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Grow Up | Um pequeno robô e um planeta inteiro para explorar! (Impressões)

Antes de começar as impressões de Grow Up é necessário comentar rapidamente que este game é uma sequência de Grow Home, lançado ano passado apenas para as plataformas do PlayStation 4 e PC. Desenvolvido por uma das muitas subsidiarias da Ubisoft espalhadas mundo afora. Neste caso me refiro a Ubisoft Reflections, localizada na Inglaterra.

O legal é que Grow Up conseguiu expandir um pouco mais seu alcance, chegando desta vez também para a plataforma Xbox One. Então vale avisar que estou neste grupo de usuários que está conhecendo a franquia somente agora, graças a sua chegada a plataforma do Xbox.

Precisei mencionar tais fatos porque é bem capaz de que para este grupo de usuários na qual estou incluso o encantamento por Grow Up talvez seja ainda maior do que aqueles que tiveram a oportunidade de jogar Grow Home ano passado. Para quem está chegando agora a esta série, Grow Up é algo genuinamente novo, enquanto quem jogou Grow Home pode encontrar certas coisas talvez semelhantes demais, ainda que isso não seja algo necessariamente ruim.

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De fato, pelo que pude pesquisar pela internet, Grow Up apenas faz aquela escala que uma sequência precisa fazer. Tudo é maior e mais refinado que o primeiro game. Se acerta algumas coisas que não deram certo, aumenta o tamanho da área do game, criam-se novos desafios e mecânicas e pronto: sai do forno uma sequência totalmente aprimorada em relação ao primeiro game.

Isso significa que se você adorou Grow Home, vai adorar jogar Grow Up, enquanto para quem não gostou do primeiro game não vejo motivos para tentar gostar deste aqui. A dúvida fica para aqueles em cima do muro: se Grow Home pareceu legal, mas mecanicamente tinha problemas que lhe atrapalharam na experiência, talvez em Grow Up as coisas estejam bem mais legais para esse grupo de jogadores.

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Um planeta para explorar!

A premissa de Grow Up é bem simples. Existe esse simpático robôzinho chamado BUD que está todo de boa em sua nave, chamada MOM. De repente uma chuva de meteoros surge do nada, que a despedaça e faz a nave e BUD caírem em um pequeno planeta. Resta agora BUD recolher as peças e consertar MOM, e para isso ele conta com a ajuda de POD, um pequeno robô voador que lhe auxilia oferecendo uma visão aérea do planeta em questão.

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O legal de Grow Up é a sensação de liberdade. O jogador é livre para explorar um planeta inteiro que, mesmo sendo pequeno, para um pequeno robô aparenta ser gigantesco. E o game tem esse lance de apostar na verticalidade, ou seja, BUD não tem apenas que andar pelo planeta, mas também subir em escalas assustadoras. Porque no fim das contas, a MOM deve ser montada na lua do planeta! Sim, o jogador vai precisar escalar e subir até chegar a lua!

Para isso o game possui diversos recursos. O mais importante talvez sejam as plantas estelares, que BUD pode fazer seus ramos crescerem conectando-os a pequenos segmentos de terras que estão flutuando ao redor destas plantas. Cada conexão as fazem crescer mais e mais, atingindo altitudes inacreditáveis. Vale apontar que enquanto Grow Home possuía apenas uma Planta Estelar, Grow UP tem quatro, uma para cada tipo de ambiente presenta em quatro partes do planeta.

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Outro aspecto legal é que a forma como a jogabilidade funciona. BUD pode escalar qualquer parede, qualquer superfície. Para tal o jogo funciona de forma bem semelhante aos controles de Octodad, mas de uma forma bem menos desengonçada e mais simplificada. Cada gatilho controla um dos pequenos bracinhos do robô. Apertou perto de uma superfície ele agarra e cola nela. Use o analógico para ir controlando e alternando entre os braços, enquanto solta e aperta os gatilhos de forma alternada.

E aí entra a segunda característica dessa mecânica. BUD pode se agarrar em plantas, escalando-as e também segurando-as. O primeiro Grow Home tinha um sistema na qual o jogador coletava as plantas e armazenava em sua mochila, já em Grow Up BUD pode escanear as plantas do planeta e assim criar infinitas sementes delas. Selecione a planta desejada, jogue a semente no chão e ela crescerá instantaneamente.

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Esse recurso é útil em algumas situações, onde o jogador precisa de uma planta que lhe ajude a escalar algum lugar. Isso porque a maioria deles servem para isso mesmo: arremessar BUD para os céus, de diferentes maneiras. Pense que a escala vertical do game é bem cruel caso o jogador resolva escalar as plantas estelares apenas com os gatilhos e os bracinhos de BUD. Esse é um recurso para jogá-lo a grandes alturas e tornar o game mais dinâmico.

Além das plantas, o próprio robô acaba recolhendo habilidades ao longo da aventura que vão facilitando a vida de exploração do jogador. Um jetpack que pode ir ganhando mais e mais bateria e combustível conforme o jogador vai recolhendo cristais espalhados pelo mundo do game, ou um planador para não cair de forma acelerada de grandes alturas, ou até mesmo uma forma em que BUD vira uma pequena bola, no melhor estilo Super Metroid.

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Grow Up não é um game feito para frustrar o jogador. Você pode imaginar que escalar gigantescas alturas do game é exaustiva e cansativa, e no caso de cometer um erro e cair ser ainda pior. Que nada! O jogo se preocupa com isso, criando até mesmo teletransportadores que funcionam como checkpoints após chegar em determinadas alturas. Aliás viajar por vários pontos já explorados pelo planeta é fácil graças a esse recurso. Voltar para alguns pontos do game é bem tranquilo por causa disso.

Além da aventura principal o game ainda conta com pequenos desafios extras, chamados de desafios do POD que ao serem completados destravam novas skins para BUD, que concedem ao jogador habilidades exclusivas. Acaba que Grow UP não é um jogo para lhe desafiar, mas apenas para lhe entreter e ser uma experiência divertida.

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Vale ou não vale?

Grow Up é um destes games que ganham o carisma do jogador em menos de 5 minutos após inicia-lo. O visual é incrível, ainda que a direção de arte possa parecer meio carente de realismo, a proposta aqui é exatamente dar algo diferente, mais original.

Olhando com os gráficos do primeiro game no You Tube, acredito que Grow Up está um pouquinho mais bonito. Olhando de perto também não parece, mas na visão de escala do planeta e do ambiente que o jogador modifica e molda ao jogá-lo, através das plantas estelares, você percebe o quão incrível é a proposta visual aqui apresentada.

O game esbanja carisma e charme. BUD é todo desajeitado propositalmente, ele anda engraçado, se agarra de forma engraçada e faz sons engraçados. Meu filho de 4 anos me viu jogando e se encantou com o game. Pediu para colocar o game em seu perfil – já que assim ele não fica deletando meus salves sem querer – e já saiu jogando. Ele nem estava interessado nos objetivos do game, querendo apenas coletar as plantas e sair por aí andando, explorando e plantando em tudo quanto é lugar para ver o robôzinho ser atirado para cima de uma forma toda desengonçada que ele é. E se um game consegue encantar uma criança dessa idade assim, com sua simplicidade a ponto de deixá-la entretida por horas, é porque ele está fazendo algo certo.

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Talvez seja importante dizer que Grow Up não é um título longo. Há vídeos no You Tube de pessoas que o terminaram em 2 horas de jogo, o que me parece uma tremenda falta de aproveitamento de um ótimo game. A última vez que olhei para o contador, estava com 5 horas de gameplay e faltando duas peças para recolher da nave. E mal fiz os desafios extras para destravar novas roupas. Ou seja, ainda tenho mais pelo que aproveitar no game.

Para um título que custa tão pouco, parece que sua longevidade é coerente. Quer dizer, na Xbox Store e na Steam o game custa apenas 20 reais, enquanto na PlayStation Store ele custa um pouco mais: 31 reais. E mesmo assim tenho a impressão de que o game vale o valor cobrado no PS4. É realmente uma experiência divertida, criativa e original.

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Claro, não é um game isento de problemas, como certos padrões que se repetem após algumas horas de jogo ou a ausência de outras mecânicas que seriam bacanas de ver aqui, como uma melhor utilização dos animais presentes no game (que até onde vi, não servem para nada). Porém são detalhes tão pequenos frente a experiência proporcionada, que não chegam nem mesmo a manchar o game.

Há que se dizer que Grow Up está totalmente localizado em português, tal como as capturas destas impressões estão mostrando. Não há falas, pois todos os personagens se comunicam por sons robóticos, mas o texto presente ao longo do gameplay e dos menus está em nosso idioma. Esse é um aspecto importante e que acaba sendo sempre bem vindo.

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Alguns reviews não deram uma nota muito grande para Grow Up alegando que, para o bem ou para o mal, o jogo ainda se parece muito com Grow Home. Mas pra mim, sendo este o primeiro título da série a chegar ao Xbox One, certamente acho que ele merece uma nota um pouco maior. Pela qualidade técnica, pela premissa criativa, pela experiência e diversão proporcionada, pelo preço honestíssimo e por estar chegando a mais uma nova plataforma.

Pra mim Grow Up se mostrou um excelente título, que chegou em um excelente momento, pois se fosse para ser lançado daqui algumas semanas, disputando meu tempo com os grandes blockbusters da temporada talvez eu não tivesse conseguido apreciá-lo intensamente da forma como o apreciei nesta semana que passou.

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Certamente há que se elogiar a Ubisoft por permitir que um game tão simples, porém tão divertido, possa ter sido desenvolvido em uma de suas filiais. Isso mostra que grandes estúdios e empresas não precisam apenas apostar em títulos milionários para ganhar o respeito dos jogadores. As vezes pequenas pérolas são tão valiosas quanto.

Não sei, talvez seja aquilo que eu disse lá no começo: por não ter jogado Grow Home ano passado, Grow Up me surpreendeu de forma muito positiva. Não estava esperando muito do game e de repente estou encantado com o mesmo, jogando por horas a fio e sentando ao lado do meu filho para ajudá-lo a ir em áreas ainda mais altas no game para coletar DNA de novas plantas. Há um certo encanto quando um game consegue isso de uma forma tão rápida e tão honesta.

Mais imagens!

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Charmoso e simpático, te conquista rapidamente
Liberdade para explorar um planeta inteiro
Mecânicamente interessante, jogabilidade cativante
Preço totalmente amigável pelo que o game oferece
Talvez seja semelhante demais ao primeiro game?
Verticalidade é um elemento contagiante
Poderia haver mais desafios e elementos diferentes

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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