Naruto to Boruto: Shinobi Striker | Konoha desconectada! (Opinião)

Lançado no final de agosto, Naruto to Boruto: Shinobi Striker é um título diferente dos jogos anteriores de Naruto. Ele é mais parecido com a proposta de Dragon Ball Xenoverse, onde o jogador constrói seu próprio personagem, enquanto também toma liberdades para ser um jogo mais focado em batalhas de times com objetivos específicos.

Não é um título exatamente focado em ter uma campanha ou uma história. E sinceramente? Não acho qualquer problema nisso. A série Naruto Ultimate Ninja Storm já completou esse evento, trazendo uma experiência cinemática em torno de toda a história original do mangá. Não vejo motivos para ter que repetir isso novamente em um novo game. Ao menos não agora, sendo que o último jogo foi lançado somente há 2 anos.

E esse é o desafio que agora a franquia de Naruto deve encontrar nos videogames, tal qual Dragon Ball enfrenta: como receber jogos de tempos em tempos, sem ficar recontando tudo de novo a cada edição? Certamente é um ciclo de repetição que vale a pena investir vez ou outra, mas não em todos os jogos desenvolvidos da IP.

Reúna sua equipe

Sendo assim, Naruto to Boruto: Shinobi Striker é um jogo focado em uma experiência que funciona muito para àqueles que gostam de uma experiência multiplayer. Não estou aqui, neste instante, questionando a funcionalidade técnica atual do game (já vou chegar nesse ponto, não se preocupe). Estou dizendo que é um jogo construido para ser jogado com outros jogadores.

Trata-se de um jogo de arena. São grandes campos de batalha que suportam até oito jogadores, quatro para cada lado. São diversos tipos de disputas. Defender múltiplas bases; roubar a bandeira do acampamento inimigo; ativar pilares para desativar a barreira de um grande chefe dentro da fase, a qual ganha o time que melhor pontuar nessa grande batalha contra um NPC super poderoso; ou então o clássico mata mata, quatro jogadores em uma arena contra outros quatro jogadores.

Vale apontar que existem quatro classes de habilidades: ataque, defesa, longa distância ou suporte (cura). Os times não precisa ser divididos entre estes quatro tipos de classe, mas funcionam muito bem quando os jogadores se organizam para que todos usem uma classe diferente.

Tais modos e tais tipos de classes criam essa atmosfera única, que nenhum outro jogo de Naruto tentou fazer no passado. É diferente e igualmente divertido… quando funciona.

Adicione a fórmula a nova configuração de movimentação dos personagens dentro do ambiente tridimensional do jogo, muito mais dinâmico e flexível do que qualquer outro jogado da série. O jogador parte do chão para a parede simplesmente indo em sua direção. Não é preciso um comando ou jutsu para andar nas laterais dos cenários. E funciona em tudo, ao ponto em que o jogo precisa delimitar até onde é possível subir ou descer lateralmente nestas grandes arenas. Não muito diferente dos alertas de saída do campo do jogo em games de tiro como Battlefield, Destiny ou Call of Duty.

Saltar então é uma loucura. Segurar o botão de pulo faz o jogador tomar um impulso gigante e se mesmo assim não chegar próximo a uma plataforma ou paredão, basta apertar um gatilho para lançar uma kunai com fio até uma parede e ser puxado por ela até se fixar em algo que impeça sua queda. Mobilidade é a chave principal para que as arenas de Naruto to Boruto: Shinobi Striker não sejam campos planos e monótonos.

É exatamente o contrário, graças a isso a ambientação de cenário das arenas do game são as mais complexas que se pode imaginar, com plataformas (morros) de todos os tipos de níveis, paredões enormes, rampas, pontes, armadilhas e grandes prédios para todos os lados e em grande saltos de distâncias. É uma parada realmente impressionante. E as batalhas ocorrem nos locais mais inesperados. Inimigos lhe caçam no ar, em paredões e aonde for possível lhe caçar. A tentativa é sempre derrubar o jogador do ambiente, o que lhe irá tirar da arena por alguns segundos, tornando seu time em grande desvantagem (a morte nunca é permanente). E realmente há golpes que lhe arremessam a grandes distâncias, assim como alguns golpes irritantes que lhe travam a locomoção.

Isso faz a proposta de Naruto to Boruto: Shinobi Striker incrível. Só que como disse um pouco mais acima: presumindo que você consiga fazê-lo funcionar. Vamos discutir sobre isso logo abaixo.

Problemas técnicos em Konoha

O que está acontecendo? Naruto to Boruto: Shinobi Striker tem sofrido desde seu lançamento de grandes e problemáticos entraves de conexões para se jogar o título online. Em todas as plataformas a qual ele está disponível. Passado um mês e alguns patchs de atualização, o problema ainda persiste em quase todas as tentativas de buscar uma partida online. E isso para uma grande parcela dos jogadores e plataformas, não é um ou outro caso isolado.

Basta ir nas páginas do Twitter, Instagram ou Facebook da Bandai Namco para constar que a empresa está tentando solucionar isso e a quantidade de jogadores que usam estes canais para alertarem que estão tendo problemas. Há de forma generalizada essa mensagem de Erro de Rede, que impedem que partidas sequer iniciem, sem dizer exatamente ao jogador porque o erro tem ocorrido ou o que fazer para resolvê-lo.

No dia de publicação deste texto foi inclusive lançado um novo patch que está tentando consertar estes problemas. Os links acima da Bandai Namco são sobre esse patch. Cheguei a atrasar o lançamento deste texto para ver se a versão de Xbox One chegou a mudar algo significativo nessa versão 1.07, e apesar de ter conseguido jogar uma partida online entre 10 tentativas, o jogo segue me alertando sobre erro de rede e também crashando, algo que explicarei logo abaixo. E pra ser justo, a Bandai Namco avisou hoje que apesar do patch tentar corrigir algumas coisas, estes problemas ainda estão acontecendo e a equipe de desenvolvimento está trabalhando contra o tempo para resolvê-lo.

E assim, o pior não é não encontrar ou ser desconectado, o chato é que em alguns casos o jogo simplesmente dá crash, o que significa que ele para de rodar e o console retorna ao seu menu principal, obrigando o jogador a colocar o game para rodar novamente e fazer todo o demorado processo de entrada no HUB principal, onde existe aquele loading inicial grande que é padrões em quase todos os games da atual geração.

Esse é exatamente o problema que enfrentei ao tentar jogar online o game. Estava muito pior algumas semanas atrás. Agora, com muita sorte, e dependendo do horário, ainda consigo jogar online, mas ainda é muito comum o jogo simplesmente crashar e se desligar. E nunca há uma explicação lógica do motivo para isso acontecer. Se é região, servidor, minha conexão (a qual hoje em dia é de 30MB, então é relativamente boa) ou até mesmo local onde o jogo é instalado no console – neste caso estou testando no Xbox One e o jogo segue crashando seja instalado no HD interno ou no externo. Ah, e sim, já desinstalei e instalei o game algumas vezes ao longo destas últimas semanas para forçá-lo a atualizar e ver se esse problemático evento seria interrompido. E não foi.

É óbvio que isso prejudica enormemente um game que tem como proposta exatamente ter um foco multiplayer online. Afasta os que adquiriram o mesmo no lançamento, na mesma proporção de que a má propaganda afasta os potenciais interessados. E mesmo que isso venha a ser consertado eventualmente, o que acredito que será, o estrago está feito e boa parte da inicial fama ruim não deve ser esquecida. Ficará na memória das pessoas como o jogo online de Naruto que não funciona.

E não é como se isso fosse a primeira vez que a Bandai Namco tem um lançamento comprometido por problemas online. Dragon Ball FighterZ sofreu disso antes mesmo de vir a ser lançado, quando um de seus betas sequer conseguiu fazer os jogadores se conectar. O lançamento desse jogo foi complicado, mas felizmente os desenvolvedores conseguiram resolver o problema habilmente e graças ao fato do jogo ser estupidamente incrível o dano acabou sendo consertado. Não sei se essa mesma sorte irá acontecer com Naruto to Boruto: Shinobi Striker, mas eu torço muito para que seja.

E de novo, a Bandai Namco precisa rever o que diabos está acontecendo com seus servidores e tecnologia de conexão para seus jogos online. O Teste de Rede de SOULCALIBUR VI que rolou nesse último final de semana também sofreu alguns erros de conexão, em um grau muito menor do que o de Naruto to Boruto, felizmente. Só que isso ainda assim demonstra que há algumas fragilidades na rede ou na tecnologia a qual estes jogos estão rodando dentro do catálogo da empresa. É preciso ficar de olho e não deixar isso se tornar mais comum do que talvez até já esteja.

Academia de Realidade Virtual Ninja

Deixando de lado estes problemas com as conexões online, Naruto to Boruto: Shinobi Striker também oferece, em menor grau, uma experiência single player baseado em missões que simulam grandes confrontos ou disputas dentro da temática das modalidades existente nos modos competitivos do modo multiplayer.

Para isso acontecer o jogo dá uma extrapolada na imaginação, colocando o jogador como protagonista de sua própria aventura. Como mencionado no início, cabe a você criar seu personagem, tal qual em Dragon Ball Xenoverse, que pode vir a ser de qualquer uma das muitas vilas do universo de Naruto, assim como usar diferentes trajes, armas e estilos e combinações das mais absurdas possíveis.

Há quatro slots de classes, permitindo que você customize seu avatar com quatro vestimentas diferentes, golpes distintos e armas e atributos próprios. Dá uma boa flexibilidade, especialmente pensando que cada classe pode e deve ser usada em cenários diferentes do jogo, seja no multiplayer ou nas missões de treinamento. É prático, pois você não precisa ficar alterando um único personagem a todo momento dependendo do tipo de conflito que estiver sendo desafiado.

E aí esta você, um novo ninja visitando Konoha. Nada melhor então do que ser convidado a uma experiência de combate simulada em um grande método de realidade virtual. Tecnologia ninja de ponta, pode acreditar! Nisso o jogador precisa conversar com os poucos habitantes do HUB principal, que vão surgindo conforme mais missões vão sendo concluídas com sucesso.

Estas missões funcionam bem em single player, porém todas podem ser jogadas na modalidade multiplayer cooperativo, só que apenas online (nada de modalidades em tela dividida localmente). Claro que já disse que o online enfrenta problemas técnicos, certo? Nas missões cooperativas é, infelizmente, a mesma coisa. Enfim, a experiência solo é suficientemente bem divertida. Não justifica a compra do jogo por si só, exceto se você acredita  – e pode esperar  – que a equipe de desenvolvimento do game conserte o modo online.

Os estágios nesse modo são missões no geral bem diversificadas e interessantes. O jogador está sempre acompanhado por NPCs que são os personagens principais do universo de Naruto, além do próprio em pessoa. Em alguns cenários há até mesmo um segundo NPC que chega para lhe auxiliar.

Estes NPCs são os professores de seu avatar. Manter um deles como seu professor fixo o faz ganhar experiência, o que o permite subir de nível e recompensar o jogador com novos jutsus. Naruto, por exemplo, ao subir de nível pela primeira vez lhe ensina o Rasengan.

Essa mecânica, de aprender novos movimentos e golpes com estes personagens, acaba refletindo em todos os modos do jogo, inclusive o online. Inicialmente seu avatar é um novato com golpes, armas e jutsus bem qualquer coisa. Somente com o progresso nas missões solo e subindo de nível destes professores é que seu personagem também vai aprendendo e ficando mais forte. Com isso o jogador se sente mais apto a jogar contra outros jogadores que estão fazendo o mesmo que você, aprimorando e aprendendo coisas novas a todo o momento do jogo.

Quanto às missões em si, elas consistem em variações dos tipos do multiplayer competitivo, mas com algumas coisas adicionais, como enfrentar hordas de inimigos, corridas para coletar itens, mini chefes etc. E há uma em particular muito boa; que consiste em defender os portões da vila de criaturas de areia que estão tentando invadir. É excelente, no mesmo nível em que também é difícil de vencer. Muitas destas missões o jogador também vai enfrentar os próprios personagens do universo da série.

As missões solo são classificadas por categoria D, C, B, A e S; que ditam o grau de dificuldade das mesmas. Dentro dessa classificação algumas delas se repetem e alternam, assim as missões D e C que estão presentes no começo dessa “quase campanha” retornam quando o jogo termina, mas em novos níveis de categoria A e B (com elementos adicionais).

Como disse, é interessante, mas não vai muito além disso. E nem consegue justificar e sustentar o jogo como um todo. A atração principal do jogo é realmente sua modalidade competitiva entre jogadores, enquanto os mesmos usam estes elementos extras para progredir seu próprio avatar, ganhando novos golpes e itens que vão ser usados online.

Não é um modo história ou modo campanha, tal qual os outros jogos de Naruto. Não senti a falta e necessidade de que Naruto to Boruto: Shinobi Striker precisasse ter algo assim. Repito, o problema do game não é sua premissa ou a ideia prática de seu desenvolvimento, e sim uma gafe técnica na hora em que o jogo precisava de execução para criar uma comunidade em seu lançamento. É até uma judiação que isso tenha acontecido.

Para encerrar (POR ENQUANTO)

Talvez os mais atentos tenham notado que troquei o característico “Impressões” no título dessa postagem por “Opinião”. A bem verdade é que achei injusto com o jogo fazer um review definitivo a seu respeito. Obviamente quando a questão do online for consertado (e acredito realmente que virá a ser) um texto de review definitivo agora sobre o jogo acabaria o prejudicando mais do que ele mesmo já se prejudicou desde que lançado.

Por isso esta é uma opinião de momento. Haverá uma nota, mas a considere como temporária, em progresso. Ainda com potencial para aumentar. E se você estiver lendo isso em um futuro não muito distante, talvez seja importante verificar se esse problema do online ainda persiste. A minha intenção é tentar continuar acompanhando e, quem sabe, eventualmente, refazer esta matéria a respeito de Naruto to Boruto: Shinobi Striker .

Pra mim o jogo tinha potencial não para ser um dos melhores, mas um dos mais divertidos que a IP de Naruto já recebeu nos consoles. Sua inspiração em Dragon Ball Xenoverse é justificada, seu modos de competição são empolgantes e até dá para perder algumas semanas brincando na parte single player de missões solo. Há essa escada de progressão do seu avatar que leva muitas horas de jogo para que o jogador se sinta satisfeito com aquilo que já conquistou. E mesmo após finalizar todo o básico e destravar as missões em novas dificuldades, tenha certeza que ainda será divertido voltar para algumas delas.

Naruto to Boruto: Shinobi Striker é um jogo com uma boa ideia. Só precisa agora funcionar de forma prática. Sem instabilidades de rede e se possível com um final de semana gratuito em todas as plataformas possíveis quando tudo estiver nos eixos, para provar para comunidade que agora tudo estará funcionando tal qual Dragon Ball FighterZ e todo os games que possuem suporte online da Bandai Namco costumam funcionar. Os fãs não ficarão na mão, mas é um pedido de paciência que certamente não agrada a todos.

Por fim, dê uma olhada nos dois vídeos de gameplay do jogo que estão mais abaixo desta postagem, antes da nota. São dois momentos diferentes, um com Online e outro com Single Player. Transmitidos lá no Mixer e que subimos em nosso (ainda bebê) canal no You Tube. São bons vídeos para ver muitos pontos do jogo, tempo de loading, gráficos e as diferenças entre estes modos aqui discutidos.

Galeria

Extra 1 | Online nas Batalhas de Bandeira – Duração 19m

Extra 2 | Vs Kurama e Susano’o nas Missões Solo – Duração 25m

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8 Boa estrutura, inspirado em DB Xenoverse
8 Reinventa bem a fórmula dos jogos do Naruto
7.5 Missões solo oferecem boa sensação de progressão
2.5 Conexão Online muito quebrada (por enquanto)
7.5 Tem bastante potencial para melhorar e viciar os fãs
8 Avatar é maleável e altamente customizável
7 Multiplayer possui boas modalidades de competição
6.9
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