JogandoMiscelâneaReflexões & Opiniões

Diário de um final de semana Gamer

Guerra Mundial, rachas e perseguições, o ataque Covenant e a rebelia de Grayson Hunt!


Começar novos games não é algo habitual pra mim. Geralmente demoro meses para concluir um único game. Sou meio lerdo, gosto de explorar, me perco facilmente, tenho o hábito de começar os modos single-player sempre em Hard (Difícil) o que garante que eu vá morrer e empacar em alguns momentos de qualquer jogo. Isso quando meu vício por Gears of War 3 não compromete minhas horas vagas para jogar novos games. Mas esse fim de semana decidi que seria diferente! NO GEARS! Apenas novos games, novas experiências e novos multiplayers online!

Resolvi pegar os que mais garantiriam uma experiência solo e online. A minha prateleira está cheia de títulos ainda não iniciados e alguns são de jogatina rápida, como games de luta ou jogos que não possuem multiplayer. Mas fui pelo inverso, procurei o que trariam maior diversidade, fora o apelo pessoal que tinha para com os games. Jogos que vou começar a me dedicar pelas próximas semanas.

Bizarro que, mesmo não sendo grande fã de FPS (jogos com visão em primeira pessoa – First Person Shooter) acabou que três deles são de tal gênero. Mas são títulos, que mesmo sendo do mesmo gênero, possuem mecanismos e diferenças gigantescas. Já Hot Pursuit é o primeiro Need for Speed desta geração. Afinal, ele foi desenvolvido pela Criterion Games, o mesmo estúdio que fez um dos meus games favoritos dessa geração: Burnout Paradise.

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Brincando de guerra…

Por onde começar? Hum talvez por Call of Duty. O fato é que não sou fã dessa franquia. Não morro de amores por ela e não faço questão de jogar todos os games que saem da série, até porque acho um absurdo todo ano ter um novo game da franquia. Entendo que isso ocorre por questões puramente monetárias para a Activision, que adora encher seus cofres com dinheiro dos fãs de CoD. Mas a questão aqui não é essa. Então porque comprei Modern Warfare 3?

Não sou fã, mas não significa que não tenha a curiosidade de jogar e brincar de vez em quando com o gênero de FPS de Guerra. Esse é o segundo Call of Duty que adquiro nessa geração. O primeiro foi justamente o primeiro Modern Warfare. Quando a franquia explodiu e todo mundo era só elogios para a mesma. Tive que conferir, cheguei a terminar a (ótima) campanha até, mas não vi nada de expressivo no multiplayer. Mas não vou entrar em detalhes sobre o primeiro MW dessa geração, isso é passado.

Passaram anos desde o primeiro, então resolvi que já era hora de vender o meu primeiro Modern e comprar já o terceiro, pulando o segundo e as séries alternativas criadas nesse meio tempo, ainda que admita que bate uma curiosidade de ver o Black OPS, que pela web dizem que continua sendo melhor que Warfare 3. Talvez quando o ver por aí baratinho, como foi com MW3 eu pegue. Sem pressa.

Experimentei a campanha e o multiplayer. Quanto a campanha não há muito o que dizer. Infelizmente não me animou muito, alias não senti muita evolução desde o que havia jogado anteriormente. Gráficos mais bonitos, várias coisas rolando na tela, explosões pra tudo quanto é lado. Mas o gameplay é o mesmo. A essência continua um pouco intocável. Corre, atire, explode coisas e tenta ficar vivo. Se morre, não tem problema, graças aos checkpoints a cada 2 passos (o que é algo positivo). Não vi muita estratégia no começo, o jogo basicamente resume em ter paciência. Ver onde o inimigo vai sugir, como ele se posiciona e onde atirar. Não há surpresas inesperadas. Tudo bem, eu apenas comecei a campanha. Não estou dizendo que ela será assim até o fim, vou continuar para saber, mas todo mundo sabe que Call of Duty é 90% multiplayer e 10% o que restar para se fazer no disco.

Então parei com a campanha e lá fui para o multiplayer, que é o que me interessava de qualquer forma. E aqui a surpresa apareceu! O sistema parece muito melhor do que a experiência que tive anteriormente. Na verdade eu nem me lembro muito bem do modo online do primeiro MW. Não com detalhes para dizer o que mudou ou não. O primeiro era tudo meio caótico e sem sentido pra mim. Mas devo ter evoluido um pouco nestes últimos anos, pois o sistema de MW3 fez sentido pra mim dessa vez. Ainda que tenha apanhado um pouco no começo.

Call of Duty ainda consiste num multiplayer caótico, onde todo mundo sai correndo, poucos trabalham em equipe (a menos que sejam conhecidos e estejam numa party) e você facilmente morre a cada poucos segundos. Conhecer os mapas parece mais importante do que tentar entender os adversários. Saber onde o inimigo está renascendo, ficar de olho no mapa no canto da tela para ver se não tem ninguém atrás de você e tentar sempre andar junto aos companheiros. As armas no fim não importam muito, basta ter mira e atirar, geralmente ou você mata ou morre. Claro que dependendo da forma como se escolhe a artilharia, pode se jogar com um pouco mais de estratégia, mas no fim o game continua se resumindo a correr, mirar e matar.

Alguns mapas possuem becos de trânsito, pontos quentes, onde todo mundo sempre passa, onde os timas acabam se chocando. Depois que se entende o game fica mais fácil e você passa a morrer menos. Isso não significa que você se torna um expert. Há aqueles que sabem jogar e jogam muito bem. Enquanto novatos suam para conseguir 10 mortes numa partida, e morrem o dobro disso, certos jogadores conseguem facilmente 50 mortes em partidas. Dá para competir com jogadores assim? Não tive problema. O bom é que se você morreu, você renasce praticamente na mesma hora e como o jogo te mostra quem te matou e onde a pessoa estava, isso já meio que acaba lhe ensinando o que não fazer e pra onde não sair correndo como um maluco. Tentativa e erro. Morrer não faz muito diferença. Poucos jogadores paressem ligar pra isso, o que explica porque 80% dos times agem como suicídas. Vão na sorte do matar ou morrer.

Tem graça isso? Até tem, mas admito que pra mim teve mais graça ficar destravando as armas e itens que o jogo oferece no inicio. Passei uma partida inteira aprendendo como arremessar a faca, por exemplo. Morri mais de uma dezena de vezes, até entender como usá-la. A graça pra mim está no aprendizado. Estudei alguns mapas, os pontos de colisão e os diferentes tipos de armamento e os danos que eles causam.

Dentre os modos de game o que mais me divertiu foi o Domination. Três pontos no mapa para dominar e defender. É o modo mais legal porque ele concentra melhor os jogadores, que não ficam avoados e separados pelos mapas. Você sabe para onde ir e que possívelmente terá inimigos próximos aos locais dominados, já que eles também servem de respawn para os que morreram. Outro modo bacana é o Kill Confirmed, onde é necessário recolher as Cogs de inimigos mortos e também de companheiros mortos (pois aí impede que o adversário pontue). O barato desse modo é que assim como o Domination fica fácil encontrar as zonas de guerra dentro do mapa e exige que o adversário confronte mais de frente, sem gente escondida atirando em quem passa. De nada adianta ficar matando de longe, se ninguém recolhe as Cogs, então é um modo mais divertido também.

Admito que não tentei tudo, meu level é baixo, cheguei ao level 10 ontem à noite, e ainda tenho muito o que destravar e mapas para decorar, então não me aventurei pelos níveis mais especializados. Fiquei na lista de novatos mesmo, aprendendo a jogar.

Em todo caso ainda acho esse tipo de multiplayer fraco. Onde poucos são bons e quase todos são suicídas. Ainda prefiro Gears of War 3. O multiplayer de Gears exige um tipo diferente de gameplay. Você precisa estudar seus adversário, além de entender direito o mapa. Você joga de forma menos suicída, o jogador realmente se preocupa em não morrer, pois sabe que vai ficar fora por agonizantes segundos até dar respawn (nos modos que tem respawn). Correr atrás de armas nos cenários, ficar em equipe. Gears é mais claustofóbio, tem um multiplayer mais tenso, apertado, decisivo. Ele também exige que você aprenda a jogar e melhore sua performance, que você aperfeiçoe a sua estratégia. É o tipo de game onde consigo decorar nomes de adversários, que aprendo como cada um joga individualmente. Esquiva e cover, defesa e ataque. Pra mim, e essa é só a minha opinião, é um multiplayer mais complexo, mais cerebral, ainda que muitos não vejam assim. Não estou dizendo que MW3 não é complexo ou cerebral. Ele é sim, mas não é assim que boa parte dos jogadores agem quando jogam. E eles também não estão errados, o jogo permite essa facilidade, essa liberdade de se jogar como maluco ou profissional. É simplesmente uma questão de gosto e adaptação. Particulamente prefiro Gears, mas não quer dizer que não dá para brincar um pouco com Modern Warfare 3. E esse não é um caso de TPS melhor que FPS, apesar de preferir sempre TPS. Halo também tem um multiplayer diferente de CoD, com vantagens e desvantagens. Mas daqui a pouco entro no mérito.

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Perseguir ou ser perseguido…

Passando para outro título, hora de dar uma olhada em Need for Speed: Hot Pursuit. As expectativas pelo game eram altas, ainda que essa seja outra franquia da EA que ela torra com sequências e derivações ao longo dessa geração. A quantidade de NFS explica porque Hot Pursuit aparente estar meio abandonado, ainda que tenha sido lançado em 2010. Quantos outros NFS sairam desde então? Shift 2 e The Run só em 2011. Quer apostar que em 2012 deve sair mais um título da série?

Comento isso pelo modo online, que joguei, mesmo tendo destravado pouquíssimos carros no modo carreira. Poucos jogadores online, ao menos nos três modos iniciais, já que os outros dois ainda estão travados pra mim. Apesar do game suportar 8 jogadores online, todas as partidas que procurei, tento num período noturno como matutino não encontrou mais dos que 2 competidores para jogar comigo. Salas vazias além da conta para um game tão bacana.

Isso porque a EA empurra novos títulos e os fãs da franquia vão pulando de game em game. Também não é incentivo o fato de que Hot Pursuit até lá ainda seja um jogo caro, o que não incentiva a entrada de novos games no título e os veteranos que adquiriram no lançamento já devem ter aposentado o título. Aqui no Brasil é ainda pior porque é um game que basicamente nunca o vi em promoção, e raras são as lojas online que possuem o título à venda. Num mercado que está se aquecendo, ver ele ser vendido a R$ 199 por aqui é um banho de água fria. Para ajudar, Hot Pursuit no Xbox 360 tem trava de região, ou seja, nem dá para importa-lo de lojas internacionais lá na Europa (onde as vezes saem mais barato). Com isso, mesmo que seja um game que tenha vendidos milhões, me pergunto quantos ainda jogam Hot Pursuit, passado quase 20 meses após seu lançamento. Complicado, não?

Talvez seja a conexão? O alto PING para se jogar com americanos? Não sei. Ao contrário de games como Modern Warfare, Halo ou Gears of War 3 o modo online desse NFS não mostra quantas pessoas estão online jogando o game. Esse tipo de informação pode ser muito útil para a longevidade dos modos online de alguns games. Saber que há pessoas jogando e não que o sistema simplesmente não funciona na sua região é uma mão na roda.  Na minha opinião todo game online deveria obrigatoriamente dispor dessa informação de gamers online jogando o multi.

Então o modo online de Hot Pursuit se mostrou um pouco frustante pra mim. Corri contra poucas pessoas, sendo uma corrida de gato e rato. Eu sendo o meliante e o adversário a polícia. Ganhei a partida com uma larga vantagem, o meu adversário acabou colidindo no começo (não por minha culpa) e acabou não me alcançado. Numa outra partida, dessa vez um modo de corrida com três jogadores,  acabei em segundo lugar, pois não conhecia direito a pista e o primeiro colocado conhecia, terminando a corrida com uma larga vantagem, enquanto o terceiro competidor também colidiu certo momento e ficou para trás, sem conseguir se recuperar.

Corridas online são sempre meio inconsistentes. Nunca foram meu forte. Se você conhece cada atalho, cada curva, acaba disparando na frente, estragando o desafio para os outros competidores, que não tem a menor chance. Se você colide no começo, pode dar adeus, porque só com um milagre divino para conseguir recuperar o tempo perdido. Não há um equilibrio, ou você é muito bom ou muito ruim. Não tem a competitividade dos games de tiro. Não tem a tensão necessária. A menos que todos os jogadores da partida sejam muito ruins ou muitos bons. É por isso que é tão difícil criar games de corrida com uma I.A. que realmente seja competidora. E talvez seja isso que acabe afastando um pouco os competidores online de Hot Pursuit.

Mas nem tudo são pontos negativos. O modo de competitividade entre amigos é tão bacana quanto o de Burnout Paradise, com o game avisando quais carros seus amigos da dashboard venceram desafios e quais os recordes pessoais de cada um para que você consiga ultrapassar. O jogo avisa isso, lhe dá parabéns, cria um mural de vitórias etc. Assim como era o domínio das ruas de Burnout Paradise. É uma opção bacana. Tome como exemplo em Burnout: nunca joguei online com o Théo aqui do blog o game, mas criados muita rixa com um quebrando o recorde um do outro. Lembro de limpar o nome do Théo de todas as ruas em que ele dominou no game. Rá! Hot Pursuit tem esse sistema, ainda que menos debochado e mais tímido. Ainda assim eu vibrei com cada record quebrando.

Isso no modo carreira, que se divide entre pegas e corridas clandestinas e perseguições polícias. Não tem o dinamismo de Burnout, pois não é um sanbox. Infelizmente não passeamos livramente pelo mundo de Hot Pursuit, entramos diretamente nas missões. Isso deixa o game bem objetivo. Objetivo até demais na minha opinião. A liberdade de Burnout, de ficar passeando, quebrando placas, correndo atrás de novos carros é algo genial. Hot Pursuit em certos pontos lembra uma versão capada de Burnout, com a mesma mecânica e tão viciante quanto nas corridas e perseguições, mas sem a liberdade de exploração e inventividade de criar novos caminhos e rotas. Não há muito o que improvisar, as pistas não dá rotas alternativas.

Um dos pontos altos de Hot Pursuit são so gráficos. Lindíssimos. Deixam Burnout Paradise no chinelo e talvez essa seja a desvantagem de um mundo aberto. Pistas pré-estabelecidas, pensadas no período do dia e no clima. É um efeito muito bonito, os carros também são um show a parte. O game te suma para dentro do volante, você vibra com cada curva, cada batida, cada desvio de um bloqueio policial. Se tem algo que reclamaria é a escassez de carros na pista. Burnout as vezes era até caótico com a quantidade de veículos na pista para criar entraves nas corridas.

No fim, também curti mais perseguir do que ficar disputando corridas. Como disse mais acima, jogos de corrida possuem uma I.A. ridícula. O PC lhe ultrapassa, fica a maior parte do tempo criando rixa contido, ou some da sua frente, com uma vantagem enorme, só para no fim você milacrosamente encostar nele de novo e vencer a corrida ultrapassando-o no último minuto. Soa falso, propósital. Se o jogador não faz nenhum erro ao fim, com certeza ele consegue terminar a corrida em primeiro. Burnout era mais caótico, então não era tão escancarado assim esse mecanismo. Ainda assim Hot Pursuit é um grande game, numa franquia sufocada por tantos títulos nesta geração.

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O começo de um épico…

Quanto ao Halo Combat Evolved Anniversary, esse final de semana não foi bem o meu primeiro contato com o mesmo. Havia testado o primeiro capítulo da campanha original quando comprei ele no final do ano passado. Mas foi coisa de algumas horinhas apenas, logo o deixei na prateleira para continuar a desbravar Gears of War 3 na época. Esse final de semana foi pra valer. Voltei para a campanha e finalmente testei os mapas novos da versão no online do mesmo.

Halo é sempre divertido, é uma franquia fanfarrona. Não tenta ser realista como Call of Duty, mas não soa falso ou fácil demais. Apesar do enorme foco no multiplayer eu adoro as campanhas de Halo, que são bem diferentes dos shooters que existem por aí. Tome por exemplo os inimigos. Em MW3 é atirar e acertar, não tem muitos inimigos desafiadores e distintos. Halo possui. Inimigos com escudos e campos de força, que só são desabilitados se o jogador continuar constantemente atirando, pois se você parar eles se recuperam. É preciso jogo de cintura contra as criaturas do universo Halo, ainda que depois de algumas horas, eles acabam sendo repetindo e cansando pela dificuldade que acabam apresentando.E o grande salva guarda das campanhas de Halo são as grandas de plama pra mim. Elas grudam, matam e desabilitam campos de força, e aí é mandar o inimigo pra cova.

Não existe a preocupação com grandes explosões ou cenários complexos. É a batalha que conta, ver onde posicionar em face aos inimigos, correr para descobrir pontos fracos, trocar de armas por um arsenal mais apelão quando tiver chance e avaliar o campo de batalha, que é feito em favor do jogador, com escadarias e locais para se refugiar e repensar a estratégia, ou simplesmente recuperar a energia. Jogar Halo e aprender a ser cauteloso, estudar quando atacar e como atacar.

O maior problema da campanha entretanto, ainda mais nesse remake é o senso de direção. Pra onde ir depois de um cenário aberto e de um momento de tiroteio. O ponto da história segue, mas pra onde? Os Halos mais recente mostram. O original não! Ficar perdido nesse tipo de game é um saco, e logo no começo, após cair num planeta, o jogador pode facilmente ficar meio perdido para onde ir. Que falta faz uma maldita bússula, ou simplesmente um ponto no mapa indicando para onde ir. Explorar o ambiente de Halo fora dos combates tente a ser um saco. Não há muito o que se ver ou coletar nos entremeios de combates.

Mas é o primeiro Halo, o começo de tudo. É preciso relevar algumas limitações da campanha original e pensar no quanto Halo melhorou desde então. Vale pela curiosidade histórica, de ver como tudo começou, o que aconteceu. Ainda mais pra mim, que não tive o Xbox original. Uma pena que pelo visto ficarei com um buraco na história, já que não parece que teremos um remake de Halo 2 tão cedo. A boa é que pelo menos eu já fechei Halo 3 e sei qual o ponto de história será a partida de Halo 4, que por sinal, Halo Anniversary insinua dicas e informações ótimas que servirão de ponto de plot para o Halo que sai no final desse ao.

Ah preciso comentar o quão frustante é um game com suporte ao comando de voz com o Kinect não tem suporte em nosso idioma. Ridículo! Felizmente “Analisar” e “Escanear” no espanhol é sonoricamente idêntico a nossa lingua, então dá para usar essas duas funções sem nenhum problema. No inglês também, mas como seu timbre é meio bizarro, exige um silêncio maior na sala para que o Kinect entenda meu péssimo inglês. No espanhol ele funciona melhor. Só acho bizarro que toda vez que meu cachorro late no quintal o Kinect acha que estou gritando “granada” e o Master Chief fica meio malucão atirando granadas em horas inconvenientes. Precisam calibrar melhor os comandos de voz no Kinect na próxima geração, num game mais sério, isso seria bem ruim. Enfim, parece besteira mas a opção de analisar e escanear o universo de Halo por informações é extremamente bacana e útil para quem não conhece as coisas muito bem (como eu). Sem mencionar que você consegue identificar de longe inimigos e itens quando pede para analisar tela em busca de novos scans. Soa como um radar tremendamente eficaz. Por mim, todo game de Halo a partir daqui deveriam ter o “analisar” e “escanear” por comando de voz. Todos os outros comandos são bem inúteis, mas estes dois são imprescindíveis.

Quanto ao modo online, depois acabei descobrindo que na verdade o game abre uma espécie de sala dentro de Halo Reach, já que o game se comunica online com o título. Bacana essa inter-conexão de títulos. Então meio que acabou não sendo qualquer novidade pra mim, já que já joguei bastante o multi do Reach. Cai numa partida de “Bola Maluca” num mapa remake do anniversary (Solitary). Foi divertido, pois era um mapa apertadinho, então criava esse efeito claustofóbico de não ter para onde correr com a bola. O time ficou junto, os adversários também. Rolou muita morte de ambos os times, a partida foi bem acirrada e divertida. Bola maluca nem de longe é um dos meus modos favoritos de Halo, pois em mapas grandes é xaropíssimo ficar correndo atrás da bola (que é um crânio), mas nesse mapinha ficou sensacional. A ideia de uma cenário curto, mas com três níveis de andares caiu muito bem ao game. Mas no fim, Halo Anniversary vale mesmo pela campanha, se o caso é jogar online, muito melhor colocar o disco de Halo Reach no xisboca e aproveitar a diversidade de mapas que tem por lá, incluindo os desta versão de aniversário.

Para terminar fiquei de comentar um pouco sobre a minha visão entre o multiplayer FPS de Modern Warfare 3 contra o sistema de Halo Reach, o caso é que apesar de ser o mesmo gênero de shooter, eles ainda são bem diferentes na dinâmica do multiplayer. Halo não tem um sistema tão detalhado quanto MW3, com níveis de armas e criação de grupos de armamento. Nesse sentido ele é mais simples, ainda que tenha a opção de escolher entre alguns tipos de armas e poderes. Mas em geral os gamers são menos suicídas, as partidas são menos caóticas e o nível de ataque e defesa dos times mais equilibrados. Ainda há os jogadores profissionais, que matam geral, e aqueles que morrem constantemente ao longo da partida. Mas é mais fácil de se adaptar em Halo, pois é mais simples. E mais fanfarrão também. A galera sobe nos carros e saem como malucos pra cima dos adversários, enquanto tem snipers nas colinas e locais altos, grandas voam de tudo quanto é lugar. Não sei explicar, é uma sensação de que até mesmo o jogador novato poderia sobreviver. Conheça os mapas, conheça as armas, veja onde os inimigos estão. É mais fácil de localizar os jogadores também, o jogo tem uma paleta de cores que ajuda nisso, mesmo que haja a habilidade de camuflar. Você percebe que os jogadores de Halo estão ali para ganhar ou perder, para se divertirem, e não para destravar mil coisas nos menus, como MW3 tem. E esse é um mal também no Gears of War 3, que passou a obrigar os jogadores a jogar com certas armas para obter medalhas e novas skins. Eu não curto essa imposição, também em Modern Warfare quanto em Gears of War me incomodam isso. Halo tem um sistema de level e que recompensa o jogador com partes das armaduras. Mas esse modelamento do personagem nada ocasiona no multiplayer. É algo puramente estético. Mas é isso, cada gênero tem seus altos de baixos. Halo é meio pastelão as vezes, ao menos pra mim, com personagens que pulam como se não ouvesse gravidade, armas alienígenas, cenários com vários níveis, mas menos complexos que Modern Warfare. O jogo é mais arcade em seu multi e eu gosto desse conceito. Não acho que supere Gears, pelos menos motivos que apontei quando falei de Gears quando o comparava com MW3, mas é extremamente divertido quando se pega o jeito e entende suas bizarrices sci-fi.

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Kill with Skill…

“Matando com habilidade”, essa foi a frase de marketing de Bulletstorm. E realmente esse é um dos grandes, senão for o único, destaque do game. O jogo tem um potencial enorme para uma franquia, mas infelizmente hoje já sabemos que isso não deve acontecer. Já foi mencionado pelo Cliff Bleszinski que Bulletstorm 2 até estava nos planos do estúdio mas que acabaram engavetando. Pena. Não os culpo, afinal o jogo foi feito em parceria de distribuição com a EA, então ou vende e vira um sucesso ou não tem chance de se aperfeiçoar com novas sequencias. Pra mim esse jogo ficou ótimo no Xbox 360 e bem que a Microsoft Studios podia dar uma força para a sequencia, caso a Epic Games conseguisse arrumar os problemas do jogo, dentre eles o multiplayer pavorosamente ruim. Mas eu chego nessa parte.

Primeiro vamos a campanha, que é sensacional. O jogo me conquistou logo no início, onde supostamente todos os personagens morrem e voltamos no tempo pra ver o que diabos está acontecendo. Eles estão em pé na área externa de um gigantesco edíficio, usando botas magnéticas para ficarem preso na parede do prédio. A paisagem desse pequeno trecho é inesquecível. Uau mesmo. A história também tem um certo deboche e humor meio Gears of War, então me sinto em caso com esses personagens, principalmente com o tal Grayson Hunt, protagonista da história.

Grayson não é como Marcus Fenix, mas causa impacto na história, ainda que seja mais atrapalhado e ingênuo até certo ponto. Seu companheiro Ishi por outro lado é meio pulha. Cara chato, com complexo de Kenny (South Park), parece que vai morrer e não morre nunca, caceta! Aí meio que vira cibernético e fica ainda mais chato. Não sei porque criaram um parceiro tão bizarro, aí fica uma química estranha no começo, com um protagonista fanfarrão e um ciborque mala.

E os pontos problemáticos não param por aí. Pode ter passado despercebido, mas fiquei com a impressão de que o game não se preocupa muito em explicar porque diabos os inimigos são meio punks, e quase todos idênticos. Em Gears faz sentido os Locust parecidos, mas em Bulletstorm isso apenas soam como uma grande falha. O cenário passo do futuristico para um pós-apocalipse. O que diabos aconteceu mesmo? Rolou de forma tão abrupta esse momento da história, onde Grayson e equipe descobrem que estão sendo trollados por um general do mal, e o colapso de seja lá onde estão, que os cenários a seguir estão sempre destruidos e abandonados. E aquela cidade que o jogador viu no começo da história? Qualé de todo mundo ter a mesma cara? Falta uma dose de comprometimento nesses aspectos técnicos no game. Compromete a jogatina? Não, mas não tem como passar despercebido.

No aspecto de gameplay é que Bulletstorm brilha. Pegar os inimigos com o laço para atrai-los, chutá-los para longe e atirar. Estas são as três premissas básicas do game. O que advém disso são as variações. Mas a dinâmica é ótima, divertida e instiga a criar novas formas de matar os inimigos, utilizando inclusive o cenário do game. E adrenalina e ação é o que não falta nas primeiras fases. Outra adição interessante as mecânicas do game é o dash meio Mega Man com o botão A. Muito legal sair escorregando pelo cenário, indo de cover a cover, apesar do personagem não grudar numa parede como em Gears of War, o que é frustante, pois a I.A. pode.

Logo na segunda parte do primeiro ato do game, Grayson e Ishi pulam numa espécia de trem e são perseguidos por uma gigantesca roda perfuradora. Esse trecho é sensacional, com veículos, helicóteros, minas escavadoras, tudo tentando pegar o jogador, que não se move, pois está fixo numa metralhadora, apenas acertando em tudo que chega perto do trem. Ficou massa demais e se o game tiver outros momentos como esse, sei que não vou me arrepender de jogar a campanha. Isso porque eu já sei que o jogo também tem chefes gigantescos, que vi em trailers e vídeos do game antes de seu lançamento.

O mundo de Bulletstorm é bem imaginativo, canastrão, bizarro e surreal. É algo diferente do normal, da mesmísse do gênero. Mas sofre em alguns aspectos justamente por não saber adaptar tudo a proposta do game. O multiplayer é um dos maiores problemas. Sei que há outros modos e não testei tudo, mas joguei uma partida e foi suficiente para não querer mais voltar para o online (mas devo voltar no futuro). Primeiro que ficou uma mensagem de “bad conection” na minha tela ao longo de toda a partida. Maldita Epic Games e seus servidores ruins. Profunda lags e muita frustação. Entrei numa partida estilo Horda (de Gears), onde é necessário matar os inimigos usando as skills, dentro de um tempo pré-determinado. Se o grupo de 4 players não atingirem os pontos necessários, ainda que tenham aniquilado os inimigos, a próxima onda não começa e você volta para a mesma onda. Horrível.

Enquanto que deve ser complicado adaptar o multiplayer de Bulletstorm aos meios mais convencionais, como mata-mata, mas colocar um modo online onde você simplesmente fica matando bots sem qualquer inteligência, e ainda precisa fazer com skill para o desafio ir aumentando, e ainda sofrer de lags e uma rídicula mensagem de conexão ruim na tela não é o que eu considero divertido. Darei outra chance sim ao online de Bulletstorm, mas pra mim o que encantou foi a campanha.

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E aqui termina meio relato sobre esse final de semana 100% gamer. Qual o objetivo do post enorme? Sinceramente não pensei muito em um. Queria apenas compartilhar estas novas experiências com estes games que comecei a brincar nessse fim de semana. Relatos, impressões, algumas opiniões. Nada demais. Só uma prosa básica, de gamer pra gamer.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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