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Análise | Xenon Racer

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch & PC

Em 26 de março chegou aos consoles o jogo Xenon Racer, da desenvolvera 3DClouds e publicado pela SOEDESCO. Segundo jogo desenvolvido pela desenvolvedora italiana independente. O primeiro também foi um jogo de corrida, All-Star Fruit Racing, lançado em 2017, que também é de corrida, mas com uma temática bem diferente do que vemos em Xenon Racer.

Com um tom mais realista, diretamente de 2030, ano em que se passa o jogo, Xenon Racer vem para preencher um espaço de jogos de corrida arcade, sem se preocupar muito com as mecânicas e outros detalhes mais realistas do mundo dos automóveis. Focado em diversão e com diversos modos de jogo para agradar a todo mundo. Com versões para PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

Raio-X

Logo no início do jogo já temos uma espécie de tutorial para se familiarizar com os comandos, algo que não é novidade para quem já é acostumado com jogos de corrida. No menu principal encontramos diversas opções para jogatina. No modo XENON RACER CHAMPIONSHIP você disputa diversos campeonatos pelo mundo contra a CPU. Há também o modo CORRIDA RÁPIDA para correr sem muito compromisso, mas também contra a máquina.

As opções para jogar com os amigos são duas: TELA DIVIDA onde, como o próprio nome diz, coloca você contra seus amigos em modo offline podendo dividir a tela como nos velhos tempos, no modo ON-LINE você tem a opção de correr contra pessoas de todo o mundo em busca das melhores posições no pódio.

Podemos também destacar o MODO BORDA, onde você encontra o famoso modo contra o relógio para melhorar seus tempos e ficar afiado para vencer seus oponentes ou simplesmente dirigir pelo modo livre para treinar sua pilotagem e não passar tanta vergonha nas pistas. Deixando as pista de lado, você pode customizar seu carro no modo OFICINA, podendo mudar cores, aerofólios entre outras opções, como você preferir.

Modesto em sua estrutura

Os gráficos apresentados pelo jogo estão bem bonitos, levando em conta que o jogo foi desenvolvido por uma empresa indie que está no seu segundo título. Podemos dizer que estão de parabéns pelo que é entregue, pois é claro que não temos um jogo com grande orçamento. Em determinados momentos encontramos alguns detalhes mais grosseiros na modelagem, como, por exemplo, na visão de câmera do capô do carro, que não segue o mesmo tratamento visto em outras câmeras. Conforme o jogo vai avançando a qualidade gráfica não tão caprichada começa a ficar mais evidente, mas nada que atrapalhe a jogatina.

A jogabilidade é bem leve e fácil de pegar, com poucas corridas você já se acostuma com a dirigibilidade que o jogo te permite. Porém, por ser um jogo arcade, não vá pensando que encontrará realismo ao dirigir os carrões de Xenon Racer, mas também não temos uma pista ensaboada pela frente. O jogo meio que cumpre o que promete ao ser um jogo arcade. Os drifts (derrapadas) poderiam ser um pouco melhores, já que são usados para encher os boosts, mas isso não tira a diversão durante as corridas.

Os mostradores na tela não atrapalham em nada a visão da corrida e são totalmente intuitivos. No canto superior esquerdo temos a posição em que nos encontramos e o tempo da volta, no centro acima temos uma leve seta indicando o caminho a ser seguido, e completando a área superior na parte direita temos a volta em que estamos, uma parte do mapa que nos encontramos e a distância para o piloto a nossa frente. No canto inferior esquerdo da tela temos um ícone do carro com uma numeração em cima, que indica a saúde do automóvel, inicia-se em 100 e ao chegar em 0, conforme acontecem batidas e acidentes na corrida, o seu carro é resetado na pista, fazendo com que perca tempo em frente aos competidores. Na parte inferior central da tela temos a velocidade do automóvel e no inferior direito temos três barras de boosts, que são carregadas conforme fazemos drifts ou pegamos os power-ups em azul espalhados pela pista. Cada boost dá direito a um turbo para acelerar mais ainda nas pistas e superar os oponentes.

O que achei?

Xenon Racer pode ser uma opção para aqueles que estão com saudade de um bom jogo de corrida arcade para jogar com os amigos em tela dividida. Os gráficos são bem aceitos se considerar o fato da empresa desenvolvedora ser nova e não ter um orçamento de empresa grande. Traz uma boa diversidade de modos com opções para todos os gostos e modo de customização dá um charme a mais pra quem gosta de deixar o carro do seu jeito. O contraponto aqui é que o preço do jogo poderia ser um pouco menor devido, balanceando assim seus aspectos modestos, já que no final das contas não se trata de título com grandes proporções.

2ª Opinião – Por Thiago Machuca

— Salve leitores! Resolvi invadir esta breve análise de Xenon Racer, escrita pelo Juliano, para dar a minha opinião pessoal a respeito do mesmo. Pois também joguei o título e acredito que tenha algo a acrescentar a respeito do mesmo. Enquanto o Juliano o testeu em sua versão de PC, minha experiência ocorreu com a versão de Xbox One. Inclusive as telas que ilustram parte da análise foram capturadas no Xbox.

Talvez seja interessante ressaltar que Xenon Racer, em sua versão de Nintendo Switch, teve um lançamento um tanto quanto conturbado. Houve comentários sobre a performance do jogo ser problemática, com queda de framerate constantes e com problemas de carregamento do cenário ao fundo. Hoje, na data desta publicação, a versão do Switch já está no Patch 1.04, lançado no início de maio, e parece que as coisas estão melhores. É uma boa notícia aos donos da plataforma.

Já no Xbox One – na minha opinião – Xenon Racer faz uma performance okey, porém nada impressionante. Concordo com o Juliano quando ele diz que o jogo é bonito sob a perspectiva de um jogo independente com orçamento menor. Conceitualmente o título é bem interessante, ao criar um mundo no futuro com corridas realmente velozes. O jogo causa certa imersão ao seu mundo, especialmente porque a apresentação dele é muito bacana. O problema começa conforme se vai progredindo no mesmo.

O design dos ambientes aos redor das pistas pode deixar, em alguns momentos, a desejar. Normalmente o momento inicial das corridas são visualmente mais impressionantes do que mais a frente das mesmas. O cenário começa interessante, mas vai perdendo brilho e detalhes conforme a pista progride. Fora que mesmo no Xbox One, versão normal, o título tem momentos em que os cenários ao fundo carregam alguns segmentos com atraso em relação a velocidade a qual o jogo exige que o cenário vá avançando durante uma corrida.

Mecânicas nada futuristas

Também fiquei um pouco incomodado quanto ao elemento da derrapada (drift) nas curvas das corridas. A física desse aspecto da jogabilidade não me agradou. Achei pesado, nada intuitivo e bem menos arcade do que gostaria. E esse elemento é um aspecto muito importante da jogabilidade, já que sem isso não se ganha as corridas. É preciso dominar os drifts para avançar no modo carreira.

Falando em avançar, outro aspecto que me incomodou foi o balanceamento da IA dos carros adversários. Talvez o nível de dificuldade normal seja mais difícil do que gostaria, talvez seja o problema de não dominar muito bem as derrapadas, mas achei bem difícil ganhar posição quando se começa muito mal uma corrida. O jogo não tenta balancear isso, o que não seria de todo mal fazer, ainda sendo um título arcade.

Fora que para um título que está pensando em corridas futuristas, não há tantas ideias com esse conceito em suas mecânicas em si. Visualmente Xenon Racer pensa nesse aspecto, mas na hora da ação, limitar o turbo, ou ter carros que quebram muito fácil e simplesmente se teletransportar para o meio da pista, não me pareceram bons exemplos de corrida futurista. Basta comparar com outros títulos com essa pegada, como F-Zero ou Redout, para entender que Xenon Racer é mais modesto no gênero a qual se propõem a ser.

Tudo que, para ser justo, a premissa do jogo é que este é o último ano em que as corridas com carros não voadores deve acontecer, já que a ideia é exatamente que estes tipos de veículos presentes no jogo estão prestes a se aposentar justamente pela chegada da próxima geração de carros, que aí sim voarão. Então é um futuro, quase futurista. Dá para aceitar isso.

Por último, também fiquei um pouco desanimado de não conseguir jogar nenhuma partida online no Xbox One. Testei em diferentes dias e horários, mas não consegui me conectar com ninguém em seu matchmaking. Talvez o multiplayer seja configurado por ping e região, indicando talvez que não hajam muitos jogadores brasileiros na plataforma disputando suas corridas online. O que faz total sentido quando se para para pensar que neste console os jogadores tem os jogos de Forza disponíveis dentro do serviço Xbox Game Pass. Algo que, por sinal, Xenon Racer poderia também estar e se beneficiar de tal serviço oferecido aos donos do console – certamente daria um gás extra ao título.

Vale ou não vale?

Quem acompanha minhas análises sabe que pra mim todo e qualquer jogo é sempre válido. Produções independente existem aos montes nessa geração e as propostas e seus resultados chegam em diferentes proporções. Xenon Racer é um destes jogos de corrida com uma ótima ideia, mas com uma execução mediana. Tal como o Juliano aponta, em seu texto acima, ele usa uma palavra que melhor resumo o título ao dizer que trata-se de um jogo “modesto”.

Não é uma reinvenção do gênero, nem mesmo em seu aspecto futurista, mas também não é um fracasso por completo. Há um conceito legal, dá liberdade de customização das cores e detalhes nos carros, visualmente tem seus momentos e a jogabilidade mesmo não sendo das melhores consegue entregar o desafio que certamente muitos deve procurar em jogos de corrida. Só gostaria que ele tivesse um online que fosse cross plataform para um melhor desempenho. E os loadings poderiam ser reduzidos, pois levam mais do que deveriam para carregar uma corrida.

Seu lançamento a 50 dólares também me parece um exagero para com o que o jogo tem a oferecer. Certamente isso o encareceu bastante em nossa região, especialmente pensando em sua categoria como um jogo independente. Some isso ao fato do título não cumprir certas expectativas e o resultado é um “espere por uma promoção”.

A boa notícia é que o jogo já está recebendo novos conteúdos, tal como aponta este twitter da desenvolvedora. Novo ambiente de corrida (neve), novo carro. Certamente isso irá agregar mais valor ao título. E totalmente gratuito, com mais packs a serem lançamentos em junho e julho sem qualquer cobrança adicional. Isso é realmente bacana.

Por fim, Xenon Racer é um título que não honrou tudo aquilo que potencialmente poderia ter entregue. Não chega a ser uma perda de tempo ou desastre total. Mas é uma pena que fique no senso comum. Naquilo que os fãs do gênero devem se divertir, mas não vão muito além disso. Se fosse um jogo lançado na década de 90, no auge das locadores de bairro, seria um daqueles jogos que eu alugaria para brincar em um final de semana e me daria por satisfeito.

Extra – gameplay de algumas corridas iniciais

Dando uma nota

Preço incompatível com o que o jogo lhe entrega - 6.5
Sensação de velocidade agradável, porém poderia ter tido um melhor tratamento nos drifts - 7
Inteligência artificial do jogo não se preocupa em entregar oponentes balanceados - 6.5
Tem opções - modos single player, multiplayer local com tela dividida e online - 7.5
Trilha e efeitos de som não incomodam, mas também não surpreendem - 7
Gráficos normalmente bonitos, mas há partes bem feias em modelagens e cenários - 6.5
Há opção de customizar os veículos, mas são um pouco limitadas - 7.5

6.9

Okey

Xenon Racer é uma boa ideia, mas carente de um ponto de ebulição que o tornaria mais essencial aos fãs do gênero. Acaba derrapando em pequenos detalhes, ainda que exista margem para relevar alguns destes aspectos. O preço talvez seja seu maior empecilho, sendo incompatível com o que o jogo lhe entrega.

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