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Análise | Bright Memory (Ep.1)

Disponível para PC, iOS, Android e Xbox Series

Bright Memory é uma experiência intensa, caoticamente interessante e visualmente impactante, porém é curta e inacabada. Isso claro, estou me referindo ao que também pode ser chamado de Bright Memory: Episode 1, e não ao futuro título denominado Bright Memory: Infinite, que deve ser lançado em algum momento deste ano. Os nomes são semelhantes, mas não se tratam dos mesmos jogos. Ficou confuso? Calma que irei esclarecer.

Para isso, vale voltar para janeiro de 2019, quando no programa de Acesso Antecipado do Steam (Steam Early Access), o jogo Bright Memory: Episode 1 foi lançado com tal status de ainda estar em desenvolvimento. O jogo foi desenvolvido por uma única pessoa, o desenvolvedor chinês Xiancheng Zeng, fundador do estúdio solo FYQD Studio.

Levando a denominação episódica no título, era de se esperar que o desenvolvedor talvez planejasse lançar mais episódios de tempos em tempos. Porém dado o sucesso da iniciativa, o desenvolvedor optou em recomeçar o desenvolvimento do projeto e torná-lo um game completo. Isso aconteceu em março de 2019, dois meses após o lançamento antecipado. Agora com uma equipe para tal tarefa, a versão completa deste projeto recebeu o nome de Bright Memory: Infinite. Esta nova versão remodelará toda a história vista nesta edição do jogo, manterá a protagonista, diversos elementos narrativos, mas tudo novo. Nova campanha, novos estágios, novas ideias, mas sem a perda do DNA apresentado em termos de jogabilidade e qualidade gráfica (eis um pouquinho de como está ficando).

Sento assim, o jogo chamado Bright Memory: Episode 1 acabou tendo seu título encurtado para Bright Memory. Justo, não? E mesmo soando como uma tech-demo muito caprichada, repleta de ideias e que apresenta muito bem o que deve vir a ser a versão Infinite, esta versão incompleta acabou chegando a outras plataformas. Em novembro de 2019 saiu para iOS, enquanto no Android seu lançamento aconteceu em janeiro de 2020. E mais recentemente, em 10 de novembro de 2020, esta versão curtinha de Bright Memory chegou ao Xbox Series X|S. Isso mesmo, apenas no novo console da Microsoft. Bright Memory não roda no Xbox One, caso você esteja indagando a respeito disso.

Mas espere!Por que jogar essa versão original de Bright Memory? Não é melhor simplesmente esperar por Bright Memory: Infinite que vai sair ainda este ano?” Bem, certamente você pode esperar pelo jogo final. Entretanto tenha em mente uma coisa: a versão final desse jogo provavelmente terá um preço de lançamento condizente com jogos maiores do atual mercado. Esta versão de 2019 tem um precinho camarada, custa 20 reais no Steam e 30 no Xbox Series. É um valor razoável para o conteúdo oferecido. E daqui a pouco abordarei justamente a jogabilidade desta versão embrionária.

E não sei se isso ainda está valendo, mas o desenvolvedor sinalizou ano passado que aqueles que possuírem o jogo de 2019 no Steam, irão receber a versão completa de Infinite de graça. Quanto ao Xbox Series, um desconto será dado para quem quiser migrar para Bright Memory: Infinite quando o mesmo for lançado no console. Continua não me parecendo um mau negócio então dar um pequeno apoio ao estúdio adquirindo essa versão inicial do projeto.

Uma experiência intensa… de 30 minutos

Esta é uma boa forma de resumir o que você deve encontrar em Bright Memory: Episode 1 – posso agora passar a chamar de Bright Memory? Esqueça Infinite, não irei mais abordar o jogo ainda não lançado a partir deste ponto, ok? Esta versão de 2019 me fez recordar muito daqueles demos de jogos que vinham no primeiro console PlayStation, ou naqueles CD-ROMS da antigas revistas de PCs, a qual o jogador só tinha acesso ao conteúdo inicial de certo jogo. Bright Memory traz essa mesma sensação.

Experimentar o jogo no Xbox Series emula ainda mais essa sensação, pois a impressão que tive ao jogá-lo é que graficamente o Xbox One não aguentaria rodar seus gráficos, ou rodaria com aqueles clássicos engasgos de texturas e coisas carregando na sua fuça em meio a ação do jogo, o que nunca é o ideal. Visualmente o título tem cara de um jogo de próxima geração, ao menos em diversos momentos.

O nível de detalhamento em certos cenários é bem impressionante. Jogadores de PC já devem estar acostumados, mas fazendo o salto de um Xbox One para um Xbox Series, ainda há pouquíssimos títulos que apresentam tal competência gráfica. Os cenários com floresta, a riqueza de detalhes dos efeitos de partículas, sombra, profundidade somado a uma taxa de quadros de 60 frames por segundo… bem… uau!

Claro que após um certo segmento do gameplay, o jogador se verá dentro de ambientes de cavernas e paredes como grandes castelos medievais. Estes cenários em si não são tão deslumbrantes quanto as áreas mais abertas, mas ainda assim tem lá seu charme.

Indo adiante, importante apontar o que já deveria ter sido apontado: Bright Memory é um jogo de ação First Person Shooter (FPS) com uma mescla de Hack & Slash, a qual o jogador irá encontrar combates intensos em que deve usar armas de fogo e intercalar com uma katana, em meio a utilização de poderes tecnológicos  quase telecinéticos, do tipo de arremessar e deixar os inimigos flutuando no ar por alguns segundos. Caótico, não? E ainda a cada inimigo vencido o jogador ganha pontos de experiência que podem ser usados em uma árvore de habilidade que destrava ainda mais possibilidades de ataques e atributos bônus que deixam a protagonista do jogo ainda mais incrível (e apelona). E não só isso, o sistema comporta cenários e situações de desafios com saltos em plataformas, puzzles e combates intensos de hordas de inimigos que devem ser vencidos para poder avançar pelo cenário. E chefões? Sim, há duas intensas batalhas contra dois chefões bem legais, um referenciando Dark Souls e o outro tem uma cara meio Doom/Serious Sam.

Tudo isso em meia hora de jogo, basicamente. Parece pouco, e talvez seja sim, mas ao menos o jogo suporta um sistema de New Game Plus, que lhe permite começar o conteúdo novamente, mas mantendo todos os upgrades já realizados na árvore de habilidade. Até porque é impossível destravar todas as opções dessa árvore jogando o título uma única vez. E com isso dá para regular a dificuldade. Isso ajuda o pequeno valor de replay, convenhamos.

Quanto a narrativa, vale se atentar que estamos falando de um jogo que originalmente receberia mais conteúdos que explicariam ainda mais seu contexto e mundo. Sendo bem sincero, não tendei entender demais. O ponto é que assumimos o comando de Sheila, que parece colaborar para uma organização (do bem) chamada Science Research Organization (SRO), mas aí uma organização militar invade a SRO e Sheila parte para o combate. No meio de tudo isso ela acaba acionando um Transportador Quântico, levando todo mundo a um lugar a qual uma relíquia ancestral é o real objetivo dessa organização. Loucura, loucura.

Não que seja ruim, os elementos de ficção científica estão todos ali, mas certamente a história iria ser refinada conforme a narrativa fosse avançar, caso o desenvolvimento tivesse continuado deste ponto. Rebootar tudo isso para Bright Memory: Infinite, acertando meio os aspecto destes personagens, mundo e organizações pode ser uma boa ideia, em especial criando um background para Sheila (o que irá acontecer na nova versão).

No fim, a versão de 2019 apresenta Sheila indo para esse local lendário e lidando com os eventos do roubo da relíquia por tal organização militar. O mais louco disso é que essa ilha flutuante a qual todo mundo vai parar é um local cheio de monstros e demônios. O jogador divide o combate entre inimigos como soldados paramilitares e grandes homens morcegos, lobisomens e outros tipos de criaturas demoníacas. Seria redundante dizer “loucura” mais uma vez? Seria, pois é.

Considerações finais

Dito tudo isso, dá para concluir que Bright Memory é uma experiência repleta de potencialidade. Se lá em 2019 tivesse continuado saindo em episódios, haveria grandes chances de continuar exponencialmente chamando muito a atenção da comunidade, porém há todos os riscos do processo de jogos nesse formato, e que já tiveram um maior espaço no mercado do que parecem possuir hoje em dia. Estúdios como a Telltale Games e a Dontnod Entertainment tiveram problemas com títulos assim em exemplos bem recentes. Portanto a ideia de deixar o primeiro episódio como uma apresentação ao conceito e disso construir um jogo inteiro e completo com estas premissas me soa muito mais inteligente.

Quanto a ter sido lançado no recém lançado Xbox Series, e com essa aura meio “exclusivinha”, até nisso me soa interessante. Admito que logo que adquiri meu Xbox Series S, este foi um dos títulos que mais quis testar, justamente por aparentar ser visualmente bonito em trailers e aparentar não conseguir rodar em uma Xbox One. O jogo dá um ar de nova geração ao Xbox Series, dando um pequeno aperitivo do que os jogos potencialmente poderão vir a ser quanto se desvincularem um pouco da retrocompatibilidade – ainda muito necessária – com o Xbox One.

Mais um outro elogio que merece ser feito se dá na parte da localização, pois o jogo se encontra totalmente traduzido para o nosso português. Um título desenvolvido por um estúdio na China, totalmente independente, em escopo de acesso antecipado e ter tradução para nosso idioma? É de bater palma. Nos faz pensar muito em como grandes estúdios, como a própria Nintendo, muitas vezes soa com tremendo desrespeito quando diz ainda não ser possível lançar jogos em nossa língua.

Por fim, em resumo, é preciso ir totalmente consciente do que é Bright Memory para conseguir apreciá-lo. É justamente um jogo incompleto, com uma experiência intensa, divertida, que impressiona, mas bem curtinha. 30 a 40 minutos para virar o único estágio do jogo pela primeira vez. Você pode tentar novas vezes, abrir mais habilidades, e sempre consciente de que esta experiência serve como um aperitivo para o que será Bright Memory: Infinite, a versão completa do jogo que será lançada em algum ponto deste ano. E se você apoio o estúdio, comprou essa versão 2019, você será agraciado com o jogo no futuro, de graça via Steam, ou com um desconto no Xbox One. Soa muito justo. E se ficou curioso com o gameplay, em testá-lo, certamente lhe digo que vale a pena adquirir tal versão embrionária.

Gameplay completo de Bright Memory (Ep. 1)

Galeria

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Dando uma nota

Visualmente é muito impressionante, tem aquele aspecto de próxima geração - 8.5
Combate é intenso, caótico e tremendamente fluido e divertido - 8
Trama confusa, cheia de elementos sci-fi e sobrenaturais, entretanto está incompleta e inconclusiva - 6.5
Apresentação interessante do que virá a ser Bright Memory: Infinite - 7.5
Curtíssimo, entregando cerca de 30/40 minutos de gameplay - 5.5
Valor de replay se dá por novas tentativas, mantendo a progressão das habilidades - 6
Não é caro, tem localização em português, e oferece condições para adquirir a futura versão Infinite (a depender de cada plataforma) - 7.5

7.1

Legalzão

Bright Memory (Ep1) é uma experiência curtinha, mas intensa e divertida, que demonstra muito bem o potencial da proposta do que virá a ser um jogo completo em Bright Memory: Infinite, a ser lançado ainda em 2021. Visualmente impressionante, com uma mistura muito bacana de jogo de tiro em primeira pessoa, exploração de ambientes, hack & slash, entregando combates intensos, caóticos e desafiadores. É uma proposta que tem de fato cara de "próxima geração de consoles". Trata-se de um título incompleto, mas ainda assim que instiga a se conhecer. Preço é justo, e serve como ponte para a aquisição da versão completa, quando a mesma for lançada.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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