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Análise | New Pokémon Snap

Disponível para Nintendo Switch

New Pokémon Snap chega exclusivamente ao Nintendo Switch trazendo um relaxante jogo para tempos tão angustiantes de pandemia, a qual você pode fazer uma relaxante trilha em ambientes selvagens repletos de pokémons vivendo naturalmente em seu habitat. A proposta é que o jogador registre tais momentos com uma bela máquina fotográfica, em meios a recursos em que poderá editar e compartilhar suas fotos através de suas redes sociais. O título foi lançamento oficialmente no último dia 30 de abril.

O título é uma sequência direta de Pokémon Snap, lançado para o inesquecível Nintendo 64, lá no distante ano de 1999. Já se passaram 22 anos e muitos polígonos desde então! E se o original fora desenvolvido pela HAL Laboratory, este novo projeto foi encabeçado pela Bandai Namco Studios, com a direção de Haruki Suzaki, que também foi responsável pelo interessante – e que carece muito de uma continuaçãoPokkén Tournament, lançado em 2015 para Arcade, e posteriormente teve versões no Nintendo Wii U e Switch. A distribuição global deste lançamento ficou a cargo da própria Nintendo, em parceria com a The Pokémon Company.

Investigação fotográfica

Esta nova aventura se passa em uma nova região, chamada Lental, a qual um estranho fenômeno parece dar um brilho singular aos pokémons. O jogador segue uma aventura a qual o protagonista deve fotografar os pokémons em seu habitat, enquanto investiga mais estes estranhos fenômenos, assim como observa os próprios pokémons sendo afetados pelo evento.

Trata-se de uma nova narrativa em relação ao jogo de 1999. Inclusive o protagonista do jogo original faz uma participação aqui, já com alguns anos a mais nessa conta, o que sempre é um detalhe atencioso da equipe que desenvolveu a sequência. Outro detalhe bacana é que desta vez o título traz muito mais pokémons do que o jogo original, que tinha um pouco mais de 60 pokémons, todos da primeira geração. E olha que nessa época só haviam 151… como o tempo passa.

New Pokémon Snap apresenta um pouco mais de 200 pokémons, espalhados entre as oito gerações existentes. Bem, considerando que atualmente estamos muito perto de 900 espécies diferentes de criaturinhas, talvez você sinta falta de alguns mais icônicos. Mas ainda que fossem metade dos que existem, ou dois terço desse total, você ainda iria encontrar falta de um ou outro. Seria inevitável.

Outra número quantitativo que é maior do que o jogo de 1999 diz respeito aos percursos. Enquanto o original tinha apenas sete fases, New Pokémon Snap possui mais de 20 percursos, divididos em seis áreas continentais, divididos em 12 estágios que possuem versões diurnas e noturnas. Além disso, estes percursos possuem caminhos alternativos, assim como há também os estágios especiais do tal fenômeno, chamado de Illumina.

É uma quantidade expressiva de áreas a explorar. E os ambientes cobrem basicamente todos os tipos possíveis de terrenos. Passamos por agradáveis campos, densas florestas, praias, fundo do mar, deserto, vulcões, áreas polares, cavernas e por aí vai. O jogo cobre uma vasta opções de biomas justamente para conseguir inserir muitos tipos diferentes de pokémons.

Sua investigação é acompanhada pelo Professor Mirror, assim como sua companheira de laboratório. O Prof. Mirror é o condutor da trama do jogo, enquanto também responsável por todos os equipamentos fotográficos que você irá ganhar para explorar Lental. Além disso, suas fotos serão avaliadas por ele, que também fará pedidos específicos afim de permitir que você progrida pela aventura.

A narrativa do jogo é conduzida pela clássica tela de personagens parados enquanto balões de textos seguem com os diálogos a serem lidos. Há um pouco de áudio dublado (inglês ou japonês), porém não de todos os diálogos. Chato apenas que este é mais um lançamento que segue sem localização em nosso idioma. Um título que é perfeito para os pequenos jogadores, mas que pode desinteressá-los um pouco por conta da barreira linguística. A Nintendo precisa mesmo repensar esse aspecto, especialmente agora que tem maior presença oficial em solo nacional.

Siga a trilha

Como já mencionado, New Pokémon Snap segue a fórmula do original de Nintendo 64, o que significa que ainda é um jogo de trilho automático. Usando uma terminologia mais internacional: trata-se de um jogo do gênero rail shooter. Significa que o jogador não pode sair andando livremente pelo cenário. Você acompanha um veículo que anda sozinho por um caminho preestabelecido, enquanto pode girar 360 graus ao redor do ambiente, olhando para qualquer direção, inclusive para cima e para baixo.

Talvez esse conceito possa parecer meio chato para você, entretanto consigo entender qual o apelo do título ao tomar esta decisão. Afinal, não se trata de sair “atirando” fotos para qualquer direção. É um jogo muito mais de saber para onde olhar, o que observar e muitas vezes acompanhar um pokémon específico, em detrimento de tantos outros que não estão no seu campo de visão, a qual você não irá conseguir fotografar na sua primeira visita ao estágio. Jogar novamente os percursos é primordial aqui.

E os percursos mudam ao serem revisitados. Isso ocorre porque o jogo tem o que ele chama de Research Level. Significa que o jogador ganha XP ao jogar um percurso. Essa pontuação se dá por meio das fotos, que são avaliados pelo Prof. Mirror. Feito uma certa pontuação, o percurso sobe para o nível 2 e 3, respectivamente. Com isso a interação dentro do estágio muda para diversos pokémons, assim como novos vão surgir para interagir com os que já estavam no ambiente. Então sim, é normal revisitar o mesmo percurso, 5, 10, 20 vezes talvez. Obviamente você não faz isso em sequência, mas ao longo da sua jornada, em meio ao progresso de outros biomas e percursos.

Ao iniciar o jogo você recebe uma Photodex, que registra todos os pokémons em que você conseguir fotografar. Cada pokémon possui um ranking de 1 a 4 estrelas. O jogador deve tirar fotos do mesmo em todas estas categorias a fim de completas sua página na Photodex. Estas estrelas também possuem categorias de acordo com suas qualidade, indo do status bronze a platina. O que define a categoria da estrela são diversos fatores, com ambientes ao fundo, pose do pokémon, se há outros pokémons na foto, tamanho do pokémon na foto e seu enquadramento etc. Fotos de estrela ouro ou platina rendem ótimos pontos para a subida do Research Level do percurso.

Essa é a parte um pouco burocrática do jogo. Entender como funcionam estas quatro categorias de fotos, qual a interação que você deve procurar ao fotografar o pokémon e como criar momentos inusitados a qual eles vão agir de forma singular a fim de conseguir registrar esse momento e obter quatro estrelas. Muitas vezes é confuso mesmo, pois uma foto de quatro estrelas pode ser bronze, mas ela nunca irá servir para a categoria uma estrela – porque tem a ver com a reação do pokémon dentro da foto, do que distância ou qualidade da mesma. Pokémons com suas reações normais – a famosa cara de pastel – normalmente rendem uma estrela.

Para interagir com os pokémons o jogador terá algumas ferramentas que vão ser destravadas ao longo da progressão da campanha, e por isso não adianta ficar tentando revisitar os percursos vencidos sem ter todos estes recursos. Basicamente há quatro ferramentas: uma fruta que se assemelha a nossa maça, um radar para identificar pontos de interesse (e bifurcações), um orb que reproduz artificialmente o efeito de brilho da região e uma caixinha de som. Quatro itens, quatro possibilidades de reações que podem se ter dos pokémons.

A maça os atrairá para comê-la, mas você também pode tentar arremessar em suas cabeças e deixá-los furiosos. O radar também serve como uma espécie de alerta antes de bater uma foto – quando falamos diga “Xis” – o pokémon vai olhar para sua câmera se você o ativar antes de bater a foto. O orb não vai fazer muita diferença em grande parte dos monstrinhos, porém alguns podem reagir de forma bem inesperada – teste em todos que puder. Além disso o orb consegue reagir com pequenas flores cristais espalhadas pela trilha, atraindo pokémons escondidos ou fazendo outros reagirem ao brilho incomum acionado. Por sim, a caixinha de música pode acordar pokémons cochilando, assim como fazer outros dançarem. Novamente, não é tudo que funciona em todos, cabendo então o jogador ir testando. Existem até momentos chaves em que certos pokémons vão reagir a certos itens, e passando o ponto certo, nada acontecerá. É preciso ficar de olho e experimentar bastante.

Outro ponto pertinente a se comentar diz respeito aos percursos em que o jogador pode revisitar em versões diurnas e noturnas. São os mesmos estágios? Sim e não. O caminho e o bioma são os mesmos, porém o percurso noturno, normalmente destravado depois de jogar durante o dia após atingir o nível 2 no estágio, possui uma dinâmica totalmente diferente de espécies de pokémons, dando prioridade as criaturas noturnas, que não possuem motivos para estarem acordadas de dia. Como a coruja Hoothoot, que durante o dia mal dá para vê-la dentro de um tronco de árvore, mas que no percurso noturno ela está toda feliz olhando para você. Além disso, há pokémons que exclusivamente só irão aparecer durante certo período do dia, seja noite, seja manhã.

Fotografei… e agora?

O escopo principal da proposta de New Pokémon Snap estão nos elementos explanados nos subtópicos acima. É um railshooter com foco em observar e fotografar momentos específicos de um passeio virtual. Há um pequeno elemento puzzle dentro dessa ideia, pois o jogador deve observar, entender o melhor momento de fotografar e ter a paciência para revisitar os ambientes afim de se conscientizar tudo ao redor. Me e aí? Fotografou, pontuou e… acabou?

Se esse é seu rolê, o que não digo que é insuficiente, essa é a parte essencial do jogo. Entretanto o ato opcional do título certamente será divertido para muitos jogadores: conferir e editar suas próprias fotos e disponibilizá-las online, aonde você bem entender, em especial em suas redes sociais. Bem diferente do original, a qual os jogadores pegavam o próprio cartucho e levavam em máquinas criadas pela Nintendo para revelar as fotos em cabines próprias para isso (a qual nem sei se chegaram aqui no Brasil do final da década de 90).

No que diz respeito ao editor de fotos, ele é consideravelmente muito bem feito, prático e acessível. Existem objetos que podem ser encaixados nos pokémons, como óculos, chapéus etc, além de stickers de corações, estrelas e afins. Há também molduras e efeitos especiais (aqueles de quadrinhos), além de filtros especiais, como cel shading entre outros. O resultado de algumas destas edições é bem impressionante.

É nesse escopo que entram as funções online do título. Dentro do menu principal é possível acessar uma área em que os jogadores podem ver fotos de outros jogadores (caso estes resolvam mostrar para a comunidade), sejam por região ou por ranking. É uma galeria que a priori me pareceu meio limitada (em dois dias diferentes em que fiquei visitando-a havia uma enorme repetição das mesmas fotos). Mas é uma função bacana, essencial para a proposta de editar e mostrar ao mundo suas fotos retocadas.

Por outro lado, New Pokémon Snap não oferece qualquer recurso de multiplayer local (não caberia online em sua proposta). Não que seja algo terrível, mas dado a sua fórmula e a praticidade de todo Switch vir com dois joy-cons, não acho que fosse inviável a possibilidade de jogar com duas pessoas, uma controlando a câmera e batendo as fotos e quem sabe a outra atirando os itens de interação, como a maça e a orb, especialmente usando quem sabe a tecnologia de pointer do joy-con. Poderia deixar o jogar mais divertido em família. No caso, enquanto jogava, meu filho de 8 anos ficou pentelhando apontando para a tela e me indicando o que olhar, quando bater a foto etc. Aliás, o jogo possui controles por sensor de movimento, o que não é tão prático quanto os controles convencionais, mas que bom que haja ambas as opções.

E, antes de adentrar nos momentos finais da análise, talvez seja pertinente mencionar se estamos diante de um jogo de 60 dólares – 300 reais na eshop br. Nos primeiros dias de seu lançamento, vi algumas comunidades divididas, entre pessoas felizes com a aquisição do título e outras sendo taxadas de fiscais de dinheiro alheio, julgando aqueles que compraram um jogo de “tirar fotos“. Acho que New Pokémon Snap não pode ser simplificado desta forma, fazendo essa alusão de um jogo curto, ralo ou bobo. Pelo contrário, é um jogo completo em sua proposta, a qual cumpre fielmente e confirma as expectativas de ser maior do que seu antecessor.

Por outro lado, estamos diante daquela diretriz de que a Nintendo nunca é boazinha demais com o quanto a mesma cobra por alguns de seus jogos. Ao compará-lo com Pokémon Sword & Shield, que também é um título de 60 dólares, certamente dá essa impressão de que New Pokémon Snap poderia ser mais amigável em seu valor de venda do que realmente é. Mas são fatores tão relativos, pois querendo ou não, esse é o preço padrão da geração, e o escopo do título, ainda que um spin-off, tem toda a envergadura de um grande lançamento. Portanto, sendo justo ou não, isso vai realmente do poder aquisitivo de cada um. Curte Pokémon? Curte a ideia do jogo? Tem poder para comprá-lo? Vá sem medo. Ter um Nintendo Switch é ter essa consciência de que os jogos nem sempre serão o quanto você gostaria de pagar.

Considerações finais

New Pokémon Snap é um lançamento oportuno, que vem em um momento a qual a Nintendo ainda está trabalhando em futuros jogos da franquia, em meio a um recente lançamento da oitava geração com Sword & Shield. É uma proposta inusitada, seguindo uma fórmula que encantou a geração do Nintendo 64, em uma época em que os gráficos poligonais eram, sim, horrendos. 22 anos depois, a espera parece ter feito muito bem ao conceito do jogo.

Revigorado e modernizado, New Pokémon Snap é uma obra para relaxar e se divertir com uma jogabilidade focada em observar e buscar pelos melhores ângulos para posicionar os monstrinhos em suas fotos. Visualmente é fantástico, especialmente com o contraste do original de 1999. Os efeitos de luminosidade, luzes noturnas, efeitos de neblina e o brilho dos cenários aquáticos é de cair o queixo, esteja o jogador na TV ou em modo portátil. É um belíssimo jogo, rico em detalhes, e com uma expressiva vida selvagem. É uma interação limitada com um ambiente virtual, mas ainda é uma interação que dá uma certa imersão. É de se imaginar que o título em um ambiente de realidade virtual seria algo absurdamente inacreditável – faça isso Nintendo!

Claramente é um título feito para fãs do universo de Pokémon. Jogadores que não são muito fã da franquia ou que nunca jogaram ou nada entendem de Pokémon, talvez não seja a melhor porta de entrada, ainda que seja um título bem casual e acessível em termos de jogabilidade. Sua mãe, que sempre lhe viu assistir Pokémon, certamente iria se divertir batendo fotos. Imagino que deve ser um jogo divertido para se apresentar a familiares e amigos que não estão habituados com videogames. É fácil brincar com o jogo.

O título oferece uma experiência muito maior do que seu antecessor de 1999. Há mais percursos, mais recursos de jogabilidade, uma narrativa melhor trabalhada, pokémons das oito gerações existentes, um editor de fotos e a possibilidade de mandá-las para redes sociais, além de recursos online que lhe permite ver as fotos da comunidade, dando inclusive like nas que você realmente curtir. Trata-se de se manter fiel a fórmula do original, mas expandir em todos os aspectos estes elementos. É um jogo maior, ainda que para sua longevidade, aposte em uma causa de replay focada em revisitar cenários que evoluem conforme mais se joga nos mesmo.

Carente de uma localização em português, New Pokémon Snap ainda assim é uma experiência fácil de se assimilar. Não possui controles complicados, tem suporte aos sensores de movimento e giroscópio dos controles do console, e pode ser jogador por qualquer tipo de jogador. Com um desafio moderado, não é uma obra que vai frustrar por sua dificuldade. Existem objetivos difíceis sim, mas nunca que possam bloquear a progressão.

É aquilo que disse lá no início do texto: New Pokémon Snap é um excelente jogo para relaxar e passear em um mundo realmente encantador, em tempos em que as pessoas estão mais fechadas em suas casas, suas bolhas, enquanto uma pandemia tão cruel não resolve terminar. E se tem algo que as pessoas precisam ter em tempos difíceis, é algo para descontrair, para se divertir, para lhe dar um sorriso. New Pokémon Snap faz tudo isso, o que por si só já é uma louvável característica.

Galeria

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Dando uma nota

22 anos depois, a fórmula ainda se prova divertida e descontraída - 8.5
Mais percursos, mais pokémons, mais interações, mais de tudo um pouco - 8.8
Controles são acessíveis, fácil para qualquer um entrar e sair jogando, e tem opções dos sensores de movimento - 8.5
Narrativa não é nada excepcionalmente incrível, mas se faz importante estar presente - 7.5
Incentiva de forma inteligente que o jogador revisite percursos, boa progressão - 8.2
Recursos online para editar e compartilhar suas fotos se faz essencial e funciona muito bem - 8.5
Visualmente é bem bonito, boa diversidade de ambientes e bem detalhados - 8.5

8.4

Ótimo

New Pokémon Snap é exatamente aquilo que promete: uma diversão descontraída, relaxante e divertida. Há até mesmo uma certa dose de nostalgia, tendo em vista que o título antecessor saiu há mais de duas décadas atrás, lá no Nintendo 64. E como sequência apresenta bem mais conteúdo. Mais percursos, mais pokémons, mais interação, maior tempo para se entreter com sua proposta, sem perder a fórmula do jogo original. Casual, convidativo para se jogar em família, é um título descontraído, que conversa muito bem com uma parte expressiva do público do console e, é claro, fãs do universo Pokémon.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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