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Hitman | Impressões dos Episódios 3 & 4! (Marraquexe & Bancoque)

Um recado: antes de começar a ler estas impressões, talvez seja interessante dar uma olhada nas duas matérias prévias já publicadas sobre esta série em episódios de HITMAN. Fiz um texto a respeito do primeiro episódio, em Paris, e um outro do espetacular segundo episódio, que se passa em Sapienza na Itália. O foco da terceira parte desta série em review de HITMAN serão o terceiro e o quarto episódio, sendo que tentarei não voltar aos episódios já discutidos nesta rodada.

Inicialmente achei que conseguiria escrever a respeito de cada episódio de forma individual ao longo desta primeira temporada do game, porém logo descobri que a fórmula do jogo não sofreria grandes mudanças entre episódios e acabaria sendo repetitivo e até redundante caso resolvesse falar individualmente sobre cada um dos capítulos. Resolvi esperar.

E parece que foi uma boa decisão. A primeira temporada da série acabou, com o lançamento do episódio 6 no começo do mês. Resolvi que era hora de voltar para a franquia. Ver o que o estúdio Io-Interactive conseguiu aperfeiçoar com patchs, e de cara gostei do que vi, como os loadings estão muito mais rápidos do que já estavam quando o segundo capítulo foi lançado, e que eram uma tortura quando o game tinha apenas o prólogo e seu primeiro episódio.

Feedback é realmente uma coisa muito legal. Ao longo destes últimos meses, a cada capítulo lançado, o estúdio lançou enquetes a todos os compradores de Hitman, via e-mail, perguntando aos mesmos o que estavam achando do game, das mecânicas, das melhorias e pedindo por sugestões. Admito que até fiquei animado em responder as primeiras enquetes, abordando os primeiros episódios desbravados. Outras acabei guardando para responder quando terminasse o restante do game. O que agora estou em vias de fazê-lo.

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Porém decidi que não seria proveitoso fazer um review final abordando os quatro últimos capítulos de uma só vez. É muito conteúdo. Muito texto. E então resolvi quebrar novamente as impressões do game. Hoje quero apenas falar de Marraquexe e Bancoque. Na próxima semana falarei de Colorado e Hokkaido e darei as impressões finais e conclusivas em torno do título.

Tumulto em Marraquexe

Opinião é realmente algo bem peculiar, não? Depois de ter montado meus pontos para este texto, fui dar uma olhada nos reviews dos capítulos 3 e 4 publicados lá fora e pude notar dois pontos que valem a menção aqui: muitos críticos não conseguiram curtir o terceiro capítulo com tanto ânimo quando se empolgaram com Sapienza (episódio 2), enquanto o quarto episódio foi muito mais elogiado do que o terceiro, pelo design do ambiente. E eu meio que discordo de tudo isso.

Quer dizer, gostei muito mais do terceiro capítulo do que do quarto. Fiquei realmente impressionado com Marraquexe, com a quantidade de NPCs e como isso estava interferindo em meu gameplay logo que voltei ao game após passar alguns meses sem jogá-lo.

Gastei um bom tempo em Marraquexe, passeando pela feira, pelos telhados de algumas casas, olhando o tumulto em frente ao consulado Sueco (vídeo acima), até conseguir traçar um plano para começar a agir dentro da missão. Gostei como o ambiente nesta terceira missão parece vívido, cheio de pequenos detalhes.

Tudo bem, Marraquexe não é tão impressionante quanto a italiana Sapienza, que tinha uma estrutura de edifícios e casas e suas intersecções para tudo quanto é lado. Algumas oportunidades em Marraquexes são até meio que óbvias, ainda que haja espaço para o jogador brincar e testar coisas. Só que não acho que seja este o problema aqui. O ponto é que este novo Hitman segue uma fórmula padrão e quanto mais se joga, mais óbvia ela fica. É difícil ser surpreendido a todo momento.

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O que me divertiu neste terceiro ato foram as restrições na área externa. Todo mundo estava de olho em mim. Pegar um cutelo no meio da feira livre e guardar em meu casaco? Suspeito. Apanhar algum turista, garçom ou guarda em locais tão movimentados sem parecer suspeito? Um exercício realmente complicado. O “como” começar o plano de assassinato nesta missão é que é tão bom.

Depois, lá dentro da embaixada, admito que tudo fica bem mais fácil. O alvo segue uma rota em trilhos. Então não foi um problema. O segundo alvo, que fica dentro de uma escola de difícil acesso, consegui matá-lo por meio de um túnel que interliga o consulado ao esconderijo do mesmo. Foi um tanto fácil, mas isso só porque também estou meio macaco velho já. Moeda como item de preparação antes da missão? De jeito nenhum! Quero o aparato para abrir fechaduras! Cordinha para enforcar? Me dá logo a seringa que é mais rápido!

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Só que gostei. Não foi um ambiente de encher os olhos, mas o capítulo soube ter uma proposta diferente frente aos capítulos anteriores, sem necessariamente tentar ser melhor. Mais contido, porém achei bem divertido. Os reviews lá fora reclamaram um pouco da falta de sotaque dos NPCs, estando todos em Marraquexe, ninguém ali fala com sotaque. Bem, como inglês não é minha língua de origem, realmente não me incomodou (e só fui perceber quando vi os reviews comentando a respeito).

Aliás, um bom desafio nesta missão? Tente assassinar o alvo do exército primeiro, depois vá atrás do político no consulado. Achei muito mais fácil entrar no consulado do que na escola abandonada como meio de se começar esta missão. O bom de HITMAN é isso também, não há uma única forma, um único jeito de vencer dentro da missão proposta.

Hóspede do barulho

Já o quarto capítulo, me decepcionei um pouco. Em Paris já havia explorado uma grande mansão e aqui, em Bancoque, o ambiente se resume a um Hotel a beira do famoso rio Chao Phraya. Digo de cara que me decepcionei um pouco, pois tirando a referência do rio, vi muito pouco de Bancoque neste capítulo. Gostaria de ter explorado mais a capital da Tailândia. Ao menos ter pego um barco no rio para dar um rolê aos arredores do hotel, o que não é possível.

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A missão aqui, mais dois alvos para assassinato, também não são lá muito surpreendentes. O primeiro alvo, um advogado, está passeando a vista de todos logo na primeira área na qual o jogador se encontra. Basta apenas acompanhar o trilho do alvo, que se repete em looping, e procurar uma oportunidade para matá-lo. Não parece tão fácil como possa estar fazendo soar, mas também não achei lá grande coisa.

O alvo mais difícil foi um cantor, que está em um anexo do hotel, gravando seu álbum. Este me deu certo trabalho, mas só porque fui um completo atrapalhado aqui. Comprometi disfarces importantes, como de garçom e empregado do hotel, o que me causou grandes problemas para andar pelos andares inferiores do hotel e me arruinou algumas oportunidades fixas da programação do game. Acabei dando um jeito, causando bagunça, barulho e praticamente sendo barrado dos andares inferiores, o que fez com que eu precisasse de um outro disfarce para conseguir sair do hotel, sendo que ainda não havia assassinado o advogado lá na entrada do local.

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Acabei ficando com a impressão de um episódio mais restritivo, com cenários que até mesmo já havia visto nos episódios anteriores, como a parte do sótão ou das áreas de acesso restrito aos funcionários. O looping do alvo inicial também é meio irritante por ser óbvio demais.

Algumas das críticas lá fora aclamaram este capítulo como sendo uma típica missão clássica da franquia, na glória de seu passado. Não sei afirmar se é isso mesmo, e se é este o ponto da nostálgica que agradaria os fãs. A mim, saio com a impressão de que gostaria de uma complexidade muito maior em termos de cenários e disfarces.

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Muito mais do que episódios

Antes de encerrar estas impressões, acho oportuno comentar que neste ponto, a qual HITMAN se encontra, o game tem muito mais conteúdo do que apenas seus episódios. A promessa de manter o game ativo à comunidade de fãs ao longo deste ano se manteve firme e forte.

Contratos elusivos foram lançados com uma boa frequência e agora há uma quantidade impressionante de desafios da comunidade e contratos agravantes, que trazem o mesmo cenário de cada um dos já lançados, mas com alvos diferentes para o jogador procurar e meios diferentes de assassiná-lo.

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Fora que me agrada a ideia de que todos os capítulos tem um certo nível de domínio, na qual conforme o jogador vai executando desafios e metas diferentes, seu nível de expertise aumenta e isso permitirá recomeçar as missões principais e agravantes com novos itens, armas, locais e disfarces. É um twist bacana para não ter a impressão de que o replay do game é meramente repetir as missões principais.

Um último ponto que vale a pena comentar é sobre a trama do game como um todo. Sim, porque ela existe! É um aspecto que chegou a ser criticado ao longos dos últimos meses, nos primeiros episódios, afinal o prólogo cria um mistério e enigma em torno da figura do pobre e desmemoriado 47 e de seu contato na agência que está do seu lado, mas que mal acaba sendo trabalhado ao longo das primeiras missões. Tudo funciona de uma forma isolada, o que é meio incômodo ao se pensar que apesar da divisão episódica, HITMAN ainda é um game que precisa de começo, meio e fim.

Ao final da missão em Bancoque o game parece lembrar exatamente que precisa voltar a história incial. E aí talvez a trama fique interessante a partir daqui. Ainda não sei, pois estou escrevendo estas impressões antes de jogar os capítulos finais, o que farei logo em seguido a esta publicação.

Após quatro capítulos posso dizer que HITMAN ainda se mantém como um forte game, um ótimo título para este ano de 2016 que foi repleto de bons lançamentos. Me agrada o fato do gênero se manter comprometido em ser totalmente stealth (se jogar de forma sorrateira), sem que o mesmo se renda a tiroteios ou combates entre inimigos e jogador. Dá realmente para jogar todas as missões sem sequer usar uma arma de fogo. Isso por si só já é bem interessante.

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Em breve: Colorado & Hokkaido!

Ep. 3 - Enorme quantidade de NPCs impressiona
Ep. 3 - Apesar de algumas críticas, boa ambientação
Ep. 3 - Começo da missão é melhor que seu final
Ep. 4 - Um ambiente mais clássico, mais padrão
Ep. 4 - É bem fácil chegar aos alvos
Ep. 4 - Gostaria de ter visto mais Bancoque
Game se mantém divertido, sem sair da fórmula stealth!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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