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Plants vs Zombies Garden Warfare | Impressões da Graphic Novel!

Acho que o melhor aqui é não fazer rodeios. Até porque sou fã de Plants vs Zombies e essa HQ produzida pela Dark Horse lá nos Estados Unidos, e lançada aqui no Brasil em setembro do ano passado pela Editora Pixel, não cumpriu exatamente as minhas expectativas. Mas calma que explicarei meus motivos.

A começar que só fui entender direito ao pesquisar um pouco sobre essa série em quadrinhos publicado lá fora. Na verdade esse arco, baseado no game Garden Warfare 2, é o quinto arco de uma série em quadrinhos que segue basicamente um formato próprio e nem tão semelhante as premissas dos jogos em si.

São quadrinhos que claramente trabalham com o público mais infantil, ainda que consigam não descartar totalmente interessados de maior idade, além dos fãs dos games, claro. O ponto aqui é que há dois personagens chaves que não existem nos jogos: o jovem Nate Timely e Patrice Blazing, esta sobrinha do Crazy Dave.

Ambos meio que são protagonistas da série nos quadrinhos. As plantas e os zumbis ainda atuam como personagens centrais, mas toda a trama é conduzida por Nate e Patrice. E o grande mal desta Graphic Novel é que ela não se preocupa em nenhum momento em apresentar estes personagens. Isso durante a leitura causa grande estranheza para quem está conhecendo a série em quadrinhos a partir daqui.

O caso é que Nate e Patrice não surgiram aqui nesta HQ. Existe quatro arcos publicados anteriormente nos Estados Unidos que infelizmente não foram publicados no Brasil. Ao menos não que eu tenha conhecimento de terem sido. Bem, para quem ficou curioso, os arcos anteriores são Lawnmageddon, Timepocalypse, Bully For You e Grown Sweet Home.

Não ajuda muito saber que ao contrário de HQs como os da série de The Witcherna qual o leitor não precisa ler em uma ordem específica – senti que no caso de Plants vs Zombies Garden Warfare a falta de um conhecimento prévio desse universo prejudica um pouco o arco como um todo. Tanto que ao final da HQ há um gancho para o próximo arco, que até já saiu lá fora, seguido de um posterior: Petal to the Metal e Boom Boom Mushroom.

A Editora Pixel deveria ter se atentado a isso e ao menos ter publicado o primeiro arco desse universo em quadrinhos, apresentando assim seus protagonistas ao leitores brasileiros. Afinal eles não existem nos games e que acredito que muitos por aqui nunca ouviram falar deles. Isso certamente faria a HQ de Garden Warfare mais divertida, já que a história brinca até mesmo com versões dos futuro de Nate e Patricia e para quem os está conhecendo agora é meio bizarro.

O pior é que essa publicação fora de ordem acabou me deixando curioso para conhecer as primeiras edições da revista. Acredito que as minhas estranhas impressões em torno da mesma em parte seja culpa disso. Realmente não curto ler séries fora de ordem, especialmente quando acaba sendo visível que perdi algo ao fazer isso.

Enfim, deixando de lado esse aspecto técnico – que é sim um baita agravante, não estou tentando menosprezar – vale a pena comentar um pouco sobre a HQ em si. Na trama o Dr. Zomboos criou um artefato que permite abrir portais do tempo, trazendo assim zumbis do futuro para brigar com as plantas do presente, sendo que sua mais nova arma são um exército de Robôs-Z, comandado por uma horda de zumbinhos.

Isso abre uma guerra entre o tempo, presente e futuro. Assim plantas do futuro também voltam ao presente para ajudar, tais como o Citrinador e a Rosa. Aliás é uma pena o Coronel Milho fazer apenas uma rápida aparição, pois no game Garden Warfare 2 ele é um dos meus personagens prediletos. A trama gira de uma forma bem semelhante ao game, com os zumbis ganhando terreno e quase dominando as plantas.

Não é algo super mirabolante, mas a HQ em si tem vários momentos de humor, fazendo piadas típicas do universo da série. Craze Dave por exemplo tem uma ideia digna de um louco para fechar os portais do tempo (e que não revelarei aqui). E funciona. Os embates entre plantas e zumbis quase sempre são divertidos. E é legal ver que as plantas do futuro podem falar a língua humana, enquanto as plantas clássicas não falam.

Uma pena que o Crazy Dave também não falar. Ele apenas balbucia aqueles sons malucos que faz nos games. Só que nos jogos estes sons se traduzem em falas, o que não ocorre na HQ. Estranhei isso, mas pensando em como a HQ dá importância nos papéis de Nate e Patrice, acaba fazendo sentido ter o Crazy Dave apenas  como um personagem de fundo da trama, quase como um mestre dos heróis.

A HQ trabalha bem com os personagens novos criados em Garden Warfare 2, sem esquecer dos personagens clássicos. A arte também é muito boa, ainda que não seja nada espetacular. Há quadros realmente bem detalhados e recheados de personagens, com diversos ângulos e efeitos de ação.

Mas é uma narrativa caótica, quase como se fosse barulhenta. Não tem um roteiro muito bem afiado. Falta um certo refinamento que uma Graphic Novel mais séria teria. Há piadas em cima de piadas, personagens aos montes, ação e personagens correndo em pró de um objetivo sem dar tempo para a trama respirar.

Imagino que uma criança lendo se divirta à beça com essa loucura, já um adulto sente que não está se dando o devido tempo para história ou a certos personagens. Há bastante fanservice com isso. E muito as vezes acaba sendo ruim.

É um encadernado que não vale dar a atenção? Não sei. Talvez sim, talvez não. Assim, eu sou fã de Plants vs Zombies. Jogos os games no iPad, tenho os games no Xbox One. Adoro a série Garden Warfare. Então pela curiosidade acredito que é um encadernado interessante, além de ser bonito. Porém ficaria mais inclinado a indicar se a Editora Pixel resolvesse lançar ao menos o primeiro arco de história por aqui. Para dar mais sentido ao próprio universo destes quadrinhos.

Vale ficar de olho em promoções. Na Amazon BR, por exemplo, o encadernado está com um excelente preço no dia da publicação destas impressões (18 reais). É um preço convidativo, e se curtir esse tipo de quadrinhos dedicado a um público mais novo, acredito que dê para pegar e tirar proveito. Fora que é sempre interessante ver mais uma aposta de série em quadrinhos chegando ao Brasil com base em um universo de uma franquia dos videogames. Isso por si só conta muitos pontos.

Dá para encontrar muito do espírito de Plants vs Zombies nesse encadernado. Porém não espere uma obra prima. É algo leve e descontraído. Se conseguir ver dessa forma, aposto que irá se divertir lendo.

Tratamento gráfico caprichado da Pixel
Enredo caótico, sem muito refinamento
Arco chega ao Brasil sem a origem da série ser publicada
Bons momentos de humor, agradavel aos fãs da franquia
Arte de Jacob Chabot merece elogios
Já é possível adquirir por um bom preço pela web

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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