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Análise | Black Paradox

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch & PC

Curtinho, porém viciante. Essa é uma boa forma de expressar o meu sentimento ao jogar Black Paradox, um charmoso jogo independente lançado no início de maio para consoles e PC. Título desenvolvido pela Fantastico Studio, lá da Itália, e distribuído globalmente pela Digerati.

Black Paradox é um roguelite shoot ‘em up espacial, onde o jogador é um caçador de recompensas que dirige um carro voador, basicamente um DeLorean, pelo espaço sideral e além. O estilo do game segue os clássicos jogos de navinha 2D, em que a tela se desloca lateralmente.

A principal diferença entre este jogo e os clássicos das antigas fica no elemento roguelite, que significa que a cada recomeço o jogo mudo seu ambiente, as armas e habilidades oferecidas, além da posição e tipos de inimigos irão surgir ao longo dos estágios. Isso torna cada início único e diferente do início anterior.

O jogador deve enfrentar hordas e mais hordas de inimigos invadindo a tela, que se desloca automaticamente, evitando colidir com os mesmos, e desviando dos mais diversos tipos de projéteis. Em muitas situações a tela tem tantos tiros e inimigos que tudo fica realmente caótico, e aí o jogador conta com diferentes armas e habilidades para contornar essa maravilhosa baderna. Ao fim de cada estágio, um chefe lhe aguarda.

Paradoxo, armas e afins

Uma das features do jogo é a habilidade suprema que dá nome ao mesmo. Ao encher uma barra azul que fica no canto superior à esquerda da tela, o jogador pode acionar o Black Paradox, que invoca uma versão de seu carro e personagem, de uma outra dimensão, para se aliar ao você e sair atirando em tudo que estiver na tela impedindo seu avanço. Essa sua versão dura alguns bons segundos, e sempre que surge está usando uma arma diferente, das muitas em que são possíveis se usar no jogo.

Acaba sendo aquela habilidade apelona, que o jogador usa quando está realmente encurralado ou fica guardando para usar nos chefes de cada um dos estágios. Eliminar inimigos, recolher um frasco azul e causar dano no chefe faz essa barra de habilidade se encher.

Entretanto, Black Paradox (o jogo) vai muito além dessa habilidade especial. O título possui realmente uma boa gama de armas especiais, dos mais variados tipos e efeitos. E é impressionante como quase todas são divertidas e legais de se usarem. O jogador pode carregar duas delas simultaneamente, alternando-as com um toque de botão, enquanto cada um dos setes estágios do jogo oferece uma arma aleatória por fase.

Existem armas que mudam a curvatura do tiro, saindo de seu carro voador como se fosse uma cadeia de DNA, outra que mandam mini mísseis que saem lentamente do carro e causam grande estrago, há também os foguetes teleguiados, um que se parece com uma espingarda, outro é um lança chamas, um que manda pequenas bombas que vão lentamente até o inimigo e explodem em um grande raio de alcance, outra que se fragmenta em mais tiros ao bater em inimigos, uma que é um laser que precisa ser carregado, outro é um tiro bumerangue que vai e volta para trás e até mesmo um tiro corrosivo que atinge os inimigos e leva alguns segundos para dissolve-los. E esta são algumas das vinte possibilidades encontradas no jogo. Todas mudam a forma de atacar e avançar pelos estágios do jogo.

Não só isso, ao final de cada estágio há uma habilidade passiva para ser escolhida. Pode ser um dos treze tipos de drones que o jogo oferece, que passam a orbitar ao redor do jogador, atacando inimigos ou fazendo alguma outra coisa – como curando-o. E também pode ser um aumento de status, como aumentar sua barra de vida, sua velocidade, seu poder de ataque e até mesmo um update bem safado, que aumenta todos seus status, mas inverte os controles. Esse último me pegou de surpresa, tenho que admitir.

Quer mais? Tem mais! Mesmo se baseando em elementos roguelite, onde ao morrer você perde tudo e recomeça sempre do zero, Black Paradox tem um pequeno sistema de progressão baseado em chips que podem ser instalados em sua nave.

Estes chips são comprados com o dinheiro obtido ao jogar o título. Esse item é a única coisa que não se perde ao morrer no jogo. São obtidos eliminando inimigos e caçando os chefes finais de cada estágio. Com essa grana é possível ir até a sua garagem e comprar chips que também funcionam como habilidade passivas no jogo. Inicialmente há dois slots para instalar estes chips, porém mais dois adicionais podem ser adquiridos comprando-os com o dinheiro do jogo.

Estes chips seguem a premissa das habilidades de status. Aumente a sua saúde, seu poder de ataque, defesa, velocidade e afins, com o revés que também podem causar alguns efeitos nos tiros de seu carro, como soltar um míssil teleguiado as vezes ou dar um tiro triplo. Estes chips possuem níveis, onde o jogador começa comprando alguns de nível 1 e conforme vai acumulando maiores quantias de dinheiro, os mesmo chips com melhores níveis vão surgindo. Estes chips são dispostos na sua garagem de forma também aleatória. E você pode armazenar até nove deles além dos quatro que ficam no seu carro.

Morte, desafio e recompensa

No que diz respeito aos estágios de Black Paradox não há nada realmente discrepante entre os mesmos. Conforme se progride no game, derrotando seus chefes, novos tipos de inimigos vão sendo introduzidos. Quando isso acontece eles também podem passar a aparecer nos estágios iniciais quando o jogador reiniciá-los.

Isso é interessante porque faz com que as dinâmicas das fases iniciais continuem mudando enquanto o jogador não consegue chegar até o final dos setes estágios propostos pelo jogo. E vai por mim, morrer é uma das maiores certezas de Black Paradox.

Não há vida extra ou continuar aqui. A morte é permanente. Morreu acabou. Recomece de novo. Não importa se está na fase 2 ou na fase 7, enfrentando o último chefe do jogo. Não há perdão aqui. Por isso é tão importante o elemento da randomização dos estágios, da vinda de inimigos descobertos mais à frente do jogo para sua parte inicial. Se isso não acontecesse o jogo se tornaria chato e enjoativo rapidamente.

Fica preso nos estágios iniciais, enquanto compra melhores chips, aprende sobre habilidades e os tipos de armas, faz parte da experiência do jogo. O pulo do gato aqui é como tornar essa experiência de repetição agradável e nada enfadonha. Acho que nisso o título acerta em cheio.

Existe uma sensação real de que a cada rodada você está indo mais longe com os itens certos. E mesmo reiniciando, tudo segue um pouco diferente, e não necessariamente mais difícil. Essa é a forma do jogo de recompensar o jogador por seu esforço em continuar tentando. Acho louvável esse belo balanceamento, que é algo bem difícil de se colocar em certos jogos roguelite.

Acaba que com o tempo o jogador usa os estágios iniciais para criar um setup de boas armas e equipamentos, enfrentando hordas de inimigos sempre em constante mudança, para chegar aos estágios que ainda não passou melhor equipado e preparado.

Considerações finais

Black Paradox é um jogo independente honesto. Ele não tenta lhe enganar tentando ser algo que não é. É um jogo simples, um tanto curto, mas que oferece um balanceamento entre desafio, dificuldade e recompensa, com diversão garantida. E até acho justo seu preço de 15 dólares. A conversão desse valor para nossa moeda local, em determinadas plataformas, é que pode torná-lo um pouco além do que vale.

Gostei muito de sua pixel art. Visualmente o jogo é deslumbrante. Os carros, e naves, são charmosamente bem detalhados e a ambientação ao fundo da tela é de tirar o fôlego, sempre com ótimas cores e detalhes, como planetas enormes, galáxias, asteroides, satélites e afins. Gosto como o jogo também usa do elemento roguelite para mudar o fundo de alguns estágios, dando uma sensação de estar jogando uma fase diferente da tentativa anterior, especialmente no estágio inicial que abre a aventura.

A trilha sonora também manda muito bem, envolvendo o jogador na adrenalina dos combates. Só tenho uma queixa muito pequena em algumas faixas musicais, que não mudam sua transição de forma suave no meio dos estágios, sendo perceptível quando ela acaba (quebra) e reinicia novamente – me tira um pouco do mundo do jogo quando isso ocorre. Na parte dos efeitos de som o jogo manda bem.

Não destrinchei muito, por não ter testado com afinco, mas Black Paradox também oferece um modo multiplayer cooperativo local para dois jogadores. É uma opção legal para quem o achar muito difícil e quiser jogar com um amigo ao lado. E é legal que nessa modalidade os jogadores não precisam brigar pelos itens de jogo, pois tudo vem em dobro para evitar esse confronto.

Na parte de valor de replay, no sentido do que fazer após conseguir terminar o jogo, Black Paradox oferece um modo boss rush, chamado Darkness Mode, em que o jogador viaja até a dimensão do carro negro e enfrenta todos os chefes do jogo, que estão mais agressivos e difíceis, possiundo alguns novos ataques e sendo mais resistentes a danos. É um modo interessante, mas sinceramente eu acharia mais legal um modo extra que talvez me permitisse customizar a arma e habilidades para iniciar uma maratona de estágios randomizados.

Concluindo, acredito que Black Paradox é um bom jogo independente. Divertido, com ótimo nível de desafio. Claro que o título aposta sim em ciclos de repetição, como quase todo roguelite, e entendo que isso pode desanimar alguns jogadores. Mas não acho que isso seja um demérito ao mesmo. É um destes jogos que você coloca para desligar um pouco o cérebro e testar sua memória muscular. Perfeito para um daqueles dias cansativos em quê a vida lhe sugou mais do que poderia querer. Pegue seu DeLorean voador e vá para o espaço caçar bandidos!

Galeria

Extra – 40 minutos de gameplay

Dando uma nota

Visualmente o jogo é fantástico, belíssima pixel art - 9
Elementos roguelite funcionam e dão valor de replay ao gameplay - 8.8
Um pouco curto, sete estágios (e chefes) apenas - 7
Ótimo repertório de armas, habilidades, inimigos e cenários - 8.2
Suporta multiplayer cooperativo local para dois jogadores - 8.5
Trilha sonora e efeitos de som envolve o jogador na ação proposta - 8
Desafiador, mas equilibrado na forma como faz progressão do nível do jogador - 8.5

8.3

Ótimo

Black Paradox é frenético, caótico e muito divertido. O que não se deve esquecer é que trata-se de um jogo independente, e portanto, tem suas limitações. O título sabe que é curto, mas cria maneiras de valorizar seu replay com bom elementos roguelite. Há muitas armas e habilidades. O desafio é elevado e a progressão é satisfatória. Vale a investida. Oferece uma linda pixel art e também um modo coop local para dois jogadores.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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