Warco, um jogo de guerra como você nunca viu!

Hora de ver a guerra por um ângulo novo!

(Por Pedro Ivo)

Você escuta tiros por todos os lados. Seu esquadrão olha preocupado ao redor, à procura dos autores dos disparos, mas sem resultado. Os tiros cessam, e um silêncio assustador toma conta do campo de batalha. Envoltos pela fumaça resultante dos tiros, é impossível tanto para você quanto para os companheiros dizer se há inimigos por perto. Quando os adversários enfim se tornam visíveis, já é tarde demais: eles atiram sem piedade nos membros da sua equipe – alguns já caem mortos. Os que ainda estão de pé tentam entender a situação e revidam com rajadas de balas. E quanto a você? Em qualquer outro jogo de guerra, sua única escolha seria atirar de volta. Mas não em Warco; aqui, sua missão é documentar todo esse caos.

O jornalismo de guerra é provavelmente o tipo de jornalismo mais perigoso existente. Tony Maniaty, idealizador de Warco (abreviatura de “war correspondent”), sabe muito bem disso – ele cobriu conflitos no Timor Leste em 1975, já lecionou sobre jornalismo de risco e atualmente escreve uma tese de doutorado sobre os impactos psicológicos sofridos por jornalistas nas frentes de batalha. Nessas suas aulas, ele percebeu que muitos dos seus alunos estavam loucos para ir aos campos de batalha fazer cobertura, acreditando que essa é a forma mais fácil e rápida de ganhar reconhecimento no concorrido mercado do Jornalismo. O problema é que a maioria desse alunos é bem jovem, e, desesperados pela fama, esquecem do perigo que correrão. E o perigo é real: de acordo com o CPJ (Comittee to Protect Journalists) quase 900 profissionais foram mortos em conflitos armados desde 1992. Não é pouca coisa!

Para tornar essa ideia em realidade, Maniaty se uniu a Robert Connolly – diretor de Balibo, filme que conta a história de cinco jornalistas assassinados no Timor Leste – e à desenvolvedora de games Defiant Development. Embora a ideia original seja dar aos jornalistas iniciantes uma noção de como funciona a cobertura de um conflito real, também há planos para lançar Warco comercialmente. Agora, imaginem o impacto que esse jogo causaria no mercado atual de games? Antes, os FPSs de guerra estavam presos no tema da Segunda Guerra Mundial, até que Modern Warfare veio e… Hoje vivemos na estagnação dos FPSs de guerra com temática moderna. É óbvio que Warco não revolucionará o gênero, mas ao menos proporcionará o sopro de individualidade do qual ele urgentemente precisa.

No ano passado a Defiant concluiu um protótipo do jogo, uma versão bem simples mesmo, que rodaria tranquilamente naquele seu PS2 velho de guerra. A partir dela, os envolvidos pretendem criar duas versões finais – uma voltada para o treinamento de jovens jornalistas e outra para o mercado consumidor. Por enquanto, nenhuma das versões tem data de lançamento definida.

E você, o que achou da ideia? Jogaria um jogo de guerra no qual não é possível atirar? E mais importante: gastaria seu suado dinheirinho num jogo assim?

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2 Comentários

  1. Rapaz, que ideia legal. Acho que eu ficaria um pouco frustado no começo por não poder revidar as balas, mas com certeza jogaria sim! XD

  2. A proposta do jogo em si é muito foda, gera muitas possibilidades de narrativa para o jogo, mas também ia depender muito de como é a jogabilidade. Acho que para um jogo assim funcionar deveria usar a visão em 3º pessoa como padrão, e assumir a em 1º para usar a câmera. Além disso, como o jogo não tem o combate como foco, eles deveriam basear a ação em camuflagem e uso do cenário como proteção (o uso da 3º pessoa facilitaria bastante isso), poderiam também envolver algumas questões éticas tipo ser imparcial ou não com os fatos, e ter que lidar com as consequências dessas escolhas. Realmente é muito empolgante a ideia de um jogo assim.

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