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Microsoft adquire Gears of War da Epic Games (Reflexão)

Franquia e IP agora são exclusivos da Microsoft! E isso é algo bom?

A Microsoft veio a público ontem divulgar que adquiriu completamente os direitos sobre a IP (Propriedade Intelectual) da franquia Gears of War, que até então, como todos sabem, eram de propriedade da Epic Games (sobre contrato de exclusividade para que os games saíssem apenas nas plataformas da Microsoft). Com isso também se oficializou que um novo game da série já está em produção sobre o comando de um estúdio próprio da Microsoft: a Black Tusk Studios. Outra aquisição pertinente ao assunto foi a contratação de Rod Fergusson, que trabalhou na Epic Games e um fui dos cabeças (junto com Cliff Bleszinski) a trabalhar na trilogia original da franquia Gears. Fergunsson se junta a equipe da Black Tusk para o próximo game da franquia que deve sair direto para o Xbox One. Espera-se inclusive que ainda no final desse ano haja algo para se mostrar sobre essa nova produção. Ou seja, de qualquer forma, não devemos esperar o próximo Gears of War para esse ano no mínimo.

Mas e aí? A compra de Gears of War pela Microsoft é uma boa notícia? Tirar essa franquia das mãos do estúdio que a criou é uma boa ideia? Ainda é cedo para responder com convicção essas perguntas, mas a minha esperança é que tenha sido uma boa decisão tendo como base a forma como a Microsoft cuide e nutre de forma satisfatória o universo de Halo. Não que a Epic Games estivesse fazendo um trabalho ruim com Gears of War, mas é de senso comum entre os fãs da franquia que a coisa poderia ser melhor para o universo de Gears of War.

A trilogia original no Xbox 360 sofreu bastante ao longo da sétima geração no que diz respeito a suporte ao multiplayer online, ainda mais se for comparar a qualidade do mesmo modo na franquia Halo. Gears of War 2 foi o game que mais sofreu com isso, sendo quase impossível jogar partidas públicas em algumas regiões no mundo. Fora os problemas com DLCs caros, com updates que demoravam a vir (devido as políticas da Microsoft de cobrar dos estúdios) e da falta de suporte em longevidade se for comparar com a forma como Halo sempre foi bem cuidado sobre as mãos da Microsoft e da Bungie.

O universo de Gears of War é expansivo e estava mesmo merecendo cair nas mãos de alguém maior para que pudesse ganhar as merecidas proporções. Imagino que seria muito interessante para a Microsoft se a mesma conseguisse criar uma sistema de dobradinha com Halo e Gears of War, onde um novo game de cada franquia saísse a cada dois anos, onde ambos intercalassem entre si ano a ano. Aí num ano haveria um novo game de Halo e no outro um novo game de Gears of War. Algo que me pareceria impossível de ser feito sobre o comando da Epic Games.

Soma-se também ao caso o fato de que as principais mentes por trás da série já não estavam mais trabalhando na Epic Games. Basta ver a fraca recepção que Gears of War Judgment recebeu. Ou seja, algo na Epic Games já não estava mesmo legal. O estúdio já aparentava estar sem ideias e com uma certa indisposição para trabalhar apenas numa única franquia. Não é de hoje que a Epic Games demonstra vontade em desenvolver outras games, mas Gears of War parece ter sugado muitas de suas forças nos últimos anos. E isso nunca é um bom sinal.

Nas mãos da Microsoft Gears of War poderá ser trabalhado com times diferentes, com novas ideias e novas histórias. Seu universo pode ser expandido da mesma forma que Halo conseguiu na geração Xbox 360. Sem a perda de sua essência é claro. Tanto que a empresa deixou bem claro que irá continuar trabalhando com a Epic Games no âmbito da Unreal Engine que é uma das bases principais do mecanismo que faz Gears of War ser o que é em termos de jogabilidade.

Gears of War se junta a uma estrutura muito maior de desenvolvimento. Numa empresa que tem verba quase que infinita para apostar naquilo que acredita. E é uma franquia que fechou uma trilogia e que precisa, agora mais do que nunca, de uma boa renovada e uma estrutura de grande porte para se adaptar ao ambiente do Xbox One.

Claro que sempre há aquele medo. Pode a Microsoft estragar Gears of War tal qual ela fez com a Rare? Bem, estragar um estúdio é muito mais fácil do que estragar uma propriedade acredito. Afinal num estúdio as pessoas vão embora e o que fica é apenas o nome. Fora que não acredito que a Microsoft andou avacalhando com seus exclusivos nos últimos anos. Pelo contrário, muita coisa interessante foi criada. É verdade que ela ainda não sabe direito como trabalhar com estúdios adquiridos e talvez seja por isso que fico mais aliviado que ela tenha comprado apenas a IP de Gears of Wars ao invés de ter comprado a própria Epic Games. Dos males, o menor.

Enfim, se a Microsoft tratar Gears of War com o mesmo carinho e cuidado que ela tem com Halo, pra mim já ganhamos o dia! 

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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