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Quarteto Fantástico (2015) | Qual era mesmo o problema com esse filme?

Esta parte do texto é sem spoilers da trama do filme de 2015!

Tive a oportunidade de assistir, neste final de semana, o novo filme do Quarteto Fantástico, que estreou nos cinemas em agosto passado e, após terminá-lo, me peguei perguntando qual era mesmo o problema com ele? Eu sei que o filme teve várias críticas negativas, que teve que vir a público e tentar lidar a sua barra, dizendo que a culpa era da Fox e que seu filme era muito mais incríveis antes de meterem o dedo no roteiro e que parece até mesmo que a Fox desistiu de planejar a sequência. Bem, passado a euforia e a decepção da estreia de Quarteto Fantástico, será que o filme é mesmo tão ruim assim?

Se tem uma coisa que tive vontade ao terminar de vê-lo ontem, foi de correr para os quadrinhos e conhecer a versão Ultimate da equipe, escrita em 2004 e especificamente do arco “The Fantastic” que dá origem justamente a essa versão meio diferente da equipe e na qual o filme de inspirou. E provavelmente o farei em breve.

Acho que não preciso aqui contextualizar que a origem inicial do Quarteto no espaço era algo incrível quando os personagens foram criados na década de 60 e que hoje em dia ir ao espaço não tem o mesmo impacto, portanto a decisão de que o elemento que deu poderes aos personagens vir de uma outra dimensão casa muito bem com esse sentimento de fronteiras desconhecidas da ciência. Até porque se tem algo que poucos criticaram foi justamente esse elemento do filme.

Ah mas não se engane achando que vou dizer que o filme é fenomenal, pois obviamente não é, porém não achei essa bomba que explodiu na internet em agosto quando o mesmo foi lançado. É um filme OK, até melhor do que eu esperava para os padrões da Fox. Sabe que filme assisti novamente e achei bem pior do que me lembrava? O Incrível Hulk (2008), uma das primeiras produções da Marvel Studios, logo após o estúdio acertar em cheio com Homem de Ferro, também de 2008. E sabe o que da Fox é pior do que este Quarteto Fantástico? Qualquer filme solo do Wolverine. O ponto é que problemas ocorrem com qualquer estúdio e nem todo filme de super herói vai ser épico ou icônico, ainda mais agora, com todas filmes dentro do gênero sempre produzido e lançado ano a ano.

Tenho a impressão de que existia uma turma que torcia pelo fracasso do filme, independente de sua qualidade. Justamente para a Fox abandonar a franquia e devolvê-la para a Marvel Studios, para que a mesma pudesse integrar a equipe em seu universo novamente, quem sabe até mesmo nos quadrinhos. Pois há esse sentimento de o Quarteto nas HQs andou meio afetado pelo fato da Marvel não poder monetizar seu universo em produções para o cinema, meio que em uma jogada para diminuir a importância destes personagens e assim tentar a Fox largar esse osso.

E havia uma expectativa que esse fosse o filme que reuniria o universo dos X-Men da Fox ao Quarteto Fantástico, permitindo assim que um crossover futuro fosse possível. Bem, o filme não dá qualquer indicação que isso possa vir a acontecer, o que meio que me decepcionou um pouco, admito. Alias me parece que  o formato Teen (juvenil) deste Quarteto Fantástico não casa muito bem com o universo de X-Men da Fox. Ainda mais com um Wolverine já vovô dessa turma (o que faz jus a ideia e os rumores de que a Fox estaria pensando em trocar o elenco e o próprio Wolverine em um futuro de seus filmes).

Um último ponto é que não achei esse filme melhor ou pior do que o outro filme do Quarteto Fantástico de 2005. Há quem elogie o elenco deste novo filme e ridicularize o do anterior. Eu acho um exagero, já que basta lembrar que o Chris Evans é  atualmente o Capitão América dos Vingadores e ele foi o Tocha Humana no filme de 2005, enquanto também gosto do ator Michael Chiklis (Coisa) e Ioan Gruffudd (Sr. Fantástico). E apesar da Jessica Alba ser uma incógnita, acho que ela deu o seu melhor no filme de 2005. Apenas acho que Julian McMahon no papel do Dr. Destino foi uma aposta errada, em um momento errado, onde o ator era estrelinha de uma série na TV (Nip/Tuck, lembra? Uma série que começa incrível e termina vergonhosa).

O problema é que o filme de 2005 tinha outra pegada, era uma outra forma de ver filmes de super heróis na TV. Hoje parece muito ruim ou galhofa. Tente nessa espírito rever o primeiro Homem-Aranha do Sam Raimi e perceba o quanto parecidos estes filmes são. Enfim, o filme do Quarteto Fantástico de 2005 não considero uma adaptação ruim, apenas é uma adaptação ultrapassada. Ela já era um pouco vencida quando foi lançada, ainda mais se você pensar que 3 anos depois surgiria Homem de Ferro. O gênero ainda estava tentando se encontrar quando o primeiro Quarteto surgiu.

A partir daqui tem alguns spoilers de pontos da trama do filme!

10 anos depois, com um gênero consolidado, a Fox tentou de novo, mas eu sei qual foi o erro dela. Foi exatamente o mesmo que a Sony fez com em O Espetacular Homem Aranha. Os filmes de super heróis hoje em dia não precisam mais de um filme de origem. Dadas exceções como Homem Formiga. Vide a Marvel que pegou o Homem Aranha para integrá-lo ao seu universo. Não haverá um filme só para sua origem. Não precisa mais! Todo mundo conhece a sua história e não adianta tentar inventar uma origem diferente, pois no final das contas, vai ser o mesmo super herói que todo mundo conhece. Hulk? Joga fora aquela merda de 2008, pega outro ator para os Vingadores, e esquece o background criado lá. Todo mundo sabe que é o Hulk e ponto. Quarteto Fantástico, para o bem ou para o mal, meio que a gente conhece, sabe quem são, não precisava torrar a produção deste novo filme apenas com sua origem novamente. Não é isso que as pessoas querem. E é esse pra mim o maior fracasso de Quarteto Fantástico de 2015.

Todo o plot da dimensão paralela, do Victor Von Doom, dos poderes, poderia ser contato e trabalho neste filme, mas de forma mais sucinta, resumida. Eu terminei o filme querendo continuar assistindo, como se ela fosse apenas uma introdução para um universo que poderia ter sido mais, se não tivesse perdido tanto tempo me recontando uma origem e apenas isso. O filme não trabalha nos que os personagens já são, mas no que serão, e isso é ruim, pois deixa essa sensação de que eles estão incompletos, e isso é enfatizado para pior quando as pessoas já os conhecem. E é aí que os pequenos detalhes passam a incomodar.

Não há problema algum em Reed Richards ser convocado a trabalhar em um dos laboratórios científicos dos Estados Unidos por um projeto de uma feira de ciência. Isso é da cultura americana, há olheiros para os jovens em tudo quanto é lugar lá e a feira de ciências lá não é bem como a conhecemos aqui. E não acho que tenha sido uma mera coincidência Sue Storm e seu pai estarem ali. O filme trabalha muito com entrelinhas, sem mastigar direito as coisas, obrigando que o espectador ligue os pontos e imagine aonde as coisas fazem sentido e quem não quer não fazer isso fica esse gosto de roteiro muito ruim. Talvez seja, mas não é impossível preencher as lacunas, ainda que talbez não fosse nossa obrigação faze-lo (e é tão ruim assim fazer?). Outro exemplo é o Johnny Storm. Não é tão impossível assim entender que ele é um bom mecânico, independente dele desperdiçar seu tempo em rachas de rua, afinal ele realmente ajuda a construir um portal interdimensional, não? E é difícil imaginar isso sendo seu pai e sua irmã pessoas de mentes brilhantes? Por que justo ele não teria uma educação que o levasse a ter habilidade no mesmo nível? O filme fracassa em deixar isso claro ao público, mas está lá, nas entrelinhas dos buracos narrativos.

Eu apenas fiquei chateado na forma como o Ben é inserido na trama após sumir. Achei que o Reed o colocaria dentro do laboratório, que trabalhariam juntos, ainda que o Ben se resumisse a ser um amigo de trabalho braçal, dando apoio e suporte moral a Reed. A cena em que Ben se despede do Reed acabou sendo mais literal do que achei que seria. E ele topa muito rápido o “ei, vamos ser uma cobaia e ir para outra dimensão agora, enquanto estamos todo um pouco alterados por termos enchido a cara“. Aqui eu achei que o Ben seria uma voz mais coerente, mas novamente, o filme prova que ele confiava cegamente no Reed, a ponto de nem sequer questioná-lo, porque assim são… melhores amigos? É, isso soa estranho.

Entretanto a coisa que mais me incomodou foi o fator do exército inserido na trama. A mensagem americana do poderia e soberania, além daquela máxima de que tudo que o homem constrói, a primeira coisa que ele o faz é pensando na guerra e no poder, pois vem seu uso prática para um bem humanitário. Não é pra menos que Victor acaba trazendo uma mensagem de ninguém ali no complexo vale algo. Todo mundo morre, nem mesmo o Dr. Storm se salva, já que de uma forma ou de outra, ele nada fez para resolver essa situação horrível na qual os garotos se meteram, ainda que ele se revoltasse com essa situação, ele continuou trabalhando, numa fé besta de que só o exército salvaria seus filhos e só se preocupou mesmo com isso quando Johnny começaria a se tornar um soldado. Ben tudo bem, mas Johnny não. O Dr. Storm é um hipócrita no final das contas. Morreu porque era o que seu personagem merecia.

Enquanto isso Reed estava no meio do mato construindo seu próprio portal dimensional com sucatas e latas velhas. Teria sido muito mais fácil o Dr. Storm ter ajudado todo mundo a fugir e trabalhado com o Reed para construir um portal com peças de televisões quebradas e molas de colchão. Percebe como o filme tinha direções e escolhas para onde os personagens poderiam ir? Isso pra mim é interessante, e por isso que não gosto da escolha do roteiro de que manter por tempo demais a mensagem do exército de do Quarteto se tornar uma espécie de super soldado. Perde-se tempo construindo esse plot apenas para irritar Victor e ele matar todo mudo. E muito pouco se vê do quarteto original aprendendo sobre si mesmo, especialmente em um filme de origem!

Eu não me importei com a falta de cenas de ação. De fato das poucas, eu gostei do que fizeram. O Sr. Fantástico se movendo parece bastante com o que vejo em One Piece com o Luffy, não? E o tom das transformações pela primeira vez é bem impressionante, e a brincadeira com ciência e horror funcionam. Tornou os poderes deles mais críveis e assustadores, ainda que eu gostaria que o Coisa usasse algo no meio das pernas, hahaha, achei estranho personagem pelado.

Próximo de acabar fiquei triste de que o filme não mostrou nada do que ocorreu com o Victor enquanto ele esteve preso na outra dimensão. Ele aparece no final, se justifica de uma maneira breve, como se o planeta da outra dimensão tivesse feito uma lavagem cerebral em si mesmo (e fica a pergunta se Doom seria o Victor ou alguma entidade se apossada do rapaz? Poderia, o que justificaria um pouco seus atos.) e o desejo de destruir toda a Terra soa estranho. Não poderia ele apenas ir embora e dar uma aviso para não encherem mais o seu saco no Planeta Zero? No final o vilão soa um pouco perdido, um pouco louco dentro de uma trama onde ele não pode ser trabalhado.

Fim dos Spoilers!

fantastic-4

E no fim, Quarteto Fantástico acaba de uma maneira estranha. Vi algumas críticas que diziam que parecia o episódio de uma série CW, não que eu veja as séries da CW (Arrow, The Flash) com esse demérito, mas Quarteto Fantástico parece um episódio de 2 horas (100 minutos cravados) de um piloto de seriado. Não é ruim, mas certamente não é o que as pessoas esperavam ao ir para os cinemas, especialmente aquelas que não pagam meia entrada e ainda pagam os ingressos absurdos e caros de salas IMAX ou 3D. Entendo a frustração nesse sentido.

Porém não acho que este novo Quarteto Fantástico seja algo que merecia ser jogado no lixo. Há um potencial muito bom nele, que a versão de 2005 não possuía. Talvez tenha sido um filme errado para o momento em que estreou, talvez ele devesse ter um pouco mais de refinamento, talvez mais tempo de tela ou um orçamento melhor (é um dos menores orçamentos da Fox e isso certamente prejudicou muito os efeitos e cenas estendidas de ação).

O próximo filme merecia ser algo mais maluco ainda, pois acho que é nisso que o Quarteto Fantástico acerta nos quadrinhos. Deixo-os viajar para outros mundos, outras dimensões. Nada de fim do mundo na Terra. Eu queria ter visto o Reed retornado para a dimensão e estudado o que aconteceu com eles, o que era aquilo que os transformou e mais especificamente, o que tomou o controle da mente do Victor.

Agora fica apenas a impressão de Quarteto Fantástico de 2015 será apenas um filme ruim da Fox. E será mesmo tão ruim assim? Que fique ao menos a lição de que novos reboots dentro do universo dos super-heróis nem sempre exigem recontar suas origens. A Marvel e a DC rebootam suas quadrinhos a todo momento, mas nem sempre isso significa o reset de certas cronologias ou origens do zero de seus personagens. Hollywood precisa aprender isso.

A origem dimensional é melhor que a origem espacial
Ciência e horror nos superpoderes é outra grande ideia do plot
Desnecessariamente perdemos tempo de novo com origens
O elemento militar é mais clichê do que deveria soar
Não é um bom reboot, mas uma sequência poderia ser legal
Péssimo uso do personagem Victor Von Doom
As lacunas narrativas atrapalham o roteiro e o desenvolvimento dos personagens

Quarteto Fantástico nem de longe é o pior filme de super herói que já assisti, é uma pena errar em bobagens óbvias

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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