Análise | Tales of Eternia Remastered
Disponível para PlayStation, Xbox, Nintendo & PC

Tales of Eternia Remastered surge dentro de um novelo a ser desembaraçado antes mesmo de falar sobre sua versão remasterizada. Para isso é importante voltar para suas origens, quando a Namco (antes da fusão com a Bandai) lançou originalmente Tales of Eternia, um dos capítulos mais importantes da franquia Tales of.
Seu lançamento ocorreu no Japão em novembro de 2000, exclusivamente para o PlayStation. Desenvolvido pela Wolf Team e publicado pela Namco, o título chegou como o terceiro título da série, sucedendo Tales of Phantasia e Tales of Destiny. Já na América do norte, o jogo chegou apenas em setembro de 2001, mas com uma particularidade: recebeu o nome de Tales of Destiny II.
Obviamente essa mudança acabou causando confusão entre os jogadores, principalmente porque posteriormente a franquia recebeu outro jogo chamado Tales of Destiny 2, lançado originalmente para PlayStation 2 no Japão. São jogos diferentes, apesar da semelhança dos nomes.
De volta a Tales of Eternia, o jogo teve 2 versões antes de receber esta remasterização. Além mencionado do título original lançado em 2000/2001, a aventura retornou em 2005/2006 no PSP, lançado no Japão e na Europa, respectivamente. Esclarecimentos devidamente elucidados!
Em vez de seguir exclusivamente o modelo de batalhas por turnos utilizado por tantos RPGs da época, a produção de Tales of Eternia resolveu apostar em um sistema de combate em tempo real, no qual o jogador controlava diretamente os movimentos e ataques de seu personagem. Essa escolha ajudou a estabelecer uma das características mais reconhecíveis da franquia: a combinação entre elementos tradicionais de RPG e batalhas com uma dinâmica muito mais próxima dos jogos de ação.

Chegando aos dias atuais, mais precisamente em 15 de outubro de 2026 tivemos o lançamento da versão remastered que chegou a uma variedade de plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (Steam). O projeto foi desenvolvido pela TOSE com publicação da Bandai Namco. Desta vez, ao invés de refazer tudo do zero, tivemos a opção de preservar sua experiência original, trazendo melhorias visuais e recursos de qualidade de vida para tornar a aventura mais acessível aos jogadores atuais.
E novidades fazem parte de toda boa iniciativa de remaster. Aqui temos opções para alternar entre gráficos e efeitos sonoros originais e remasterizados; ajustar encontros com inimigos; utilizar marcadores de destino e acelerar determinadas batalhas, além de poder deixar o jogo lutar as batalhas de forma automaticamente, ficando apenas encarregado de ir aos locais e avançar a história.
Particularmente é uma ideia interessante permitir que os jogadores antigos reencontrem uma aventura conhecida, enquanto os novos tenham uma experiência menos limitada pelas convenções dos RPGs de duas décadas atrás. Não cheguei a jogar a versão original, então acabei alterando os gráficos para ver como era na época, para experimentar, e logo voltei ao novo visual, devidamente mais agradável aos dias atuais, mas fica como uma forma de curiosidade muito importante.
Quanto a localização: há dublagem em inglês e japonês, além de 10 opções de legendas, mas lamentavelmente o nosso português brasileiro não está entre as opções disponíveis.

Ficha Técnica
- Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S e PC
- Desenvolvedor: Wolfteam (Original), TOSE (Remastered)
- Publisher: Bandai Namco
- Gênero: Action JRPG
- Lançamento: 15 de Outubro de 2026 (Remastered)
- Versão analisada: PlayStation 5
História e ambientação
Um dos maiores méritos de Tales of Eternia está na maneira como sua história começa com uma situação relativamente simples e, aos poucos, transforma essa descoberta em uma aventura de proporções épicas.
O jogador não começa como um guerreiro lendário, um escolhido que conhece seu destino ou alguém encarregado de salvar o mundo desde o primeiro minuto. Começamos conhecendo nosso protagonista, Reid Hershel, um jovem que vive tranquilamente em sua aldeia, acompanhado de pessoas que fazem parte de sua vida desde a infância.
Essa escolha narrativa é importante porque estabelece um ponto de partida familiar. Antes de apresentar grandes conflitos, o jogo permite que o jogador conheça seus protagonistas, suas personalidades e a maneira como eles enxergam o mundo. É justamente essa tranquilidade inicial que torna os acontecimentos tão importantes.

A aventura começa em Rasheans, uma pequena aldeia localizada no mundo de Inferia. Reid e Farah são amigos desde a infância e estão vivendo suas vidas normalmente quando um acontecimento inesperado chama a atenção dos dois: uma misteriosa estrutura cai nas proximidades da aldeia. Como isso chamaria a atenção de qualquer um, eles decidem investigar o acontecido. Ao chegarem no local da queda, encontram Meredy, uma garota desconhecida que apresenta características bastante diferentes deles e das outras pessoas que vivem na região.
Ela não apenas possui uma aparência incomum, como também fala um idioma que ninguém consegue compreender. Aqui temos o primeiro grande mistério da aventura. Quem é aquela garota? De onde veio? Por que chegou daquela maneira? E, principalmente, o que está tentando contar ?
O fato dela não falar o mesmo idioma que Raid e Farah utiliza a dificuldade de comunicação como um elemento narrativo. Meredy sabe de algo importante, mas não consegue transmitir suas informações aos novos companheiros. A partir desse encontro, Reid e Farah deixam a segurança de sua aldeia e começam uma jornada que mudará completamente suas vidas.

Inferia é o primeiro grande cenário apresentado ao jogador, seu ambiente possui características de um mundo de fantasia tradicional, com cidades, vilarejos, florestas, montanhas, desertos e diferentes comunidades. A exploração deste mundo acontece de maneira progressiva. Conforme a história avança, novas localidades ficam disponíveis e são apresentadas, ampliando a compreensão sobre a geografia, a política e os costumes do mundo. Inferia possui uma sociedade organizada, com autoridades, instituições de ensino, governantes e diferentes interesses políticos.
A passagem pela capital, por exemplo, demonstra que nem todos estão dispostos a aceitar imediatamente as informações trazidas pelo grupo. E isso ajuda a construir uma narrativa na qual salvar o mundo não depende apenas de encontrar inimigos e derrotá-los, já que também é necessário lidar com desconfiança, interesses políticos e pessoas que interpretam os acontecimentos de maneiras diferentes.
Se Inferia representa o primeiro contato do jogador com o universo de Eternia, Celestia é responsável por ampliar consideravelmente a dimensão dessa aventura. Aqui os 2 mundos existem em posições opostas, separados por uma barreira conhecida como Orbus Barrier. Apesar de fazerem parte de um mesmo universo, seus habitantes desenvolveram sociedades próprias e passaram muito tempo praticamente sem contato uns com os outros.

Essa separação não é apenas geográfica. Ela também representa diferenças culturais, históricas e políticas. Celestia por sua vez apresenta uma identidade visual bastante particular. Suas localidades, construções e paisagens ajudam a transmitir a sensação de que estamos visitando um lugar diferente daquele que conhecemos durante as primeiras horas de jogo. Quando o jogador pensa e acredita que já compreendeu a estrutura do universo apresentado, a história amplia seus horizontes e mostra que ainda existe uma parte considerável daquele mundo a ser descoberta.
O interessante é que Celestia não funciona como uma simples continuação de Inferia. Ela possui seus próprios problemas, personagens, conflitos e interesses. A viagem entre os dois mundos também permite que a narrativa explore como sociedades isoladas podem desenvolver interpretações completamente diferentes sobre acontecimentos históricos. E esse é um dos elementos mais interessantes da construção de mundo de Tales of Eternia.
Durante muito tempo, os povos de Inferia e Celestia permaneceram separados. Com isso, suas relações foram marcadas por desconfiança, informações incompletas e lembranças de conflitos antigos. A história não apresenta simplesmente dois mundos que precisam se unir porque existe uma ameaça externa. Ela mostra que essa união também exige superar barreiras culturais e compreender o passado. Existem interesses, ressentimentos e interpretações históricas que ajudam a explicar por que a aproximação entre os dois lados não acontece de maneira simples. Essa abordagem dá mais profundidade ao universo do jogo e evita que a ambientação seja apenas um pano de fundo para as batalhas.

A exploração também conta com pequenos elementos que enriquecem a experiência, como as variações de maré em determinadas cavernas, que exigem atenção ao ambiente para alcançar baús e caminhos antes inacessíveis. A culinária permite preparar pratos com ingredientes coletados, oferecendo benefícios úteis para o grupo, enquanto os mini games, como o Craymel Ball, acrescentam momentos de descontração e variedade à aventura. São atividades secundárias simples, mas que ajudam a tornar o mundo de Tales of Eternia mais interessante e diversificado.
O mistério da Grande Queda
Toda a jornada passa a girar em torno de uma ameaça conhecida como Grand Fall, também chamada de Grande Queda. O fenômeno representa a possibilidade de uma colisão entre Inferia e Celestia, colocando em risco obviamente a existência dos dois mundos. É uma premissa bastante interessante porque estabelece um problema que não pode ser resolvido simplesmente protegendo uma cidade ou derrotando um exército.
A partir dessa descoberta, a aventura ganha uma dimensão muito maior. Aquilo que começou como uma investigação sobre a origem de uma garota desconhecida transformou-se em uma missão para impedir uma catástrofe. Durante a jornada, conhecemos diferentes personagens, novas localidades e descobrimos informações que modificam gradualmente a compreensão da história. A Grande Queda funciona como o elemento que conecta essas descobertas e mantém a narrativa avançando constantemente

Jogabilidade — Combate, evolução e exploração de dois mundos
Um aspecto que merece atenção especial em Tales of Eternia, é sua jogabilidade. Temos uma combinação bastante interessante de elementos tradicionais dos RPGs japoneses com um sistema de combate em tempo real, exploração de grandes regiões, evolução de personagens e diferentes mecanismos de progressão. Mais do que simplesmente acompanhar uma história, o jogador precisa aprender a utilizar as habilidades de cada integrante da equipe, administrar recursos, preparar sua equipe com equipamentos e compreender os sistemas que conectam os combates à exploração.
Mesmo tendo sido desenvolvido originalmente para o PlayStation, Tales of Eternia apresenta uma estrutura de jogabilidade que continua bastante funcional. Seu sistema de combate possui identidade própria, enquanto os mecanismos de evolução oferecem possibilidades suficientes para incentivar diferentes estratégias. Nesta versão Remastered, a experiência também recebe recursos adicionais que tornam algumas atividades menos cansativas, sem alterar a essência da aventura original.

O sistema de combate é conhecido como Aggressive Linear Motion Battle System (A-LMBS), ele utiliza batalhas em um cenário bidimensional no qual os personagens podem movimentar-se, atacar, defender-se e executar técnicas especiais em tempo real. Diferentemente dos RPGs tradicionais baseados em turnos, aqui o jogador participa sempre diretamente da ação. Sempre que um encontro acontece, a equipe é transportada para uma arena de batalha. O personagem controlado pode avançar em direção aos adversários, recuar, saltar e executar diferentes sequências de ataques.
Por falar em combate, ele utiliza-se de uma estrutura que permite combinar ataques normais com técnicas especiais. Reid, por exemplo, pode iniciar uma sequência utilizando golpes físicos e posteriormente executar uma Arte para ampliar o dano causado ao adversário. A possibilidade de encadear diferentes movimentos faz com que as batalhas tenham um ritmo bastante acelerado.

Não basta simplesmente utilizar ataques repetidamente. É importante observar a posição dos adversários, identificar oportunidades e escolher o momento adequado para executar determinadas técnicas. Cada personagem possui um estilo ou técnicas específicas, Reid e Farah são voltados principalmente para o combate físico, enquanto Keele e Meredy possuem maior especialização em artes mágicas. Essa divisão oferece variedade e permite montar uma equipe de acordo com as necessidades de cada confronto.
Por falar em Artes, elas são fundamentais para o sistema de combate, representando habilidades específicas que podem causar danos, atingir adversários de determinadas maneiras ou oferecer suporte à equipe. Obviamente e para incentivar o grid de seus personagens, conforme eles sobem de nível, novas possibilidades são disponibilizadas.

Não podemos controlar todos os integrantes de nossa equipe, então durante os confrontos, os demais personagens são controlados pela CPU para executar ações de acordo com as configurações estabelecidas pelo jogador. É possível ajustar estratégias, definir prioridades e controlar aspectos do comportamento da equipe. Formar uma equipe equilibrada sempre é a chave para se obter vitórias, mesmo não controlando todos diretamente ao mesmo tempo, podemos equipar golpes específicos deles em atalhos no controle, o que pode forçar eles a usarem alguma técnica como curar e reviver membros da equipe.
Um grupo equilibrado precisa contar com personagens capazes de causar dano, oferecer suporte e utilizar magias de maneira eficiente. Também existe a possibilidade de assumir o controle de outros integrantes durante as batalhas, permitindo experimentar diferentes estilos de combate. E antes que me esqueça, podemos equipar os personagens com equipamentos que vão aumentar atributos e fornecer bônus como não sofrer envenenamento ou causar condições de status mais facilmente em inimigos, por exemplo. Ainda temos o uso de Craymel Cages, que são o mecanismos utilizados para administrar os espíritos elementais que podem ser usados nas batalhas, mas falar muito sobre eles e seus tipos pode acabar contando coisas que não quero contar e estragar a sua jornada, mas eles estão diretamente relacionados a sua jornada como um todo e com a possível forma de salvar “os mundos”.

A qualidade da remasterização
A apresentação visual de Tales of Eternia Remastered merece atenção, principalmente por se tratar de um RPG originalmente lançado no início dos anos 2000. Como falei anteriormente, a proposta desta edição não é reconstruir o jogo do zero, mas preservar sua identidade visual e sonora, trazendo algumas melhorias e opções que permitem ao jogador escolher entre a apresentação clássica e a remasterizada.
Visualmente, o jogo mantém seu estilo 2D, com personagens, cenários e animações que conservam a identidade artística da versão original. A atualização procura oferecer uma imagem mais limpa, valorizando os desenhos dos personagens e os ambientes explorados durante a aventura. A direção de arte continua sendo um dos pontos positivos, especialmente pela variedade de locais encontrados em Inferia e Celestia. Cidades, florestas, cavernas e construções ajudam a transmitir a personalidade de cada região e tornam a exploração visualmente interessante.

Os personagens também preservam o estilo característico da época, com sprites em 2D e animações simples mas funcionais. É possível perceber, entretanto, que alguns elementos continuam bastante próximos dos padrões técnicos de sua geração de origem. Quem espera uma reformulação visual profunda, com cenários reconstruídos e animações inteiramente refeitas, pode acabar sentindo falta de uma atualização mais ambiciosa. É importante lembrar que estamos diante de uma remasterização, e não de um remake como os outros que tivemos.
A trilha sonora continua sendo um dos elementos importantes, as músicas acompanham os diferentes momentos da aventura e ajudam a construir a atmosfera do mundo e dos combates. As composições combinam bem com a proposta de fantasia e contribuem para dar personalidade aos ambientes. Os efeitos sonoros também acompanham bem as ações dos personagens, os golpes e as habilidades especiais.

Um dos recursos interessantes desta edição é a possibilidade de alternar entre os gráficos e os efeitos sonoros originais e remasterizados. Isso permite comparar as apresentações e escolher aquela que mais agrada, preservando a experiência clássica para quem prefere a aparência e a sonoridade antigas. Também há opções de dublagem em inglês e japonês, oferecendo mais liberdade ao jogador durante a aventura.
Além dessas opções, a remasterização traz recursos de conveniência, como marcadores de destino e ajustes de velocidade, que ajudam a tornar a progressão mais confortável. São melhorias que não modificam a estrutura central do jogo, mas facilitam a experiência para quem está conhecendo a aventura pela primeira vez ou revisitando o título depois de muitos anos.

Considerações finais
No geral, Tales of Eternia Remastered consegue preservar o charme visual e sonoro do original, mas não representa uma evolução técnica muito expressiva. Os gráficos continuam agradáveis dentro de sua proposta, a trilha sonora mantém sua importância e as opções adicionais são bem-vindas. Ainda assim, alguns cenários e animações poderiam ter recebido um tratamento mais elaborado.
A remasterização acerta principalmente ao respeitar a identidade do clássico e oferecer uma maneira mais confortável de aproveitá-lo nas plataformas atuais. Não é uma transformação visual impressionante, mas cumpre sua função de trazer novamente à atenção um RPG importante da franquia Tales of. Sou suspeito a falar dessas funcionalidades que “facilitam” o jogo mas para um adulto com o tempo cronometrado para jogar, é um alívio não ficar perdido pelos cenários e podendo subir de nível mais rapidamente.

Tales of Eternia Remastered mantém muito bem a atual proposta da Bandai Namco em resgatar com fidelidade as experiências originais de toda a franquia, adaptando cada título a uma linguagem que combine com a atual era moderna dos jogos. Neste caso, aqui a nostalgia dita o tom, enquanto a experiência original sustenta seu valor atemporal.
Galeria
Dando nota
História e narrativa - 8.5
Personagens e desenvolvimento da jornada - 8.8
Jogabilidade e sistema de combate - 8.5
Exploração e ambientação - 8.2
Gráficos, direção de arte e trilha sonora - 8.5
Remasterização e conteúdo adicional - 7.5
Não foi dessa vez que tivemos o português disponível - 6
8
Nostálgico
Mesmo com o peso dos anos e uma remasterização que poderia ir além, desperdiçando até mesmo a chance de adicionar localização em português, Tales of Eternia Remastered continua sendo uma aventura memorável, mostrando que uma grande história, personagens marcantes e uma excelente jogabilidade são capazes de atravessar gerações sem perder seu encanto.


