram os protocolos de agravamento em Marte.

Quanto a ideia de Passe de Temporada, se dividindo em um passe gratuito, com recompensas medianas, e um passe pago cheio de itens desejados, não há como condenar a Bungie por usufruir do modelo de negócio que tantos outros games utilizam na atual indústria. Porém não posso deixar de dizer que me sinto um pouco dividido com o fato do jogo ter expansões que são pagas à parte do passe de temporada, juntamente com um conteúdo inicial que originalmente era pago e agora foi dado de graça. Os jogadores veteranos, que gastaram dinheiro com esses conteúdos mereciam algum tipo de recompensa, talvez até mesmo receber Fortaleza das Sombras de forma gratuita talvez. Fora que soa como se a tendência for essa, com o título tentando migrar para o modelo Free to Play com os passes sustentando seu desenvolvimento e novos conteúdos. Eventualmente eu apoiaria isso, contanto que não me obrigassem a comprar novas expansões.

Acho que Destiny 2 está tendo um desgaste natural, após tantas mudanças (ainda que quase todas boas), após tanto tempo desde que fora lançado. A geração está acabando e todo mundo está de olho no futuro, nos novos consoles e no quê eles serão capazes de entregar em termos de experiências únicas de jogo. Não me surpreenderia se Destiny 2 migrasse para os próximos consoles, porém acho que já está mais do que na hora da Bungie pensar em Destiny 3. Até mesmo em outras formas de Guardiões em diferentes plataformas se encontrarem. O cross-save foi adicionado em Shadowkeep, entretanto ainda não temos cross-play. Certamente este é um título que poderia se beneficiar muito em reunir ainda mais sua comunidade.

Sendo assim, dá para dizer que Fortaleza das Sombras é uma expansão de entressafra, que não está para reinventar nada, não consegue impressionar, porém que faz os preparativos e reformas necessárias para o futuro dessa jornada. Talvez custe mais do que deveria, mas para quem já está nesse barco há anos, acaba não sendo um investimento ruim. Admito que esperava mais, porém em contra partida, não chegou nem perto de decepcionar. É mais Destiny, e isso ainda é alguma coisa boa.

Galeria

Dando uma nota

Destiny 2 está em uma fase importante ao seu estúdio - 8.5
Narrativa de Fortaleza das Sombras não impacta como deveria - 7
Passe de Temporada é uma boa ideia, mas os custos ao jogador estão ficando elevados - 7
Quantidade de atividades PvE melhorou muito neste ano que passou - 8
Sistema de armas, equipamentos e parks está muito mais interessante e customizável - 8.5
Artimanha e Crisol em suas melhores fases, são envolventes e divertidas - 9
Destiny 2: Novo Luz abre as portas deste universo a qualquer pessoa, ainda que limitado - 8.5

8.1

Ótimo

Destiny 2: Fortaleza das Sombras é um nosso passo para a jornada da Bungie em uma nova fase solo. Como conteúdo isolado, a campanha principal não chega a ter o impacto que outros tiveram no passado, porém está longe de decepcionar. O ponto é que Destiny 2 continua envolvente e recompensador, incentivando o engajamento da comunidade com toneladas de conteúdos PvE novos, além de uma ótima reformulação de menus e sistemas de armas, armaduras e como os perks funcionam.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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