Dando Nota!Jogando

Destiny The Taken King | O Veredito Final! (ou quase isso)

Sim! Esta é a resenha final (ou não) de Destiny The Taken King! Quer dizer, ao menos por enquanto, pois se tem algo que aprendi com este game é que ele não vai parar de evoluir e crescer e isso nos faz querer continuar falando dele, ao menos enquanto estiver sendo rentável para a Activision e para a Bungie manter o título e a franquia. Só que após dois meses jogando e curtindo esse segundo ano com The Taken King sinto que chegou o momento de falar um pouco mais sobre o título, me desvinculando um pouco daquele primeiro Destiny que conheci em setembro de 2014.

Já escrevi muito sobre Destiny aqui no site. Desde seu lançamento original, passando por toda aquela montanha russa que o título causou em muitos jogadores, que ora estavam felizes com o game, ora se sentiam frustrados com muitas das decisões do estúdio na forma de como a evolução do título aconteceu. Alguns destes textos estão no final da postagem para quem quiser reler.

Claro que um dos maiores pontos de polêmicas de Destiny The Taken King foi justamente essa transição que a Bungie fez do primeiro para o segundo ano do game, na qual basicamente adotou uma política de: ou o jogador paga para ter The Taken King, ou fica aí apenas com o que o jogo oferecia em seu primeiro ano, mas com uma interface inferiorizada, fazendo questão de apontar e dizer na cara do jogador tudo aquilo que ele não pode jogar e experimentar por ter decidido não comprar seu acesso ao ano 2.

Colocado essa grande carta na mesa já digo de cara que acho que a atitude da Bungie foi errada, até parcialmente escrota. Ela não soube conversar com todos os jogadores do primeiro ano e explicar com clareza do que se tratava The Taken King e também de mostrar a eles o porque o segundo ano seria tão maior e melhor para o título a ponto de fazer sentido essa migração para essa nova fase. Faltou um pouco de gratidão com todos que prestaram suporte ao título em seu primeiro ano e isso prejudicou muito a reação inicial destes jogadores.

E convenhamos, hoje, tendo jogado e experimentado quase tudo de The Taken King  – sim, ainda tenho coisas opcionais que não fiz nesta versão – posso dizer que a migração vale e muito à pena, especialmente se você curtiu Destiny tanto quanto qualquer outra pessoa que jogou dezenas ou centenas de horas o primeiro ano. Só acho que ao jogadores do primeiro ano, que adquiriram o game de 2014, compraram o Season Pass, deram a maior grana ao game e apoiaram o jogo por todo o seu primeiro ano, o valor de upgrade cobrado pela Bungie (R$ 100) ainda é um pouco mais do que deveria ter sido cobrado de toda essa galera. Finalmente tendo terminado a nova campanha, vendo que além de muita coisa nova e inédita, há também a reutilização de várias coisas do ano 1 (percursos de fases, patrulhas, equipamentos aprimorados) acho que se esse upgrade tivesse vindo custando um pouco menos, algo em torno de 65 a 70 reais (o que seria em torno de 29 dólares lá fora), os jogadores não teriam chiado e reclamado tanto. Acho que erraram no preço da migração e tornaram vantajoso demais para quem ainda não tinha adquirido Destiny conseguir comprá-lo nesta nova versão custando seus R$ 199 (U$ 59 lá fora) e recebendo o conteúdo do ano 1 + Season Pass + The Taken King. Ao novos jogadores foi uma vantagem ter esperado, enquanto que aos veteranos se pediu um pouco mais de sangue, ao ponto de ter saído muito mais caro ter adquirido o game e apoiado seu lançamento desde o início do que chegar na festa um ano depois. É esse o sentimento que magoou os jogadores e com razão! A Bungie falhou em percebeu isso.

E então sobraram duas opções: engolir o orgulho ferido e continuar se divertindo em uma franquia que você gostou muito ou ficar nessa mágoa e perder tudo aquilo que Destiny conseguiu arrumar e aprimorar com essa oportunidade de entrar com uma grande reformulação em seu segundo ano, enquanto a Bungie ainda prepara – sem confirmar – Destiny 2 para 2016.

Destiny

A expansão que não é exatamente uma expansão!

A primeira coisa que The Taken King me chamou a atenção é o quanto todo esse conteúdo do game não aparenta ser mera expansão. Não parece um conteúdo adicional criado e pensado após a produção do game em si. Hoje sabemos por conversas e fofocas de internet que de fato tudo que temos hoje em Destiny The Taken King era de fato parte do DNA original do game, que não pode ficar pronto e que precisou ser cortado do lançamento original de 2014, seja porque ainda precisaria ser aprimorada, seja porque encareceria o custo de produção, seja porque a Bungie precisava vender esse conteúdo a parte e rentabilizar ainda mais o game. Não é pra menos que muitas das artes conceituais reveladas antes mesmo do lançamento do game em 2014 já mostravam boa parte desse conteúdo das primeiras expansões (A Escuridão Subterrânea e A Casa dos Lobos) e também algumas coisas de The Taken King. Mas isso meio que não importa mais.

Aquela sensação de um game incompleto que Destiny tinha antes de The Taken King faz muito mais sentido porque ESTE é o Destiny na qual a Bungie havia idealizado. Agora sim o jogo passa a sensação de estar inteiramente completo, especialmente a sua história! Tudo faz mais sentido, pontas soltas da história até então são amarradas – mesmo que o game tenha tido sim muitos problemas com roteiro originalmente – e o game parece mais imersivo do que nunca, até mesmo os personagens principais da Torre estão mais reais, participando mais da trama e desse universo. A Bungie aprendeu um pouco com o que fez em 2014 e pegou o que já tinha planejado e deixado de fora e aprimorou para poder mostrar que Destiny consegue muito mais do que já havia mostrado.

Eu realmente gostei da nova campanha, da nova dinâmica dos personagens que auxiliam o meu Guardião, dos novos diálogos, de haver mais humor, mais piadinhas e especialmente de ter muito mais cenas em CGI tornando a experiência mais cinemática. Tudo isso foi importante para deixar esse segundo ato de Destiny muito melhor e mais divertido do que a campanha original, ainda que ele não seja tão grande quanto. Fazendo algumas comparações, fico com a impressão que a campanha de The Taken King leva mais ou menos a metade do tempo em que a campanha original possui, sem certas enrolações da original, porém com muito mais missões extras e opcionais que você faz aqui e ali para segurar o tempo de jogo, inclusive após terminar a história single-player. Certamente é uma campanha de 3 a 4 vezes maior do que cada uma das campanhas criadas nas duas expansões do ano 1, o que é um ótimo sinal.

Fora que o game acaba aprimorando tudo. Novos assaltos com novos chefões (nada de clones dos já conhecidos, são chefes novos mesmo), uma nova Raid, mais equipamentos, mais armas, mais eventos, novas áreas em vários planetas, um novo local equivalente a um planeta (o encouraçado em Saturno) etc. Tudo fica maior e melhor em The Taken King, o que acaba sendo um saldo positivo ao game, especialmente para que possa durar e ser relevante por mais alguns meses – ainda que acredite que o pique dele não se mantém até setembro de 2016 só com isso, caso seja esta a data prevista para Destiny 2. E a Bungie ainda não contou seus planos para novos DLCs, caso eles existam, para segurar um pouco mais a longevidade do título. Talvez seja por conta desse problemas que mencionei acima – um receio de pedir ainda mais dinheiro dos jogadores e segregar ainda mais a comunidade do game.

Talvez também estejam testando e experimentando coisas novas. Foi adicionado recentemente a ideia de que o game agora tem essa possibilidade de que os jogadores gastem dinheiro real para comprar gestos. Eu realmente não me importo com essa política de conteúdos adicionais estéticos sendo cobrados com dinheiro de verdade. Pelo contrário, eu torço muito para isso dar certo caso permita eventualmente que Destiny tinha DLCs gratuitos, tal como Halo 5 Guardians vem fazendo. Isso certamente seria de grande ajuda para não segregar a comunidade, com aqueles que possuem DLCs e aqueles que não possuem. E tenho pra mim que para Destiny dar certo e continuar mantendo seu público ele precisará eventualmente prover pequenas expansões gratuitas de tempos em tempos. O que não significa que o game precisa abandonar os DLCs pagos, mas seria interessante se soubessem trabalhar com ambos os formatos.

Destiny (4)

O fim da cenourinha!

Um outro ponto que se faz necessário dizer é que finalmente entendi e aprendi a não ficar correndo atrás da cenourinha que Destiny induz o jogador de se prender em status e números de força e level por centenas de horas, repetindo e refazendo as mesmas coisas, tudo para garantir aqueles equipamentos e armas que hoje eu sei que irão durar para sempre.

A transição do ano 1 para o ano 2 deixou isso bem claro. Nenhum equipamento, nenhuma arma são para sempre. O game precisa progredir o level do jogador e ao fazer isso a gente precisa aprender a se desapegar de tudo aquilo que acabamos colecionando ao longo de dezenas a centenas de horas de gameplay.

Hoje em dia não tenho mais interesse em ficar uma ou duas horas por dia jogando pela meta de cumprir certos desafios diários, só para manter um nível alto de recompensas que me permitirão comprar melhores armas e equipamentos eventualmente. Aprendi que as melhorias virão eventualmente.

Quem faz RAID (eu não faço por motivos explicados aqui) tem as melhores armas e equipamentos, ao demais restam as recompensas de eventos ou o loot que vem nos Assaltos, Crisol e missões semanais e diários – quando você resolve fazê-las. E estas recompensas podem não ser a Top das Raids, mas permitem jogar e se divertir em qualquer modo de jogo, sem que você sinta que seu personagem é muito mais fraco do que os outros jogadores presentes nesse modo. Ou seja, não há mais aquela sensação de inferiorizarão que existia no ano 1 por você não ter equipamentos e armas ao máximo. E para o bem ou para o mal, o loot de Destiny parece ter melhorado bastante. Jogue de vez em quando, se divirta em assaltos e no Crisol e as recompensas apenas por jogar virão. Ao menos é o que acontece comigo.

O melhor é não se matar jogando Destiny apenas na esperança de que venha aquela armadura X ou arma Y. Realmente não sinto mais essa necessidade em The Taken King. Não sei se isso é bom para a Bungie, mas não parece ter afetado a comunidade mais assídua do game, já que sempre há Guardiões dispostos a continuar jogando e fazendo as coisas por lá, independente da hora do dia em que você coloque um matchmaking para rodar.

A boa dica é jogar Destiny The Taken King normalmente. Termine as missões principais, depois faça as alternativas. Jogue os modos de multiplayer, verifique sempre se há eventos e quando sentir que quer um desafio, faça as missões semanais e diárias – quando estas forem legais. Verá que a sua cenourinha será garantida apenas fazendo isso, sem precisar se matar em grandes esquemas ou fazendo 8.000 mil vezes a mesmíssima coisa. E fique de olho no Xur toda sexta e sábado, os equipamentos exóticos são uma mão na roda para deixar seu Guardião em um bom status enquanto os lendários não caem no seu colo.

Destiny (3)

Tenho apenas Destiny. Então vale a pena migrar para The Taken King?

Apesar de todos os pesares que mencionei lá no começo do review, eu acredito que a resposta é “sim“, se você gostou muito de Destiny, vale a pena fazer o upgrade e entrar de cabeça em The Taken King e o ano 2 do game. A princípio pode parecer mesmo uma afronta ter essa interface capada para quem tem apenas o primeiro ano do game, mas se você se tornou fã da franquia, deixe pra lá essa sensação de mágoa e bola pra frente. Dê essa nova chance a Bungie, afinal parece que ela está aprendendo com seus erros.

Ainda não se sabe direito seus planos para 2016 na franquia, mas quero acreditar que ele aprendeu e que não vai continuar querendo sangrar seus jogadores. Ao menos não da forma como agiu em The Taken King. Eu ainda toparia gastar com Destiny, mas os valores precisam ser justos.

E se Destiny 2 realmente for lançado em 2016 e os jogadores pararem de jogar The Taken King? Bem, isso também não é realmente um problema. Há um bom tempo até que isso aconteça e The Taken King é um game para se divertir por meses de boa. Depois disso ele pode perder seu status quo? Talvez, mas até lá você provavelmente terá aquela sensação de que o investimento valeu a diversão. Especialmente nesse mercado onde você compra um game e 30 dias depois o terminou e não sente mais vontade alguma de jogá-lo. Ao menos Destiny parece trabalhar bem com longevidade.

Fora que é muito achismo ficar pensando que “não vale porque Destiny 2 vai ser isso e isso“. Não adianta sofrer por antecipação. Se você tem Destiny e curtiu muito o ano 1 dele, a própria Xbox Live já ofereceu a expansão The Taken King (tal como o Season Pass do ano 1) com desconto, é só ficar de olho que isso provavelmente acontecerá novamente. O jogo tem conteúdo o suficiente para valer o single player, seja se você o pegar agora ou nos primeiros meses de 2016. Acho que no fim todos os jogadores do ano 1 precisam sentir essa progressão que o game teve. Vale dar a chance. Ao menos conteúdo massivo e consistente The Taken King tem e de uma forma melhor e maior do que A Escuridão Subterrânea e A Casa dos Lobos tiveram juntos. E olha que eu também gostei destas duas expansões quando foram lançadas, mesmo admitindo que são pequenas.

A minha única recomendação para quem ainda não tem Destiny: evite comprar o Destiny de 2014, que ainda é vendido em mídia física e digital. Não compensa pagar 60 reais ou 50 reais, que é o preço que algumas lojas online estão oferecendo, sendo que para migrar para The Taken King o jogador teria que comprar o Season Pass do ano 1 e só aí seria habilitado a poder fazer o upgrade de 100 reais para The Taken King. Sai mais caro do que comprar logo a versão completa de 2015 (pesquise os preços nos links ao final do review)! E versão com tudo é facilmente encontrada por aí custando 170 reais ou até menos que isso se ficar de olho em promoções. – Só se eventualmente a Bungie deixasse gratuito o Season Pass do ano 1 do game… aí compensaria pegar o game na versão 2014 e eventualmente migra-lo para o ano 2. Porém como isso não aconteceu até o momento, eu não recomendo pegar a versão antiga de Destiny, só porque rolou essa redução absurda de preço por aí.

Então, pra encerrar, The Taken King é uma grande reforma que Destiny recebeu. Agora o game parece completo, mais animado e mais divertido. Se foi um erro ou não esse corte no lançamento original que a Bungie fez ao título isso não é mais relevante. O fato é que The Taken King é um Destiny melhor e, esquecendo que haverá em um futuro Destiny 2, o game ainda é um dos melhores títulos dessa geração de consoles sem sombra alguma de dúvida. Ainda não é perfeito, porém está bem mais consistente e parece que continua aprendendo a ficar melhor a cada dia. Isso certamente é um excelente sinal!

Pra quem abandonou Destiny, e eu entendo os motivos para tal, pois também quase o abandonei. Hoje fico aliviado de não ter feito e fico cada vez mais curioso para ver o que mais essa franquia pode fazer. Só acho que se você está pensando se Destiny merece ou não uma nova chance, na minha opinião sim, vale uma nova chance. Vale gastar um pouquinho mais do que deveria, do que a gente gosta de gastar em um joguinho, e ter essa experiência completa que Destiny The Taken King finalmente está oferecendo.

E que as Trevas sucumbam a Luz dos Guardiões!

Destiny (2)

Textos anteriores sobre Destiny The Taken King:

Textos do Ano 1:

 

boxart-destiny-the-taken-king-boxOnde comprar (em mídia física):

 

Uma incrível melhora narrativa, mais cenas cinemáticas, melhores diálogos etc
A nova campanha é boa e duradoura, mas é menor que a do ano 1
Houve um senso de desapego por itens e equipamentos (nada dura pra sempre)
Os novos assaltos são excelentes!
Eventos parecem mais frequentes!
Multiplayer no Crisol parece melhor balanceado
Preço bom a novos jogadores, mas meio injusto com o pessoal do ano 1
Finalmente parece que Destiny se tornou um game completo!

Destiny The Taken King potencializa a experiência de Destiny, mesmo com todos os poréns, ainda é um grande game!

Curte do nosso conteúdo? Saiba que é possível ajudar o Portallos!
Siga-nos em nossas redes sociais: Facebook | Twitter | Instagram
(Novidade) Estamos começando, dê uma força: YouTube | Mixer
— Entre e participe do nosso Grupo de Leitores no Facebook!
Seja um apoiador no Apoia.se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Etiquetas
Isso também pode lhe interessar

Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
Botão Voltar ao topo
Fechar

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios