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Análise | Pokémon Café Mix

Disponível para Nintendo Switch, Android & iOS

Pokémon Café Mix é um título que veio de supetão, revelado em um Pokémon Presents em 17 de junho e já lançado alguns dias depois, no dia 23 de junho. Não se trata de um grande título da franquia Pokémon nos moldes das aventuras como Sword & Shield, e sim de um puzzle game. Um título simples, mas impressionantemente viciante. E o melhor de tudo: totalmente gratuito (free-to-play).

Quer dizer… assim como muitos jogos pensados em plataformas mobile, Pokémon Café Mix oferece microtransações dentro de seu sistema, que são adquiridos com dinheiro de verdade. Estes itens que podem ser comprados se limitam a power-ups e noz (moeda usada no jogo). Há também um tipo de Pikachu (chamado Sweet Pikachu) que não parece estar presente no jogo. Ao menos até agora não o encontrei, entretanto o Pikachu normal é dado gratuitamente quando se faz o login por 5 dias seguidos no game.

É preciso gastar dinheiro de verdade? Sendo bem sincero: acredito que não. Em hipótese alguma achei que precisava comprar qualquer item para avançar dentro do jogo. As nozes (moeda dentro do jogo) tem algumas utilidades, dentre a principal é dar um continue a uma fase que se está quase vencendo e você não quer recomeçar. Ou então comprar novas vidas quando se fracassa totalmente em fases. O jogo lhe dá 5 vidas ao ser carregado, mas depois de usar todas, é preciso comprar novas vidas ou esperar 15 minutos para uma nova vida ser carregada no sistema. E esse consumo de vida é por derrota. Passar de fase não consome suas tentativas de continuar avançando no jogo.

Tirando um única situação em que gastei todas minhas vidas e decidi desligar o jogo e ir fazer outra coisa até que o jogo recarregasse novamente todas as 5 vidas, e isso só porque estava sendo pão duro na hora de usar poderes especiais e foi isso que me faz perder 5 vezes em uma certa fase, em nenhuma outra situação cheguei a este hipótese do jogo me obrigar a parar de jogar ou a gasta minhas nozes. Fora que se ganha nozes de uma forma considerável apenas progredindo dentro do jogo. Ou seja, o sistema de microtransação não é um bloqueio. Está ali pra quem não se importa em queimar dinheiro. Mas esse mesmo sistema não pude aqueles que não querem isso. O que é um fator muito importante. Caso contrário, teria abandonado o jogo logo em seus primeiros minutos e não estaria escrevendo este texto.

Antes de avançar para análise, legal apontar que Pokémon Café Mix é um jogo desenvolvido pelo estúdio japonês Genius Sonority, que é responsável por diversos puzzles games de Pokémon, tal qual, Pokémon Battle Trozei (2014) e Pokémon Shuffle (2015). Quer mais, é o mesmo estúdio que em um passado remoto trabalhou em dois clássicos de Pokémon para o saudoso Nintendo GameCube: Pokémon Colosseum (2003) e Pokémon XD: Gale of Darkness (2005). Quem viveu essa época sabe o quão incríveis foram estes dois títulos. Há que se dar muito respeito a esse estúdio por tais pérolas do passado.

Sente-se e tome um café

Pokémon Café Mix é um puzzle game ambientado em uma pequena cafeteria, a qual o jogador serve deliciosos pratos baseados em pokémons aos seus clientes, que também são pokémons. De humanos interagindo no jogo, apenas a simpática dona do café aparece por aqui. Conforme a cafeteria vai fazendo sucesso entre os clientes, novas receitas e novos itens de decoração vão surgindo, o que acaba atraindo novos tipos de pokémons. A cafeteria também vai expandindo a sua área, criando assim novos ambientes.

A cafeteria funciona como um hub world do jogo. É possível passear por toda a sua extensão, vendo os clientes saboreando os deliciosos pratos que você preparou, assim como a fila de fregueses na porta de entrada, assim como os funcionários pokémons andando por todo o ambiente. Ali o jogador também aciona recados, consulta objetivos secundários, os próximos itens que serão destravados dentro do jogo, assim como pode selecionar a missão principal e escolher o empregado que irá executar o pedido do cliente.

Importante saber que Pokémon Café Mix é um título totalmente desenvolvido para funcionar exclusivamente com telas sensíveis ao toque, inclusive no Nintendo Switch. Controles convencionais não são necessário e sequer funcionam aqui. Isso quer dizer que no Switch o jogo funciona apenas no modo portátil. Nada de colocá-lo para rodar na TV.

Meu Nintendo Switch possui uma película protetora – é possível comprar uma em (quase) toda loja de videogames, assim importar por meio de sites estrangeiros e adquirir via Mercado Livre. Entendo quem não tenha uma película e não faça questão de ter, e se este for esse o caso, minha recomendação é jogar Pokémon Café Mix com muito cuidado. Eu uso uma caneta para telas touch, e ainda assim riscos podem acontecer. Claro que dá para jogar com o dedo, só não achei tão confortável quanto usar uma caneta touch – que já havia adquirido justamente por possuir Super Mario Maker 2.

Fiz essa observação para dizer que toda a interação com Pokémon Café Mix é justamente por tela de toque. Tanto no jogo em si – já vou discutir sobre seu gameplay – quanto em seu hub world. Tanto a interação com os menus, quanto a possibilidade de um simples toque nos pokémons ao redor do cenário e vê-los fazer um pequeno gesto de felicidade. São pequenos detalhes, mas é justamente nestes detalhes que o jogo lhe ganha.

Inclusive sua direção de arte é super agradável. Toda bonitinha, fofinha, com forte cores e charmosinho. Tem um estilo que lembra algo meio chibi, com personagens com corpinhos e cabeçudinhos. Mas de uma forma meio discreta, sem evidenciar demais a técnica. Fora que é tudo muito bem detalhado nos cenários do hub world. Dá uma sensação de imersão muito boa. Houve carinho para criar essa arte, ao menos é a impressão que passa.

Conectando pokémons

O puzzle de Pokémon Café Mix é bem simples, mas proporciona a exata porção de diversão simplista que entretém e lhe empurra a ir adiante para a próxima fase. A ideia é fazer receitas para o café, e para isso o jogador tem uma tela com um quadrado cheio de ícones com rostos de pokémons dentre outros itens que vão servir para se fazer o prato solicitado.

Para pontuar o jogador apenas precisa conectar os mesmos rostos de pokémons que estão presentes na tela. Com o touch você escolhe um rosto e vai arrastando por toda a tela. Os ícones não são fixos, então eles se mexem como se você estivesse cutucando um pote de balas, respondendo a física do arrastar e empurrar coisas. Quando um ícone encontra outro igual, eles se conectam por meio de uma linha, e assim sucessivamente. É importante tem em mente essa ideia da linha de rostos conectados, pois aí entra a segunda parte da mecânica de jogo: interagir com os ingredientes da receita.

Alguns receitas exigem que se linke um certo número de rostos, 25 por exemplo, então é preciso ter certeza que haja esse número em tela. Em outra situação, o pedido exige passar uma certa pontuação, e quanto maiores são as conexões por rodada, mais se pontua. E em quase todos os pedidos há a exigência para coletar os ingredientes, que se dá por diversas maneiras, sendo que quase todas exigem que estes estejam próximos dos ícones conectados.

Cada ingrediente se comporta de uma certa maneira. Chantilly (Whipped Cream) , o mais comuns dos ingredientes, exige que o jogador encoste a conexão de pokémons por três rodadas até o mesmo se dissolver por completo. E este é um ícone que se mexe conforme o jogador vai passando o dedo na tela, diferente dos cubos de açúcar (Sugar Cubes), que são fixos no ponto em que estão na tela, mas que também precisam de três rodadas de conexão passando por eles para se quebrar. Já o mel, quebra em uma rodada, porém ele tende a se multiplicar quando há um espaço vazio próximo, até atingir o número exigido para se completar a receita.

Este são os ingredientes simples e básicos, mas conforme novas receitas vão sendo desbloqueadas, mais complicados os itens vão se tornando. Tomates precisam cair em uma cesta, então o jogador precisa mexer na tela até que os tomates desçam até a cesta. Vegetais ficam em uma caixa que precisa estar em uma conexão de pokémons para liberar um vegetal por rodada. E há então o queijo, que quase sempre está bloqueando uma parte da tela e precisa de três interações de conexões para se quebrar. Jarros de marshmallow se intercalam por rodada, estando alguns abertos em uma (e aí se pode coletar) e se fecham na próxima rodada.

Além disso há itens que se tornam barreiras para se interagir com outros ingredientes. Azeite de oliva (Olive Oil) podem cobrir um ingrediente e aí é preciso uma rodada de conexão para limpar o óleo do ingrediente. Um ingrediente que se quebra em três rodadas, se faz necessário quatro rodadas para se coletado. Há também as bolhas, que ao contrário do óleo, elas fazem os ingredientes voar para cima da tela, sendo que as conexões normalmente não ficam “voando” pela tela e respeitam a lei da gravidade. Deve se estourar as bolhas antes que um grande número vá para o topo da tela.

O grande pulo do gato dessa fórmula de jogo é que cada estágio tem um certo número de rodadas que o jogador precisa respeitar para conseguir completar toda a lista da receita. Esse número normalmente gira em torno de 12 a 14 movimentos. São esse o número de rodadas que você precisa para coletar todos os ingredientes e pontuar o valor exigido pela fase. Não conseguir executar o estágio nesse número estabelecido lhe dá duas opções: recomeçar ao custo de uma das cinco vidas explicadas lá no começo do texto, ou gastar 900 nozes por mais três rodadas adicionais. Se dentre estas três rodadas você ainda não conseguir terminar a fase, pode-se gastar um número ainda maior de nozes por mais três rodadas. É um número considerável de nozes, sendo que em cada estágio se cada 50 nozes pela conclusão e mais 5 nozes para cada movimento não gasto dentre aqueles estabelecidos. No geral dá para se conseguir entre 60 a 80 nozes por fase.

Novas adicionais podem se obtidas fazendo o login diário no jogo ou cumprindo certos desafios ao longo das fases. Há um Café Challenges que estabelece alguns, como usar habilidades especiais, itens, fazer grandes links de pokémons e afins. É um adicional que dá um impulso maior ao jogador que prestar atenção a eles.

Mas pagar por rodadas adicionais nos estágios não é a única tática para vencer. Dentro dos puzzles há uma barra de especial no canto da tela. Quando mais conexões o jogador fizer, mais rápido ela enchem. Isso garante alguns ícones especiais, como buzinas que limpam uma pequena área da tela. Ótimo para coletar ingredientes que demorariam três rodadas para se coletar. Ao usar uma buzina, se consome uma rodada, mas o ingrediente é coletado de uma só vez.O problema é que a buzina tem um alcance limitado. Muitas vezes três rodadas de longas conexões é mais útil do que uma buzina para um único ingrediente.

Além da buzina há uma outra habilidade especial. Esta varia dependente do Pokémon selecionado para a receita. Estas habilidades normalmente envolvem destruir uma larga área da tela, coletando tudo que estiver no raio dessa habilidade. Dentre as habilidades, estão algumas simples, como destruir uma larga linha de ícones, para outras como fazer cair mais buzinas ou trocar ícones pelo pokémon que estiver em maior número em tela. Cada missão, por sinal, indica o melhor pokémon para executar o pedido. O que é uma mão na roda para não ter que ficar memorizando o poder ou a especialidade de tantos funcionários.

Pokémon Café Mix em seu lançamento possuía 100 missões. Entretanto, agora no dia 1º de julho o jogo sofreu um update e passou a oferecer 120 missões, e esse número subiu para 150 em outro update agora no dia 8. Imagino que o número de pedidos, que também acrescentam novas receitas e pokémons visitantes (que depois se tornam funcionários) vá continuar crescendo ao longo dos próximos meses.

E o mais legal é que os puzzles de cada estágio são pensados de forma estrutural. Não há nada de aleatório neles. A posição dos ingredientes é sempre igual, ainda que a cada recomeço, a forma como os ícones pokémons estão no cenário, ou como novos vão caindo conforme as conexões vão consumindo os que estão em tela, podem variar de uma partida a outra.

Por sinal, os pedidos vencidos não podem ser jogados uma segunda vez. Ao menos até onde fui no jogo (cerca de 80 pedidos). O que existe dentre a possibilidade se refazer algumas fases é uma missão diária especial a qual o jogador pode fazer uma festa para dois pokémons, e assim obter mais estrelas (que aumentam o nível de cada cliente até o ponto deles decidirem se juntar a equipe do Café). Trata-se de uma missão dupla, a qual se repete diariamente duas fases previamente vencidas. O que é uma ideia sagaz para dar um pequeno valor a ideia de refazer algumas missões.

Considerações finais

Pokémon Café Mix foi uma grande surpresa. Sinceramente não esperava que o jogo fosse me encantar tanto, mas ele conseguiu. Os puzzles inicialmente começam bem fáceis, mas passado essa curva inicial de aprendizado, eles começaram a me fazer pensar e exigir que usasse habilidades especiais afim de não gastar nozes para comprar rodadas adicionais. Gosto de como ele me empurra a seguir adiante, querendo descobrir novos pokémons, novas receitas e novas mecânicas de jogo por meio de novos ingredientes apresentados.

É muito bacana como o jogo lhe empurra para mais uma partidinha antes de encerrar o dia. É um jogo de partidas rápidas, para jogar um pouquinho em uma hora de folga, antes de dormir, ou até mesmo para limpar o paladar para um game mais pesado e complexo. E lembre-se, é de graça e se você não tem um Nintendo Switch, também pode abaixá-lo para seu celular ou tablet. É super acessível. Pena que mesmo diante de tanta acessibilidade, ainda seja um jogo sem localização em português. Poxa Nintendo!

É um título divertido, com um puzzle game realmente engenhoso e até meio diferente daqueles que normalmente vejo por aí. Só de não ser uma variação de Tetris já me deixou mais animado para conhecê-lo. Fora que é muito legal ficar torcendo logo para aquele pokémon decidir virar logo um funcionário da cafeteria. Isso ainda mantém da identidade “Temos que Pegar” do universo Pokémon. Jogue e se delicie com um puzzle game leve, com um desafio moderado, cheio de charme e personalidade.

Galeria

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Dando uma nota

Visualmente é charmoso e combina totalmente com sua proposta - 9
Totalmente gratuito, com microtransações que não bloqueiam o progresso - 9.5
Ótimos puzzles, não é tão difícil como podem parecer - 8
No Switch é exclusivo no modo portátil, não funciona com controles ou na TV - 7.5
Jogabilidade por toque na tela é legal, mas nem sempre precisa (use película na tela do switch) - 7.5
Bom sistema de progressão, com novos pokémons e expansão da cafeteria - 8.5
Desde seu lançamento tem recebido updates e expandindo seu conteúdo - 8.5

8.4

Divertido

Pokémon Café Mix é uma surpresa divertidamente inesperada. É um puzzle game que satisfaz o jogador, enquanto entrega uma ambientação altamente carismática e charmosa, no ponto exato para quem é fã do universo Pokémon. É uma experiência gratuita, a qual microtransações em nada atrapalham seu progresso.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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