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Análise | Gang Beasts

Disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC

Gang Beasts é o tipo de jogo propositalmente boboca, que tem como foco se divertir em multiplayer com amigos. O título, desenvolvido pelo estúdio britânico Boneloaf, e distribuído globalmente pela Double Fine Presents, foi lançado originalmente em 2017 no PC e PlayStation 4 e recentemente chegou ao Xbox One, mais precisamente em 27 de março deste ano.

Trata-se de um jogo independente que recebeu muita atenção há algum tempo atrás em streaming e canais no YouTube, por se tratar de um jogo extremamente divertido de se assistir outras pessoas jogando. Seu maior mérito, provavelmente. Afinal é um elemento essencial para um Party Game, ser divertido tanto para quem joga quanto para aqueles que estão vendo outras pessoas jogarem.

Surra em bonecos

Gang Beasts é um jogo de combate em arena. Jogadores brigam entre si para arremessarem seus adversários em armadilhas ou para fora do cenário. Vence quem se manter dentro da arena, quando todos os demais estiverem fora. As regras são simples, mas a execução nem tanto.

O jogo é um daqueles desenvolvidos para possuírem uma física estranha, serem complicados de serem controlados, onde é sempre passível de coisas imprevisíveis acontecerem e partidas terem reviravoltas constantes. Lembra muito a física de jogos como Octodad ou Human Fall Flat, com a única diferença é que estes jogos tem como foco uma experiência single player, enquanto Gang Beasts é um jogo totalmente multiplayer.

Os personagens de Gang Beats são bonecos meio gelatinosos, completamente desengonçados. Eles possuem um micro pulo, que muitas vezes só é melhor impulsionado quando seus braços estão agindo com força para empurrá-los para cima. Os braços, por sua vez, são as forças motores destes personagens e a chave para descer o sarrado em todos os outros adversários.

O jogador controla o braço esquerdo e direito de forma independente. Um botão para cada. Apertar faz o personagem dar um soco. Ao socar e manter o botão apertado faz a mão do seu boneco grudar no que ele acertar, seja um outro boneco ou item do cenário, como parece ou cabos. Enquanto o botão estiver pressionado ele não vai largar o que estiver segurando, exceto se for nocauteado, que é quando ele fica desacordado por alguns segundos, enquanto você aperta o botão de pulo desesperadamente para ele acordar.

Nocautear um adversário é um movimento importante no combate. Isso abre uma brecha para agarrar esse inimigo com ambos os braços e levantá-lo (basta apenas segurar ambos os botões de soco). E aí é só levá-lo para a borda do estágio ou uma armadilha. Arremessar esse inimigo já não é tão simples, depende de você correr, pular ou girar de uma forma que a inércia faça isso. Caso contrário você apenas consegue largá-lo na borda, na expectativa de ter conseguido que ele cai para fora do estágio.

Grudar em tudo e todos é uma das coisas que ocorre com frequência nas lutas. Você tenta segurar inimigos, enquanto eles seguem te socando. E vice versa. Não há uma tática 100% certa aqui. Tudo sempre será caótico e pouco preciso. Há jogadores habilidosos, mas mesmo eles podem sofrer com as loucuras dos controles, socos e agarrões. Isso sem esquecer que as lutas sempre são contra diversos jogadores, então um jogador muito bom pode vir a ser perseguido pelos menos habilidosos.

Além dos socos, há também chutes e cabeçadas. Menos eficazes, mas ótimos para serem usados caso seus braços estejam presos ou sendo utilizados. Os botões no controle talvez não seja os mais bem posicionados em situações em quê o jogador deseje usar tudo isso, mas não imagino algum setup que os tornariam mais administráveis. É realmente pra deixar o jogador frenético, maluco e ter que se decidir qual e como usar estes comandos.

Outra mecânica interessante é o blefe. Segurar o chute ou a cabeçada faz o seu boneco cair no chão, fingindo um nocaute. Perfeito para enganar o adversário e faze-lo abaixar a guarda. Agora uma regra a qual é preciso aceitar para se divertir em Gang Beasts: esqueça a precisão.  É um jogo frenético e maluco, que não vai fazer sentido em muitas partidas. Ser nocauteado e não nocautear, não conseguir arremessar, grudar em coisas erradas, cair do cenário sem querer, não conseguir subir em beiradas etc. Tudo isso faz parte da brincadeira.

Cenário e modalidades

Gang Beasts possui uma quantidade satisfatória de arenas. Uma mais louca e diferente do que a outra. O jogador irá encontrar batalhas em elevadores, guindastes, dentro de um fábricas com piscinas incandescentes, moedores de carne gigantes, hélices que fazem todos voarem, ou em topo de um prédio, na beirada de um outdoor, em um grande balão zeppelin e etc.

A grande sacada destes cenários se dá pelo fato de que há muitos pontos que se desmontam, criando pontos para a morte dos bonecos. Beiradas que quebram, peças que se entulham pelo cenário. Há muitos pontos de ruptura, alguns que você sequer imagina que são possíveis. No estágio que se passa no topo de um prédio, há uma espécie de claraboia que o vidro pode quebrar o boneco cair ou ser jogado desse local. Já no cenário que se passa na beirada de um grande outdoor de estrada, tudo ali pode quebrar, do chão aos blocos do próprio outdoor, e tudo atrapalha o jogador a se manter dentro dessa caótica arena.

Mais turbulento ainda são os cenários que se passam em veículos em movimento. Há um em que a briga acontece no topo de dois caminhões em movimento numa autopista. Eles se distanciam e se aproximam de tempos em tempos. Os jogadores precisam arremessar seus adversários para fora dos caminhões. Mas eles podem se agarrar nas laterais, e os mais habilidosos até conseguem subir novamente, ou até mesmo abrir a porta traseira do mesmo e entrar dentro dela. Placas da pista também surgem de tempos em tempos para acertar os jogadores desatentos ao fundo do estágio. Em outro cenário, algo parecido ocorrem com um trem em movimento e a briga acontecendo no topo do mesmo.

No que diz respeito aos modos de jogo de Gang Beats, há basicamente quatro. O mais popular – com razão – é o cada um por si, o tradicional mata mata. Mas também é possível entrar no modo Gangue, onde um time de jogadores é criado e vira uma espécie de Team Deathmatch, um time precisa eliminar o outro da arena. Ambos os modos suportam até 8 jogadores.

Há mais dois modos, estes menos populares pelo que pude perceber. Um se chama Onda, o único que pode ser jogado em Single Player. A ideia é simples: lutadores NPCs irão surgir na arena e o jogador precisa dar conta deles. O contraponto aqui é que a inteligência artificial destes jogadores são agressivas e bem desafiadoras. Mesmo jogando online, com o auxílio de outros jogadores, é bem difícil sobreviver por três ou quatro ondas.

Sozinho não consegui passar da primeira onda (que começa com dois NPCs contra quem estiver na arena). Conforme as ondas vão sendo vencidas, bonecos maiores ou menores vão surgindo. Há um boneco grandão que é algo realmente infernal de ser vencido. Mas assim… não é um modo divertido. A CPU é calculista, exata e direta. Não se sente o frenesi que é jogar com adversários humanos.

A última modalidade, que parece meio desfocada do resto do jogo, sendo apenas um conteúdo extra mesma, é um modo de Futebol. Há apenas um estágio simples e os jogadores online (ou local) formam times para colocar uma bola no gol. Vale tudo. Bater, socar, empurrar, agarrar e afins. Com a única adição de uma bola e um objetivo. Legal para brincar um pouco, mas não tanto quanto o modo mais tradicional mesmo.

E tudo isso pode ser feito tanto em multiplayer local quanto online. Gang Beasts não é um bom título para jogadores solitários, que querem algo single player. Não há nada aqui nesse sentido. Nem mesmo um modo de treinamento. A tela de loading é responsável por dar algumas dicas, como correr e subir beiradas. Este é um Party Game em 100% de sua essencial. Ter amigos ou gostar de jogar online é obrigatório para curtir o jogo.

Considerações finais

Gang Beasts é um jogo independente muito legal. Meu pequeno, de 6 anos, passou boas horas jogando comigo diversas partidas online. Nos divertimos bastante, ainda que a gente tenha também apanhado horrores. Mesmo com um amigo local é possível jogar online e encher a sala com todos os 8 jogadores para deixar tudo ainda mais caótico.

Isso não isenta o game de pequenas críticas que poderiam torná-lo maior do que ele realmente é. Por exemplo, mesmo sendo um Party Game, a ideia de ter algo maior para o single player poderia ter sido criado. Modos como treinamento, desafios ou até mesmo uma recalibrada no modo Onda teria sido apreciado aqui. Fora que o game não tem qualquer história. São apenas bonecos se socando. E não que um Modo Story fosse necessário, mas poderia tornar esse universo mais… vivo. O humor fica apenas por conta do gameplay, mas poderia também ter sido usado para dar contexto universo do jogo.

Na parte Online, tendo experimentado Gang Beast no Xbox One, não tenho muito do que reclamar. As partidas foram encontradas em vários testes realizados, em dias diferentes. Houve, claro, partidas em que não foram conectadas todos os oito potenciais jogadores. Em uma ou duas delas também sofri desconexão. Jogadores também tendem a sair das partidas, e outros não são inseridos quando isso ocorre. E em todos os modos conseguir conectar, com o Mata Mata sendo mais rápido e o Modo Onda o que mais demorou (quase 5 minutos pra encontrar partida).

Até o momento Gang Beasts não possui Cross-Platform em nenhum dos sistemas em que o jogo está disponível. O que é uma pena, porque acho que o jogo se beneficiaria bastante se tivesse esse tipo de suporte. Também ajudaria muito a comunidade do Xbox One se o título tivesse saído dentro do catálogo do Xbox Game Pass, afinal me parece um jogo perfeito para o serviço, a qual seu suporte online se beneficiária muito disso.

Gosto de seus controles imperfeitos, acho que faz parte da física do jogo e são propositais mesmo. É para ser algo mais desengonçado. Os gráficos e visuais também me encantaram. É um título muito colorido, com cores realmente vivas. Não dá para perder seu personagem na tela. Fora que a violência de bonecos gelatinosos se batendo não é visceral ou expressivamente preocupante para crianças, o que me permitiu jogá-lo com meu filho pequeno. Apenas a parte da trilha sonora e efeitos de som não me chamaram muito a atenção.  Os menus são bem simples e as vezes até pouco práticos.

Acabei não falando da customização dos bonecos, mas porque também me pareceu algo meio automático do jogo. Há diversos trajes, dos mais malucos e variados. Também é possível quebrar estes trajes e montar seus próprios. É legal, mas o fato de ter vários prontos não me incentivou muito a querer criar meus próprios. E também há muitas cores diferentes para seu boneco, o que é muito bacana.

Por fim, acho que Gang Beasts é basicamente isso. Trata-se de um jogo independente, que assume totalmente suas limitações, que sabe brincar com o caos e imperfeição proposital de sua jogabilidade. Tem total foco na parte da experiência multiplayer local e online, sem querer em nenhum momento se preocupar em dar algo ao single player. É para ser divertido com os amigos e ponto. Dentro destas regras, o título realmente é.

Galeria

Dando uma nota

Perfeito para jogar com amigos dividindo o sofá - 9.5
Funciona bem online, mas poderia ter um cross-plataform para unificar a comunidade - 8.5
Ausência total de uma experiência single player - 3
Visualmente cômigo, bons detalhes, ótimo colorido - 8
Física maluca e estranha, mas esse é o charme de sua jogabilidade - 8
Ótimas arenas, boa diversidade, com armadilhas e partes destrutíveis - 8.5
Poucos modos de batalha, simples e direto - talvez até demais - 7

7.5

Bom

Gang Beasts é um excelente jogo com foco em multiplayer. Tem funcionalidades online, mas certamente é com amigos localmente que sua jogabilidade se destaca e brilha. É caótico, frenético, com uma física maluca e muito divertido. Peca apenas na ausência de uma experiência single player. Como um jogo independente está tudo bem ser assim, mas não tem como deixar de pensar que há um potencial ainda maior para seu conceito. Como um Party Game com amigos dividindo um sofá o título é sensacional.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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