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Análise | Mr. DRILLER DrillLand

Disponível para Nintendo Switch & PC

Mr. Driller DrillLand traz perfurações e diversão de um clássico que merecidamente precisava ser desenterrado. O título chegou ao Nintendo Switch e PC, e apenas nestas plataformas, no último dia 25 de junho. O jogo inclusive está disponível na loja digital brasileira do Switch, com uma versão de demonstração para quem quiser testar e ter um gostinho do que lhe aguarda.

Trata-se de um jogo lançado originalmente no (sempre saudoso) Nintendo GameCube, mais precisamente em 2002 e somente no Japão. Aqui o título recebeu uma boa reforma gráfica, atualizando todo seu visual para alta definição. Além disso recebeu localização para diversos idiomas, dentre inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e mais alguns outros. Infelizmente o nosso português não foi uma destas opções. E estas localizações foram apenas em forma de texto para diálogos e menus. Todo o jogo mantém seu charmoso áudio em japonês, tanto nas diversas cutscenes, quanto nas músicas cantadas durante o gameplay, assim como nas vozes dos encantadores personagens.

Em termos de conteúdo inédito, até onde consegui descobrir, o que se fez nesta nova versão foi a modalidade de uma dificuldade chamada casual, mais fácil do que a versão original de 2002. Recomendada para uma experiência mais relaxante. Fora isso, o jogo se mantém idêntico a sua versão para GameCube, o que de forma algum é um demérito, tendo em vista o capricho e boa performance que a versão original já parecia entregar.

Mr. Driller DrillLand foi desenvolvido pelos próprios estúdios da Namco, quando a empresa ainda mantinha apenas este nome. Em 2005, a Bandai e a Namco uniram suas companhias e transformaram na Bandai Namco Entertainment, a qual são conhecidas atualmente.

Quanto a franquia Mr. Driller, o primeiro título da série surgiu em 1999 para fliperamas (arcade), e posteriormente ganhou ports para outras plataformas ao longo dos anos seguintes. Originalmente Mr. Driller seria o terceiro título de um outro clássico ainda mais antigo da Namco: Dig Dug, lançado em 1982. Acabou que um terceiro Dig Dug acabou não dando certo, porém o projeto era tão bom que a Namco não quis desperdiçar o que já se havia feito, renomeando assim para Mr. Driller e o lançado como uma nova franquia.

Mesmo assim Dig Dug e Mr. Driller compartilham um mesmo universo. O protagonista de Mr. Driller é o personagem chamado Susumu Hori (carinha de capacete rosa), e seu pai é Taizo Hori, que quando mais jovem, protagonizou suas próprias aventuras vistas nos games da série Dig Dug, porém ele também é um dos personagens jogáveis em Mr. Driller. Bacana, não?

Escave e não perca o ar

Mr. Driller DrillLand é um puzzle game 2D que funciona dentro de um sistema de labirinto (maze em inglês), a qual o jogador precisa ir fazendo ou descobrindo o melhor caminho afim de chegar a um obstáculo predeterminado. Neste caso, é preciso escavar blocos afim de chegar ao fundo de um grande fosso, tomando cuidado com toda a estrutura que vai ficando acima da sua cabeça e que desmorona conforme espaços vazios dão brecha para a gravidade fazer sua função.

Lembra um pouco o conceito do clássico Tetris, porém a ideia aqui não é encaixar blocos, e sim observar estruturas que irão se segurar e não desmoronar na sua cabeça, enquanto segue descendo e destruindo novos blocos. E aí o jogo vai esticando estas regras básicas em outros elementos que envolve esse conceito.

Blocos de cores iguais, por exemplo, podem se conectar a outros da mesma cor. Então um bloco que esteja caindo em sua cabeça para por completo se houver, na coluna ao lado, algum bloco da mesma cor. Este bloco gruda ao da mesma cor formando uma nova peça. Entretanto se este bloco formar uma peça de quatro blocos da mesma cor, eles desaparecem (como em Tetris), abrindo espaço para que os blocos acima caiam em cadeia, podendo formar outro conjunto de quatro blocos que também vão desaparecer.

Até aí parece fácil, entretanto as coisas se complicam um pouco mais com o fato do jogador não ter todo o tempo do mundo para planejar seu caminho. Há um contador de ar que vai se esvaziando ou com o tempo ou com o número de blocos eliminados. Esse contador normalmente começa em 100, e há cápsulas de ar pelo caminho que precisam ser coletadas. Cada cápsula lhe devolve 20 pontos de ar. Há também blocos pesados, que não quebram em uma investida, e são chamados de Blocos X. Estes blocos quando quebrados, fazem o jogador perder 20 pontos de ar.

Há muitas situações de cápsulas de ar que ficam presas ao redor destes blocos X. Não adianta quebrar um bloco destes para perder 20 pontos de ar, apenas para recuperar 20 pontos. Nesse cenário o jogador precisa ser engenhoso, derrubando uma coluna que fazr estes blocos saírem do ponto em que ficam protegendo a cápsula. É permitido subir um bloco quando há espaço acima deste, sendo possível fazer uma escada para começar em um ponto mais alto da tela ou para pegar um item ou cápsula que tenha ficado uma linha acima do jogador.

Por fim, a última regra básica de Mr. Driller é que a cada 100 metros de profundidade tudo que está acima da sua cabeça desaparece e todo o cenário recomeça. O jogo tende a mudar também um pouco a cada 100 metros. As vezes há mais blocos X, em outras blocos de apenas duas cores, formando grandes cadeias de blocos que desaparecem e formam grandes buracos que abre uma cadeia de desmoronamento. Quando mais fundo, mais difícil o jogo tende a ficar, pois o ar entre as centenas de metros não é restabelecida.

Estas são as regras básicas de Mr. Driller, entretanto o jogo tem outros modos e diferentes regras, especialmente aqui em DrillLand. Além disso há personagens que possuem habilidades especiais. O cachorrinho do grupo, por exemplo, pode escalar dois blocos, enquanto que o robô pode ser atingido uma vez por um bloco antes de ser destruído por completo e aí sim perde-se uma vida.

Qual profundidade dos estágios? O primeiro level pede que o jogador escave até 500 metros. São cinco etapas então. Entretanto ao terminar o jogo, novos níveis de dificuldade são adicionados a aventura, então se antes você tinha que descer a 500 metros, agora precisa ir até 1.000 metros. E após esse segundo nível de dificuldade, espere por mais um terceiro nível e uma modalidade especial. Ou seja, o jogo pode começar fácil, mas aos verdadeiros apreciadores do desafio, pode ter certeza de que haverá uma dificuldade a qual irá se sentir realmente desafiado.

Parque de diversão

A ambientação de Mr. Driller DrillLand acontece justamente em um grande parque de diversões, que dá nome ao título do jogo: Drill Land. Aqui Susumu Hori, seus amigos e família estão reunidos para curtir as atrações desse grande parque, enquanto um vilão aparenta ter outros planos para o lugar.

Toda a apresentação do título é incrivelmente bem feita. O jogo tem cutscenes para a abertura do game, assim como para cada uma das atrações do parque. E ao concluir uma destas atrações, uma nova cutscene é liberada. São conversas bem humoradas entre os personagens e a sensação que tiveram para com a atração em si. Além disso, o jogo ainda tem uma apresentação musical com uma canção cantada. É realmente um charme, que apesar de não agregar ao gameplay, certamente te leva a entrar no universo proposto.

Quanto as atrações, elas se traduzem em cinco modalidades de jogo. Cada uma tem uma regra especial, e com exceção de uma, as demais são protagonizadas por um dos personagens do grupo de protagonistas. A única que não vai nessa direção lhe permite escolher qualquer personagem para o desafio.

Quanto aos modos propostos, há alguns realmente engenhosos, que alteram um pouco a fórmula clássica da série. Por exemplo, na mansão mal assombrada, o jogador não tem que descer até o fundo do fosso, e sim coletar joias de fantasmas. Para fazer isso é preciso descer até pontos em que se encontra um item que seria uma espécie de água benta. Você coleta o item e aplica em uma região de blocos para capturar os fantasmas que ficam transitando por ali. Estes fantasmas perseguem o jogador, impedindo que se fique parado por muito tempo.

Já em outra atração, inspirada em algo meio Indiana Jones, é preciso coletar 20 ídolos dourados antes de atingir o final do fosso. O perigo reside no fato de que grandes rochas estão pelo cenário e rolam até o jogador caso o mesmo esteja na mesma linha que ela ou abaixo. As vezes é preciso soltar estas rochas para chegar ao ídolo. Nesta modalidade os blocos que se juntam em quatro não desaparecem e não há cápsula de ar, o que demonstram que trata-se de um modo para se pensar e calcular antes de sair escavando.

Um dos modos mais engenhosos se passa em um castelo medieval. Aqui o labirinto não é exatamente um fosso, mas salas que podem se posicionar lateralmente. Cabe ao jogador encontrar a saída de cada sala, enquanto lida com inimigos, procura uma chave para o cadeado que irá levar a um grande chefe e deve tomar cuidado com sua barra de saúde, que se esvazia a cada bloco destruído. Para repor o HP é preciso encontrar poções de vida, enquanto que há esmeraldas de diversas cores espalhas pelo labirinto que vão para um inventário e podem melhorar seus atributos e alguns precisam ser guardados para se usar no confronto final com o chefe, caso você consiga abrir o portão final.

As outras duas atrações se baseiam um pouco mais no modo mais clássico da franquia. Em uma delas, o jogador controla o próprio Susumu Hori em uma atração espacial com vários tipos de power ups com tema de espaço sideral, dentre meteoros que atingem os blocos e até mesmo buracos negros que levam o jogador de volta ao topo do labirinto, obrigando-o a descer tudo novamente, enquanto seu ar não é restabelecido. Já a outra atração ainda não mencionada, é aquela que permite escolher qualquer um dos sete personagens presentes na história e apresenta a fórmula clássica da série, cujo o objetivo é apenas descer até o fundo do fosso antes que seu ar acabe, coletando cápsulas sempre que puder. O bacana dessa atração é que a cada 100 metros, existe uma representação de um país, além da trilha sonora cantada em japonês é daquelas grudentas, mas muito bem produzidas.

Cada atração precisa ser vencida para destravar um último confronto quando um vilão da série. O que lhe permite jogar um estágio especial, a qual precisa correr contra o tempo, descendo o mais rápido possível afim de chegar a uma certa máquina. Com a regra de que ela nunca pode se distanciar 100 metros de onde você estiver. É um desafio bem legal. Concluído essa esta, as atrações recebem novos níveis de dificuldade, conforme mencionei mais acima.

Vale apontar que Mr. Driller DrillLand é um jogo com um grande foco na experiência arcade. Ou seja, não é um jogo com dezenas de fases. São cinco modalidades com regras próprias, a qual você não vai levar mais do que meia hora para vencer (após pegar a prática). Jogos arcades são estruturados na repetição. Bata seu tempo, sua pontuação. Vá mais rápido, repita partidas, pois a cada partida você vai jogar de uma forma diferente, vai tentar algo inusitado Essa é a ideia de tantos jogos com essa estrutura, como o já mencionado Tetris. Há valor em repetir diversas vezes, enquanto isso for divertido.

Multiplayer e outros extras

Além das atrações do mencionado parque, Mr. Driller DrillLand apensar alguns outros elementos menores, mas que fazem parte do conjunto da experiência da série, e que aqui cai muito bem ao pacote. Antes de adentrar o multiplayer, vale a pena apontar que o Parque de Diversões tem algumas atrações menores que funcionam como extras do jogo.

Há uma lojinha que o jogador pode gastar as moedas que se ganha nas modalidades principais, comprando figurinhas para um álbum, assim como action figures que servem como colecionáveis. Além disso, é possível comprar alguns itens para serem usados dentro das cinco atrações principais. Neste mesmo lugar, o jogador ainda pode rever todas as cutscenes já destravadas, assim como ouvir toda a trilha sonora do jogo. Há também algumas fichas que contem as origens e histórias dos personagens, assim como dos jogos antigos da série.

Já no que diz respeito ao multiplayer, o jogo oferece duas modalidades. São simples, mas funcionam perfeitamente a proposta de sr algo rápido e divertido para se brincar em família ou com amigos. Ambos os modos suportam até quatro jogadores, algo que também já era possível na versão clássica de Nintendo GameCube.

Uma destas modalidades é o clássico desçam mais rápido do que os demais jogadores. A tela se divide e cada jogar desce em sua própria tela. Quem chegar ao fundo primeiro vence. Porém o interessante aqui é que o fantasma do seu adversário aparece na sua tela, sendo possível saber, sem ter que olha na tela ao lado, quem está ganhando. Há também power ups que podem ser enviados à tela do oponente que podem lhe atrapalhar, como inserir um grande número de blocos X ou quebrar blocos na tela dele e desencadear uma queda em cascata. A regra do ar também vale aqui, obrigando os jogadores a coletarem as cápsulas de ar. Não há vidas, mas morrer porque um bloco caiu em sua cabeça vai lhe atrasar por alguns segundos, dando vantagem ao adversário.

É bacana, mas achei mais legal ainda o modo batalha. Nesta modalidade os jogadores compartilham um mesmo labirinto, que preenche a tela inteira. O objetivo aqui é encontra um bloco que esconde uma moeda. É preciso coletar três moedas para vencer. Após uma moeda ser coletada, o labirinto reseta e recomeça tudo novamente. nesta modalidade os jogadores também podem atrapalhar um ao outro, derrubando blocos um nos outros e também usando a perfuradora para fazer o adversário tropeçar, deixando-o imóvel por alguns segundos. Aqui não tem a regra do ar.

São apenas dois modos, mas são divertidos para brincar com uma criança, ou entre amigos. Não há opção de jogar online, sendo realmente um multiplayer local. O que talvez faça sentido, ainda que exista lá no Xbox 360 um Mr. Driller lançado em 2008 que possuía modalidades online. Título, que aliás, está na retrocompatibilidade do Xbox One. A Bandai Namco bem que poderia pensar em relançar essa outra versão – apesar de que DrillLand é um jogo muito mais completo e com muito mais carinho em seu desenvolvimento.

Considerações finais

Mr. Driller DrillLand é uma grande viagem ao passado dos puzzles games. Trata-se de um clássico que estava perdido no tempo, dentro da incrível biblioteca que o Nintendo GameCube possui e que muitas vezes não damos o devido valor. É muito maneiro que a Bandai Namco tenha decidido fazer esse resgate histórico.

A melhor prova de quão bom o título já era em 2002 é o quão pouco se precisou mexer para esse relançamento. Não houve a necessidade de refazer menor ou arte dos gráficos. Tudo que foi feito lá em 2002 ainda é super agradável nos dias de hoje. O que se precisou foi reformar o visual para altas resoluções e fazer tudo rodar sem queda de frames. E o resultado é esse lindo jogo, mantendo praticamente tudo que originalmente já fazia parte do pacote.

Sequer acho que a modalidade casual era algo necessário, porque a versão clássica é bem tranquilo. Não significa que você vai ganhar todas as cinco modalidades já na primeira tentativa, mas esse é um daqueles jogos que se aprende com os erros e novas partidas te demonstram o quanto você melhora em relação as que perdeu. Entretanto entendo que existe uma parte do público dos consoles da Nintendo tem realmente uma pegada mais casual e apenas procurem por algo mais relaxante. Então dá para entender os motivos do porque ter um modo casual.

Ao fim, saiu bem satisfeito da experiência proposta por este belo remaster. Mr. Driller DrillLand é um excelente puzzle arcade game, destes que não é muito fácil se encontrar nos dias de hoje. E é curioso como não há muitos jogos da franquia sendo lançado nestes últimos anos. É muito bacana ver seu retorno e que isso abra as portas para, quem sabe, jogos totalmente inéditos em seu universo. Susumu Hori certamente merece novas aventuras.

Galeria

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Dando uma nota

Possui uma incrível apresentação, cheio de canções, cutscenes e belos menus - 9
Entrega cinco modos de jogo bem diferentes e interessantes, alguns podem achá-lo curto - 8.5
Multiplayer local é bem simples, mas faz sua parte ao ser divertido - 7.5
Incrível na parte sonora, com bons temas musicais, efeitos sonoros e áudio (em japonês) para a voz dos personagens - 9
É um puzzle arcade game, ou seja, tem um apelo a repetição; joga-se para melhorar tempo e pontuação - 8
Tem apelo nostálgico e tem valor em seu resgate histórico - 8.5
É desafiador nos níveis mais avançados, enquanto entrega um modo casual a quem não curte altas dificuldades - 8.5

8.4

Ótimo

Mr. Driller DrillLand é uma grandes resgate a uma franquia clássica dos videogames, em uma de suas mais divertidas versões, até então perdida na biblioteca do Nintendo GameCube. É um título atemporal, que mantém fiel a sua fórmula de uma puzzle game arcade. Oferece divertidos modos e uma incrível e bela apresentação. Há um charme próprio aqui. Seu conteúdo não é dos maiores, mas mantém a diversão que se muito deseja, assim como um bom nível de desafio a quem continuar jogar nos níveis mais difíceis. Um game verdadeiramente viciante.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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