LendoReflexões & Opiniões

Leitura de quadrinhos em atraso – Semana 1

Mesa dos Quadrinhos de volta ao Portallos, mas com outro formato…

Desde que o novo blog estreou venho pensando em como ressuscitar a coluna Mesa dos Quadrinhos (MdQ). Seguindo a filosofia EXP, resolvi desestruturar todo o modelo antigo do MdQ e deixá-lo mais flexível a múltiplos formatos. O formato tradicional, onde resenhávamos um HQ ou revista inteira, irá continuar existindo, mas a ideia é ser prático sempre que for possível. Por exemplo, semana passada eu tive tempo de ler muitas revistas. Seria impossível criar um post enorme para cada uma, não terminaria em tempo hábil e acabaria atrapalhando as outras áreas que curto postar no blog. Então pra não alongar demais, o jeito é ser dinâmico. Dar uma leve revisada no material que vi nestes últimos dias e comentar rapidamente aqui e ali, e tentar fazer isso uma vez por semana pelo menos. Considerando as semanas em que tiver tempo para ler alguma coisa.

E de fato eu tenho muito, mas MUITO material de leitura em atraso. Seja em mangás, em quadrinhos de heróis, em comics especiais e até mesmo em quadrinhos Disney. Mas recentemente ando separando um tempo do meu dia para a leitura destes materiais (até diminui o tempo do videogame, que estava maior do que deveria). Sendo assim, é um prazer voltar a falar de quadrinhos em geral no Portallos.

Após o continue, a lista segue com a nova linha editorial da DC – The New 52 (Os Novos 52), com alguns quadrinhos Disney de dezembro e com um mangá que há meses estava parado na minha estante: Mär – Märchen Awakens Romance.

DC Comics

Faz alguns anos que parei de ler quadrinhos da DC. Tentei voltar com o arco A Noite Mais Densa, mas a falta de tempo me fez parar a série pela metade (pretendo retomar em breve aliás). Aí fiquei sabendo do reboot que a DC estava preparando para o mercado norte-americano e me senti estimulado a voltar mais uma vez à casa da Liga da Justiça.

The New 52 ainda não estreou no Brasil. Por aqui acaba de começar Flashpoint (Ponto de Ignição), a série que precede o reboot. Pulei tudo que perdi nestes últimos anos (A Noite Mais Densa, O Dia Mais Claro e Ponto de Ignição), pretendo ler tais arcos futuramente, mas como a ideia do reboot é “começar de novo”, achei uma ótima oportunidade partir dele e correr atrás do material perdido depois. Então lá fui olhar o material americano.

Caso você acompanhe a DC Comics pela Panini no Brasil, pare por aqui se não quiser saber nenhum mínimo spoiler, apesar de que vou tentar não detalhar demais, e quando o fizer, irei alertar. Irei apenas passar por cima e opinar o que achei das primeiras revistas da linha 52 que andei conferindo.

Liga da Justiça / Justice League #1

Aqui o leitor é apresentado a alguns conceitos novos do reboot. A revista da Liga se passa 5 anos no passado, ao menos nessa primeira edição e arco. Os heróis são algo novo no mundo dos homens. Muitos ainda os veem como ameaças, incluindo as forças policiais. A Liga ainda não existe, os super-heróis ainda não se conhecem. Tudo realmente recomeça do zero em termos de introduzir a Liga da Justiça.

A primeira edição de Liga dedica a (re)apresentar Batman e o Lanterna Verde (Hal Jordan). Nada que leitores das antigas já não estejam habituados. Batman como sempre trocando farpas com heróis que não se enquadram em seu modus operandi. Felizmente aqui não temos a origem de cada super-herói. Seria maçante ver tudo isso novamente. Batman já é o Batman e o Lanterna Verde já é o Lanterna Verde.

[Spoilers] Mas a revista tem alguns momentos interessantes, como o Batman trollando Hal ao roubar seu anel de força sem que Hal sequer percebesse. As cenas de ação estão bem desenhadas e a primeira edição já deixa claro que Darkseid já irá surgir num futuro perto para obrigar os super-heróis a criar a Liga. De qualquer forma, a edição acaba com Batman e Lanterna indo para Metrópolis, encontrar o novato e jovem Superman, que está bem diferente daquele Superman politicamente correto em excesso que conheço. Mas termina aí, sem muitos detalhes sobre o Superman. [Fim dos Spoilers]

Não foi uma edição de impressionar. Apenas fez seu papel esperado. Nenhuma surpresa bombástica, apenas novas regras e conceitos na qual os leitores devem se adaptar, com dois super-heróis populares da casa que agem e possuem filosofias diferentes de como agir em certas situações. Não conseguiu criar um choque no leitor, apenas segue a ideia de recomeço. O que não é algo ruim, quando lia a DC anos atrás, as histórias da Liga eram tão maçantes, sem com plots e histórias sem sal, mesmo com a troca dos times regularmente.

Action Comics #1

Se Liga #1 não causa qualquer impacto no leitor, Action Comics consegue se sair melhor. A edição mostra um pouco sobre o novo Superman da casa, mais jovem, mais arrogante, mais nervosão, mais imprudente. Tentaram deixar o Super mais amedrontador, no estilo jogar bandidos de prédios para que eles confessem seus crimes. Algo que o Batman faz sem qualquer remorso.

Na verdade a desculpa para tal mudança na personalidade do Superman é até meio fraca. Ele ainda é jovem. Cronologicamente estamos há alguns anos atrás do Universo que os leitores conheciam, então os super-heróis ainda não possuem uma cartilha de como devem agir e em como a mídia reage com seus atos. O Superman se acha a última e a melhor bolacha do pacote. Se acha acima da lei, que pode fazer muito mais do que a polícia, que está acima dos demais. Pode ser apenas uma pose para servir de contraste a Clark Kent? Pode, já que nessa edição quando ele voltar a ser o Clark e aí temos um alter-ego mansinho, gentil e gente boa. Quem está disfarçado de quem? A primeira edição não responde muito bem isso.

O maior problema que tenho com tudo isso é saber que não é um novo Superman, mas apenas uma fase dele. Logo ele volta a ser aquele personagem que não mata nem formiga. E as vezes esse Superman, bonzinho demais, é meio sem graça. Então vou torcer para esse Superman meio torto fique por aqui por mais algum tempo.

[Spoilers] Olhando outros cenários do universo do Super nesta Action Comics #1, temos ainda Lex Luthor trabalhando com o General Lane, pai da Lois. Temos Jimmy Olsen e Lois Lane já causando problemas e virando iscas para o Super (numa sequência de quadros que achei meio confusa e mal montada a partir da conversa no celular entre Clark e Jimmy). E Clark ainda não trabalha para o Planeta Diário. Assim como Liga, não é uma HQ de origem, apenas está próxima do começo da carreira do personagem. [Fim dos Spoilers]

Gostei do que li. Superman ficou bem diferente. Pode dar um gás para roteiros bem diferentes do normal. Apesar de que por enquanto, ficou naqueles regras batidas e clichês de “sou fodão”, “Lex já parece obsecado pelo Superman” e “Lois e Jimmy só se metem em furadas”. Cartas óbvias e básicas das HQs do Superman. Podia ter uma jogada mais ousada nessa sentido. Faltou mexer mas nisso.

Homem Animal / Animal Man #1

Falando em ousadia e originalidade, parece que das primeiras revistas do reboot Homem Animal é a que mais chama a atenção. Ao menos em sua primeira edição. Já meio que conhecia o básico do personagem devido ao destaque que ele teve alguns anos atrás no arco 52, onde o mostrava perdido no espaço com outros personagens da casa e posteriormente quando ele começou a acessar o poder de animais de todo o espaço (nem vi que fim deu isso e o porque dos poderes terem se expandido tanto). Em todo caso, aqui é um recomeço, vamos esquecer o que ficou para trás.

Ao contrário das duas revistas comentadas acima, Homem Animal não parece se passar no passado. Isso é interessante porque demonstra que a DC não pretende ficar com HQs com a cronologia de alguns anos para trás, mas que em determinado ponto no futuro, todas que estão no passado, irão saltar para o presente.

[Spoilers] E a primeira edição é bem bizarra para explicar em poucas palavras. Começa num dia normal na família de Buddy Baker. Discussões sobre a carreira do super-herói, que se tornou ativista, e seu lado heróico então anda meio em baixa. Acontecimentos estranhos rolam quando Buddy usa seus poderes num hospital para impedir que um homem mate algumas crianças (não é que o cara fosse um vilão, mas alguém pertubado pela morte da filha) e sonhos bizarros com mortes e seres estranhos envolvendo sua filha e um baita gancho para a segunda edição. [Fim dos Spoilers]

Chama a atenção os desenhos da HQ, bem diferente do normal. Edições como Liga e Action Comics lembram um pouco o estilo dos desenhos animados, cores (mesmo as sombrias), bem vivas e fortes, ricas em detalhes, quadrinização que parece saltar das páginas. Homem Animal segue um estilo mais simples. Traço fino, cores mais suves, com um belíssimo estilo quando Buddy começa a sonhar e as páginas perdem cores, exceto o vermelho do sangue. Num primeiro momento o traço pode desagradar a quem está mais acostumado com outro estilo de desenhos, mas a história é tão envolvente que você acaba relevando tais detalhes ou até mesmo virando fã do estilo.

Buddy Barker lembra um pouco o estilo de histórias que vivia lendo em Homem Aranha, com Peter Parker tentando conciliar a vida de estudante com o de super-herói. Exceto que Buddy não é um estudante, é um cara casado, com filhos e que precisa medir suas ações entre ser um super-heróis e ser um chefe de família. É uma linha interessante, onde o personagem tem motivações para voltar pra casa, para temer um pouco o fato de que ele é um super-herói. Um personagem bem humano e isso o torna atraente para os leitores. Provavelmente uma das melhores HQs do reboot acredito. É a que melhor apresentou algo original, dentre as que já li, e que me puxa para a segunda edição, que está aqui do meu lado já.

Batgirl #1

Mais mudanças. Na verdade foi uma que já esperava. Alguns anos atrás, quando parei de ler DC, um pouco depois do fim de Crise Final, ainda havia a HQ das Aves de Rapina, com Bárbara Gordon como a Oráculo. Lá já dava sinais que Bárbara ia deixar a cadeira de rodas e que poderia voltar a ser a Batgirl. Para quem não se lembra a personagem ficou paraplégica na famosa HQ A Piada Mortal. Culpa do Coringa que atirou na coitada.

No reboot a DC não jogou no lixo os acontecimentos desse clássico. Bárbara realmente ficou numa cadeira de rodas por três anos (em anos de gibi), porém o movimento das suas pernas voltou com o tempo. A HQ mostra essa nova fase de Bárbara de volta ao manto da Batgirl. Bom que a HQ não fica muito tempo presa no passado. Apenas conta sucintamente o que ocorre em A Piada Mortal e segue viagem, com a Batgirl de volta na sua luta pelo crime. O que Bárbara fez ou deixou de fazer nesse meio tempo não importa.

[Spoilers] Na estréia dessa primeira edição temos a Batgirl as voltas com sua nova vida. Sainda da casa de seu pai, o comissário Gordon, para viver num apartamento que irá dividir com uma nova personagem, que desconhece o segredo de Bárbara. Um novo vilão, chamado Espelho também aparece e ganha um belo destaque a ponto de me deixar curioso pelo que vai rolar entre ele e a Batgirl. E o peso de três anos numa cadeira de rodas ainda assusta Bárbara, que no fim da história acaba travando porque o Espelho aponta uma arma para sua espinha dorsal.[/Fim dos Spoilers]

Um recomeço merecido para uma das melhores Batgirl de todos os tempos. Gostei de recomeçar tudo, apenas tirando Bárbara da cadeiras. O impacto da HQ A Piada Mortal ainda continua, como seu uma das melhores e que mexeu com os personagens de Gotham, mas o tempo passou. Se heróis voltam a vida nas HQs, não tenho problema nenhum que com tecnologia e muita fisioterapia, Bárbara volte a andar e a combater o crime.

Agora é esperar o reencontro da Batgirl contra o Coringa! Isso certamente deve acontecer futuramente.

Batwing #1

Personagem criado há pouco tempo atrás e que a DC achou que merecia ganhar uma revista solo nesse reboot. Não vi sua estréia no arco Batman Incorporated (Coorporação Batman) e nem devo correr atrás neste momento. Mas é bem bizarro o Batman arranjar um pupilo lá na África para vistir o manto do morcego. Enfim, tirando esse contexto que com certeza tem significado, mas não importa ao leitor nesta primeira edição, David Zavimbe é o Batwing e combate o crime na África.

[Spoilers] A primeira HQ de estréia da revista já coloca o cara numa enrrascada das grandes, sendo surrado por um vilão, tendo todos seus companheiros da delegacia assassinados e no fim da HQ o cara é apunhalado nas costas. Qualquer pessoa normal morreria com esse golpe, mas é quadrinhos e o protagonista não ia morrer logo na primeira edição.Então é um daqueles ganchos que não me convenceu muito. [/Fim dos Spoilers]

A história gira tentando explicar um pouco da vida do David, como funciona as coisas na África, que de uma certa forma tem suas semelhanças com Gotham e ainda conta com a participação do Batman, assessorando o novo aprendiz. O que o Batman não faz hoje em dia, não? Tem aprendizes para todos os cantos, além de participar da Liga e da Liga da Justiça Internacional (vou chegar nessa). A DC exagera um pouco na super exposição do personagem às vezes, mas o que fazer se é o personagem mais lucrativo da casa?

Nesta primeira edição de Batwing, entretanto, ainda não me convenci de que é um personagem que chegou pra ficar. O jeito será aguardar as próxima edições.

Detective Comics #1

Depois de Batgirl e Batwing foi a vez de dar uma olhada numa das revistas (de verdade) do Batman. E nada melhor do que começar o reboot com uma HQ em partes estreladas pelo Coringa. Um dos melhores vilões da casa. A história começa com um belo raio-x do perfil do psicótico palhaço, com Batman no encalço e com um excelente gancho no fim.

É uma daquelas revistas que você começa e dois segundos depois ela acaba. E você fica com aquela vontade de ler mais e não tem mais revista. Ela te prende a atenção do começo ao fim e a história flui com uma naturalidade divertida. Quando você percebe ela acabou.

Ainda não dá para posicionar muito bem o que está acontecendo no universo do Batman. Seus parceiros, se ela é no passado distante como vimos no Superman mais acima ou é mais perto do presente. Ainda é difícil só por ela definir como está a cronologia do Batman, mas segue a mesma ideia das revistas Liga da Justiça e Action Comics de que os super-heróis não são bem vistos aos olhos públicos. A polícia de Gotham mais uma vez está atrás do Batman, que o consideram tão perigoso quanto qualquer vilão. Menos Gordon, é claro, que continua ao lado do morcego.

Parece uma boa história com o Batman e o Coringa, envolvendo uma pessoa mistériosa dentro do Asylum Arkham que possivelmente traga um novo vilão a galeria do morcego. Detective Comics começou bem, nada muito revolucionário, mas com uma HQ que prende o leitor, em especial pelas bizarrices do Coringa.

Arqueiro Verde / Green Arrow #1

E nem tudo ficou numa boa média nesta nova fase da DC. A primeira edição de Arqueiro Verde ficou bem fraquinha, de dar sono. E é uma pena porque Oliver Queen é um dos meus personagens favoritos da DC. Gostava quando lia as HQs dele alguns anos atrás e via ele batendo de frente com o Batman, sendo camarada com Hal Jordan, meio dramático com seus aprendizes, seu romance com a Canário e até mesmo quando ele decidiu virar prefeito de Star City. O novo reboot não menciona nada do que aconteceu no passado do Arqueiro, nem mesmo se estamos lendo uma história do passado do personagem.

O que rola é uma história chata, com o personagem na França, batendo em alguns bandidos sem graça e que no fim da primeira edição, mais bandidos se juntam e reunem para dar um coro nos super-heróis. Baita HQ clichê e sem graça. Ruim demais também o visual de Oliver Queen. Acostumei a ver ele de barba e tiraram a barba do cara! Em suas novas HQs ele ficou mais com cara do Ricardito, isso sim. Perdeu parte daquele visual do desenho da Liga da Justiça e das últimas HQs que lia do personagem. Parte do carisma que tinha foi pro  limbo.

Achei ficou tudo muito pior de que quando acompanhava suas histórias. Uma péssima primeira edição. E desenhos bem fracos também. Sem nada original, porém sem o capricho de uma Detective Comics ou Action Comics. Até a revista da Batgirl recebeu desenhos melhores. Arqueiro Verde merecia um melhor cuidado. Torço por uma melhora nas próximas edições.

Rapina e Columba / Hawk and Dove #1

Aí está outro gibi que começa de uma maneira que não deixa um leitor novato confortável. Já conhecia essa dupla de heróis, mas se a minha memória não falha, há alguns anos atrás o manto de Rapina e Columba eram de duas mulheres, não?  Fiquei meio surpreso que agora Rapina e Columba seja um homem e uma mulher, completos desconhecidos entre si aparentemente. Só que na história, a mulher, Columba é que é a novata. Estranhei bastante isso. Hank Hall é Rapina, o Avatar da Guerra e Dawn Granger é Columba, o Avatar da Paz. A primeira HQ dessa nova revista não se esforça muito em explicar como é que tudo isso funciona, porque dos avatares, dos nomes e dos múltiplos parceiros e nem do passado de Rapina e Columba. A impressão que se tem é que você pega uma revista pelo meio da coisa.

Inclusive a aparição do Desafiador é estranha. Ele chega, aparece como quase um figurante e sai de cena. Quem é ele? O que ele é? Qual é seu envolvimento com Dawn? OK, sei que no mix de The New 52, tem a revista DC Apresenta e que nela estará mais detalhes sobre o personagem, mas a ideia do reboot não são revistas que qualquer um pode pegar e entender sem ficar com muitas dúvidas? Se é isso, Rapina e Columba não consegue obter esse efeito.

[Spoilers] A história gira com um ataque terrorista em Washington, onde já começa no meio da ação, com Rapina se desentendendo com Columba que no fim, apesar de pegar os terroristas, acabam atingindo um importante monumento americano. A HQ acaba explicando que o parceiro do Rapina morreu recentemente e Dawn assumiu a bucha e que o mesmo está descontente com essa parceria. Personagem estouradão que não sabe trabalhar bem em equipe se o outro não fizar o que ele quer, sabe? No fim, fica um gancho esquisito e a chamadinha para as respostas da identidade da série na segunda edição. Diabos, isso não deveria acontecer na primeira edição? [/Fim dos Spoilers]

Achei bem fraco os personagens. Não gostei do Rapina, enquanto Columba parece meio perdida. A participação do Desafiador e as muitas questões estranhas dentro desta primeira edição não ajudam em nada. Uma HQ sem muito sentido a princípio. Que não convence sequer a ler o segundo número. Apesar de que lerei.

Liga da Justiça Internacional / Justice League International #1

Esta é uma outra revista que me agradou. E ela felizmente tem aquele clima de recomeço. As Nações Unidas começa a formar uma nova Liga da Justiça, agora internacional, usando super-heróis de várias nações. A HQ tem um climinha bacana, com alguns personagens do segundo escalão da casa e que vão ganhar um bom destaque dentro da proposta do gibi. Mas a participação do Batman achei bem desnecessária e sem sentido. Querem um grupo de heróis que possam ser controlados pela ONU mas colocam o Batman no grupo? Desde quando o Batman obedece ordens? Achei totalmente desnecessário a sua presença na HQ, ainda que tenha achado a participação curtinha.

[Spoilers] Gostei de ver o Gladiador Dourado como líder do grupo e o Guy Gardner (outro Lanterna Verde) incomodado com isso. Também gostei de terem resgatado a Víxen, que conheci primeiramente pelo desenho da Liga da Justiça. As heroínas Gelo e Fogo também são personagens que curto. Fogo é brasileira, não? Enquanto Gelo tem um relacionamento meio amoroso com Guy. Criou-se um grupo interessante de personagens, que foge da batida Liga da Justiça tradicional. Espero uma outra dinâmica e a chance de conhecer outros personagens da casa. [/Fim dos Spoilers]

A primeira HQ ainda não diz totalmente a que veio. Ela apresenta os muitos personagens, a criação do grupo, o desgosto do Guy por ser liderado pelo Gladiador e fica nisso. Para um recomeço, funciona muito bem. Agora é esperar as próximas edições e ver se o grupo vai funcionar e se teremos boas histórias.

Homens de Guerra / Men of War #1

Assim como Homem Animal, este é um dos novos títulos do reboot que me impressionaram pela proposta diferente e criativa. Em tempos onde games como Battlefield e Call of Duty são os maiores hits do ano entre muitos jovens americanos, faz todo o sentido criar uma HQ baseada em soldados e guerras.

Admito que não sou grande fã do gênero, mas é sempre legal pegar algo diferente para ler. A HQ também não é tão complexa assim, mesmo para quem não está habituado com esse clima de exército. A revista tem duas HQs, uma maior, carro-chefe dela e uma outra mais curtinha, só para tapar o número de páginas que a mesma precisa. Esta segunda é bem genérica mesmo, ou pelo menos é o que achei, já que nem lembro direito do que ela trata, só a primeira me chamou a atenção mesmo.

A história principal segue um soldado, não vou me preocupar com nomes (nem decorei e nem vou lá olhar na revista) que poderia já ter subido de posto no exército, mas sua lista de desobediência em missões é alta (ainda que essa atitude tenha levado o esquadrão a vitórias). Então tudo começa com um superior no exército dando um sermão no soldado que poderia ser muito mais do que realmente é. Aí corta para uma missão onde um super ser, começa a atacar o esquadrão e o soldado irá passar por maus momentos desta vez. Gostei de ter misturado clima de guerra com super-heróis. Ficou diferente.

Ainda não dá para ter certeza que será uma revista imperdível, mas pelo menos dentro da proposta do The New 52 é algo diferente dos demais e que realmente tem uma clima de “começando agora”. Sai da mesmísse que alguns dos títulos mencionados acima possuem. Tem potencial para realmente ser algo original, mais puxado para a criatividade e que também tem um público desta geração, jogadores de games do gênero, que adoram uma boa história de guerra.

Disney

Ando meio atrasado com a leitura de algumas revistinhas Disney. Vários títulos de dezembro ainda para ler. Mas acho que até o fim do mês coloco tudo em dia.

Mickey Férias #7 (prévia)

Gostei desta edição, muito mais do que esperava. A primeira HQ, Manual de Férias: A Volta para Casa, tem uma narrativa bem incomum, com várias histórias paralelas ocorrendo ao mesmo tempo, revezando entre os quadros das páginas, enquanto um narrador vai explicando as complicações que é voltar das férias. Bom humor e uma forma diferente de contar uma história. Fiquei com aquele climinha dos antigos desenhos do Pateta, quando um narrador ia apresentando e explicando as coisas para o telespectador. Mas não é uma HQ do Pateta, é uma HQ do Mickey e seus amigos. Muito bem bolada. E é de uma série que possue muitas outras HQs sobre a alcunha “Manual das Férias”. Algumas ainda são inéditas no Brasil. Gostaria muito que saissem por aqui em meses de férias. Bom demais o material a julgar por a HQ publicada nesta edição.

Logo depois vem duas HQs da série Casos Bizarros do Mickey, Revolução e O Cais 15. A proposta dessas HQs é o encontro do Mickey e Amadeu com esse amigo policial onde o Mickey lembra de alguns casos que resolveu no passado. Como são HQs curtinhas de poucas páginas, os casos possuem um tom maior de humor do que de seriedade. A primeira, onde ele é feito de refém numa creche é bem fraquinha, e até vergonhosa, mas a do Cais 15 eu gostei. Mostra o Mickey atrás de um ex-contrabandista que estaria de volta ao mundo do crime. A última HQ, Descansar é uma Aventura, é uma HQ que já tinha na coleção, então a releitura não me causou muito impacto. É uma daquelas típicas histórias onde o personagem, cansado de sua rotina de aventura, tenta descansar, mas seus amigos não o deixam em paz e mesmo se afastando de todos, os problemas e confusões não deixam o personagem relaxar. Não é uma HQ muito engraçada porque o Mickey não funciona muito bem em HQs assim, ao contrário do Pato Donald, mas não é uma história ruim.

Pateta Férias #6 (prévia)

Uma boa edição. Nada memorável, mas divertida para uma leitura a jato. O Castelo de Ratostein tem uma tirada meio Frankestein (obviamente), mas com um foco no vilarejo onde está o temido castelo. Lá dentro as coisas não são o que parecem. Uma típica HQ onde nem tudo é o que aparenta ser. A segunda HQ, Tratamento ou Tormento, é um pouco melhor trabalhado com o roteiro, que coloca o Pateta refém de uma médico charlatão que se passa por dois médicos diferentes. Parece até história de Zé Carioca. A única falha da historinha é o Mickey. O Pateta ser enganado por uma barba falsa até dá para entender, mas o Mickey também? Ora essa, o camundongo não é tão ingênuo assim. Mas de qualquer forma o Pateta garante alguns momentos descontraídos na HQ.

A última, A Anotação Importante, é a maior e melhor HQ da edição. Só não é perfeita porque o roteirista não soube segurar o suspense até o fim. No meio da HQ eu já tinha adivinhado o que o Pateta havia escrito no bilhete colado na lista telefônica que o Mickey sem querer entregou ao entregador da nova lista. A grande sacada da HQ são mesmo os momentos de humor. A parte em que a dupla está no centro de reciclagem e o Mickey alerta o Pateta que ele estava misturando as pilhas de listas já olhadas com as não olhadas e o Pateta “ué, e o que tem?” acabou me roubando uma risada inesperada. O drama do Pateta imaginando que nunca mais iria descobrir o que tinha escrito no bilhete também ficou hilário. Uma HQ curtinha que funciona. Gostei demais, valeu toda a edição.

Zé Carioca #2366 (prévia)

Uma bela edição da revista do papagaio brasileiro. Fazia um tempinho que não via uma seleção de histórias do Zé com tanta qualidade. Natal do Peru coloca o Zé tentando “pegar emprestado” um peru da pequena criação de perus do Pedrão. É uma daquelas situações onde tudo dá errado. Um clássico dos anos 70. Segue com Pólo Sul Urgente, HQ do Comando Laser. E como todas as histórias dessa série são fraquinhas, não dá para esperar uma melhora por aqui. Fiquei extremamente arrependido de ficar animado quando a Abril anunciou que republicaria Comando na revista. Agora eu só torço para ela acabar logo e nunca mais ser republicada. A série tem uma boa premissa, mas os roteiros são vazios e sem sentido. Não há trama, é só farofada sem graça mesmo.

A terceira história é Medo, Eu?, que coloca o Afonsinho em destaque. Um personagem que dificilmente tem destaque nas histórias do Zé, quase sempre ficando ao fundo, sem muito destaque. O engraçado é que o Afonsinho quando tem destaque, ele rouba a cena. Gosto dessa história onde ele pede ajuda ao Zé para se tornar uma pessoa sem medo e o  Zé acaba apelando para hipnose. Uma boa HQ dos anos 90. Também gosto da quinta história, Tesouro Natural, que nada mais é do que uma HQ ecológica e politicamente correta. Mas ainda assim tem bons desenhos, com cenários bem detalhados e coloridos e uma lição ecológica bacana. Nada contra isso acontecer de vez em quando.

Voltando, a quarta HQ é com o Morcego Vermelho, A Volta do Aranha. Achei essa história bem estranha pois mostra o Donald descobrindo que o Peninha é o Morcego Vermelho e ele acaba substituindo o Peninha em pró de proteger a identidade secreta do primo. Nunca vi outras histórias onde o Donald demonstra saber quem é o Morcego Vermelho. Achei meio bizarro, será que a minha memória está ruim? A história em si é engraçada, com o Peninha perdido nessa situação entre vilão do passado e alguém se passando por seu alter-ego heróico, mas eu queria mesmo era ter visto a primeira aparição desse vilão, que ficou esquecida décadas atrás.

A revista fecha com a melhor HQ da edição, A Lábia tem Dois Gumes, da série Zé em Patópolis. Uma das melhores fases da produção nacional. É tirada atrás de tirada nessa história. Tio Patinhas, Donald, Peninha e até mesmo Urtigão interagindo com o Zé Carioca. Isso só reforça a minha opinião de que esse tipo de história deveria ter sido muito mais frequente no período de produção nacional de histórias do papagaio. E espero que a Abril republique outras pérolas raras dessa série que coloca o Zé em Patópolis.

Mickey #831 (prévia)

Uma edição bacana da revista do camundongo. A primeira HQ, Os Fantamas Solitários, é baseada num clássico animado com Mickey, Pateta e Donald, mas não chega a ser uma cópia da original. Ficou mais como uma releitura moderna do desenho, adaptado aos novos tempos e a uma nova geração. Ficou melhor que o original? Obviamente que não, mas isso não chega a ser uma falha da HQ. Eu duvido que os italianos tenham feito a HQ pensando em superar o material original. É apenas uma homenagem divertida. E gera alguns momentos engraçados, como a cena do celular, ou quando o trio já está na mansão e acham que tudo não passa de efeitos especiais ultra-tecnológicos.

A segunda HQ, Quem Acredita Em Papai Noel?, até que é bacana, mas fiquei um pouco insatisfeito com o final bocó com o presente do Dr. Sabetudo sendo uma boneca. Admito que fiquei curioso para saber qual o presente que ele havia pedido quando criança para comprovar a existência do Papai Noel, mas foi meio brochante saber que era uma boneca. Mas eu gostei da discussão magia vs. ciência. Boa HQ, mas com um final fraco. Apenas isso.

Por fim, a última HQ, O Presente Futuro, achei muito bem feita. Gostei da idéia de colocar o Esquálidus como um personagem com tamanha importância na trama, ao mesmo tempo que o roteirista conseguiu disfarçar bem o futuro daqui a 400 anos. Achei convincente a forma na qual o Esquálidus encontrou para trazer Mickey para o presente. E no fim, nem importou qual era o presente dele na caixinha. Também gostei do conceito usado para explicar como o Papai Noel consegue em uma única noite entregar os presentes de todas as crianças. Foi a HQ que mais gostei dessa edição.

Minnie #7 (prévia)

A história de capa da mensal da Minnie, Arquivo M,  pode ser considerada uma das melhores do mês de dezembro. Adorei todo o clima de Arquivo X, ainda que a criatura não fosse alienígena, e sim de outra dimensão. Adorei algumas ideias usadas na HQ, como no começo, quando só o Mickey topa com o bicho ou a construção do personagem homem das nozes. Até mesmo a brincadeira do informante misterioso comer apenas nozes, ou da criatura gostar de melões podres. A história consegue seguir um bom tom de humor, mistério e até mesmo suspense.  Gostei da seriedade que a HQ consegue passar no trecho em que a criatura teletransporta o Mickey consigo, largando a Minnie sozinha na plantação a noite, sendo perseguida pelos antagonistas da história.

Quanto a última, O Embrulho dos Presentes, cumpre seu papel de completar a edição. Apesar de que para uma história natalina, achei ela meio fraquinha. O que diverte mesmo é o Pateta em algumas situações. Não tenho muito a acrescentar sobre a HQ.

De qualquer forma a revista da Minnie vem se consolidando como uma excelente revista, que vence alguns tabus importantes para uma protagonista feminina. Não é fácil conseguir atrair um público masculino, mas ela vem conseguindo isso com muito mérito. Fico sempre pensando porque diabos a Editora Abril ainda não incluiu ela e o Pateta no pacote de assinaturas.

Mangá

Para terminar essa estréia do novo Mesa dos Quadrinhos, não podia deixar de mencionar algum mangá. Para ser sincero não li nenhum mangá na semana passada. Li estes volumes de Mär em dezembro, e como o blog estava naquela transição para o Portallos EXP, não surgiu a oportunidade e nem tempo de comentar que andei empolgadíssimo com essa série.

Mär – Märchen Awakens Romance #4 ao #8

Havia parado a leitura de Mär lá no distante volume 3. Depois de alguns volumes a JBC chegou a pausar o mangá por alguns meses e como ele é curtinho, possui apenas 15 volumes, acabei ficando desistimulado a continuar a leitura até que o mangá retornasse as bancas. Isso aconteceu no segundo semestre do ano passado. Voltei a comprar os volumes, incluindo alguns atrasados e lá pelo final de novembro emendei  a leitura de 5 volumes ao longo de algumas semanas. Fui do 4 ao 8. Parece pouca coisa, mas considerando que atualmente tenho… deixa eu ver… mais de 70 números de vários mangás encalhados aqui na prateleira para ler, fiquei contente de ter colocado Mär um pouco mais a frente. Já estou com os volumes de 9 a 11 parados aqui esperando uma oportunidade e o volume 12 está a caminho pelos correios.

Mas voltando a trama em si, fiquei muito animado com o desenrolar da história. Não pensei que ela fosse tomar um rumo de batalhas tão intensas e ainda conseguiria manter o bom humor. A princípio achei que Mär seguiria um rumo mais de comédia/fantasia, mas logo nos primeiros volumes a coisa começa a ficar mais séria e entre em cena Os Jogos de Guerra, que coloca aquele clima de batalha final pelo reino de Mär-Heaven. Ginta começa a desenvolver habilidades arrepiantes, como Gargoyle e, até mesmo o Jack começa a ter batalhas bacanas. Uma bela reviravolta na maturidade da série, mas ainda continua extremamente dentro do gênero fantasia e com muita comédia. Estou louco para ver o animê do mangá, mas estou me segurando porque primeiro quero terminar o mangá.

A história só teve a ganhar também com a entrada de personagens como Nanashi, e até mesmo Dorothy começa a desempenhar um papel mais importante na trama. Gostei também do Alan ter finalmente se livrado da maldição, e ele ficou ótimo como tutor dos garotos. Enfim, parei no meio da batalha da Dorothy contra Rapunzel. Vai começar as batalhas contra a classe dos Cavaleiros em Mär. Estou só esperando o volume 12 chegar para retomar a leitura. Espero que dos volumes 13 a 15 cheguem nas bancas ainda esse ano. Torço para não rolar mais nenhuma pausa pela JBC por questões de renovação de contrato (é sempre essa a explicação quando demora a sair os volumes).

Mär se revelou um mangá divertidíssimo. E eu sou louco pelas séries da Shonen Jump e costumo ignorar quando suger material que não é dela, mas fico muito contente de ter dado uma chance a Mär, que saiu no Japão pela revista Weekly Shōnen Sunday. Tem uma qualidade acima do que esperava, é uma série que funciona muito bem com a galerinha mais nova (pela fantasia excessiva criada dentro do universo – Babbo mesmo é uma figura), mas também atrai os adultos pelos belos desenhos e a pancadaria desenfreada. E o fato de ter apenas 15 volumes ajuda a avaliar bem a série, porque eu sei que ela não vai cair na mesmisse que alguns mangás com 40 volumes possuem, que exageram demais e enchem linguiça só para continuarem saindo.

Finalizando…

E aqui eu termino a matéria. Sei que algumas revistas passei bem por cima. A ideia era começar logo esse canal e desacumular um pouco tudo que eu queria falar sobre quadrinhos no blog, mas estava dificil conseguir tempo e disposição. O formato também é novo, então leva-se um tempo até acostumar. Na próxima semana, espero ter menos revistas para falar. Aí quem sabe dá para me dedicar melhor a cada uma. Porém quando houver muita coisa, vou sempre tentar ser rápido, para não deixar tudo grande demais.

Ainda tenho muito material legal aqui guardado, como as comics do Sonic da década de 90, as primeiras edição da nova série do Mega Man que sairam em 2011, as primeiras edições antiguíssimas das Tartarugas Ninjas, alguns volumes de Hellboy, Darkwing Duck pela Boom entre outras HQs mais diferentes, assim como as novas revistas de quadrinhos nacionais lançadas pela Editora Abril. Há material de sobra.

Ao menos voltou esse espaço para falar de HQs estrangerias, de DC e Marvel, de mangás lançados aqui no país. O Mesa dos Quadrinhos é um espaço importante e fico muito feliz com seu retorno.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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