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Análise | Gyro Boss DX

Disponível para Nintendo Switch, PC e dispositivos móveis

Rode, rode, não se deixe ser acertado. Essa é a premissa fundamental de Gyro Boss DX, título que recentemente foi lançado no Nintendo Switch, e que também saiu para PC em março desse ano. Sua origem, entretanto, vem da plataforma mobile, a qual foi lançado em meados de 2016. O título foi desenvolvido pelo estúdio britânico Chequered Ink, que tem outros títulos menores, mas que não se limita apenas a trabalhar com jogos, como também se envolve em outros tipos de produtos digitais, como ebooks, fonts e softwares. Está tudo lá em seu site oficial.

E vamos ser honesto, trata-se de um jogo de apenas 5 dólares. Seu conteúdo é condizendo com seu valor de venda, ainda que, para continuar sendo justo, gostaria de vê-lo custar um pouco mais se me entregasse um pouco mais de conteúdo e ideias que poderiam perfeitamente ser aproveitadas diante da estrutura criada. Daqui a pouco chego nesse ponto.

Puro arcade

Basicamente foi este meu primeiro pensamento a respeito de Gyro Boss DX. É um jogo que me levou em uma viagem pela minhas memórias de um passado jogando jogos de Atari, console este que hoje em dia poucos conheceram ou testaram.

O título tem essa conceito simples. Viva o quanto puder, faça a maior quantidade possível de pontos com isso. Não há complexidade em suas mecânicas ou sua proposta. Ele é muito puro em sua essência de entregar uma experiência altamente arcade. E isso é ruim e bom ao mesmo tempo.

A ideia é que o jogador é uma pequena nave espacial em confronto com um grande alienígena especial. Um invasor de seu planeta. O cara é o vilão e é muito poderoso. O que você pode fazer quando a isso? Desviar de tudo que ele tacar em você e deixá-lo sobreaquecer sua própria nave vilanesca de tempos em tempos.

Não acho que o jogo tenha fim. É meio como o clássico Pac-Man. Você vai sobrevivendo tempo após tempos, e tudo vai apenas ficando mais rápido e difícil, até que o jogador não consiga mais se manter vivo. Não há qualquer indicador que haja um final. E olha que até fui dar uma espiada no YouTube para ver se haveria algo nesse sentido. Não encontrei.

A graça está realmente no nível da dificuldade apresentada no título. É um jogo realmente difícil de se manter vivo por muito tempo. 2 minutos, por exemplo, já é uma vitória pra mim. Exige muito mais memória muscular, mais do que memorização dos movimentos dos projéteis enviados pelo chefe central do jogo.

E seus ataques são dos mais diferentes possíveis. Há uma criatividade em seu repertório, isso é inegável. Ele manda bolas de fogo, mísseis, canhões de laser, lulas (porque sim, né), estrelas ninjas, explosões e até mesmo luvas de boxe. Cada ataque tem um padrões, mas não são exatamente iguais sempre que surgem. Duram aproximadamente 10 segundos antes que o chefe mude para o próximo tipo de ataque.

Diferente também dos clássicos jogos do Atari, onde a ordem e padrões eram uma constante em muitos tipo de jogos, aqui em Gyro Boss DX seu código permite que os padrões e tipos de ataques sejam sempre aleatórios. Não há exatamente padrões certos que repetem alguma cartilha pré-programada da ordem dos tipos de ataques. Qualquer um pode acontecer, a qualquer momento.

O único detalhe, entretanto, sobre seus padrões de ataques, que percebi após alguns horas com o título, é que conforme o jogador vai melhorando e sobrevivendo por mais tempo, o jogo vai lhe apresentando alguns novos tipos de ataques, podendo até mesmo ser variações daqueles que você já conhecer. E aí estes novos tipos começam a aparecer com mais frequências também. O que é bacana para não tornar os inícios sempre tão idênticos. Se há novos ataques que surgem após seu reflexo se acostumar a estes, nada mais justo que novos ataques sejam inseridos para complicar sua vida.

Escassez de conteúdo

Além do modo single player, que é apena isso mesmo: um modo infinito que você tenta sobreviver pelo tempo que aguentar, sem história ou campanha ou qualquer tipo de progressão ou customização, Gyro Boss DX também tem uma modalidade multiplayer.

Veja bem, é uma boa ideia a inserção de um modo multiplayer. Nesse sentido até quatro jogadores podem se reunir para girar no eixo do chefe e ver quem sobrevive por mais tempo. Mas é a mesma experiência oferecida no single player. Sem tirar e nem por. Com o diferencial de que agora são quatro naves fugindo de seus ataques.

Além disso o jogo tem uma lista de objetivos que podem ser cumpridas. Seriam como as conquistas em uma plataforma como o Xbox One. Não servem exatamente para nada, exceto mostrar que você conseguiu pontuar ou sobreviver nas formas como o jogo lhe pede para fazer. Achei meio simplório isso. Não me fizeram jogar de forma diferente ou pensar muito a respeito destas metas.

O que acho que Gyro Boss DX peca é justamente em sua simplicidade. Poderia haver outras modalidades legais dentro da proposta criada pelo jogo. Um modo história com começo, meio e fim, com estágios planejados. Poderia ter um modo de desafio, que brincasse com tipos de ataques específicos do chefe. Poderia ter uma modalidade com power ups e coisas que o jogador recebesse conforme o tempo em que conseguisse se manter vivo. Mas não há nada disso. O que é uma pena.

É aquilo que disse no começo. Provavelmente novas modalidades, que oferecessem mais conteúdos, fizessem valer o jogo custar mais, porém talvez valesse a pena se isso acontecesse. Esse é o tipo de coisa que os jogos independentes precisam conseguir balancear. Gyro Boss DX é simples e barato, porém talvez fosse mais divertido se ele tivesse mais coisas e custasse mais.

Considerações finais

Gyro Boss DX é um jogo independente de arcade que propõem uma experiência bem simples, que diverte inicialmente, mas potencialmente cansa após suas horas iniciais. É um arcade, em sua forma mais pura. Sobreviva até onde der, fazendo assim a maior pontuação possível. O jogo é difícil porque quer lhe impedir, de todas as formas, de se manter vivo por tanto tempo.

Suas mecânicas são igualmente simples. Há três tipos de controles, onde o jogador pode girar a nave ao redor do chefe no sentido horário ou anti-horário, ou para onde apontar no analógico. Inicialmente são os controles que vão lhe matar constantemente. Leva-se um tempo para se acostumar com o fato de que se você ficar segurando a esquerda, sua nave vai continuar girando para um sentido que em cima é um lado e embaixo outro. E quando se solta o movimento dá mesmo um nó no cérebro para qual lado mover o analógico.

Seus gráficos e trilha sonora não são nada além do comum ao estilo do jogo em si. Não são ruins, mas também não se destacam em qualquer aspecto. A música pode até cansar um pouco após várias e várias partidas. Fora isso, não há qualquer customização, como mudar a cor da tela, da nave ou do fundo preto de jogo. Algo que Downwell, outro recém lançado no Switch com essa pegada arcade, se preocupou em fazer justamente para agregar valor a simplicidade que esse tipo de jogo acaba oferecendo.

O valor de replay de Gyro Boss DX está justamente no interesse do jogador de se viciar em sua proposta. De tentar bater seu próprio recorde ou desafiar seus amigos e ver quem consegue se manter vivo por mais tempo. É um daqueles jogos bons para desligar o cérebro após um dia estressante, ou no intervalo de algo mais duradouro e complexo. Jogos assim são sempre bons de se terem. E novamente, pelo preço, 5 dólares na eshop do Switch e 10 reais no Steam, não acho que seja um jogo que não entrega aquilo que vale. Rode, rode, não deixe o bicho papão espacial atirar em você.

Galeria

Dando uma nota

Simples, mas tem um desafio bacana - 7.5
Versão Switch e PC agora tem modalidade multiplayer local - 7.5
Carente de conteúdo e modalidades extras - 6
Controles são um pouco desajeitados - 6.5
Gráficos e trilha de som remetem aos clássicos de Atari - 7
Objetivos são simplórios e não agregam muito ao jogo - 5

6.6

Quase lá

Gyro Boss DX é um jogo arcade simples. Original de plataformas mobile, a versão para PC e Switch conta com o adicional de uma modalidade multiplayer, o que é bem vindo. Porém o jogo não oferece uma variedade de conteúdo. Sua experiência está essencialmente em bater seu próprio tempo de sobrevivência. Há desafio, porém é uma experiência bem curta. Lembra bastante a nostalgia deixada pelos clássicos jogos de Atari.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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