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Calvin e Haroldo: quando a imaginação pura não tem limites e a felicidade chega sem você procurar!


Aproveitando uma promoção online daquelas imperdíveis, comprei a coleção de Calvin e Haroldo, dando um tiro no escuro. Na verdade, sempre quis ler, mas, o preço realmente me mantinha distante e, com a promoção, valeu a pena tentar e saber se me agradaria ou não.

A idéia era inicial era fazer um MdQ para cada volume que foi comprado, mas, quando dei por mim, já tinha lido três volumes! E então optei por fazer um post que falasse não de cada tirinha especifica, mas do espírito, do clima, talvez até da magia que esses dois personagens estão inseridos.

O autor, Bill Watterson, não faz apenas rir, ou mesmo refletir sobre a sociedade, como normalmente as boas tirinhas já fazem. Calvin e Haroldo traz uma nostalgia de um modelo de infância que está deixando de existir – o que não quer dizer que era melhor ou pior – o fato é que ninguém mais brinca na rua, com aqueles jogos ao ar livre, raramente chegando em casa sujo o suficiente para a mão ficar aterrorizada!

Mas, Calvin e Haroldo não é um tributo a um “passado sensacional” que os mais velhos sempre falam: “na minha época…”. É muito mais do que isso. O cenário é só um detalhe importante. O que faz tudo se tornar mágico é a imaginação totalmente louca de Calvin, que consegue tornar um tigre de pelúcia em um companheiro de verdade, que briga com ele, joga bolas de neves, arma emboscadas, opina sobre as coisas, faz o dever de casa… Aos olhos dos pais e de outros personagens, Haroldo, o tigre, é só um boneco de pelúcia engraçado. Para Calvin é um irmão que ajuda contra os monstros debaixo da cama e nos debates filosóficos de uma criança de seis anos.

Além disso, por conta da imaginação, o ato de esperar no carro, para Calvin, pode ser o cenário perfeito para uma guerra entre aviões; tomar banho na banheira pode ser facilmente um maremoto; o lanche da escola pode se tornar uma guerra contra uma geléia alienígena! O Aliás, o horário de almoço, é o cenário perfeito para as frases mais nojentas sobre sua própria comida. Calvin é também um herói do espaço, um dinossauro, um detetive ao estilo “noir”, um homem que argumenta com o pai sobre pesquisas de popularidade paternas, as quais apontam que, provavelmente, o pai deve perder o cargo na próxima eleição…

E o traço é maravilhoso! Claro, expressivo, encantador! Lindamente simples, você nem percebe o grande conhecimento do autor/desenhista nessa arte, simplesmente vai lendo, uma página atrás da outra e, quando dá por si, já terminou alguns volumes.

O grande defeito de Calvin e Haroldo é o pequeno número de publicações no Brasil. Assim como Peanuts, para mim, é uma série de primeira categoria, comparável à grandes gênios nessa forma de arte. No Brasil, foi publicada de forma elitizada, mais adulta, ou seja, menos acessível (financeiramente): não como Garfield, por exemplo, que saiu em diversas edições, seja as da LPM, por cerca de R$11,00, ou um apanhado de cerca de R$80.

Bom, na verdade esse não é um “defeito” de Calvin e Haroldo. O tal problema a que me refiro é a vontade de querer ler mais, de conhecer mais, de colocar Calvin e Haroldo como Wallpaper, de comprar o action figure… Bill Watterson criou esse universo, sem tanto estresse, sem tanta responsabilidade, feliz, tenro, um universo de sonho, afinal, o qual você quer ficar inserido sempre, viciado em seus personagens, na alegria que proporcionam, viciado em estar feliz, puramente feliz.

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Pedro Duarte

Jornalista apaixonado por todas as coisas que existem. Deve ser isso! Não há nada de novo que não demonstre interesse imediato em conhecer: ler, assistir, escutar, experimentar. Tentando viver um pouquinho de tudo por dia e passar a experiência aos nossos leitores!
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