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PlayStation 5 | Impressões ao retornar ao mundo PlayStation (Opinião)

Altos e baixos de um poderoso console de nova geração

A última vez em que tive com um console PlayStation? Faz tempo, não se assuste. Foi no final da geração do Nintendo GameCube, quando adquiri um PlayStation 2. Não tive o terceiro e quarto PlayStation. Tenho acompanhado o universo do PlayStation de longe, apenas acompanhando notícias, vídeos e discussões em sua comunidade. Agora isso muda com minha recente aquisição do PlayStation 5.

E por que, justamente agora, voltar ao PlayStation? Sendo bem sincero, porque estamos diante de uma nova geração de consoles e, ao contrário do início da geração anterior, desta vez pude me preparar melhor afim de poder conseguir ter os novos consoles em tempo hábil para iniciar a nova geração. Já havia adquirido o Xbox Series S em novembro do ano passado, e desde então vinha me programando para adquirir o PS5.

Havia pensado inicialmente em esperar até o final deste ano, na expectativa de que o atual preço de lançamento do console – R$ 4.699,00 com leitor – pudesse amaciar um pouco, mas estamos exatamente no meio do ano e a escassez do console no mercado mundial, devido ao problema de peças para fabricação do mesmo, segue afetando o abastecimento dele no varejo, inclusive o brasileiro. Com a demanda em alta, é muito difícil imaginar que a oferta de preço vai baixar tão cedo. Pelo contrário, o que vemos atualmente são lojistas (não oficiais) se aproveitando disso, vendendo o PS5 por 6 a 7 mil reais. Seguir esperando a queda de preço, sem saber quando acontecerá, tendo em vista a alta demanda, pandemia comendo solta, e os preços cada vez mais abusivos, além da valorização instável do dólar em relação ao real… não me pareceu uma boa ideia seguir esperando, especialmente quando já havia juntado o suficiente para adquiri-lo.

Onde e como adquirir um?

E veja só, adquirir um PlayStation 5 nesse instante também não foi tão fácil quando pensei que pudesse ser. Foram entre cinco a seis semanas caçando o bendito em lojas online, seguindo grupos de estoque do console, notificações em app e grupos de WhatsApp. Que agonia ver uma notificação enviada a poucos minutos no celular, correr para o link e perceber que o console já estava esgotado em qualquer loja online.

Foi aí que resolvi tentar o sistema de reserva em lote da ShopB, que avisa com antecedência quando irá abrir as vendas, quantas unidades estarão disponíveis e quando todos estes consoles serão enviados. Nesse sistema consegui entrar no sexto lote de reservas, realizado lá em 8 de abril. A previsão era de que os consoles seriam entregues em 8 de junho, entretanto a ShopB se orgulha de sempre conseguir enviar um pouquinho antes desse prazo. E isso realmente se concretizou, afinal por aqui o PlayStation 5 chegou em 25 de maio. Para quem pensa ser chato comprar e ter que esperar quase dois meses, saiba que tem consoles vendidos em outros varejistas aí, datados de março e fevereiro, que até hoje não forem entregues. Está cheio de relatos assim em comunidades do PlayStation 5 no Facebook.

Outro ponto em que vi vantagem ao adquirir o PlayStation 5 lá na ShopB se dá pelo fato deles estarem permitindo parcelar o console em 12x sem juros e (ao menos aqui no Sudeste) pude conferir que o frete é grátis. Me surpreendi como isso não tem acontecido com algumas grandes redes de lojas online, que seguem vendendo o PS5 parcelado com juros ou em menos de 10 parcelas sem juros – teve uma que estava fazendo apenas em 5(!). Isso para não mencionar o frete acima de 100 reais para entregar aqui no interior de São Paulo. Tempos estranhos estes, a qual estas redes enfraqueceram suas opções de pagamentos e fretes, em meio ao crescimento das vendas em marketplace. Nesse quesito, só posso parabenizar a ShopB.

Vamos ao console!

Uma primeira impressão a ser mencionado a respeito do PlayStation 5 ocorre antes mesmo de ligá-lo na televisão: o bicho é grande e espaçoso! A caixa do console é enorme e relativamente pesado. O Thales mal conseguiu aguentar ficar segurando para tirarmos uma foto lá no Instagram. É um console bonito, não vou mentir, mas exageradamente grande. Para colocá-lo no rack da sala, a melhor posição que encontrei foi deixá-lo parcialmente atrás da televisão, na posição vertical.

Como vivemos em um país tropical, a qual no verão as temperaturas podem ser um tanto absurdas, não tenho confiança de deixar consoles de videogames dentro destes espaços internos de racks, sob o medo de superaquecerem. Especialmente estas versões iniciais de novos consoles de geração, a qual pode existir alguns problemas de desenvolvimento de hardware e seu refrigeração. Trauma obtido pelas 3RL (Red Light) que o Xbox 360 apresentou em sua geração e que me fez perder dois consoles, também não vou negar. Entretanto, para contrapor, o meu Xbox One – Versão Day One, adquirido em seu lançamento (em 2013) segue firme e forte até hoje, indo para seu oitavo ano de vida.

Voltando ao PS5, ligá-lo na TV é bem simples, o console vem com um cabo HDMI e o cabo de tomada, sem aquelas caixas de fonte de energia, a qual imagino que deva ficar dentro do console em si. No Xbox Series S não é diferente, por sinal. A tomada de alimentação é aquela padrão internacional de dois garfos, nada daquela aberração de três pontas que alguns eletrodomésticos possuem no Brasil.

Mesmo para um console tão grande, ao ligá-lo ele é relativamente silencioso. Afim de realizar alguns testes, acabei adquirindo a versão em disco de Cyberpunk para PlayStation 4, que aqui no Brasil a gente encontra facilmente a venda entre R$49/R$69 (bem mais em conta que a versão digital, que por enquanto segue banida da PlayStation Store). Não é um título a qual pretendo jogar muito nesse momento, mas essa versão garante que receberei a versão aprimorada de PlayStation 5 quando a mesma for lançada (a qual espero que seja ainda este ano).

O PS5 com um disco dentro dele tende a fazer um barulho de rotação (aquele vruuuum) quando o mesmo sai do modo em espera – aquele modo em que não se desliga por completo. Não importa se você vai rodar ou não o jogo, ao ligar o console ele sempre vai ler o que está no leitor. Depois disso, ele segue praticamente em silêncio na maior parte da experiência. O motorzinho da bomba do aquário que fica ao lado da televisão é mais barulhento do que o PS5 e o Xbox Series S juntos.

Falando no Modo de Espera do PS5, o console só atualiza jogos ou recarrega o controle pelo cabo (também incluso na caixa do console) se estiver no modo de espera. Então não é muito prático desligá-lo por completo, já que você quer que os jogos sejam sempre atualizados e o controle esteja sempre com carga. Interessante dizer que o console em uso você sente o calor em sua parte traseira se colocar a mão, entretanto no modo de espera, a qual tecnicamente ele fica ligado, como um PC em modo adormecido, você não sente qualquer calor ao colocar a mão em sua parte traseira. Ou seja, é realmente um modo econômico e que não abusa do hardware do console afim de deixá-lo mais prático ao usuário.

Uma última observação, e esta em menor grau, é que o console é realmente bonito, mesmo sendo uma peça gigante no rack de qualquer cômodo. Acho bacana os leds dentro das abas brancas do console, que ficam na cor laranja no modo em espera e azul/branco quando se está utilizando-o. É um console que dá um impacto visual quando se está usando, especialmente a noite. O Xbox Series S, no contraponto, é bem mais humilde nesse sentido. O PS5 foi desenhado para que fosse de fato um console fisicamente imponente.

Com ou sem leitor?

Uma ponderação antes de continuar. Por que optei pelo PlayStation 5 com leitor, enquanto também fiz a escolha do digital com o Xbox Series S? Não seria natural escolher o PS5 sem leitor? Sendo bem sincero? Não!

Veja bem, no caso do Xbox Series, a versão sem leitor, denominada S, é agressivamente mais barata do que a versão com leitor, o Xbox Series X. Claro que esta não é a única diferenciação que que ambas as versões possuem, há toda uma questão de hardware e capacidade que não cabe aqui explicar, mas o fato é que não tenho uma televisão motherfucker de 8K e que aguenta 120 frames por segundo, algo que o Series X faz e o Series S não.

Atualmente possuo um TV TCL de 50 polegadas (modelo 50P8M), e que devo dizer: é uma televisão que gosto muito, adquirida uns 2 anos atrás, e que me satisfaz muito bem. Imagem belíssima, tem 4K, 60FPS e é Android TV (que funciona como um Chromecast embutido, o que acho o máximo). Quando lançada (em 2018/2019), era um televisor com um ótimo custo benefício. Hoje já há versões mais potentes e aprimoradas.

Voltando ao raciocínio: não preciso de um console motherfucker de 8K e afins, simplesmente porque não tenho uma TV para isso no momento – e não sei quando terei, sendo bem sincero. Então retornamos ao PlayStation 5. Seus modelos não possuem uma precificação tão discrepante quanto o Xbox Series, isso porque trata-se do mesmo console em termos de hardware e capacidade, porém com ou sem leitor de mídia. R$ 4.699 com o leitor e R$ 4.199 sem o leitor. O Xbox Series S custa R$ 2.799, enquanto o Xbox Series X custa R$ 4.599. Percebe a discrepância?

Há um segundo ponto, que me fez optar pela versão com leitor: a constante ofertas de jogos em promoções em mídia física aqui no Brasil para jogos de PlayStation. Em termos de mercado, os jogadores brasileiros são mais receptivos à marca PlayStation, dado nosso histórico com o primeiro PlayStation e sua disseminação em solo nacional por conta da pirataria do console. Há toda uma geração que cresceu com o PlayStation como seu primeiro console (enquanto a minha cresceu com os consoles Nintendo e/ou Sega). O Xbox, como marca, só se fortaleceu no Brasil com o advento do Xbox 360, apenas duas gerações atrás. Portanto, a marca é relativamente nova em nosso mercado.

Também considerei o fato de que não tive o PlayStation 4, e boa parte de seus jogos exclusivos são inéditos pra mim, e boa parte saiu em mídia física por aqui, e seguem à venda, muitos em promoção – pretendo adquirir Death Stranding muito em breve. Achei que seria uma decisão inteligente apostar em ter um console com leitor, vide o caso do Cyberpunk que mencionei acima, afinal não posso tê-lo para o Xbox One, sendo que o meu Xbox Series não tem entrada para disco. No Xbox minha biblioteca de jogos já é 95% digital, mas no PlayStation não necessariamente vai precisar ser.

Em resumo: optei pela versão com leitor porque o valor sem leitor não é tão discrepante quanto é no caso do Xbox Series, valendo assim pagar um pouquinho mais para ter leitor e com isso ter uma acessibilidade maior de opções para adquirir jogos mais em conta, sejam eles digitais ou, neste caso, em mídia física.

Controle DualSense

Se eu puder nomear a maior das atrações presentes no PlayStation 5, sem a menor sombra de dúvida daria todos os louros dessa honraria ao seu controle DualSense. E veja bem, eu li e assisti diversos reviews do console em seu lançamento em novembro do ano passado, e portanto, já sabia de tudo que o console é capaz de fazer. Estava ciente de todos os elogios. Mas saber e experimentar… são coisas totalmente diferentes. Saber não é o suficiente para entender o quão incrível é esse controle. Ou pelo menos a proposta apresentada.

Não dá para falar do DualSense e não falar do jogo que vem incluso previamente instalado no console: Astro’s Playroom. O título é basicamente uma apresentação interativa de tudo que o DualSense é capaz de fazer nos jogos, se for bem aplicado pelos desenvolvedores. É a primeira experiência que você irá desejar ao ligar o PS5 pela primeira vez. É o jogo que vai lhe deixar de queixo caído. Porque, na boa, todo console precisa de um jogo assim em seu lançamento (e, lamentavelmente, o Xbox Series X|S não tem um exemplo assim até hoje).

Astro’s Playroom em si não é um jogo enorme ou impactante. Dá para terminá-lo em questão de duas ou três horas. Sua função é exatamente apresentar as novidades de um controle repleto de tecnologia de ponta. Os gatilhos adaptativos a pressão dos dedos, a tela de touch no meio do controle (que também é um botão), o microfone embutido (que tem uma função de assoprar muito semelhante ao que o Nintendo DS já fazia na pré-história dessa brincadeira), assim como a pequena caixinha de som que emite vários tipos de efeitos sonoros enquanto se está jogando… é tudo tão, especificamente mágico.

Não posso deixar de mencionar o rumble, que é o mais incrível do que já vi sendo usado em um controle de videogame. Em certo ponto há uma imagem do controle na televisão e uma animação do botão de touch se abrindo e um monte de robozinhos caindo para dentro do controle. O efeito do rumble dessa animação é de jurar que o controle que está na mão do jogador está se enchendo de robozinhos tremendo. É inacreditável, e até mesmo um tanto assustador. É como se o controle tivesse diverso pontos de rumble e todos trabalhassem de forma individual.

Adicione a tudo isso o fato do controle também funcionar como um sensor de movimento. No moldes do Wiimote do Nintendo Wii, com a diferença que você não precisa ficar apontando o controle da tua TV como faz com um controle remoto. Astro’s Playroom apresenta diversos mini games com o uso desse sensores, a qual o jogador fica movimentando o controle em si, seja para direcionar o pulo para um robô saltador ou subir uma parede com um macaco robótico. A precisão é bem incrível.

Veja só, o que a Sony veio aqui não foi reinventar um controle de videogame. Não acho justo dar esse crédito a ela. De fato, diversas coisas que experimentei no DualSense são elementos que venho vendo a Nintendo fazer em seus consoles e controles há anos. O que a Sony fez aqui foi refinar tais tecnologias, e com bastante maestria, isso não dá para negar. É um controle que faz um apanhado geral de tudo quanto é tecnologia que foi empregado em controles de vídeos ao longos da última década e o adapta para uma experiência impressionante e super desejada. Dá para dizer que o DualSense deveria ser o ponto de partida para o futuro dos controles.

Admito que agora já está sendo difícil olhar para o controle do Xbox Series e vê-lo com a mesma graça que até então ele tinha. Colocando-o lado a lado do DualSense, o atual controle da marca Xbox soa tão… sem sal. Talvez o controle Xbox Elite ofereça outra experiência? Talvez, mas me desculpe Microsoft… o Elite que vem com o console, sendo que o mesmo custa justamente o preço de um novo console. Aí não, nem ferrando.

Quer mais? O DualSense vem com uma bateria interna, e como já mencionado, o cabo para recarregar o controle. O Xbox Series S vem com o controle com duas pilhas AA para você colocar aí e um abraço. Se acabou, que compre mais pilhas. A primeira coisa que fiz na primeira semana com o Series foi justamente ter que comprar uma bateria para o controle, enquanto também descobri que até o cabo teria que compra, pois o cabo de Play & Charge do Xbox One não é o mesmo para o atual controle do Xbox Series. O cabo usando no controle do Xbox One é USB V8, enquanto no controle do Series é USB Type-C, o mesmo do PS5 por sinal.

Veja bem, não acho ruim os controles do Xbox ainda terem compartimento de pilhas. O que não gosto é do Play & Charge não estar incluído ao adquirir um console. Da mesma forma que penso não ser muito prático não saber exatamente a vida útil da bateria interna do controle do PS5 e nem de como será para trocar caso algum dia ela começa a enfraquecer. Enfim, ambos os lados tem seus prós e contras.

Dito isso, outro ponto que ainda não gosto, e já não curtia desde a época do PlayStation 2, é a posição invertida do D-Pad nos controles dos consoles PlayStation. Acho muito mais confortável os analógicos na forma como são posicionados nos controles da Nintendo e do Xbox. Entendo que para alguns jogos, como de luta, eles possuem a tendência de serem mais adaptáveis, mas ainda assim prefiro o estou layout. Ainda sonho com controles oficiais a qual sejam possíveis reposicionar analógicos e D-Pads a bem prazer do jogador. Dito isso, acho muito mais satisfatório o D-Pad em forma de prato que o Xbox Series possui, com um click click ensurdecedor, eu sei. Mas eu admito que gosto de tal escândalo sonoro.

Em resumo, o DualSense é um baita controle. Não dá para dizer perfeito, mas é tecnologicamente impressionante. É um padrão a qual gostaria de ver sendo aplicado em outros controles da concorrência. Sua pegada é boa, e os botões, em especial seus gatilhos adaptativos são incríveis. O grande problema para tamanha tecnologia é que ela não é adaptável a qualquer jogo. Em Astro’s Playroom é perfeito, mas quando se joga na retrocompatibilidade os jogos de PS4, tal controle não oferece basicamente nenhum de seus novos recursos. O que significa que se o jogo não for programado para ter estes recursos… o controle vai se portar como um controle qualquer.

O mesmo valerá para os jogos desenvolvidos para o próprio PS5, ou seja, caberá aos desenvolvedores colocarem tais recursos em seus jogos. Se isso será recorrente, ainda me parece cedo para dizer. Fico particularmente curioso, por exemplo, em títulos multiplataformas. Será que os estúdios irão querem oferecer uma experiência diferenciada com o DualSense, em detrimento as versões do mesmo jogos que estarão em outros consoles? É de se esperar que sim.

E os jogos?

Falar de um console e não falar um poucos a respeito de seus jogos me soa meio inconcebível. Contudo não posso, neste momento dizer muito a respeito dos principais exclusivos da plataforma. Não tive (ainda) a chance de olhar jogos como Miles Morales, Demon’s Souls, Sack Boy ou até mesmo o mais recente Returnal. Basicamente são os quatro principais lançamentos da plataforma a qual gostaria de olhar assim que houver uma oportunidade. Esta semana ainda tem o Ratchet & Clank: Rift Apart que bem… talvez seja o primeiro que vá dar uma olhada (dedos cruzados).

Na verdade o que estive olhando nestes primeiros dias com o console foram justamente diversos dos títulos que estão presente na PS Plus Collection, que ainda segue ativa para todos que assinarem a PlayStation Plus e tiverem um PlayStation 5, e assim adicioná-los a sua biblioteca. Além disso, um detalhe, antes mesmo de comprar o console, já havia assinado a PlayStation Plus desde novembro do ano passado, e através do app para smartphones, chamado PS App, já vinha adicionando os jogos mensais da PS Plus desde então. Fui em uma destas que dei a sorte de conseguir Final Fantasy VII Remake (PS4), um título a qual estava verdadeiramente curioso para testar.

Como não tive o PlayStation 4, foi uma semana sendo apresentado a grandes exclusivos do console. Pude iniciar God of War (2018), que me deixou bem impressionando com sua hora inicial. A jogabilidade dele é realmente muito fluida e incrível, e a trama mais madura e emocional funciona muito bem. Foi difícil parar de jogá-lo para testar outro jogo. Nessa mesma vibe de apresentação fantástica, Final Fantasy VII Remake me deixou de queixo caído, com um combate super veloz para uma action-RPG, mega intuitivo e um jogo com uma alma inacreditável. Fiquei deveras emocionado com ele.

Outros dois jogos a qual achei divertidos, mas ainda não me conectei totalmente, foram Marvel’s Spider-Man, ainda a versão de PS4, aproveitei a promoção Days of Play (que acaba no dia 9 de junho), e Horizon Zero Dawn, ambos jogos de mundo abertos e que possuem atmosferas bem interessantes. Mas jogos assim requerem um pouco mais de dedicação para se abrirem mais ao jogador. Vou me esforçar pelas próximas semanas para avançar mais com ambos.

Pensando um pouco mais na biblioteca dos indies no PlayStation 5, também joguei Bugsnax e Destruction AllStars. O primeiro é um jogo em primeira pessoa em que o jogador explora um mundo de insetos com cara de comida, com alguns puzzles e piadas bem elaboradas. Meu filho de 8 anos se divertiu, apesar de que ele ficou em duas ocasiões travados na progressão, sem saber exatamente o que fazer no jogo. Fiquei com a impressão que o título nem sempre é muito claro para as crianças, especialmente na hora da ansiedade de pular diálogos e não prestar atenção no que os personagens lhe pedem.

Destruction AllStars me surpreendeu e me decepcionou de uma forma bem balanceada. Trata-se de um jogo de multiplayer online, a qual já me serviu para testar a conexão do PS5, que roda bem, sem travar, atrasar ou com perdas de conexão. É uma arena em que carros devem destruir outros carros, com a possibilidade do jogador sair do carro para correr pela vista, desviando e tentando capturar outro carro, inclusive do adversário. É uma ideia muito louca e até bem executada. O que me assustou é a camada de microtransação embutida dentre dessa estrutura. Tem Passe de Temporada só com itens cosméticos, e não é tão charmoso quanto o de jogos como Fortnite, além de ter um modo história a qual se faz necessário pagar para ter acesso. Aí não. Gostei, mas achei que o modelo de jogo como serviço estragou um pouco o que estava procurando com esse título. Tornou tudo menos divertido. Ao menos na forma como tudo é apresentado ao jogador. E detalhe: não se trata de uma jogo Free-To-Play. Bizarro, não?

E claro, também dei uma olhadinha em Cyberpunk 2077. Que me pareceu rodar surpreendentemente bem no PlayStation 5. Na internet houve tanto burburinho a respeito do jogo não rodar bem nos consoles, incluindo os novos da atual geração, que bem… fui com as expectativas baixas. mas não joguei o suficiente para formar uma opinião ainda. Como disse lá no início, tenho a pretensão de esperar a atualização gratuita para o PS5, para vê-lo em sua plena capacidade. E legal é que pensar nisso me deixa empolgado, o que significa que o título tem uma boa apresentação inicial.

O que mais posso dizer a respeito dos jogos? Hum… como não testei ainda muitos títulos feitos especificamente para o PlayStation 5 é difícil comparar um pouco a velocidade de carregamento dos jogos. A impressão que tive, e ela pode não ser verdadeira, é de que os jogos no Xbox Series tendem a carregar e terem loadings mais rápidos do que senti em diversos jogos do PS4 rodando no PS5. Contudo não foi nada grosseiro, de minutos aguardando. De jeito algum. Os loadings foram rápidos, mas não o suficiente para não percebê-los, coisa que o Xbox Series S constantemente me surpreende, inclusive com títulos do Xbox One via retrocompatibilidade.

Ah e antes que alguém me pergunte como não testei The last of Us, Uncharted, Bloodborne e afins… calma, eles estão na fila! Juro! O ponto é que o PlayStation 5 vem com 825GB de espaço em seu disco interno e não dá para instalar tudo que há na PS Plus Collection logo de cara. Infelizmente. Instalei os joguinhos mencionados acima, mais alguns menores como Concrete Genie (a qual quero muito jogar) e Worms Rumble e lá se foram mais de 70% do espaço em disco. Só Cyberpunk 2077 ocupa absurdos 110GB no armazenamento. Dureza.

Significa que não vou conseguir jogar tudo que desejo jogar ao mesmo tempo no PS5. Terei que fazer o mesmo malabarismo que já faço no Xbox Series S, de instalar e desinstalar jogos que estão parados no armazenamento do console. Vale apenas apontar que o PS5 tem suporte a HD Externo para armazenar jogos, para não precisar baixá-los. É um recurso válido, mas no momento não disponho de nenhum em casa para tal. Tenho um de 2TB no Xbox, mas em uso. E a formatação do HD é diferente em cada console, o Series usar o tipo de formatação NTSF, enquanto o PS5 requer o HD formatado em ex-FAT. Caso contrário eu poderia usar o mesmo HD em ambos os consoles. Pena.

Dito tudo isso, posso afirmar que as análises de clássicos do PS4 devem aparecer por aqui pelos próximos meses. Não tem como não ficar empolgado com uma biblioteca de exclusivos que acabei deixando passar em sua geração. Vou ter bastante assunto nesse sentido por um bom tempo. Haja tempo para poder conhecer tantos títulos de alta qualidade.

Interface

Antes de seguir para a parte final destas impressões, não poderia esquecer um pouco de falar a respeito da interface do PlayStation 5 e algumas das opções presentes nas configurações do console. Interface esta, que pelo entendo, segue inspirado naquilo que os consoles antecessores já tinham um pouco. Eu tive, há muito tempo atrás, um PSP e até um pouco dele eu consigo ver aqui. – Alias, outro parênteses, mas também comprei Patapon Remastered (o primeiro) na PS Store, que está custando lindos 11 reais na Days of Play. Pois é, curioso o cara comprar o PS5 e o primeiro jogo digital que ele compra é Patapon, uma (maravilhosa) velharia que justamente amava no meu PSP. Rá!

Voltando a Interface do PS5, a minha impressão, não habituado com o ecossistema dos PlayStation anteriores, foi estranha um pouco a sua simplicidade e falta de opções para personalizá-la, afim de deixar com uma cara mais pessoal. Descobri também que no PS5 não há temas, como os que existem no PS4. Também notei que não existe quaisquer opções de personalizar sua coleção de jogos como o jogador bem entender, como a de criar uma barra/menu de favoritos, por exemplo – e que me é tão natural tendo usado a plataforma do Xbox nestes últimos anos. Acho que o estranhamento é normal neste caso em que fiquei tantos anos na plataforma do Xbox.

Não que a interface não seja linda no PS5. Adorei como ela muda quando passo de jogo a jogo na interface principal. Quanto paro em Patapon, por exemplo, o console fica tocando a música tema do jogo. Adorável isso. Pena justamente não poder configurar a posição dos ícones dos jogos nessa tela, sempre acaba enfileirando os últimos utilizados, tal qual ocorre no Nintendo Switch (e a qual também me incomodo de não poder personalizar). Ao menos dentro da biblioteca de games, vi que é possível ver toda a biblioteca, independente dos títulos estarem instalados no console e também uma aba adicional que apresenta justamente àquilo que está instalado. O que é prático a meu ver.

Criar usuários e linká-los ao perfil de família foi bem tranquilo. Nada de especial a relatar. Aqui fiz para que o Thales pudesse jogar em seu próprio perfil. E funciona como no Xbox: a conta principal estando dentro do console permite que toda a família utilize os jogos em cada perfil respectivo. Inclusive as permissões de jogar online que a PS Plus da conta principal permite. Configurar o perfil para crianças também foi bem tranquilo.

Navegar pela PS Store diretamente pelo console também não tem segredo. Foi bem rápido encontrar as abas de promoções, mais vendidos e afins. Gostei que a loja permite criar uma lista de desejos, tal como os consoles concorrentes também permitem. Apenas me incomodei com o fato da PS Store no Brasil não ter a opção de pagamento por PayPal, algo que em outros países é permitido. No Xbox Series essa opção já se faz presente há um bom tempo. Meio vacilo isso ainda não ser possível nas contas brasileiras da PS Store. Não gosto muito da ideia de ter cartões de créditos amarrados diretamente nas configurações de consoles. O PayPal tem alguns recursos que preservam os dados, por isso prefiro sua utilização.

Agora se tem algo na configurações do PS5 que deixou feliz diz respeito ao sistema de captura de fotos dos jogos, assim como a gravação de vídeos. A começar pelo botão no DualSense, e que é super prático. Inicialmente vem configurado que para tirar uma captura é preciso segurar o botão, o que achei péssimo, entretanto nas configurações do sistema é possível trocar isso pelo simples apertar do botão. E o PS5 faz algo de forma muito prática que o Xbox Series não faz: gravar até uma hora de gameplay direto em seu SSD! No Xbox Series para capturar tanto tempo assim de vídeo de gameplay o usuário precisa de um HD Externo de alta capacidade, caso contrário as capturas em vídeos se limitam apenas a 15 minutos. O PS5 não! Ele grava um hora inteira e te deixa copiar para qualquer pendrive com capacidade de armazenamento. Acabei usando um cartão Micro SD de 64GB com um adaptador USB com entrada de Pendrive e pronto, tenho como capturar e passar ao PC com uma praticidade sem igual. Gostei muito disso, não é pra menos que o canal do Portallos no YouTube já tem recebido tais capturas.

Considerações finais

Chegando ao final deste longo texto de impressões, acredito que passei pelo principais pontos que desejava compartilhar a respeito dos primeiros dias com um PlayStation 5. Talvez alguém esperava algum papo sobre resolução 4K e jogos com altíssimas taxa de quadros… mas sempre alertei por aqui que estão não são aspectos que normalmente me impressionam em jogos. Caso contrário não amaria tantos jogos independentes de gráficos mais simples. E não estou dizendo que os jogos no PS5 não soem bonitos, porque soam. Mas ainda acho cedo para conseguir fazer tais comparações.

Vide, por exemplo, a minha experiência com o Xbox One e o contraste dele com alguns jogos no Xbox Series S. Tive alguns casos de jogos que no Series se fizeram notar, enquanto no Xone eles me decepcionaram. No final do ano passado, Watch Dogs: Legion e Assassin’s Creed Valhalla me fizeram notar o potencial destes novos. Aqui no PlayStation 5, diante dos jogos que pude testar, ainda não deu para espremer essa laranja e fazer um suco. Acredito que nos próximos meses, conforme for testando-o em títulos próprios para ele, acabarei percebendo isso e poderei dizer mais a respeito.

Acho que a pergunta que merece ser feita (e respondida) aqui neste final deste texto é: devo adquirir um PlayStation 5 neste momento? Não se surpreenda com a resposta, que é mais simples do que você pode pensar: se você tem condições de comprar (no preço oficial), e o encontrar em meio a esse momento de alta demanda, não vejo porque não deveria. Entretanto fica aquele alerta de que trata-se de um console razoavelmente caro, cujo seus lançamentos estão na faixa de R$300-R$350 e que a PlayStation Plus é um serviço praticamente obrigatório de se ter, e que deve ficar mais caro a partir do próximo mês.

Mas é claro que você sempre pode optar pelas promoções, jogos do PS4 e especialmente pelos jogos indies a qual muito jogador faz cara feita por aí, e não sabe o que está perdendo em termos de experiências únicas e memoráveis.

O PlayStation 5 é um console pensado para o futuro. Tem um controle com um potencial incrível, tem uma line-up de jogos exclusivos que atualmente estão bem mais hypados, até mais do que o Xbox Series apresentou até o momento. Se você pode trazer este futuro para o atual presente, e vai se aproveitar disso com o que há para ser oferecido hoje, não vejo motivos para não pensar no PS5. Isso sem comparar com o que a concorrência tem ou o que ela oferece, pois essa é uma discussão que não tem uma verdade absoluta, e cada um vai em seu gosto pessoal. Penso que o sonho perfeito, para todo gamer, é conseguir ter todos os consoles de uma geração. Mas essa não é uma realidade de todos, então cada um precisa escolher àquilo que mais irá lhe satisfazer. O PS5 é uma destas opções viáveis. Isso posso afirmar.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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