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Game Theory: Reinvenção constante da indústria de games! Evolução e… Crise industrial? [Reflexão]

Se novas soluções não são encontradas, os novos problemas se tornam destrutíveis.

Qual é a fórmula dos games, o segredo dos produtores de games? Sinceramente, não há. Mas podemos tentar identificar algumas incógnitas. A diversidade que encontramos é uma prova de que há milhões de caminhos para conquistar um público tão diversificado. A indústria de games atual é gigante se for comparada a indústria de games de anos e anos atrás. Ela mudou e está mudando cada vez mais e, consequentemente, surgem novos desafios e novos projetos, perspectivas e, claro, consumidores. Isso merece uma reflexão.

O primeiro episódio de Game Theory, um site de análise profunda da indústria de games, tocou no assunto da crise da indústria que mais tem crescido e mudado nos últimos anos e não pude deixar de dedicar um post ao assunto. Refletir é sempre bom!

Há anos atrás, tínhamos os cartuchos, aqueles tijolos que traziam o entretenimento dos gamers – um público consumidor reduzido naquela época. Se formos comparar esses consumidores com os consumidores da atualidade, encontramos uma diferença tão grande, abismal mesmo, que nos faz ver como a indústria dos games cresceu e não foi por acaso.

Ainda lembro quando os jogos eram simples não só graficamente, mas também em termos conceptuais e de jogabilidade.  Estava muito satisfeito, mas não sei se teria a mesma satisfação hoje em dia. Tenho certeza que não sou o único que tem boas lembranças dos jogos em cartucho. Mas o crescimento não está apenas no aumento dos consumidores, mas na revolução de toda a indústria – novos periféricos (Wii Motion Remote, Guitarras, Kinect, Playstation Move, controles mais complexos), novas capacidades gráficas e modos de exibição de imagem (HD e 3D games, por exemplo), novas aplicações, modo online, social gaming, novos consoles portáteis (DS, DSi, 3DS, PSP, iPhone, iPad) e uma aparente queda de games de destaque para PC.

Lembra do Gameboy? Era bem simples, usava cartuchos e gráficos básicos. Agora temos a Nintendo DS com dupla tela, touchscreen e gráficos razoáveis (muito melhores que os gráficos do Gameboy). Agora a própria Apple está entrando no mercado, querendo competir e transformar os produtos em consoles de preferência. Antes tínhamos uma quantidade de empresas pequena e hoje temos uma quantidade enorme de empresas competindo e tentando sobreviver. Sim, sobreviver, porque há realmente uma crise para as produtoras: baixos lucros.

Os cartuchos tinham um custo de produção que variava entre 24$ e 18$. Era um custo significativo que felizmente foi reduzido para 2$ durante a transição dos cartuchos para os CD’s. Ótimo! A quantidade de jogos produzidos era cada vez maior e os gamers não paravam de pedir. A passagem para os CD’s diminuiu o custo de produção, dando mais lucro para as empresas de games, mas o aumento do público consumidor exigia jogos cada vez melhores. Então, a tecnologia foi avançando, até chegar ao ponto de estar sofrendo mudanças constantes, a cada minuto. Isso levou a investimentos maiores, custos de produção maiores e à redução do custo causada pela transição entre os cartuchos e CD’s se tornou insignificante.

Esse é o problema: o custo de produção é muito elevado, exige muitos profissionais, muita tecnologia e tempo para produzir. Toda empresa precisa de lucro para se desenvolver e crescer. Por isso os games tiveram que sofrer um aumento de preço no mercado, perante um público de gamers cada vez maior, mas com poder económico muito variado. O aumento dos preços desencoraja muitos consumidores e as pessoas passam a comprar em menor quantidade. Eu próprio deixo claro aqui que os preços dos games no mercado são absurdos – pagar 70 euros por um jogo é quase roubo. Mas não podemos reclamar porque a indústria precisa de lucros, senão as produtoras terão que adotar novas estratégias ou deixarem de produzir. É melhor adotar novas estratégias! E apoio esse tipo de adoção.

Não é uma história inventada para levar as pessoas a comprarem mais. É um problema, uma crise na indústria dos games. E não é única! É fácil de notar que muitos jogos quase não saem das prateleiras e que muitos jogos não criam nada, se limitam a ser apenas uma nova versão de conceitos e jogos já existentes. A inovação em periféricos, gráficos, consoles é real, mas os jogos não têm inovado muito, embora abranjam uma variedade de estilos enorme. Tudo está mudando constantemente: plataformas, modelos gráficos virtuais, público e as próprias culturas. A cada dia uma nova geração de gamers se forma e aumenta o desafio das produtoras de fazerem um jogo que agrade a maioria.

Há um processo: desenvolver jogos e comercializá-los. Os lucros não têm sido tão grandes quanto parece. Ao contrário, uma das maiores indústrias de entretenimento (me atrevo a dizer isso) tem tido baixas vendas (com algumas excepções de sucesso em vendas) que não sustentam lucros tão elevados. No Brasil, quando morava aí, os preços tornavam os games algo cuja aquisição era reduzida (para mim, ao menos).  É simples: preços elevados, queda de vendas. Conclusão: a indústria de games está doente como um negócio. De fato, se analisarmos bem é verdade, mas também vemos jogos variados, mas poucos capazes de prender um gamer durante horas como jogos do passado (Donkey Kong Country, por exemplo). E por mais que a Nintendo insista, as novas versões dos clássicos da Nintendo não estão atingindo o mesmo efeito que os verdadeiros clássicos. Talvez não devessem. Deveriam ter um novo efeito que os tornasse em novos clássicos. Onde está falhando?

A competição econômica leva muitas indústrias a se preocupar em exagero com os preços, tendo algumas até medo de tentar algo novo – preferem apostar em algo que já venda (por exemplo, shooters). É a luta pela sobrevivência no mercado. A própria guerra dos consoles ilustra uma tensão econômica entre as empresas. Sony, Nintendo ou Microsoft? Temos mesmo que escolher uma se não quisermos gastar uma fortuna para aproveitar tudo de bom que cada uma tem a oferecer.

Entre as grandes produtoras, estão surgindo pequenas empresas que tentam se destacar através de novos conceitos, novas ideias e jogos mais originais. Elas experimentam diferentes ideias, tentam inovar. Enquanto as empresas consagradas e “grandes” se limitam a fazer jogos sem variar muito nos estilos e nas ideias. É aquela história: há jogos bons e há jogos originais e bons. A segunda opção é aquilo que os gamers mais procuram. E ainda há os desejos de novos gamers que estão criando um recente interesse pelos games. Os jogos do Facebook, os jogos sociais, os jogos para iPhones, entre outros games emergentes são competidores crescentes do mercado atual e estão tornando a competição ainda maior e os gamers é que sofrem com as consequências: algumas boas e outras bem negativas.

Afinal, há uma fórmula?

Uma fórmula do tipo “[(Ps3/X360) x nº. Vendas]/lucro” não existe, mas há alguns elementos que acredito ser fundamentais. O primeiro é a originalidade. Um jogo original conquista a atenção do gamer. O segundo é o desafio moderado acompanhado por diversão. Assim, o gamer irá se divertir e se viciar em vencer os desafios impostos. O terceiro é inteligência. Um jogo inteligente não precisa ser complexo, mas deve ter um conteúdo interessante que marque o gamer de uma forma única. E há depois vários outros aspectos que poderíamos ficar discutindo durante parágrafos e parágrafos.

Porém, atualmente não há como ficarmos estagnados em um único modelo, um único paradigma. Isso é atraso! A única incógnita constante na fórmula da indústria dos games atual é a mudança/ alteração. Os modelos estão constantemente sendo desmontados e remontados, levando a uma reinvenção da qual nasce sempre uma indústria nova, diferente. Anos atrás, tínhamos modelos simples que se repetiam sempre. Atualmente ainda temos alguns exemplos dessa estratégia, mas já não são mais os mesmos. Os jogos do Mario, por exemplo, sempre utilizaram os mesmos modelos: Bowser sequestra Peach e Mario a resgata. Podemos notar que atualmente os j0gos do Mario mantiveram esse modelo mas introduziram novos elementos e expandiram o Reino dos Cogumelos: Mario Galaxy lança o Mario no Universo, Luigi’s Mansion é um jogo com um modelo diferente, Paper Mario surgiu no Nintendo 64 propondo uma dimensão de papel, entre outros casos.

O principal ponto de incidência é que cada gamer tem a sua própria fórmula e as produtoras têm que encontrar a fórmula que seja compatível com a maioria das fórmulas dos consumidores. Missão difícil já que algumas fórmulas são até contrárias! Quem entender inglês, pode assistir o episódio abaixo:

Se quiser visitar o site da Game Theory, clique aqui.

Questão…

Achei as perguntas deixadas pela Game Theory bem interessantes. Darei a minha opinião, depois podem responder nos comentários, expondo as suas próprias opiniões. Já partilhei a minha opinião sobre todas questões, menos uma. Por isso me focarei apenas nessa.

Se atualmente os consumidores são tantos que abrangem desde as pré-adolescentes às avós, porque a maioria dos jogos continua focalizada na realização dos desejos de jovens do sexo masculino?

Espera! Há muitos jogos que servem tanto para mulheres como para homens. A ideia de que shooters são jogos violentos destinados mais para os homens é nada mais nada menos que machismo. Mas se formos verificar outros aspectos, muitos jogos apresentam personagens femininas fisicamente atraentes para um público masculino. Não estou reclamando, mas é um argumento válido: não há razão para os jogos tentarem satisfazer mais os gamers do sexo masculino, seja como for. Será que essa persistência e característica prova que ainda existe machismo nos games?

O post já está mais extenso do que planejado e já resumi e discuti as principais questões referentes ao tema. E assim que sair mais um novo episódio da Game Theory que seja interessante, espero fazer mais um post, mais uma reflexão.

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Araphawake

Gamer de nascença, entusiasta do YouTube, cinéfilo e sobrevivente de The Walking Dead. Adoro livros e penso demais nas coisas. Na vida pessoal sou extremamente nostálgico e exagerado. Quem não me compreende ou conhece pode achar que sou antipático.
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