E3 2019JogandoRapidinhas

14 minutos da in-game demo de Beyond Good and Evil 2 e sua assustadora escala

Eis o primeiro vídeo liberado para a comunidade que fez o registro no Space Monkey Program, a comunidade que irá acompanhar de perto o desenvolvimento de Beyond Good and Evil 2, um dos maiores (e inesperados) anúncios da E3 2017.

A ideia do diretor criativo Michel Ancel é compartilhar os estágios do desenvolvimento do game até ele de fato ser lançado, colhendo o feedback da comunidade a respeito do que anda sendo feito e coletando informações, ideias e sugestões a tempo destas serem moldadas dentro do game. Interessante, não? O fórum oficial já está funcionando e parece a todo vapor.

O mais irado disso é que aparentemente as informações às portas fechadas de imprensa não devem ficar por muito tempo fechadas assim. Uma semana depois da E3, aí está Michel em vídeo apresentando aquilo na qual mostrou apenas a alguns jornalistas na semana passada, que é justamente a engine de gameplay do atual estágio do game! Eis o vídeo e depois volto a comentar mais a seu respeito:

Para quem se perde um pouco com o inglês (ainda mais este carregado com sotaque francês), o que é interessante de se comentar aqui é a dimensão absurda e assustadora da escala e perspectiva mostrada no vídeo que a atual engine do game consegue gerar.

A ideia de que o jogador irá começar sem nada, sem nave, sem tribulação, sendo alguém normal, com um emprego normal em uma cidade normal do game e conforme a história progredir, tudo vai escalonar e expandir a visão que o jogador terá desse mundo, a ponto de em certo momento lhe dar uma nave espacial na qual poderá inclusive explorar a galáxia dentro do game. É algo realmente impressionante, um tanto absurdo e meio assustador de que vá dar tão certo assim.

Michel explica que fazer tudo isso manualmente, cidades, regiões e planetas infelizmente não é possível, então game terá partes criadas proceduralmente, a partir de peças que os desenvolvedores irão fazer, porém haverá lugares, cidades e pontos específicos de tudo isso na qual o desenvolvimento das áreas serão fixos e projetadas manualmente. Provavelmente os pontos onde a campanha e a história do game vai aconteceu.

Outro ponto legal é a rotatividade dos planetas. A mudança do tempo do game, de dia para noite, significa que tudo dentro do game está sendo rotacionado. O sol que se vê, junto com o planeta de anel ao fundo da engine não é uma pintura de luz e efeitos de sombra, mas é de fato um sol e um planeta lá no espaço que está rodando ao redor do planeta do game, em tempo real!

Há também o momento em que ele mostra uma nave menor, ainda que a nave mãe gigantesca também estará disponível ao jogador para controlar. Esta nave menor pode acelerar em vários estágios e percorrer grandes distâncias dentro da escala do game, inclusive ela sai da atmosfera do planeta e vai para o espaço sideral. É muita loucura. Tudo isso em tempo real, sem qualquer tipo de loading.

Isso para logo depois Michel mostrar a ideia de que meteoros podem cair no planeta e mudá-lo geograficamente, formando enormes crateras. Beyond Good and Evil 2 será um grande game de exploração espacial, ainda que o foco da aventura e história vá existir, apenas não é isso que Michel está apresentando nesse momento.

Não será um MMO, e nem terá um multiplayer online massivo. Atualmente os desenvolvedores testam o multiplayer com 15 jogadores online no máximo, mas esse número ainda não é definitivo, nem como mínimo, nem como máximo. Isso será algo a ser decidido no futuro. O que se sabe é que o game terá tal função e será mais como um game de ação e aventura com doses gigantescas de exploração (não ficar claro se haverá mecânicas de crafting, ou seja, recolher recursos para construir coisas). Haverá, porém, elementos de RPG, na qual o personagem do jogador (que será totalmente customizável, humano, máquina ou animal) irá subir de nível conforme ele for cumprindo missões principais e paralelas ao longo da aventura.

No atual está ainda não dá para falar muito dos gráficos. Não tem como dizer se o jogo terá ou não downgrades ou sequer em quais plataforma irá rodar. Michel comentou em entrevistas semana passada que não quer o game como exclusivo de uma plataforma. Estão fazendo para rodar na maior quantidade possível de sistemas.

Não há data de lançamento, mas se espera que na E3 2018, já exista uma demo jogável do game. Se tudo der certo, um grupo seleto do Space Monkey Program poderá ter a chance de testar algo de gameplay do game ainda no final desse ano.

Particularmente, acho muito difícil que o game saia ainda em 2018. Olhando todo o projeto, me parece algo tão ambicioso e ousado que sequer me parece que a atual geração de consoles consegue rodar. Até ia mencionar Destiny aqui, que lembra um pouco alguns dos conceitos mostrados para Beyond Good & Evil 2, mas aí me caiu a ficha que o game da Bungie foi desenvolvido para rodar nos consoles da geração passada e que Destiny 2 vai me dar melhor uma noção do que algo feito exclusivamente para esta geração será capaz de fazer no sentido de mundo espacial aberto.

Não me parece que Michel está tentando reproduzir a ideia (que deu muito errado) de No Man’s Sky, e mesmo que estivesse, certamente seu orçamento e a capacidade técnica da Ubisoft talvez conseguisse fazer o que o pessoal da Hello Games não conseguiu, porém Beyond Good and Evil 2 não se parece em nada com No Man’s Sky. Muito pouco do que foi apresentado até agora lembra isso, exceto a parte de sair do planeta e ir explorar outros, que terão áreas geradas proceduralmente. O caso é que há muitos indie games que trabalham com ambientes procedurais e dão muito certo, não dá para pegar um exemplo ruim e achar que todo game que tenha uma proposta procedural vá ser ruim.

Enfim, há muito que ainda gostaria de escrever sobre Beyond Good and Evil 2, mas já estou me esticando demais. Certamente haverá outros momentos para dizer mais a respeito do game. Michel Ancel não mostrou, mas comentou, que o sistema de fotografias do primeiro game retornará, que este é um prequel que não irá obrigar os jogadores a terem jogado o game de 2003 e nem mostrou mais de perto as cidades, se os jogadores poderão entrar em prédios, como a população (que também será procedural) irá agir, pontos de interação etc. Ainda há muito para se ver.

Por enquanto o que assusta mesmo é esse conceito de escala em tempo real. Uma galáxia em movimento, movimentando um ciclo de dia e noite em tempo real e na capacidade do jogador partir de um ponto qualquer do planeta e sair dele sem que o game engasgue ou exija qualquer tipo de tela de loading. É tudo muito assustador, um tanto preocupante, mas acima de tudo: fantástico e impressionante!

E para ver e rever, o teaser legendado de Beyond Good and Evil 2!

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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