Zigball – Jogo nacional para iOS "desafia o seu poder de percepção"! [+ Entrevista com os criadores]

Zigball

Volta e meia eu me deparo com algum jogo do iPhone que me surpreende pela sua simplicidade e alto nível de diversão. Já passei pelo famigerado Angry Birds, pelo fantástico Cut The Rope, pelo viciante Plants Vs Zombies, pelo belíssimo Tiny Wings e até pelo bizarro Gesundheit!. No momento estou quebrando a cabeça com o recém-lançado Zigball.

A mecânica do jogo é simples: conte as bolas que estão se movimentando pela tela e clique na alternativa correta. Parece fácil? Mas não é: você deve contar as bolas antes que o tempo acabe, o que te deixa numa aflição tremenda! Pra facilitar você pode “riscar” a tela para separar algumas bolas das demais, mas até esse recurso é limitado, te obrigando a usá-lo com todo o cuidado.

Zigball foi criado por um estúdio nacional chamado Pankeka Games e é o primeiro jogo para iOS dos caras. Não custa nada dar uma forcinha para a produção nacional, certo? Sem contar, que o jogo está DE GRAÇA (por tempo limitado)! Então corre lá na AppStore e baixe logo o seu.

Link para a AppStore BR. // Link para a AppStore US.

Depois do continue, você pode conferir uma entrevista que fiz com o Thiago Ventura, um dos sócios da Pankeka Games e que trabalhou no desenvolvimento do jogo.

Portallos – Primeiramente, conte-nos um pouco mais sobre a Pankeka Games: como foi criada, o porquê do nome, qual a proposta da empresa, quais outros jogos já criaram?

Thiago Ventura: A Pankeka Games surgiu de um grupo de colegas do curso de Ciência da Computação. Até então estudávamos o desenvolvimento de jogos por hobby, mas no último ano do curso uma professora tinha que indicar alguém para produzir um jogo educativo para uma rede nacional de ensino. Ela nos indicou, fizemos um jogo demo para provar que sabíamos o que estávamos fazendo e pronto, conseguimos o nosso primeiro jogo comercial.

Já que tínhamos um jogo comercial, tínhamos que ter também um nome para colocarmos nos créditos. Eu costumo chamar os amigos de “panqueca” (adjetivo carinhoso para alguém que faz besteiras) e, depois de algumas decisões, ficou “Pankeka Games”. Quatro anos se passaram e hoje a Pankeka Games já produziu 20 jogos nas mais diversas categorias: educativos, mobile, para eventos, advergames e, agora, especificamente para a plataforma iOS. As duas últimas categorias são o foco hoje da empresa.

De onde surgiu a idéia do jogo? De onde tiraram a inspiração para ele? Vocês tiveram alguma influência?

O Zigball começou na verdade como um projeto de aprendizado. Queríamos testar várias tecnologias como de física, recordes on-line, rede de propaganda e mecanismo de touch do iPhone. Então tentamos pensar em um game que englobaria todos esses recursos e ainda fosse simples, para não atrapalhar o desenvolvimento de outros produtos. Lembramos então de um mini-game de algum jogo que tem como linha de diversão o “treinamento do cérebro” (infelizmente não lembro o título agora). Fizemos a nossa adaptação tirando alguns recursos e adicionando outros. Depois vimos que esse game tinha potencial para ser lançado publicamente, e assim fizemos.

E o processo de trabalho de vocês? Sei que possuem outras ocupações além da Pankeka Games, como conseguiram conciliar isso com o desenvolvimento do jogo?

O tempo não importa quando você faz algo que gosta bastante. Não sei se é bom ou ruim, mas já aconteceram várias vezes de olhar no relógio e perceber que estou desenvolvendo o jogo a muito mais tempo do que imaginava. Se você não vê isso como fardo, mas sim como algo prazeroso, você pode achar um tempo de noite ou no final de semana para cumprir os seus objetivos.

Qual foi o caminho até o lançamento?

As etapas para produzir um de nossos jogos seguem praticamente o mesmo padrão. Tudo começa no desejo de se fazer um jogo específico. Depois conversamos bastante sobre as idéias associadas a tal jogo para ver se é viável desenvolvê-lo. Se tudo estiver certo, as etapas posteriores seguem essa sequência:

– Criação dos documentos necessários para gerenciar o projeto.
– Contratação ou terceirização de desenvolvedores, artistas e sound designers.
– Trabalho, trabalho, trabalho…
– Testes, testes, testes…
– Lançamento e divulgação
– Comemoração com pizzas =)

Qual foi a parte mais difícil: programar o jogo ou desenvolver a parte gráfica dele?

Para mim, pelo menos, eu vejo que a parte mais difícil no desenvolvimento de um jogo é a parte de programação. Cada uma das áreas tem o seu desafio na criação, mas a verificação se está bom ou ruim o resultado atual é diferenciado. Pode ser dito que a parte gráfica é fácil de verificar se chegou a um bom resultado, mas a parte de programação está toda escondida. Há muitos detalhes para serem verificados, e qualquer erro nessa área de codificação pode gerar críticas negativas levando o seu produto ao fracasso.

Vocês pretendem atingir a algum público em especial?

O nosso público alvo normalmente é o casual. Queremos atingir aquela pessoa que quer simplesmente se divertir por 5 minutos. O jogador abre o jogo, vai direto para o JOGAR, se diverte e volta ao que estava fazendo. E por isso estamos tentando nos focar no iPhone, já que ter o dispositivo sempre ao seu bolso é uma combinação perfeita com os jogos casuais. Além disso, o público casual é muito diversificado, passando por crianças, homens e mulheres de todas as idades.

O jogo foi lançado recentemente, mas já possuem alguma resposta sobre a recepção do jogo? Tem algum tipo de preconceito por ser uma produção nacional?

Houve uma ótima recepção! Na verdade ficamos até surpresos com as estatísticas. Em apenas 24 horas conseguimos o 28º lugar no ranking da AppStore brasileira para a categoria de entretenimento, e ainda está subindo!

Com relação ao preconceito foi totalmente ao contrário. A meu ver a posição atual no ranking foi graças aos brasileiros que gostaram de ver em blogs, no twitter e no facebook uma notícia sobre um game nacional na AppStore. Tivemos uma recepção muito maior aqui no Brasil do que lá fora, mesmo fazendo uma divulgação semelhante e tendo o game disponibilizado em português e inglês.

Porque apostar na AppStore e desenvolver para iOS?

Pensamos muito antes de entrar nesse mercado. Na época estávamos decidindo entre a AppStore e o Android Market. De um lado tinha a AppStore com um público imenso, assim como o número de concorrentes. Do outro lado tinha o Android Market com pouca atuação nacional, mas um público consumidor ainda em crescimento.

Três motivos levaram a nossa decisão para a AppStore. Até então eu tinha um pé atrás nesse mercado porque pensava que não havia um número suficiente de usuário de iPhone no Brasil, mas mudei de idéia quando percebi que estava em uma roda de amigos onde 50% tinha um iPhone ou iPod Touch ao lado. O segundo motivo foi o cuidado que a Apple tem com relação a padronização do seu hardware.

No mercado do Android já há inúmeros dispositivos no qual cada um tem uma versão diferente do sistema operacional instalado, com diferentes processadores e resoluções de tela. Isso é péssimo para uma empresa de desenvolvimento que quer atingir a maior parcela do mercado. O terceiro motivo foi pensando nos advergames, já que as empresas enxergam com bons olhos mais o iOS do que o Android.

A Apple é conhecida por ser bem rigorosa com os jogos e aplicativos que são lançados na loja virtual, vocês tiveram algum problema com essas restrições?

Felizmente não. Nós tivemos o cuidado de ler cuidadosamente um guia de desenvolvimento que a Apple disponibiliza. Tomando todos os cuidados dificilmente o seu aplicativo será reprovado. Em apenas 1 semana o Zigball já estava liberado para o público.

Quais os planos para a Pankeka Games?

Está em andamento dois jogos para a AppStore. Um está previsto para ser lançado ainda este ano e outro no início do ano que vem. Fora da AppStore há um projeto para ser vendido para escolas, não é um jogo educativo, mas sim uma espécie de recordação para os alunos onde as fotos deles vão para dentro do jogo (página do projeto). Há também as propostas de advergames (ontem mesmo uma empresa de Minas Gerais utilizou em um evento um jogo personalizado para atrair pessoas ao seu estande).

Caso o pessoal queira acompanhar os nossos trabalhos basta seguir o @pankekagames no twitter. Normalmente colocamos o progresso dos nossos games lá.

Vocês são gamers? Possuem alguns dos consoles dessa geração? Quais? Quais os seus jogos preferidos?

Com certeza! Jogar os mais diversos tipos de games é essencial para desenvolver jogos. É jogando que a gente avalia o que pode ser divertido ou frustrante para o usuário. Dentre nossos consoles estão o Nintendo DS, Wii, XBox e, é claro, o iPhone, que consideramos como um console também, já que ganhamos dinheiro com ele (risos). Com relação aos jogos estão as franquias do Zelda, Mario e Final Fantasy.

Que conselhos vocês dariam pra quem quer trabalhar na área de desenvolvimento de jogos?

Independente da área (programação ou arte) é necessário estudar e praticar muito. Para a programação um curso de graduação em Ciência da Computação, por exemplo, te ajudará bastante na base do seu conhecimento. O resto você terá que praticamente aprender sozinho. Tutoriais, vídeo-aulas, etc tem ao monte na internet, basta querer aprender.

E por favor, nada de querer desenvolver o próximo game de última geração logo no início. Comece pelo básico e vai construindo o seu portfólio com games simples, mas provando que você domina a ferramenta escolhida. Para a área da arte o seu portfólio é seu principal aliado. Criar um blog gratuito é ótimo para armazenar e divulgar o seu trabalho. Já contratamos artistas apenas navegando pelo seu blog.

Alguma declaração final?

Apenas gostaria de agradecer ao Portallos pela oportunidade do bate-papo. Continuem com o ótimo trabalho que estão fazendo.

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Theo Medeiros

Cinéfilo, gamer, adorador de música e entusiasta tecnológico. Acha que Nescau é melhor que Toddy e que bacon é a oitava maravilha do mundo.
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