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Análise | Assassin’s Creed Valhalla

Disponível para PlayStation 4 e 5, Xbox One e Series X|S & PC

Assassin’s Creed Valhalla é uma experiência que chega em uma transição de gerações de consoles, com um tema a qual a muito os fãs torciam para que um dia fosse explorado, a Era Viking. Seu lançamento aconteceu no início de novembro, no dia 10, para Xbox One, PC e PlayStation 4, com versões aprimoradas chegando alguns dias depois, conforme os novos consoles, o PlayStation 5 e o Xbox Series X|S também faziam suas estreias mundiais.

Seu desenvolvimento ficou a cargo da Ubisoft Montreal, cujo seus trabalhos mais recentes envolvem alguns títulos da franquia Far Cry (Primal, 5 e New Dawn), além do revigorante Watch Dogs 2 e o controverso Hyper Scape. Mesmo estúdio também responsável por Assassin’s Creed Origins, título que reinventou a franquia, que até então estava dando seus sinais de cansaço a sua fórmula original. Ou seja, é um estúdio da Ubisoft com enorme competência.

Outra observação pertinente diz respeito ao fato do jogo estar chegando ao Brasil totalmente localizado em nosso idioma, estando totalmente dublado em português. Além disso, o título faz muito bem a transição para os consoles da nova geração, sem cobrar nada por isso, seja no PlayStation 5 ou no Xbox Series X|S. Adquirindo o jogo no PS4 ou no Xbox One, o jogador ganha direito de aproveitar o títulos nos novos consoles, com melhorias e otimizações que estes consoles oferecem. E mais a frente falo destas impressionantes otimizações.

Era Viking

Assassin’s Creed Valhalla explora o período histórico em torno do ano de 873, um momento da história em que muitos vikings escandinavos resolvem migrar da Noruega para as ilhas britânicas, que só muitos anos depois vai se consolidar como a Inglaterra que hoje conhecemos.

Nossa época a (ainda não denominada) Inglaterra era composta por muitos reinos e feudos, sem uma total união de seus povos e regiões, historicamente denominadas anglo-saxões. É nesse conturbado período que o jogo se passa, apresentando um pequeno clã de vikings chegando até um local destas ilhas e estabelecendo uma pequena vila (fictícia) chamada Raventhorne.

Nesse ponto, a pesquisa histórica que todo jogo da franquia possui segue impressionando. Localidades, regiões, personagens históricos, um pouco de toda essa famosa precisão histórica se faz presente também nesse novo título da série. Dá para se aprender muito com o título, ainda que o mesmo siga uma narrativa de ficção com um personagem que não existiu de fato.

O jogo trata muito bem a cultura viking aqui, representando bem como seria sua organização, sua vida dentro dos clãs, assim como suas crenças e costumes. A forma como construiam suas casas, a saída da região da escandinava para explorar novas terras, para roubar e pilhar, mas também se estabelecer e formar alianças com outras vilas. A crença deles em deuses como Odin, Thor e Freya também se chocam quando chegam a Inglaterra e batem de frente com o cristianismo, já muito bem disseminado na região por meio dos monastérios.

Vikings também era um povo guerreiro que nunca fugia de uma batalha, entretanto o jogo respeita também o outro lado dessa história, de um povo organizado, que formava alianças, poupava crianças e mulheres e que possui muita coisa interessante para se aprender sobre seus costumes e tradições. Uma sociedade guerreira, muito preocupado com o valor da honra em si.

Quanto ao jogo, somos apresentados a Eivor, protagonista da vez. Logo no começo conhecemos sua trágica história, quanto ainda criança, a qual sua vila foi saqueada e invadida por um clã viking rival. Sua família tem uma desfecho trágico e apenas Eivor sobrevive, que cresce querendo vingança por aquele que tomou a vida de todos seus entes queridos. Este é o arco inicial do jogo, mas longe de fazer parte da trama maior.

Fugindo de spoilers, basta dizer que Eivor acaba sendo adotado pelo atual chefe de seu clã, pai de seu melhor amigo, Sigurd. Após certos eventos na Noruega, a qual Sigurd descobre que herdará a coroa de seu pai da forma como ele desejada, o mesmo resolve desertar de tudo e ir com parte do clã para as terras das ilhas britânicas, a qual ainda havia muitos locais sem dono, propícios a recomeçar uma vila totalmente do zero. Eivor resolve acompanhar seu amigo.

Nesse ponto, vale comentar que a ordem dos assassinos também se faz presente nesta narrativa, pois Sigurd passou dois anos na Europa (antes do ponto inicial da história) e lá conhece dois membros da misteriosa ordem, que passam a acompanhá-lo quando este retorna a Noruega, e também o acompanham até a Inglaterra. O que existe por trás de tal gesto? Isso só jogando para descobrir. Basta saber que estes dois assassinos reconhecem Eivor como um potencial para a organização e com isso passam a lhe ensinar seus segredos, inclusive dando lhe a famosa lâmina oculta.

Um período histórico verdadeiro, com locações famosas de uma era antes da consolidação da Inglaterra, com personagens que existiram de fato, em especial os reis e suas regiões, somado a uma narrativa de fantasia baseado na cultura viking, entregam uma trama que lhe compele a querer saber mais sobre o período apresentado. Esse é um charme que a série sempre respeitou e que segue respeitando aqui também.

Fórmula conhecida, porém refinada

Assassin’s Creed Valhalla segue as mecânicas e elementos de gameplay estabelecidos em Assassin’s Creed Origins, que foi exatamente quando a franquia recebeu uma nova revitalizada em suas fórmula. Apresentando elementos mais semelhantes ao gênero Action-RPG, com áreas e inimigos que são fortes demais para o jogador confrontar até que o mesmo estabeleça um certo nível de poder.

O mundo é relativamente livre para se explorar, ir e vir aonde quiser, entretanto é nos confrontos que ficam limitado as ações do jogador. Inimigos de elevado poder matam o jogador instantaneamente, enquanto que mesmo que o jogador os pegue de forma sorrateira, com um ataque furtivo, o dano causado é insignificante.

Também se mantém as mecânicas relacionada as armas e equipamentos, inseridos nas sequências mais recentes. Isso significa que o jogador pode equipar diferentes armas, assim como pedaços de armaduras, e estes equipamentos também influência no seu poder total, assim como no visual do personagem. Estes equipamentos são encontrados pelo mundo, realizando missões principais, secundárias e de exploração.

Quanto ao formato das missões, estas também seguem os parâmetros estabelecidos pela franquia. O jogador deve explorar áreas chaves afim de encontrar inimigos importantes a trama, sempre invadindo áreas restritas sem que seja detectado por inimigos menores. Quando não é possível ficar escondido o tempo todo, é hora de descer o sarrafo em todo mundo.

O sistema de combate também segue o que já foi estabelecido. O jogador tem esquiva, ataque forte e normal, assim defesas perfeitas (parry) que quebram o ritmo de ataque inimigo. Um ritmo semelhante ao estabelecido nos jogos da série Batman Arkham, com o jogador lidando com inúmeros inimigos simultaneamente. Porém aqui é um combate bem menos de impacto, e certamente menos ritmado, que aposta mais na simplicidade do que em combos super elaborados.

E assim como foi estabelecido nos últimos jogos, com esse sistema de nível de poder para os inimigos, a lâmina oculta do jogador nem sempre pode aplicar um golpe fatal em inimigos de nível muito mais alto do que o seu. Esta classe de inimigo sempre irá lhe detectar no último segundo do golpe e evitará ser acertado fatalmente. Bem diferente do que aconteceu nos primeiros jogos da série. Porém, cabe informar que nas opções do jogo é possível ativar um comando que torna a lâmina mortal com um único golpe, desde que você sempre pegue o inimigo de forma furtiva. Uma opção bacana para aqueles que sempre saudades do método clássico.

Além de tudo isso, esta edição segue as inúmeras atividades secundárias, colecionáveis entre outros mini games divertidos, como um envolvendo dados e cartas, assim como outro com rimas e também de bebedeira. O jogador nunca fica exatamente sem ter o que fazer, e se estiver cansado de seguir as missões principais, pode sempre se perder no mundo explorando outras atividades para se entreter.

Indo adiante, esta é a fórmula conhecida, entretanto os desenvolvedores desta vez refinaram um pouco mais a experiência desta estrutura. Por exemplo, as armas e equipamentos desta vez não são mais descartáveis como ocorrem nos jogos anteriores, a qual o jogador ficava encontrando versões mais fortes dos mesmos itens. Desta vez estes equipamentos são únicos e completam certos sets de armaduras.

Isso facilita muito a experimentação das armas e equipamentos por parte do jogador, pois desta vez você sabe que pode aprimorar a raridade das armas, sem desperdiçar recursos, sabendo que estas armas nunca serão descartadas no final das contas.

Outro elemento bacana, ainda sobre as armas, é que o jogador pode equipar duas ao mesmo tempo, uma para cada mão. Há clavas, espadas, lanças, arco e flecha e até mesmo escudos. Sendo possível, inclusive, algumas combinações estranhas, como utilizar dois escudos ao mesmo tempo. Uma mão define o ataque, enquanto a outra a defesa, independente da arma utilizada. O que define ataque e defesa é a mão a qual você os equipou.

Dentre novas mecânicas estão as incursões, que são áreas a qual você pode invadir vilas, fortalezas e monastérios afim de coletar riquezas e recursos, necessários para melhorar seus equipamentos, assim como a vila do clã de Eivor. Nas incursões, o jogador leva uma equipe de sua vila para atacar e invadir uma área. Nesse momento não há nada de furtivo, ainda que seja possível mandar seus aliados atacarem de frente, enquanto você dá a volta e acessa por um outro local. Completado todas as riquezas do local, a incursão acaba.

As incursões não são exatamente algo incrível. Seus aliados não são um exemplo de inteligência, deixando pra você, claro, lidar com os inimigos mais fortes e problemáticos. Eles também não coletam as principais riquezas, cabendo ao jogador acessar as casas e galpões que protegem os baús. O ponto é que em muitos momentos do jogo, essa mecânica da incursão, de convocar os aliados, se faz importante, pois uma vez detectado, o jogador não vai conseguir lidar sozinho com uma horda de inimigos. É preciso chamar estes aliados, nem que para que sejam uma distração. E até onde vi, nenhum aliado morre de forma permanente, então sua tropa não necessariamente enfraquece. Aliados podem cair, porém o jogador pode ir até os mesmo e recupera-los enquanto a batalha estiver rolando. Após o fim delas, estes se recuperam por conta própria.

Mencionei recursos para aprimorar sua vila, Raventhorne, e este é outro elemento importante dentro do jogo, inclusive para a progressão por meio da história principal. O jogador deve ter recursos para expandir certos pontos da vila, um local para recrutar mais aliados, um para a forja, um que serve como museu, outro para estábulos de cavalos e assim por diante. Inclusive uma barbearia e tatuagens, porque né, vikings também podem se cuidar esteticamente! Para cada nova estrutura estabelecida, novos recursos e opções de eventos surgem para o jogador. Inclusive há uma casa para a ordem dos assassinos que acompanhar Eivor pela história, a qual abrem o mapa de alvos do jogo e irão revelar mais sobre os objetivos destes personagens presentes aqui.

Quanto a exploração e navegação do mundo, o jogador irá encontrar parte dos recursos já existentes na franquia desde seus últimos jogos. A águia, por exemplo, se faz presente novamente, oferecendo a visão superior do cenário, possibilitando encontrar pontos de interesse, colecionáveis, inimigos e locais de acesso em áreas restritas. Encontrando algo de interesse, o jogador pode marcar tais pontos e depois voltar ao personagens central e ir até o local em que a águia marcou.

Na parte a aquática, o jogador tem como recurso a embarcação viking, chamada Dracar, podendo navegar pelos mares e rios existentes tanto na área da Noruega, quanto na Inglaterra. Como é uma região de muitos rios, parte da viagem pelo jogo se faz por meio da sua Dracar, tanto de forma automatizada, quando manualmente mesmo, com o jogador controlando a embarcação. O bacana da Dracar é que ela é uma embarcação que exige o trabalho em equipe dos vikings, então o jogador é sempre o capitão, podendo pedir aos personagens para cantar ou contar histórias. É um toque bacana dentro da imersão proposta.

Subir em pontos altos do mundo e fazer a tradicional sincronização também está se faz presente no jogo. Aqui nada muito impressionante, mas é importante para adicionar ainda mais pontos de interesse e atividades, fora que serve como viagem rápida quando o mapa fica grande demais para sair a pé ou a cavalo. Aliás, o cavalo também pode ser chamado a qualquer momento, sendo bem prático, mas nem tanto em áreas com morros muito elevados a qual ele não pode sair saltando ou descendo como louco.

Um ponto interessante no que diz respeito a exploração é que não existe um mini mapa na tela, mas uma espécie de bússola-régua na parte superior da tela que lhe dá os quatro pontos cardeais, apresentando pontos de interesse ao redor da área explorada. Pontos amarelos indicam riquezas, pontos azuis estão mais relacionados a missões no mundo e mistérios de cada região. Legal que estas missões secundárias não são apresentadas no mapa geral, existindo apenas na régua direcional, sendo que as mesmas acontecem de forma bem natural, muitas vezes sem indicar o que fazer a seguir. Não são missões secundárias incríveis, mas são atividades que acabam entretendo o jogador que está afim de curtir o mundo e não seguir apressadamente a progressão principal da trama.

Por fim, uma última mecânica que não posso deixar de mencionar diz respeito a forma como a narrativa funciona. O jogador pode escolher certas respostas em momentos chaves da trama, assim como escolher regiões em que Eivor deve viajar para formar alianças, decidindo assim a ordem de certos eventos. Muitas vezes até mesmo escolhas devem ser realizadas. Uma das primeiras missões do jogo, por exemplo, é seguir três pessoas e descobrir pistas que indiquem qual delas é um traidor. Você pode chegar a uma conclusão errada e matar alguém inocente. É uma forma bem interessante de fazer o jogador se importar com o mundo e personagens a sua volta. A meu ver, esse poder de agir e responder de uma forma mais livre ficou bem mais interessante e cativante do que tentativas em jogos anteriores.

Performance em uma nova geração

Para escrever esta análise, tive a oportunidade de jogar Assassin’s Creed Valhalla no Xbox Series S, e diante disso pude notar uma grande performance do jogo que há muitos anos não sentia no Xbox One, plataforma a qual joguei vários dos títulos anteriores da franquia.

Mas aqui há dois cenários a se relatar, um relacionado as primeiras semanas de seu lançamento e um outro que surgiu após o patch 1.0.4 lançado no último dia 26 de novembro, quando o título recebeu uma atualização que realmente o otimizou para o poder da atual geração de novos consoles.

Antes dessa atualização estava realmente difícil dizer que esta seria um título que se aproveitaria do poder gráfico de uma nova geração de consoles. Antes disso, visualmente o jogo não estava me impressionante quanto a ambientação em si, sendo algo que visivelmente seria possível encontrar nos consoles da geração que está se encerrando. Somente após o mencionado patch é que as coisas começaram a brilhar na imersão de seu visual.

O filtro de luz e sombra começa a melhor se destacar pelos ambientes, mas o que mais chamou a minha atenção foi os efeitos com água, desde a transparência me levando a perceber almas se movimentando ao fundo dos rios, a efeitos como a roupa molhada, vida aquático e aquele efeito da tela da TV com gotículas de água. São pequenos toques, que mesmo pequenos, tornaram o jogo bem mais bonito em sua ambientação. Algo que claramente não havia notado jogando outros títulos no Xbox One.

Outro elemento que faz toda a diferença, e não é o caso apenas deste título, é o poder de carregamento dos jogos nesta nova geração de consoles. Assassin’s Creed Valhalla quase não tem loadings no Xbox Series S. Tudo é muito rápido e prático, inclusive na hora de utilizar funções como viagem rápida para locais distantes do mapa. Isso acelera e muito a progressão pela história. É de uma praticidade que depois que você utiliza fica muito difícil voltar ao Xbox One e jogar estes jogos que possuem longas de carregamento.

Já em relação a taxa de quadros, não tenho nada exatamente de interessante a relatar. Basta dizer que o jogo roda muito bem, em uma taxa de quadros constante, sem nunca engasgar, mesmo nos momentos mais turbulentos, sem importar na quantidade de elementos, sejam cenários, ou inimigos em tela. Nesse sentido, o jogo também roda admiravelmente bem. É tudo muito fluido.

Pontos críticos?

Bem, realizado todo o contexto, explicações e apresentado as novidades da jogabilidade em torno de Assassin’s Creed Valhalla, preciso separar um momento para fazer algumas reflexões em torno de aspectos que podem (ou não) ser questionados por alguns jogadores. Aspectos estes que não me agradaram tanto, ainda que também não tenham arruinado a minha experiência como um todo.

A começar pelo mundo desta edição de Assassin’s Creed não ser tão encantador quanto ao mundo apresentado nos dois jogos antecessores a este – Origins (Egito Antigo) e Odyssey (Grécia Antiga). Como mencionado, aqui somos apresentado as montanhas geladas da Noruega e aos anos que antecedem a criação da Inglaterra no século IX. São regiões de muitas áreas rurais, de campos, montanhas, florestas, de uma época sem grandes metrópoles e portanto é uma ambientação meio… senso comum?

Quero dizer, são muitos ambientes que poderia existir em qualquer ou jogo que envolva longas estradas de terras, florestas, morros com grama e arbustos. Existem monumentos históricos dessa período, mas não estão a cada esquina desse mundo. Há até mesmo um pouco de certa arquitetura grega (grandes pilastras e estátuas) que já nos deslumbrou no jogo anterior. É difícil se encantar por tal ambientação. Especialmente quando a gente para e pensa, por exemplo, na trilogia de Ezio, e por todas as grandes cidades europeias que visitamos nos jogos passados. Não é como se aqui existisse algo tão icônico quanto as grandes pirâmides do Egito, apresentadas em Origins. Nesse ponto, Assassin’s Creed Valhalla não conseguiu me impressionar.

Vale aqui apontar que Londres, por exemplo, já esteve presente na franquia, em Assassin’s Creed Syndicate, que se passa quase mil anos depois de Valhalla, nos levando a 1868, durante a revolução industrial. Mas é uma questão de gosto. Eu preciso mais uma arquitetura urbanista do que quando a série aponta em algo mais rústico, com florestas, campos e vilas menores.

E aí não ajuda muito a lentidão que o game demora a engatar. Foram quatro horas aproximadamente para a resolução inicial da trama, na Noruega, ser concluída para só aí termos o logo do jogo exibido na tela e assim sermos levado a Inglaterra e a todas as principais mecânicas que descrevi mais acima. Nem mesmo matar furtivamente é possível no começo, pois Eivor precisa ganhar a lâmina oculta mais a frente desse início.

Nesse sentido, eu não gosto nem um pouco dessa área inicial na Noruega. Sinto que a vontade de voltar para essa área só surgiu depois de mais de 20 horas de jogo, quando aprendi muito mais técnicas e mecânicas que tiram melhor proveito da exploração desse mundo. Felizmente é possível retornar para  Noruega a qualquer momento da aventura, ainda que boa parte da trama e de sua progressão fique na Inglaterra.

Nisso o título sofre de um certo excesso de ritmo que muitos jogos atuais da Ubisoft possuem: há coisas demais a se fazer em seus mundos, mas nem sempre quantidade significa qualidade. Existe um ciclo de repetição em uma variedade de atividades que em certo ponto acabam cansando o jogador e o desmotivando de ir até o fim da aventura em si. Jogos de mundo aberto normalmente são assim mesmo, dão um mundo a explorar, e o jogador precisa decidir se quer gastar dezenas ou centenas de horas dentro dessa premissa. E balancear essa proposta é uma das coisas mais difíceis ao gênero. Valhalla exagera um pouco, então o jogador precisa se conter para não se perder demais e acabar cansando da aventura.

Considerações finais

Assassin’s Creed Valhalla é um dos grandes lançamentos do ano da Ubisoft. Isso não há nenhuma dúvida. E o jogo segue a linhagem de uma franquia muito amada pela comunidade, respeitando seu legado, origens e evoluções ao longo dos últimos anos. Quem gosta de Assassin’s Creed, certamente vai se sentir em casa e amar este também.

Agora assim, se você está por fora da franquia há alguns edições, eu recomendaria fortemente que você desse uma olhada nos dois títulos anteriores, Origins e Odyssey, pois tenho a ligeira impressão que de ambientação, estes dois são muito mais impactantes e marcantes do que Valhalla tem a lhe mostrar.

Quanto a trama, tenho que dizer que gostei da Eivor. O jogador pode definir se Eivor é homem, mulher ou uma terceira opção que parece ser indefinido, como se o Animus não conseguisse desvendar o sexo do personagem. Estou jogando com Eivor como uma personagem feminina e não tenho reclamações dessa versão. Gosto da Eivor mulher. Acho que sua história torna a premissa inicial interessante, entretanto acho que esse plot se resolve muito rapidamente em certo momento, o que torna Eivor apenas uma seguidora de Sigurd, sem ter uma ambição pessoal de curto prazo.

Em todo caso, o título trabalha muito bem a história do clã viking que foge de sua terra natal por uma oportunidade de recomeçar do zero. Há muitos personagens na vila que são interessante. Além disso, a construção das histórias de muitos NPCs é bem imersiva, como a que já mencionei, de ter que descobrir um traidor dentre uma vila a qual Eivor deseja formar uma aliança. São histórias secundárias que envolvem o jogador dentro do mundo proposto. Gosto disso.

Claro que nem toda trama de personagens secundários ou das missões opcionais secundárias é interessante, mas o ponto é que o jogo trabalha bem seu universo e sabe apresentar boas histórias, enigmas e até mesmo certo suspense dentre muito da progressão principal.

Quanto a outros elementos de gameplay, acho que tudo está de acordo com o que a franquia sempre foi. O combate está bem feito, com esse estilo de que o jogador não pode jogar apenas esmagando um botão, como ocorrem em jogos mais hack & slash. Nada disso, é preciso prestar atenção, desviar e contra atacar em pontos chaves. Muitos inimigos especiais acabam sendo verdadeiras batalhas de chefes. Se marca bobeira, a morte vem num piscar de olhos.

Um ponto que preciso elogiar, porque foi uma dura crítica na minha recente análise de Watch Dogs Legion, é o sistema de save do jogo. Aqui tudo funciona perfeitamente. O título inclusive salva automaticamente em diversos slots distintos, permitindo ao jogador voltar a um save mais para trás de onde estava jogando, caso se meta em alguma enrascada ou tome uma decisão que se arrependa dos eventos que podem discorrer disso. E melhor ainda: o jogo tem save manual caso você nem sempre confie no automático. Tudo que gostaria que Watch Dogs Legion tivesse, diga-se de passagem.

Sinto que apesar desta conversa estar chegando à sua conclusão, ainda há muitos aspectos do jogo que poderia tomar mais um tempo de análise. Por exemplo, sequer cheguei a mencionar na trama fora do Animus, que dá sequência aos eventos anteriores, ou dos fragmentos dentro do Animus que levam a excelentes quebra cabeças de exploração virtual dentro do mundo histórico. Ou até mesmo da enorme árvore de habilidades que possui três ramificações que expande os movimentos, status e habilidades de Eivor, assim como dos golpes especiais encontrados pelo mundo. Existem diversos aspectos que poderia tomar mais tempo desta análise, mas que também são boas surpresas para se descobrir dentro do jogo.

Ao fim, acredito que Assassin’s Creed Valhalla entrega exatamente tudo aquilo que promete. Tem a jogabilidade tradicional da série, tem o combate aprimorado das últimas edições, um grande mundo aberto a se explorar (mesmo que aqui alguns possam achar desinteressante) e uma trama histórica repleta de detalhes reais que se mistura a ficção da série. E o melhor: está rodando magnificamente lindo nos novos consoles. Me fez deseja que esse tipo de otimização pudesse ser aplicado em Origins e Odyssey eventualmente. Seria incrível. Enfim, venha ser um viking e descobrir mais sobre estes honrosos guerreiros.

Galeria

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Dando uma nota

Era Viking é um grande tema para a franquia - 8.8
Fórmula se mantém, entretanto mecânicas foram refinadas - 8.8
Oferece uma narrativa que agrada e dá a imersão esperada - 8.5
Mundo segue rico de eventos, missões e atividades, porém há repetição - 8
Se encontra totalmente dublado em português, oferecendo uma experiência super acessível - 9
Ambientação de campos, florestas e vilas não é tão incrível quanto a usada em outros games da franquia - 7.5
Otimização para os consoles da nova geração fazem sua parte e impressionam - 9

8.5

Ótimo

Assassin's Creed Valhalla é mais um grande episódio de uma grande franquia. Não é uma edição que está aqui para reinventar a roda, mas certamente está para aprimorar tudo que a série já havia implementado nas duas últimas edições. Enquanto a jogabilidade faz o que deve ser feito, sua narrativa também sabe manter o interesse do jogador, permitindo que decisões sejam tomadas e que você sinta-se realmente na missão de expandir uma pequena vila viking na era anglo-saxão que precedeu a crianção da Inglaterra. Talvez o mundo em si não seja encantador como as históricas cidades europeias ou o antigo Egito e Grécia, mas isso vai do gosto do freguês imagino. Por fim, é uma sequência admirável.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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