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Homeland Ano 4 | Por que mesmo que essa série ainda existe? (Opinião)

Argh que difícil começar um texto quando já está definido um certo tom agressivo em seu título. Veja só, não é fazer a crítica apenas por desgosto ou pelo simples prazer de falar mal, e sim mais como um desabafo de fã, de algo que começou tão legal e hoje já não consigo mais entender o porque de uma série como Homeland ainda existir.

E veja que aqui estou criticando a sua quarta temporada, exibida em 2014 e que só agora terminei de assistir. Eu sei que estou há um ano atrasado, pois a quinta temporada terminou agora em dezembro lá nos Estados Unidos, na qual eu apenas espiei um pequeno trailer oficial (está lá no final da postagem) que divulgou a temporada antes de sua estreia neste semestre. E ainda assim, vendo apenas essa sinopse do ano 5 continuo sem entender porque Homeland não se encerra de uma vez.

Nem é que eu não goste do universo criado pela série, mas a proposta inicial do seriado seria discutir dois mundos, dois personagens que se entrelaçam por gritantes diferenças e pequenas semelhanças, duas histórias que também funcionam paralelamente e que até a sua terceira temporada era exatamente isso que acontecia, porém uma das duas infraestruturas da série se encerrou no final do terceiro ano, a jornada de Brody, sem qualquer possibilidade de ser retomada no ano 4.

Voltei para Homeland achando que a quarta temporada apenas iria resolver a questão de Carrie, já que o terceiro ano foi mais sobre Brody do que ela. E que a série faria algum tipo de desfecho. Porém nada disso aconteceu. E Homeland virou apenas mais uma série sobre terrorismo na TV americana.

Não estou julgando aqui se ela é uma boa série de terrorismo ou não. Existem muitas críticas por aí que dizem que apesar da abordagem bem realista do jogo político nessa guerra contra o terrorismo, ela deturpa um pouco a cultura do islamismo, forçando um pouco as coisas para que o pessoal de lá pareça mais alienado e mais vilanescos do que talvez eles realmente são. Pra gente aqui do Brasil, na qual estamos em um outro mundo, outra realidade, é difícil ficar a todo momento distinguindo os lados certos e errados, o que é e o que não é exagerado. O meu problema é que Homeland não era necessariamente apenas mais uma série de terrorismo quando foi criada. Era algo muito mais interessante e intrigante.

Também não estou dizendo que foi errado o que fizeram com a história do Brody. Do jeito que trabalharam e forçaram o personagem, o destino que ele teve no terceiro ano era meio inevitável. Não dava para terminar com o personagem de outra forma. Posso ainda ir mais longe, pois acho que a concepção plena da história da série nem foi concebida para durar três temporadas. Homeland dá uma boa patinada no roteiro na segunda temporada e enrola muito até concluir a jornada do Brody ao final do ano 3, e mesmo assim, após fazer isso, ainda achei que os produtores e roteiristas mandaram muito mal na forma como encerraram o núcleo familiar de Brody, que também tinham suas histórias e necessitavam de alguns encerramentos, que a meu ver não aconteceram. E eu esperava que fossem trabalhar um pouco isso no ano 4, o que justificaria mais uma temporada de Homeland. Errei.

Aí, nesse emaranhado de uma trama de um soldado que após passar 8 anos presos com vilões é resgatado pelo Governo, há a história de Carrie, uma agente que tem alguns distúrbios, que é bipolar, e mesmo sendo extremamente capaz e sagaz, vive em constante paranoia em tantos aspectos de sua vida que é até difícil não se irritar um pouco com o fato de que mesmo sendo assim, ela quase sempre está correta em seus palpites! Como alguém paranoico nunca está errado? Caramba!

E a quarta temporada da série começa com uma Carrie tão bizarra, renegando sua filha (a cena dela na banheira com a bebê é muito impactante e até chocante, porém é algo que fica ali, por isso mesmo, mal é trabalhado ao longo da temporada). No final do ano 4, você mal se lembra daquela Carrie que mal conseguia olhar para a filha. E nada disso foi exatamente trabalhado ao longo da temporada. Não é pra menos que o season finale do ano quatro teve duras críticas por aí. Agora eu entendo o motivo.

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Novamente, não que o quarto ano tenha sido horrível. A história do garoto que queria apenas viver a sua vida, se esforçar e ser alguém, o sequestro do Saul e até mesmo o ataque ao consulado americano foram momentos intensos, mas aí eu paro e penso “isso é algo que eu estaria vibrando se fosse 24 Horas, com aqueles berros ensandecidos do Jack Bauer”, só que aqui em Homeland não consigo deixar de pensar “não foi exatamente por isso que comecei a ver essa série“.

Fora que o elenco de apoio do núcleo da história da Carrie é muito estranho. Tem hora que você fica querendo saber mais quem são estes personagens e a história não consegue trabalhar direito com nenhum deles, exceto quando há conivência com o roteiro, quando precisa que eles puxem explicitamente algo da Carrie. O universo gira somente e exclusivamente em torno dela.

A impressão que tenho é que os produtores já sabem como encerrar a história da Carrie, mas como a série ainda está dando audiência (ainda que em queda), estão postergando esse momento, tal como Brody durou mais uma temporada do que talvez deveria. E aí vamos colocar mais momentos do tipo 24 horas e ver até onde as pessoas continuam vendo, estragando um pouco a longevidade da série em sua qualidade narrativa que ela possuía originalmente.

Homeland começa a me lembrar Dexter. Teve seu auge e durou mais do que deveria e acabou estragando seus personagens e a história em si da série. Se eu assistirei o quinto ano? Sim, fazer o que. Eu quero ver como a história da Carrie termina, mas já com aquela ideia de que novamente o sucesso de uma série bem bolada, acabou fazendo ela durar mais do que deveria e assim estragando um pouco a sua boas fundações. E é uma pena!

Para os atrasadinhos (como eu) – o trailer da quinta temporada de Homeland:

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e criador do saudoso (e extinto) Fórum NGM. Tenho 35 anos, sou formato em Direito, e vivo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Gosto de escrever e sempre estou sem tempo.
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