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My Hero Academia – Vol. 1 | Agora oficialmente nas bancas do Brasil! (Impressões)

Enquanto escrevo o texto desta postagem, a Editora JBC já lançou as duas primeiras edições de My Hero Academia (Boku No Hero Academia) nas bancas do país. Então sim, estou um pouco atrasado, mas nem tanto assim. Pensei até mesmo em emendar algo sobre o segundo volume aqui, pois já estou com ele em mãos também, porém acabei decidindo comentar apenas sobre a primeira edição, tal como venho fazendo com todo novo lançamento de mangá. Primeiras edições são importantes, não?

Até porque não é como se este tenha sido meu primeiro contato com a obra. Quem acompanha o site sabe que não é. Descobri My Hero Academia lá em meados de 2014, que me levou a escrever uma matéria neste link que chegou até mesmo a sair na Neo Tokyo em tempos em que a revista pegava alguns materiais aqui do Portallos – graças ao Douglas Mct, editor da revista nessa época. Olha aí:

Neo Tokyo 105 – Fev/2015

Em 2015 voltei a escrever outro texto, comentando os primeiros 50 capítulos do mangá. Me diverti fazendo isso, pois foi uma empolgante maratona já que ainda não acompanhava a série semanalmente (de forma online). Depois veio o Conversa de Mangá, na qual escrevi sobre a série quase que regularmente até seu 94º capítulo.

Se a memória não me falha, sei que cheguei a acompanhar mais alguns capítulos online até depois da obra atingir o centésimo capítulo. Recordo de rascunhar um texto que pontuaria esse evento aqui no site, porém ele nunca chegou a ser publicado. Depois disso, parei de ler My Hero Academia online, isso foi em meados do ano passado, quando aí a Editora JBC já estava a todo vapor com as suas intenções de publicar a obra aqui no Brasil.

Ler ou não ler online? — Por que parei um pouco com isso?

Tal como venho pontuando em alguns texto aqui no site, meio que parei de ler mangás online, com a exceção de One Piece, ao menos enquanto as edições do mangá aqui no Brasil ainda estiverem tão longe da janela dos capítulos japoneses, pois quando esse mangá se aproximar, também tenha intenção de parar a leitura online.

E não tem nada a ver com querer estar sendo politicamente correto e tal. Nem sou contra a publicação de capítulos online dos mangás japoneses em publicação tanto aqui quanto lá fora. Pelo contrário, eu acho que é graças a esse pequeno grupo de fãs que traduzem e legendam tanto mangás quanto animês e o distribuem online de forma “gratuita” (sim, tem uma aspas aí e não quero discutir isso aqui) que o mercado brasileiro oficial tem um certo sucesso.

A comunidade, a base de fãs e interessados nessa mídia, cresce graças a informalidade do conteúdo, tal como também ocorre com os games. Pirataria é algo real hoje e todo mundo tem que aprender a lidar com isso. Causa mal, mas também tem como saber tirar o lado bom da coisa — dica: assista o documentário Paralelos.

Por fim, acredito que o sucesso do material nipônico no Brasil é mérito em parte desse ecossistema. Tem quem leia online e se contente, e tem quem leia online e depois vai apoiar o mercado oficial, seja pelo colecionismo, seja por ser fã de uma obra, seja por N outras razões. – Qual a sua razão?

Enfim, seguindo adiante – para não entrar no círculo da redundância – o fato é que My Hero Academia não está sendo apresentado pra mim aqui, neste lançamento da JBC. Só que isso também não significa que não tenha apreciado a versão física do mangá, com um pouco mais de extras que não tive acesso quando o li online.

Esse é um ponto que sempre menciono aqui, quando escrevo sobre um mangá físico lançado no Brasil. Em como é legal que tais edições tenham basicamente tudo que sai na versão japonesa, com os extras feito pelo autor da obra, que as vezes conta mais sobre si mesmo, as vezes traz desenhos e artworks inéditas e em boa parte fala de bastidores da obra e da história do mangá. E isso é muito bacana.

Origens secretas do Katsuki Bakugo aqui e da Ochaco Uraraka aqui.

Afinal, para quem não sabe, os capítulos de mangás em geral normalmente saem em revistas semanais que compilam várias séries em um blocão enorme de papel. Quando uma obra atinge entre 10 a 12 capítulos, dependendo da quantidade de páginas, é chegado o momento de encadernar tudo isso. E para tal, para tornar o encadernado mais atraente, de modo que quem acompanhe semanalmente e já tenha lido os capítulos quando eles saíram no formato semanal, possam adquirir novamente encontrando algumas coisas novas.

Há autores que retocam os traços (já que os capítulos semanais são sempre produzidos em um ritmo de trabalho que aqui no Brasil seria considerado quase que ilegal), fazem novos capítulos extras, escrevem sobre bastidores ou liberam esquetes e rascunhos originais dentro do encadernado. Isso meio que o torna algo legal de se ter, especialmente se o leitor se tornar fã da obra.

É por isso que não vejo problema em acompanhar um mangá online. Nós não temos os tijolões semanais saindo em nossas bancas. Temos apenas os encadernados, que ora são mensais, ora são bimestrais (como no caso de My Hero Academia) e quando estas séries colam no Japão, a periodicidade acaba se tornando meio maluca, saindo aqui quando sai lá, o que dependendo da série pode variar entre 3 a 5 meses para cada encadernado. Então sim, há quem leia certa obra duas vezes, uma vez no capítulo semanal e outra vez no encadernado.

Eu só não estou atualmente fazendo isso porque o meu backlog de leitura é enorme (e vive atrasado). Não tenho tempo ou disposição para ler duas vezes o mesmo mangá. Ainda que tenha lido esta primeira edição de My Hero Academia impresso pela JBC para ver como ficaram termos e a qualidade da edição em si. E pretenda ler os demais daqui em diante, até chegar aos capítulos que ainda não li.

Impressões da versão JBC

Entrando, finalmente, de pontapé na versão da JBC vi que ao menos uma mudança em relação com o que já existia na web surgiu. Quando comecei a ler o mangá online o que a JBC oficializou como “Dom” se chamava “Peculiaridade”. Não que esse termo também fosse absoluto. Acompanhei a primeira temporada do animê, também pela web pois não veio por meios oficiais pra cá (vacilo da Netflix e da Crunchyroll), e o grupo que traduziu esse termo usou “Individualidade”.

Muda, mas no final o sentido acaba sendo quase a mesma coisa. Fora que “Dom” é uma boa adaptação quando se pensa no trabalho de localização das letras e dos balões, já que uma editora não tem o mesmo luxo que a galera que traduz pela web que pode fazer como der para caber dentro dos balões japoneses. Uma palavra curta nesse caso é melhor do que uma palavra ligeiramente longa. E ao fim da primeira edição, já tinha que acostumado com Dom.

Tirando isso, nenhuma outra adaptação me incomodou. Achei que a JBC foi bem fiel no feeling linguístico do original. Manteve muitos termos originais, como o Plus Ultra, o nome do All Might, e todas as falas na qual os personagens dizem algo em inglês ou em outro idioma (pontuando em algum lugar a tradução disso em nossa língua). Não vi nada que pudesse reclamar nesse sentido.

Só acabou sendo uma pena que a JBC não tenha conseguido algumas páginas coloridas para o título. Muitos mangás vem conseguindo isso atualmente e My Hero Academia ficou de fora. Que pena. E olha que é um mangá de 15 reais, estando na linha mais econômica nos diversos formatos que a editora tem lançando. Papel jornal (que felizmente não sujou a minha mão, como alguns outros lançamentos de 2016 acabaram me incomodando nesse aspecto) e impressão nessa gramatura que incomoda muitos leitores hoje em dia, mas que não acho totalmente ruim, ao menos não para uma série que pretende durar alguns bons volumes.

Não nego que preferiria pagar 3 reais a mais e ter My Hero Academia na mesma qualidade que vejo na edição atual da republicação de Fullmetal Alchemist, pela mesma editora. Apesar de que Fullmetal Alchemist é um relançamento, então imagino que seus custos sejam um pouco menores e que justificam tal preço, já que Knights of Sidonia possui o mesmo formato e é um pouco mais caro. Até porque My Hero Academia, mesmo sendo um título que já pode ser considerado longo, já possuindo 12 volumes no Japão, está chegando por aqui de forma bimestral. Enfim, agora não adianta chorar sobre o leite derramado. Teria sido interessante, uma pena que não rolou.

Gostei da adaptação que a JBC fez com a capa do mangá (acima), não necessariamente espelhando-a como antigamente os mangás aqui publicados faziam (One Piece é espelhado até hoje), e deixando a brincadeira do autor com propaganda falsas dentro da edição, na contra capa. Eu gostei dessa adaptação. Ficou mais estiloso e combinou com o mangá, que tem essa sátira com as HQs de super heróis ocidentais. Gostei mesmo desse mosaico que me remete a comics e quadrinhos deste lado do planeta, quanto no outro lado se mantém a arte de capa em seu formato original.

Super Heróis em formato mangá!

No que diz respeito a história, não sei se quem está lendo isso aqui clicou em algum dos links lá do começo da postagem. Talvez não o tenha feito por medo de spoilers, afinal há spoilers lá sim. Bem, no geral My Hero Academia é um shonen de batalhas, que brinca muito com elementos dos quadrinhos americanos de super heróis. Porém o autor, Kohei Horikoshi, soube trazer de forma sagaz esse tema para o mundo dos mangás.

Gosto do fato do protagonista da série, Izuku Midoriya (ou apenas Deku), aparecer já no primeiro capítulo como um narrador, contando a sua história de algum momento futuro da série. Acho interessante a ideia dele ter todo esse espírito do verdadeiro herói e ter nascido sem dom.

Aqui ainda não dá para ver muito sobre o All Might, pois nesse momento inicial ele ainda é bem caricato, mas eventualmente, mais cedo do que você imagina, ele se torna um grande personagem.

Fora que o autor sabe trabalhar com personagens secundários. Todo mundo da classe do Deku tem personalidade e carisma próprio. E vindo de alguém que já leu os 100 primeiros capítulos, posso dizer tranquilamente que My Hero Academia é um mangá que vale a pena acompanhar. O autor trabalha com arcos pequenos e rápidos. Não é de enrolar. E a cada novo momento da série, uma nova coisa é apresentada e explicada, gerando assim aquela sensação de satisfação na leitura, enquanto se anseia pelo que vem a seguir.

Claro que My Hero Aacademia é essencialmente um mangá juvenil, porém ele funciona muito bem com um público mais adulto, e especialmente com quem mora fora do Japão, habituado com HQs ocidentais de super heróis. O mangá trabalha muito bem essa sua esfera, trazendo super poderes legais e batalhas que se tornam épicas inesperadamente. É um mangá de ação, aventura, mas com aquela bizarrice e comédia que um shonen com protagonistas adolescentes precisa ter.

Se você ainda não conhece My Hero Academia, está perdendo uma grande e divertida série. Experimente o primeiro volume, e depois volte aqui para dizer que não curtiu. Não tem como. Eu tenho lá minhas dúvidas se alguém pode não apreciar a obra, caso seja fã de mangás do gênero Dragon Ball, Yu Yu Hakusho, Naruto, Bleach, One Piece, Cavaleiros do Zodíaco e afins. O tipo de mangás que nós aqui do Brasil curtimos pra valer. My Hero Academia está facilmente nesse grupinho, e por seus próprios méritos.

PLUS ULTRA!

Conteúdo extra da versão impressa são excelentes
Layout da capa da JBC ficou bacana
Podia ter algumas páginas coloridas...
Adaptação foi fiel e adaptou bem termos como "Dom"
Ser bimestral ajuda no bolso dos colecionadores
É um shonen popular, e verdadeiramente divertido!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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