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RAAM's Shadow e a tempestade de Krylls

O DLC que expande as fronteiras da franquia de Gears of War!

Aproveitando a folga nas festividades de fim de ano resolvi começar e terminar a campanha extra de Gears of War 3 lançada este mês, chamada RAAM’s Shadow. Então é bom avisar que o texto a seguir terá spoilers de toda a campanha de RAAM’s Shadow. Se você ainda não jogou e não quer saber de nenhum detalhe da história ou do gameplay desse DLC, pare por aqui mesmo.

Peguei a campanha para jogar no domingo e na segunda à noite já estava finalizando. Admito que esperava algo um pouco maior. Foi mais rápido do que estava esperando. Não joguei no nível de dificuldade insano, porque reservei essa opção para um replay futuro em modo cooperativo com os amigos de xisboca. Selecionei o modo díficil mesmo e não foi nada muito complicado. No geral a mini-campanha é sopa, assim como a campanha do game principal.

Tudo isso é mérito do sistema que derruba o player no chão e não rola o Game Over de imediato, se alguns dos outros personagens, controlados pela IA do game estiver próximo ao jogador, ainda rola a opção de “levantar” o player caído. Isso é algo novo, inédito nesta terceira versão de Gears. Nos games anteriores, o jogador solitário morreria imediatamente. Só existia a opção de reviver se estiver jogando em multiplayer.

Até agora não sei dizer se a adição desse sistema de ajuda pela IA do jogo é uma boa coisa ou não. Afinal, dá uma confiança maior ao jogador, permitindo ousar mais, afinal, mesmo sozinho, os personagens automáticos, também chamados de bots, são bem úteis. Mas do outro lado da moeda, torna tudo um pouco fácil demais. Então dificilmente o jogador vai ficar horas travado em algum momento do DLC, fazendo-o seguir normalmente e com isso a duração do mesmo acaba diluído em poucas horas.

Mas nem por isso RAAM’s Shadow perde respeito. A Epic Games fez um trabalho fantástico ao criar este prelúdio do primeiro Gears of War. O clima da história aqui é fantástica, me senti como se estivesse mesmo jogando o primeiro Gears of War com a adição da mecânica turbinada criada em Gears of War 3. Foi algo que me surpreendeu totalmente.

Os Locust saindo do chão e cercando o esquadrão Zeta-Six em vários momentos do jogo cria um estado de tensão, adrenalina e até medo em vários momentos do DLC. Em certos momentos não dá para ficar acampado numa barreira, porque os buracos surgem de todas as direção e com isso nenhum lugar é seguro. Quando isso acontece o jogador fica naquela torcida para ter granadas o suficiente para tampar os buracos para tentar diminuir o fluxo de Locusts antes que tudo fique perigoso demais. A DLC reflete muito bem essa atmosfera de medo e terror que o primeiro da franquia jogo passa. Os inimigos estão no subsolo e podem aparecer a qualquer momento, de qualquer lugar. Este fator se perde um pouco em Gears of War 3 com a adição dos Lambents e da expulsão dos Locusts do subsolo devido a contaminação pelo Imulsion.

Outro ponto positivo foi usar COGs conhecidos pelos fãs, mas não os tradicionais da série. O esquadrão Zeta serviu para provar que Gears of War funciona muito bem sem Marcus Fenix. Ainda que tal personagem funcione como um Master Chief na franquia criada pela Epic Games, este novo DLC comprovou que a franquia pode alçar voo solo sem seu astro principal. Parece um detalhe sem importância, mas não minha opinião não é. A Epic Games pode com o sucesso dessa investida criar spin-offs (games derivados) com a franquia, sem usar seus personagens padrões. A Microsoft fez isso em Halo e também foi muito bem sucedida. Halo Reach é a prova real que Master Chief não precisa estar em todo game de Halo. Gears of War agora com a conclusão da trilogia, pode muito bem passar pelo mesmo processo.

E Gears of War como franquia cresceu muito, possui uma rica e vasta biblioteca de personagens que podem ser usados e que os fãs provavelmente iriam adorar encarnar. A história da série também é cheia de contos e lacunas de confrontos que podem ser usados para criar novos games. Assim não se faz necessário um Gears of War 4 tão cedo, evitando desgartar demais a fórmula da franquia. Eu adoraria ver contos da era do Pendulum Wars ou até mesmo do fatídico E-Day. Há ainda muitas pontas soltas em Gears que podem ser aproveitadas novos games ou até mesmo DLCs. Nesse ponto, RAAM’s Shadow abriu um precedente muito importante para a franquia.

A única coisa que me deixou triste foi pensar que todos os personagens do esquadrão Zeta acabam morrendo dentro da cronologia da série. Exceto Jace, mas não dá para considerar ele um membro do esquadrão (ou dá?). Minh morre no primeiro Gears, pelo próprio General RAAM. Tai se suicida após ser capturado e torturado pelos Locusts, bem em frente a Marcus & cia durante os eventos de Gears of War 2. Barrick se sacrifica no arco em quadrinhos (Hollow, imagem ao lado) que antecedem os eventos de Gears 2, salvando assim Marcus e Jace. E Valera morre no fim de RAAM’s Shadow, também pelas mãos do implacável General RAAM. Quatros personagens fodas da franquia, todos mortos na guerra contra os Locusts e que sabemos que não os veremos de volta dos mortos. Nisso eu tiro meu chapéu para a Epic, que acaba criando personagens tão memoráveis e mesmo assim tem culhões enormes para matá-los. Assim é a guerra, não? De qualquer forma adorei encarnar Michael Barrick nesta mini-campanha.  Em nenhum momento pensei “prefiria o Marcus”, e isso é um detalhe que faz toda a diferença. Também é interessante notar a quantidade de jogadores que estão usando a Alicia Valera no multiplayer do game, muito mais do que Tai ou Minh. E superando até mesmo Anya em algumas partidas, dentro do rol de personagens femininas. A personagem ganhou a carisma dos jogadores. O grito da Valera no modo Horda, fazendo a contagem de quantos Locusts faltam para terminar a partida é de arrepiar a espinha.

Retornando novamente a campanha, fiquei surpreso com alguns trechos e passagens. Um cenário em especial foi o clima de Resident Evil que criaram na busca por sobreviventes na escola de Llima. Caminhos fechados, cenários que parecem um labirinto (mesmo que não haja rotas alternativas), corredores e salas escuras e apertadas, aumentando a sensação de claustofobia. O momento quando o esquadrão chega próximo a cozinha da escola, num salão que provavelmente seria o refeitório dos alunos há centenas de carteiras escolares criando pequenas passagem e de repente uma onda de Tickers explosivos e selvagens começam a surgir de todas as direções, se escondendo por debaixo das carteiras é sensacional. Depois no ginásio tem aquele clima de “corre senão o bicho pega” quando uma Berserker encurrala todo mundo. Sem mencionar os Wretches surgindo de todos os lugares e momentos. E no vestiário sobra até mesmo tempo para um ataque de Serapedes. Foi um estágio muito bem criado e que provavelmente supera em muito vários outros que existem até mesmo na campanha principal da trilogia da série. Fiquei com os sentidos em alerta durante todo o percurso dentro da escola. Claro que também há outros momentos ótimos do DLC,como a batalha na construção e até mesmo a batalha contra o Brumak.

Jace também foi uma adição esperta no DLC, ainda que tenha achado estranho ele conhecer Barrick durante tal evento e mais tarde, quando eles se reencontram (numa HQ da série – o arco Hollow) nada é mencionado. Da a ideia de que eles mal se conhecem. Ou talvez seja uma daquelas situações interpretativas, tipo Jace conhecia, mas não quis mencionar o passado (ainda pensando na HQ). De qualquer forma, agora só falta a Epic Games disponibilizar a skin do Jace civil. Se temos outros personagens possuem skins assim, não sei porque não disponibilizaram a skin do Jace da DLC no multiplayer.

Quanto aos momentos com o General RAAM, onde o jogador controla o temível vilão do primeiro game, também achei que ele teria mais tempo de cena. O jogador acaba controlando RAAM em duas ocasiões ao longo do DLC. No começo do segundo ato e no começo do quarto ato. Ambas as vezes se assemelham muito ao modo Beast existente via multiplayer. Até aí nenhuma novidade, já esperava que fosse algo assim mesmo. Só acho que os personagens, os Locusts especiais criados para auxiliarem RAAM, assim como o próprio general deveriam ser disponibilizados para brincarmos no modo Beast. Na campanha é tudo tão rápido e fácil. Admito que até repetitivo. Alguém conseguiu morrer durante os momentos com RAAM? A força do vilão é quase absoluta. Nem mesmo os silverbacks conseguem aguentar muito quando RAAM manda os Krylls atacar os COGs nas poderosas armaduras. No modo Beast, que pode ser caótico, usar RAAM seria uma adição fenomenal e daria muito mais estratégia ao jogador no que fazer com o general numa batalha contra os COGs.

Falando em Krylls… putz, por que diabos a Epic Games abandonou o conceito dessas criaturinhas nos games posteriores ao primeiro Gears? Só RAAM podia controlar os Krylls? O céu no último ato da mini-campanha é de deixar com o queixo caído. Os Krylls passam um medo real dentro da história, uma tempestade deles então só piora tudo! Eu sabia que o relógio não ia chegar no zero e que a tempestado começaria comigo no meio do ato, mas ainda assim, a sensação de que o céu vai “cair” na sua cabeça no quinto ato é fenomenal. Quase dá para sentir o peso da atmosfera rodeada por milhares de Krylls. A batalha final onde o cenário também vai se fechando aos poucos devido a nuvem de Krylls é assombroso! Fico até chateado pensando aqui que esse elemento da série foi usado apenas no primeiro game, que possue ótimas passagens onde não podiamos ficar em locais escuros porque senão os Krylls atacavam. A explicação para isso seria que todos morreram na bomba de luz no fim do primeiro game? De qualquer forma, foi genial a Epic Games resgatar estes bichos neste DLC.

Para concluir, fiquei muito satisfeito com RAAM’s Shadow. Foi menor do que gostaria, mas foi acima do que eu esperava em termos de gameplay, clima, e imersão de jogo. E é um DLC muito importante para a Epic Games testar a expansão da série. Os jogadores aceitariam um game sem os personagens famosos da trilogia? E se fossem histórias passadas? E se reutilizássemos mecanismos e climas dos games anteriores? RAAM’s Shadow responde a todas estas questões positivamente. Com a mais absoluta certeza a Epic Games deve investir nesta linha de desenvolvimento. Ninguém precisa de uma Gears of War 4 tão cedo enquanto houver algumas coisas que podem ser destrinchadas com maestria dentro da cronologia da série. É o que eu acho.

 

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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