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BSI: Com um game incompleto, celebramos os 10 anos da obra de Kubo Tite! [Impressões] [PS3]

Bom meus amigos… é triste, mas essa é a realidade. Vamos aceitar de uma vez por todas que nem todos os games baseados em animes podem receber o mesmo tratamento que Naruto e Dragon Ball pela Namco Bandai. Mas promessa é dívida, certo? Portanto guardem os porretes, as pedras e se possível tirem os trolls da frente do PC e leiam tudo com muita atenção. Bleach Soul Ignition, logo após o continue.

Só deixando claro aos recém chegados que este post pode conter spoilers sobre as últimas sagas do anime/mangá. Se você ainda não sabe quantas transformações o Kubo Tite criou de última hora pro Ichigo, que tipo de animal voador e muito gracioso o Aizen se tornou ou mesmo quantos coadjuvantes foram esquecidos depois da guerra de inverno em Karakura, o jeito é você deixar Vênus e voltar à Terra para se atualizar um pouquinho antes de ler ou ver o que vem a seguir.

Kurosaki Ichigo, substituto de shinigami, zzzZZZZ…

Bleach Soul Ignition (ou Soul Resurreccion deste lado do globo) não começa pela saga da Sociedade Espiritual, tão pouco vai lhe mostrar como toda aquela guerra arrastada contra os arrancars começou. O game é direto e reto, exatamente do que jeitinho que eu não queria ver. Ele tem início quando o moranguinho do nordeste, quero dizer… do Japão adentra o Hueco Mundo indo em direção ao Las Noches, o palácio do vilão Aizen overpower, que no fim das contas não era tão overpower assim. Como vocês bem lembram, o Ulquiorra deu uma passadinha no mundo real a mando dele e levou a Inoue embora para servir de curandeira do seu pessoal. Só o que eles não sabiam é que o ato de roubar a mulher do próximo fora do Hueco Mundo é o mesmo que um convite para uma sessão de porrada. Preciso dizer mais? Acho que não né?

Game corrido? Que nada, é só impressão sua!

Soul Ignition infelizmente não é aquele game cheio de cutcenes lindamente detalhadas como foi Naruto Ultimate Ninja Storm 2. Na verdade tudo aqui é muito corrido e as poucas cenas legais produzidas com um competente cell-shading duram muito pouco. Não bastasse isso, cenas memoráveis que pra mim foram um marco no anime nem sequer foram reproduzidas, como por exemplo o primeiro Getsuga Tenshou que o Ichigo desferiu pra cima do Ulquiorra no seu primeiro encontro, eu perderia horas e horas fácil fácil na frente da TV só pra ver essa cena todinha de novo.

Podem até dizer que isso é exagero de fã chorão (e sou mesmo) e tudo mais e é até compreensivel, já que o sistema escolhido para a jogabilidade é cansativo e repetitivo demais para estender o jogo, mas também é impossível não pensar assim quando somente os eventos “chave” ganharam animações bem detalhadas. Parece aquele tipo de coisa que poderia ter sido feita com mais calma se o game não tivesse um prazo curto demais para ser lançado.

Fora isso, o game parece ter sido feito para todos aqueles que acompanhavam a série Heat The Soul do PSP, pois o título além de pular os momentos iniciais da guerra de inverno coincidentemente já vistos em melhores detalhes na telinha do portátil da Sony, também não disponibiliza por exemplo a forma Shikai do Ichigo ou mesmo as formas normais dos arrancars. Na lista dos vetados, alem dos vaizards, todos os shinigamis secundários que participaram ativamente da guerra em Karakura ficaram de fora, até mesmo alguns capitães como Mayuri e arrancars como Zael Aporro e Aaroniero por algum motivo totalmente inexplicável nem sequer dão as caras e mais uma vez lembrando do quanto o sistema desse jogo é um porre, é até compreenssível a ausência deles. Dos personagens transformados, todos já vem em suas respectivas formas finais, até mesmo a Yoruichi já chega com aquela armadura usada contra a transformação do Aizen ainda em seu casulo de borboletinha momentos antes dele entrar em Karakura, deixando claro que ao contrário do que se pensava, o game só dá foco aos momentos finais da saga contra Aizen e ainda assim de forma bem porca e praticamente retalhada.

O baixíssimo número de personagens disponíveis é outro demérito forte do título e a impressão que fica é a de que o jogo mais parece um teste, uma jogada de mercado para ver o que o título rende e não um game completo para satisfazer os fãs, mas eu já chego lá.

Além da Inoue, o que mais podemos salvar de Bleach Soul Ignition?

A jogabilidade é aquela que você viram naquele vídeo de 08 minutos, mas com o controle em mãos a coisa realmente fica mais divertida. Esquecendo um pouco a pobreza que é o elenco do jogo, usar o dash, mirar um Menos Grande para atingi-lo com um especial ou encaixar aquele combo numa horda de Hollows entretém bastante e o jogo acaba sendo salvo pelo modo história por forçar você a jogar com mais de um personagem. Então mesmo que o esquema ande e bata até chegar ao verdadeiro chefe seja um saco, a movimentação nunca cai na mesmice já que você está sempre usando golpes de um shinigami diferente. Só é uma pena eu não poder dizer o mesmo da logevidade do título.

Destacando alguns personagens, adorei o gameplay com a Rukia. Não tenho apreço algum pela personagem, mas a movimentação dela ficou dinâmica e sem complicações para fazer os combos, sem falar que a Sode no Shirayuki é excelente para alastrar quarteirões. O Ishida é outro que ficou muito legal, no viciante Bleach: Blade Battlers do PlayStation 2 eu já era fã do que fizeram com ele e aqui a coisa não foi diferente. Zaraki é outro que foi bem representado aqui, seu estilo overpower totalmente non-sense nem deu chance para o pobre Noitora. Já outros personagens como Byakuya e Hitsugaya por exemplo não ficaram tão bons assim e valem mais pelas belas animações das Bankais e só. O Ichigo em versão Bankai ficou bacana, mas a versão de cabelo cumprido, braço acorrentado e olhar sem medo é bem mais interessante. Também é possível ver a versão Mugetsu no final do modo história, mas ela só é liberada como ataque especial e se você concluir tudo o que o jogo oferece. O que não chega a ser muita coisa.

Nas batalhas principais eu destaco as lutas do Ichigo e algumas com a Rukia e Ishida. O resto é resto pra mim, adorei lutar contra o Grimmjow, ele é rápido demais e ao mesmo tempo apela para ataques à longa distância e se você não tomar cuidado ele te mata nos momentos finais com o também arrasta quarteirões Desgarròn. Já a luta contra o Ulquiorra em sua forma final é uma das mais broxantes, eu não curti muito a jogabilidade com o Ichigo em sua forma Lust, pois os ataques corpo a corpo praticamente não existem e só lhe resta lançar um Cero atrás do outro. Quanto a melhor luta de todas, esta sem dúvida é a última contra o Aizen Borboleta Tomada no Jiraya. Alem do visual mais legal do Ichigo, o combate é de longe o mais desafiante com o maldito desviando de quase todos os especiais que você lança e ainda trollando geral com o Kurohitsugi entre outros golpes.

Ser um Dynasty Warriors travestido não é pecado, não ter multiplayer é!

O modo história tem no máximo 13 atos e fora os cenários que se alternam entre a cidade de Karakura, Las Noches, Hueco Mundo e o Inferno, nada de surpreendente acontece. Você não ganha nada de especial quando termina a campanha principal e tão pouco tem um final bonito pra ver ao fim do game. Mas as surpresas ou a falta delas não terminam aqui, porque assim que você resolve procurar o modo multiplayer para partilhar da experiência com os amigos, você descobre que ele simplesmente inexiste, isso mesmo. Caro leitor, você não leu errado, Soul Ignition se limita apenas a um modo extra chamado Mission (oh really?) que nada mais é do que a mesma jogabilidade cansativa do modo história só que sem a história e as poucas cutcenes. É realmente frustrante saber que na geração da jogatina online nem mesmo um multiplayer local em split screen foi cogitado para o título, você termina o raso modo história e não tem mais razão para tocar no jogo, no máximo deixar na estante comendo poeira ou tentar vender pra quem ainda não caiu nessa armadilha.

Ainda falando dos extras totalmente dispensáveis, temos o modo Soul Attack, que nada mais é do que um uma lista de rankings para você colocar a sua pontuação na PSN a cada missão concluída e comparar com quem mais tiver sido macho o bastante para comprar essa pérola no lançamento. Logo atrás vem o sistema de evolução de níveis dos personagens, outra coisa totalmente dispensável visto que nem modo online o game tem. E por último temos aquela famosa opção da galeria de action figures, onde podemos executar as falas mais lembradas de cada personagem, ver os bonecos virtuais de vários ângulos e por aí vai. Só que para isso você deve ir completando todas as missões para desbloquear esses extras, um esforço irritante que não chega a valer muito a pena.

E quanto a trilha sonora? Nada de dramatismo, tampouco aquela despretenciosa viola mexicana que tanto marcou os comandados de Aizen. Uma das poucas coisas que poderiam levantar a moral do game, se limita a repetidos solos de guitarra e passa longe de proporcionar aquela empolgação com qualquer que seja o momento. E fica a pergunta: se eles tem o trabalho de trazer os mesmos dubladores, de que tamanho é o sacrifício de trazer também a mesma sonoridade que embala o anime?

Um presente aos fãs, um teste ou só uma piada de mau gosto?

Que o game não seria a gloria de Bleach em todo o seu explendor nós já sabiamos, mas o vasto elenco disponível (sarcasmo, tá gente…) e a falta de um modo multiplayer local ou online deixam claro que o game passou por uma daquelas produções relâmpago digna de game baseado em filmes da Marvel. A impressão final é a de que tudo não passou de um teste, talvez para saber como anda o interesse do público pela franquia, portanto não vou me impressionar se um novo game for lançado no ano que vem. Com mais personagens, direito a uma história mais bem retratada e quem sabe uma jogabilidade mais próxima de um Dragon Ball ou Naruto Ultimate Ninja Storm. O fato é que após um dia ou dois de jogatina, Bleach Soul Ignition simplesmente morre e não serve para mais nada no seu repertório de jogos, chegando a ser quase que dispensável como exclusivo do PlayStation 3.

Finalizando

Esse é mais um daqueles casos onde você não está perdendo nada por ficar de fora da festa. Por isso relaxe e vá perder seu tempo com algo mais útil, mais inteligente e menos desgastante ao cérebro. Bleach Soul Ignition não um completo desastre, apenas apela para o nome do anime sem te entregar tudo o que você espera dele, e é assim que ele ainda vai vender muitas cópias para dezenas de desavisados. Porque enquanto houver fãs, demanda é o que não vai faltar. O game provavelmente faz parte das comemorações dos 10 anos de sucesso da obra, mas se a idéia era agregar mais valor a esta comemoração, o tiro saiu pela culatra. Assim como o presente momento do mangá e anime, o game deixa muito a desejar, causando aquele velho sentimento de descontamento, de algo que poderia ter sido melhor. Enfim… acho que os fãs merecíam bem mais que isso.

Lembrando que se servir de consolo para você, fã tolo e incurável como eu. A versão ocidental também tem direito a dublagem em japonês, porque essa interpretação ai embaixo ninguém merece.

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K o n S a m a

Do ser sem razão a essa explosão de emoção, do preguiçoso leitor ao (meia-boca) escritor, do tímido calado ao ator inquieto, do caminho já traçado à esquina do destino incerto. Tentei me definir, mas sem sucesso. Games, filmes, música, animes, são só o começo desse quebra-cabeça sem nexo.
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