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Worms W.M.D | Minhocas em guerra há 21 anos! (Impressões)

Worms é uma série antiga no mundo dos videogames. O primeiro game data de 1995, ou seja, são 21 anos de existência. Para comemorar a ocasião a Team17, desenvolvedora da série desde seus primórdios, lançou agora em agosto um novíssimo título: Worms W.M.D, que tem a proposta de ser um dos mais completos games da série lançado nestes últimos anos.

A proposta, por sinal, é mais do que bem vinda, especialmente se for considerar que algumas das mais recentes versões de Worms não foram lá tão divertidas quanto se esperava – sim, estou pensando em Worms Battlegrounds de 2014. Pra mim, os últimos games da franquia que realmente valeram a pena experimentar foram Worms Armageddon (2009) e Worms Ultimate Mayhem (2011), que são uma espécie de remakes de Worms 2 e Worms 4 de muitos mais anos atrás. E olha que a lista de games da franquia é grande.

Mas verdade seja dita, a atual geração de consoles estava precisando de um Worms bacana e W.M.D parece conseguir fazer o que exatamente se espera de um game dessa franquia: ser divertido tanto para uma experiência single player quanto multiplayer, trazer uma grande quantidade de armas e habilidades, muitos cenários e manter bases clássicas da série, enquanto acrescenta algumas novidades. E ser acessível a todo tipo de jogador, iniciante ou veterano, claro.

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Posso destacar duas novidades bem legais em Worms W.M.D: a quantidade de veículos e armas pesadas que foram adicionadas as mecânicas do jogo, incluindo tanques, robôs e helicópteros e também o menu de construção de itens por turnos, na qual explico daqui a pouco.

Além das novidades, a Team17 parece ter se preocupado em deixar todo o resto o mais fiel possível as parâmetros básicos da série, porém mantendo renovados e modernizados a atual geração, como o belíssimo visual 2D tanto dos enormes veículos, quanto das minhocas, assim como o cenário, que continua totalmente destrutível e caótico.

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O jogo segue com seu clássico sistema por turno. Um jogador controla uma minhoquinha por turno, podendo andar com ela a vontade pelo cenário, até decidir atacar ou tomar algum dano, o que pode acontecer sem querer. Há um tempo para cada turno e no single player o jogador precisa esperar que a CPU pense e haja em seu turno (o que leva consideráveis segundos que uma máquina não precisaria levar diga-se de passagem). Não é exatamente um ponto negativo, já que a demora da inteligência artificial do jogo talvez seja apenas para dar um realismo relativo de que o jogador está jogando contra um player virtual que pensa (e erra) como um jogador humano normalmente erra.

O arsenal

Em seu turno existe um leque considerável de opções para atacar outras minhocas inimigas. Clássicos como granadas, bazucas e espingardas continuam presentes no game. A novidade agora é que agora é possível construir versões mais poderosas destas armas clássicas. A construção de armamento é requerida por meio de caixotes de crafts recolhido nas fases (que vão caindo de forma aleatória ao final de cada turno) e requerer uma construção em seu turno o faz ser gasto. O ideal é colocar itens para serem fabricados durante o turno dos adversários (sim, pode ser feito isso).

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Não sei se é uma novidade exclusiva de W.M.D, mas gostei bastante de que agora os cenários tem construções que podem proteger as minhocas. Que ao entrar em um edifício, o cenário meio que o abre, como se cortasse-o ao meio, mostrando apenas ao jogador, que controla a minhoca que entrou, o que há lá dentro. O adversário não pode ver o que há dentro do edifício a menos que tenha uma minhoca lá dentro também. E os novos cenários apostam muito nessa nova estratégia de partida.

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No que diz respeito aos novos veículos, todos estão espetaculares. A ideia de ter grandes máquinas no campo de batalha parece ser um dos grandes esquemas desse novo jogo. São ferramentas de batalha que podem virar totalmente a partida, especialmente porque normalmente podem causar dano a mais de uma minhoca por turno. Fora que causam uma destruição significativa dentro de cada cenário.

O grande porém dos veículos, e que meio achei errado dentro das regras do jogo, é que qualquer minhoca pode tirar a minhoca que está dentro do veículo e o usar para atacar a mesma (ou qual o jogador quiser) dentro do turno na qual o veículo foi tomado. Não sei, isso torna as coisas meio estranhas. Eu uso um tanque em meu turno, e no turno adversário o mesmo vai e pega meu tanque, e depois quando volta para o meu turno, roubo-o o tanque novamente. Entende aonde quero chegar? Não faz sentido. O ideal seria o tanque travar. Eu peguei, agora ele é meu. O que o adversário precisa fazer para diminuir esse impacto na estratégia do game é pegar um outro veículo ou atacar com todas suas forças o meu veículo (o que é totalmente possível).

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Além disso, todo o arsenal mais apelão, e clássico da série, retornam ao game. Gosto em especial da estátua do burro gigante que cai do céu e destrói completamente o cenário em uma linha vertical a sua queda, abrindo um rasgo no campo de atalha, e também acho legal a granada aleluia, que tem um raio de explosão absurdo. Além deles, os ataques aéreos e os de bunker continuam nesta versão, e são sempre necessários para as estratégias mais complexas em algumas partidas.

Tudo isso mantém Worms W.M.D um ar de clássico renovado. Tem de tudo que os jogadores veteranos da série esperam, e mais um pouco. As novidades acabam adicionando um tempero estratégico especial, pois obrigam o jogador a se adaptar aos ataques de veículos e a imprevisibilidade do adversário de construir algo que você nunca saberá o que é, até ser atacado com aquilo.

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O single player

No que diz respeito aos modos do game, Worms W.M.D pode ser aproveitado tanto no multiplayer quando no single player. Apesar de Worms ser tradicionalmente uma série que é melhor aproveitada no multiplayer, sempre gostei muito de jogar sozinho, de resolver as missões e fases dos criadores, encarando-as como uma espécie de puzzles estratégicos, na qual os cenários são criados para que o jogador vença pensando e se adaptando ao modelo de batalha preestabelecido.

Neste caso, Worms W.M.D não inventa fases de forma procedural em seus modos principais de single player. É tudo esquematizado para que o jogador vença se descobrir o ponto fraco da defesa das fases construidas pelos criadores do game. Prefiro assim, porém não nego que mal não faria ter um modo procedural de fases, na qual uma programação criasse modelos de fases de forma maluca e aleatória. Algo assim pode fazer falta sim para alguns jogadores mais experientes na série.

Worms WMD

Sozinho, o jogador tem o modo treinamento, modo campanha, modo desafio e modo de fases extras (bônus). E é legal o cuidado que a Team17 até mesmo teve com o fator longevidade destes modos. No modo treinamento, por exemplo, cada fase tem três medalhas, dependendo da velocidade em que você faz o treinamento. Apenas encerrá-lo, independente do tempo, garante a medalha bronze, mas fechar ainda mais rápido pode garantir medalhas de prata e ouro, sendo que ainda há um leaderboard global, para ver qual o recorde mundial da fase em si.

No modo campanha, que visualmente não é tão charmoso quando gostaria que fosse, sendo apenas uma lista de 30 fases para se selecionar (sem mapa ou história progressiva), não basta o jogador vencer a partida. Cada fase tem objetivos secundários, como matar inimigos afogando-os, acabar com um número determinado em um único turno, usar tal arma para finalizar a partida etc. Cumprir objetivos não são um requisito obrigatório para avançar no game, sendo apenas coisas extras que incentivam o jogador a voltar para algumas fases e fazer aquilo na qual os desenvolvedores dizem que é possível fazer. E tudo que o jogador faz gera experiência (XP) que o fazem subir de nível e assim destravar novos itens personalizáveis para as minhocas.

Na campanha, em algumas fases há pequenas animações das minhocas, promovendo seu arsenal. Não é exatamente uma história, mas ainda assim é um toque bacana, ainda que não seja exatamente algo interligado que conecte a campanha inteira.

Worms WMD (4) Worms WMD (3)

O modo desafio é composto pela missão de derrotar uma única minhoca, sendo que cabe ao jogador descobrir como fazer, já que seu arsenal é limitado e muitas vezes só há uma única forma de vencer o estágio. O grande lance é que esse modo é condicionado a finalização de fases da campanha, pois os cartazes das minhocas procuradas nesse modo estão escondidos dentro de casas e edifícios das fases da campanha. Cabe ao jogador recolher estes cartazes e abrir as fases de desafio.

No que diz respeito as fases bônus, são o que o nome do modo sugere. São fases especiais, que as vezes possuem um objetivo exato para vencer uma batalha com as minhocas, antes que alguma delas vença a partida com uma jogada inacreditável. Em uma partida desse modo, após massacrar todo o time da CPU, restando apenas duas minhocas, uma delas ativou uma chuva de meteoros que matou todas as minhas minhocas. O objetivo dessa fase era encontrar essa minhoca e eliminá-la antes dela invocar essa chuva de meteoros.

Worms WMD

Dá para queimar consideráveis horas jogando Worms W.M.D sozinho. Ao contrário de algumas versões anteriores, na qual o single player era um tanto capado por contra do modelo de multiplayer online, aqui parece que a Team17 se preocupou com esse elemento e com a quantidade de jogadores que curtem a experiência solo do título.

Minhocas personalizadas e multiplayer

Dois elementos que jamais podem faltar na série Worms é a personalização das minhocas e de modos multiplayer local e online. E nada disso ficou de fora em Worms W.M.D.

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A personalização é uma das melhores que já vi até então dentro da série. Quase tudo é personalizável. O jogador muda os chapéus, as lápides, os nomes, os gestos e as dancinhas da minhoca e especialmente os trejeitos das vozes, podendo até mesmo mudar o idioma em que elas comentam ao começo e final de cada turno das partidas. E sim, há opções de vozes em português!

As falas em português não estão ativadas somente ao setar a dashboard do console em nosso idioma, ainda que todo o menu e instruções já venham localizadas em nosso idioma. Porém no que diz respeito as vozes das minhocas, nem mesmo opções do jogo isso pode ser alterado. É preciso ir até o modo personalização e personalizar um time de minhocas e na opção de voz, escolher uma das opções de português (PT-BR) que existem nesse menu (vide tela acima). Aí é só salvar e assim o seu time participa tanto do single player quanto do multiplayer com as vozes em português. Ainda que o adversário acabe utilizando outro idioma.

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Uma crítica que posso fazer quanto as vozes é que poderia haver uma opção para deixar isso aleatório no game inteiro. Para cada partida começar com um modelo vocal diferente para as minhocas. Se existe, não encontrei. Mas seria legal se pudesse ser feito algo assim.

Já no que diz respeito ao multiplayer, aqui preciso fazer aquele parênteses que as vezes acho necessário fazer por conta da minha conexão de internet ser mais baixa do que a atual geração de consoles anda pedindo, mas que por outro lado as vezes é condizente com o jogador médio brasileiro, já que no país sofremos com serviços de internet banda larga ruins e capengas.

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O modo de multiplayer de Worms W.M.D é um dos mais completinhos da série Worms que testei nos últimos anos. São bem mais opções do que imaginei que haveria inicialmente. Dá para setar partidas locais com os amigos no sofá, mas é no online que as vezes as pessoas se interessam em jogar. E aqui há opções para se jogar com jogadores configurados como iniciantes ou como profissionais. Além disso há salas para combate entre dois, quatro e até seis times simultaneamente. Além do tradicional procura de partida rápida, que vai ignorar todos os filtros de busca e te colocar aonde o jogo encontrar um jogador disponível (exceto partidas ranqueadas, que tem um matchmaking próprio).

A pergunta que fica é se o online funciona e se há muitos jogadores online. Então, funcionar funciona. Consegui encontrar partidas, joguei algumas partidas online (perdi todas, sou realmente ruim em Worms aparentemente), e as que joguei não tive qualquer problema com lags. Rodaram perfeitamente. Porém o jogo demora um pouco para encontrar partidas, o que pode ser da minha internet ruim, conforme alertei, ou talvez uma baixa comunidade de brasileiros jogando o título, já que agora o Xbox One sempre tem servidores locais para seus games online. De algumas tentativas, por exemplo, nunca consegui jogar online com um time de seis pessoas. Todas as partidas acabaram sendo de apenas um time contra outro.

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Com títulos mega famosos e populares, como betas abertas, jogos como Destiny, Forza, Halo, Gears of War obviamente a minha internet baixa não é um empecilho, pois são games que sempre possuem muitos jogadores online, independente da hora do dia ou da semana. Já games menores, como Worms W.M.D, encontrar alguém online as vezes é um desafio maior do que possa parecer.

Vale ou não vale?

Antes de responder, é preciso colocar o seguinte na balança: se você é um daqueles jogadores que se interessa apenas pela experiência competitiva de um multiplayer, talvez é preciso ter atenção a Worms W.M.D. Verifique se a sua internet é boa, acima da média geral do brasileiro (de preferência que seja fibra) e se você tem amigos que podem jogar online contigo, sem depender tanto da comunidade online global. Porém acredito que se a sua internet é alta para atingir jogadores globalmente, isso não será um problema para ti.

Para quem curte Worms, e assim como eu, se preocupa com a experiência individual, os modos para um jogador são bons o suficiente para lhe prender por um bom tempo. São 30 fases principais, mais quase tudo isso no modo treinamento e metade disso no modo desafio. Há uma quantidade que dá para ocupar de 6 a 8 horas de gameplay solo, até mais se você for meio devagar, como normalmente eu sou. É a média para a maioria dos indie games atuais, então não é bem um demérito e nem algo positivo. É apenas o esperado.

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Há também a questão do preço. Tradicionalmente os games da série Worms, especialmente nos últimos anos, tem custado um pouco mais do que normalmente o jogador espera de um título com uma pegada de indie game custe. Na Steam o game está custando 65 reais, na Xbox Store está saindo por 69 reais e no PlayStation Store ficou um pouco mais salgado, custando 107 reais.

Ao menos, pelos menos por enquanto, o título está vindo com o pack All-Stars (ao menos na Xbox Store isso está expresso no link da página), que permite a customização de diversas máscaras baseados em vários indies games (veja o trailer no final destas impressões). Claro que isso não justifica o preço um pouco acima do normal, mas é melhor do que se não estivesse vindo.

O bom é que Worms é um destes games que não há a necessidade de comprar toda versão que costuma ser lançado por diversas vezes em uma geração. Pra mim, W.M.D é o Worms que atualmente melhor representa essa geração (esqueça Battlegrounds). Se tem condições e é fã na franquia pode ir sem medo. Mas se puder esperar um pouquinho, a minha dica é aguardar alguma promoção futura, pois elas sempre surgem.

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Espero que a Team17 também ouça algumas das sugestões que a comunidade do game estão pedindo por aí, como a possibilidade de cross-play entre plataformas (ao menos XO-PC e PS4-PC) e também algumas melhorias nos menus de arsenal e algumas letrinhas das partidas, já que imagino que em uma TV pequena, com o jogador sentado no sofá, escolher armas ou ler os tutoriais do game não seja exatamente algo fácil. É preciso uma opção para aumentar essa interface em determinados tipos de tela. Em uma TV grande, a minha tem 40 polegadas, ou em um monitor de PC, em que você joga colado na tela, isso não é um problema, mas em outros cenários pode vir a ser.

Mas isso só com o menu de armas mesmo, pois o game em si tem um zoom bem maleável, podendo aumentar até o ponto de ficar com a minhoquinha colada na tela, ou afastar a ponto de conseguir ver o mapa inteiro do game.

No mais, Worms W.M.D é um excelente título de aniversário para Worms. Respeita as premissas da série, acrescenta novidades e traz muitas horas de diversão, tanto para veteranos da série quanto para aqueles que querem passar a conhece-la a partir daqui. Não é um game que tem a pretensão de inovar (talvez queira apenas renovar) a série, porém que é bem mais competente do o título anterior desta geração. Sem dúvida Worms W.M.D é!



Mais completo e divertido que Worms Battlegrounds
Veículos pesados e enorme arsenal de armas e variações
Totalmente localizado (minhocas falam em português)
Cuidado em agregar conteúdo ao single player
Multiplayer com as opções esperadas (faltou cross-play)
Times de minhocas totalmente personalizáveis
Preço nacional está um pouco acima do ideal

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!

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