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Octodad Dadliest Catch | Bom humor a serviço da jogabilidade! (Impressões)

Sabe aquele tipo de game que te pega de calças arriadas? Bem, Octodad é um game assim, na qual provavelmente você só irá entender por completo, o quão genial ele é, quando o conseguir jogar por conta própria. Claro, vou explicar o conceito do game, os altos e baixos aqui, mas Octodad é um daqueles tipos de games que só jogando para entender o porque são tão bons.

Curioso mencionar que o game já tem mais de 2 anos de vida, tendo sido lançado originalmente na plataforma PC em janeiro de 2014, e que ainda assim não parece ter envelhecido um dia sequer. Sua proposta e seu visual se mantém interessante até os dias de hoje, em um modelo de jogabilidade que se existirem clones por aí, nunca os vi (ou vi e já esqueci).

O game está disponível para PC, PlayStation 4 & Vita, Xbox One, Nintendo Wii U e também em versões mobile para iOS & Android – que aliás, fiquei curioso em saber como será que adaptaram os controles para estas versões portáteis direto em telas de touch. Enfim, para estas impressões, a versão do game que joguei foi para o Xbox One.

Octodad Dadliest Catch (11)

Uma última informação pertinente, antes de entrar no game em si, é que Octodad: Dadliest Catch é uma produção da Young Horses, um pequeno estúdio lá de Chicago (EUA). Estúdio fundado em 2011 e o título é o primeiro game oficial dessa turma, baseado em um game protótipo – hoje gratuito para quem tiver curiosidade – de 2010. Octodad: Dadliest Catch foi possível ser desenvolvido graças em parte a uma bem sucedida campanha no Kickstarter.

E para um indie game, o título é um grande sucesso, tendo conseguido agora em junho de 2016 atingir a meta de 1 milhões de cópias vendidas (somando todas plataformas em que ele está disponível). Chegou até mesmo a receber um lançamento em edição físicapara PS4 e Vita (em cópias limitadas) lá fora, segundo nota do site oficial.

Os tentáculos malucos do Papai Polvo!

Octodad: Dadliest Catch então é uma versão maior e melhor do primeiro Octodad de 2010. Eu não joguei a primeira versão, mas se você a espiar no You Tube verá que é gritante o upgrade gráfico que o game recebeu em sua versão Dadliest Catch. Fora que o game agora tem uma história, mais áreas e toda a física em torno da jogabilidade foi aprimorada na versão completa e definitiva do game.

Octodad Dadliest Catch (7)

A brincadeira do game é a seguinte: você tem esse polvo, vestido como uma pessoa normal e se passando por tal. Leve no bom tom de humor, porque o game é para ser levado nessa pegada cômica. O game começa no casamento desse polvo com uma mulher humana e aparentemente ninguém sabe que ele é um polvo! Estranho? Calma, vem comigo!

O jogador na pele do polvo precisa executar pequenos atos, se movimentar e realizar pequenas e simples ações, sem deixar transparecer que ele é um polvo! Octodad é meio desajeitado, meio molenga, tal como um molusco de fato é! O grande lance de brilhantismo de Octodad são seus controles. O jogador não controla o personagem como qualquer outro game convencional, cada membro/tentáculo é acionado de forma individual!

Octodad Dadliest Catch (10)

Imagine então que você precisa andar com o Octdad, molengão como ele é. Utilizando o controle do Xbox One, o jogador aperta o gatilho esquerdo do controle para levantar a sua perna esquerda. Nisso você mexe com o analógico essa perna e solta o gatilho quando estiver no ponto em que você queira que ela fique. Aí é a vez da perna direita, que não se mexeu um milímetro sequer enquanto você mexia na perna esquerda. Aperte então o gatilho da direita, o “Papai Polvo” vai levantar a sua perna direita, ficará retinho em relação a sua perna esquerda, já fixa, e aí sim poderá levar a sua perna direita ao ponto na qual o jogador desejar. Complicado? É meio que para ser mesmo, com esse efeito visualmente cômico, com a forma como a física trabalhar no game, com o andar e todo o jeito do Papai Polvo de se manter firme na pose de um humano.

Além das pernas, adicione o braço. As vezes o jogador precisa abrir uma porta, pegar um objeto, ou simplesmente tirar algo de seu caminho. Aí você tem o analógico da direita, que controla apenas o braço do Octodad! Com um botão qualquer coisa pode ficar fixada nas ventosas do braço do Papai Polvo, porém é um braço molenga e todo desajeitado. É normal o jogador se perder totalmente na precisão ao mexer com pernas e braço, fora que como trata-se de um polvo, as vezes seus tentáculos se enroscam em diversos obstáculos, ou o próprio game o faz entrar em lugares onde normalmente uma pessoa não entraria.

Octodad Dadliest Catch (5)

Octodad: Dadliest Catch é então um game que brinca com física de um molusco, enquanto mescla pequenos elementos de puzzle, plataforma e exploração. O game dá pequenos objetivos ao jogador, como cortar a grama do jardim, colocar hambúrgueres em uma churrasqueira ou levar suco para sua filha (humana!). Todas estas situação acontecendo de forma bem humorada e cômica, na qual os controles enganam o jogador e resultam em situações hilárias de gameplay.

Finalizei Octodad com a minha esposa e filho pequeno vidrados enquanto jogava, onde houve situações onde ambos ficavam quase sem ar de tanto rir de mim, tentando executar que em tese seria algo simples para qualquer outro game, mas que em Octodad o simples ato de ir até a cozinha pegar um copo de café cria situações de completo desastres pela casa.

Claro que com o tempo o jogador pega o jeito do game, ao menos em situações mais comuns, como o simples ato de andar, porém as vezes o jogo exige que o jogador extrapole as coisas, como se enfiar dentro de um freezer no supermercado para pegar uma pizza congelada que se encontra em uma distante prateleira ou andar pelo jardim sem pisar nas flores da esposa ou subir em um enorme brinquedo de pontes e cordas atrás do filho do Papai Polvo.

Octodad Dadliest Catch (2)

A meta destas situações estapafúrdias nem sempre é criar bagunça e caos aliás. Como expliquei lá no começo, ninguém sabe que o Papai Polvo é um polvo, nem mesmo sua esposa e seus filhos (humanos!), então quanto mais bagunça o jogador fizer pelo cenário, maior são as suspeitas das pessoas ao seu redor que estão lhe observando. Há uma barra de suspeita que não pode encher, ou a missão falha e o jogador é obrigado a reiniciar a missão.

Curtinho, mas adorável!

Terminei toda a campanha principal de Octodad: Dadliest Catch em apenas 3 horas e meia, incluindo aí duas missões extras que tal versão possui, chamado de Shorts. Claro que aí não foi um final de game 100%. Aparentemente, segundo as conquistas presentes no Xbox One, perdi alguns pequenos segredos que existem pela campanha, incluindo uma pequena área extra, sem mencionar que não me preocupei em procurar os colecionáveis do game, que são gravatas espalhadas por todas as localidades do jogo.

Octodad Dadliest Catch (16)

Vale ponderar que o game está barato em suas principais plataformas. Custa 25 reais no Xbox One e na Steam e 30 reais no PlayStation 4. Com certeza é um ótimo preço, mesmo que a experiência inicial do game não dure inúmeras horas. É um título que em um sábado a tarde qualquer um consegue começar e terminar em uma única sentada.

Lamento apenas que as versões fora da Steam não possuam o recurso do Whokshop, que é um editor de fases da comunidade, permitindo a criação de novos estágios dentro do game. As versões dos consoles poderiam ao menos ter uma espécie de seleção dos melhores da comunidade. Uma pena não ter.

Octodad Dadliest Catch (9)

Outro adendo importante é que ao contrário dos muitos indie games lançados atualmente nesta geração, que chegam de forma localizada, Octodad: Dadliest Catch não possui localização em português. Isso pode atrapalhar um pouco quem não tem habilidade nenhuma com o inglês, especialmente porque as missões são descritos na tela do game, e nem sempre ficam óbvias apenas olhando para a fase. Porém nada que uma espiada no You Tube (ou em um dicionário de inglês-português) não resolva. Já para quem arranha um pouco o inglês, Octodad é um bom treino. Fora que parte do humor do game também estão nos diálogos em áudio.

Enfim, mesmo curtinho, Dadliest Catch é um game que incentiva o replay. O jogador sente a vontade de repetir algumas missões, algumas áreas e também os Shorts, muitas tarefas e cenários novos. Pena que a Yong Horses só conseguiu até hoje lançar dois Shorts. Sinceramente eu até pagaria por novos Shorts se fossem lançados como DLC.

Octodad Dadliest Catch (19)

Há também uma modalidade multiplayer, que não testei, mas que funciona de uma maneira semelhante ao single player, porém no multiplayer cada jogador controla uma parte do Octodad. Requer mais precisão e atenção de ambos os jogadores, mas acaba sendo as mesmas missões e fases do modo para um jogador.

Como história, o game também se sobressai. O enredo é divertido e inteligente. Parece absurdo e surreal ter um polvo se disfarçando de ser humano e se casando com uma mulher. O game brinca a todo momento com esse fato e até mesmo acaba explicando como diabos o Papai Polvo conheceu sua bela esposa e como foi parar no mundo dos humanos. E a tirada final a respeito de seu grande segredo é engraçada e espirituosa. Nada disso precisava para tornar o game divertido, mas o contexto acaba sendo um refinamento de um aspecto técnico que torna o game ainda mais cativante.

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Terminei Octodad: Dadliest Catch querendo mais. Espero sinceramente que a Young Horse cogite fazer um novo game futuramente. É um personagem que tem tanto carisma que poderia até mesmo ter uma série animada, destas pirações que existem em animações como de produções do Cartoon Network. Espero que ele não fiquei apenas neste único game e que os jogadores possam ouvir mais de Octodad em um futuro não muito distante. Aliás no site oficial do game há alguns produtos bem legais com a marca, prova do tamanho que é seu carisma. Ao menos lá nos Estados Unidos.

Se você até hoje não jogou Octodad, por favor, jogue!

Mais Imagens!

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Ambientação e personagens esbajam carisma
Física de jogabilidade singular e criativa
Bom tom de humor
Curtinho, deixa o jogador querendo mais
Sem localização para português
Bom preço e disponível em várias plataformas
Fator replay (multiplayer, segredos & colecionáveis)

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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