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Análise | Team Sonic Racing

Disponível para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC

Team Sonic Racing é a mais recente investida de Sonic & cia no mundo das corridas com veículos. O título é uma produção da Sumo Digital, estúdio que também trabalhou em Sonic & Sega All-Stars Racing (2010) e Sonic & All-Stars Racing Transformed (2012), ambos lançados na geração passada de consoles. Tendo em vista o sucesso e a qualidade de ambos os games é até surpreendente a demora em produzir um novo título para esta geração.

Mas não se deixe enganar achando que está é só uma sequência dos títulos mencionados. Team Sonic Racing é algo totalmente novo. Muitas mudanças foram realizadas. A Sumo Digital realmente pensou fora da caixa, adicionando uma incrível e diferente mecânica ao título. Só é preciso lamentar que ao se fazer isso se sacrificou alguns elementos dos jogos anteriores. A grande questão é saber se isso valeu à pena. É o que tentarei responder nesta análise.

Team Sonic Racing chegou aos consoles e PC agora no final de maio. E veio com honestidade em seu preço. Ao invés dos tradicionais 60 dólares, que normalmente um título como este custa, a Sega o lançou por 40 dólares. Parece um valor justo dentro do que o título promete e entrega.

team sonic racing tela

Corra em equipe, vença em equipe

A proposta do jogo é interessante, talvez parece complexa, mas na verdade é bem simples: corridas em equipe. São três personagens que formam um time e correm juntos. Pontuam juntos, vencem juntos. O jogador controla apenas um destes três membros, e não pode alternar durante a partida (seria conveniente, mas não é o caso), sendo que os outros dois são – no single player – controlados por uma I.A., o que não é de todo mal.

Ser um time quer dizer muito mais do que apenas correr juntos para somar pontuação. Há técnicas de colaboração que devem ser usadas durante as partidas. Existe uma estratégia de coordenação mútua que é a chave para a ideia presente no título.

team sonic racing

Os itens de trapaça, aqueles do velho clichê da fórmula Mario Kart, por exemplo, podem ser compartilhados entre os membros do seu time. Ao pegar um item é dado ao jogador a escolha de usá-lo ou deixá-lo disponível para um dos outros dois membros da equipe pegarem para usar. Você também pode requisitar um item, ou recebê-lo quando um membro da sua equipe dispuser para coleta. Isso ocorre em tempo real durante as partidas, com um apertar de botão (B).

E porque você se desfaria de um item? Muito simples. Manobras em equipe enchem uma barra de especial. Este especial quando ativado é o ponto de virada da corrida. Ele é quase como o casco azul do Mario, com a exceção que não se trata de um projétil, mas um turbo especial que tira toda a sua equipe da colocação que estiver para deixá-los em primeiro, ou muito perto disso. O especial vale para todos da equipe, que se tornam invulneráveis, mais rápidos e causam dano a qualquer outro adversário que você colidir ao avançar. Sim, é um especial apelão.

Slingshot

Entretanto se desfazer de seu item não é a única técnica de trabalho em equipe. Há outra ainda mais interessante chamada slingshot (algo como impulso estilingue). Explicarei. Sua a equipe é formada por três corredores. Aquele que estiver à frente dos outros dois sempre vai deixar um rastro amarelo na pista. Os outros dois membros devem andar nessa faixa, carregando uma energia em volta do seu carro. Ao sair dessa faixa, o jogador é impulsionado para frente, como um turbo.

Há três estágios de impulso, dependendo do tempo em que você ficar dentro da faixa sem sair dela. Ao sair e ser impulsionado você realizou um slingshot, e isso também enche a sua barra de especial. Essa mecânica é realmente um diferencial muito bom de Team Sonic Racing, que faz o título ser original e diferente da clássica fórmula a qual é inspirado.

team sonic racing slingshot

Pense assim, um corredor corre pela faixa e é impulsionado. Ele ultrapassa aquele que estava fazendo a faixa, se torna o primeiro e por isso ele agora está desenhando a faixa. O corredor que deixou de fazer a faixa agora está em segundo de sua equipe. Se ele começar a correr dentro da faixa do membro que acaba de lhe ultrapassar basta alguns segundos para ser impulsionado também. Ultrapassando assim, aquele membro que acabara de lhe ultrapassar. Adicione nesse ritmo um terceiro corredor que também está nesse impulso estilingue e pensa em como isso muda toda a dinâmica da corrida.

Fora da fórmula

Você não está mais pensando em itens de trapaça para vencer a corrida, e sim em como fazer slingshots, encher a sua barra e ir revezando entre os membros da sua equipe aquele que vai fazer a faixa e impulsionar o outro. Agora pensa que há outras quatro equipes de três carros cada fazendo exatamente a mesma coisa. É insano. E claro, só os membros da sua equipe podem usar a faixa de impulso que o primeiro estiver fazendo. Adversários não se beneficiam dela.

Há também outros detalhes que foram tomados cuidados ao se formular essa ideia de correr em equipe. Os itens de trapaça, por exemplo, não podem afetar seus companheiros. Você não pode mandar um míssil e sem querer ele atingir um companheiro. Quer dizer, poder até pode, mas não o afetará se o atingir.

E não, o jogador não precisa ganhar em primeiro colocado. Basta que alguém da sua equipe o faça. Na mesma lógica é um problema se você ficar em primeiro e o resto da equipe em sétimo ou oitavo. Porque o ranking é baseado em pontuação. Então se uma equipe rival conseguir o segundo, terceiro e quarto lugar no exemplo que acabei de dar, mesmo que você tenha conseguido o primeiro lugar, sua pontuação final será inferior a equipe que pegou as três posições atrás de você. A equipe adversário lhe venceu.

Então é preciso trabalhar em equipe. Mandar itens, fazer slingshots, pensar na hora de usar os especiais. Não adianta, por exemplo, guardar o especial para a última curva, se o resto da sua equipe estiver muito atrás na colocação. Use o especial antes e garanta que ele cheguem perto de você.

Rápido, técnico, pesado

Dentre estes aspectos o jogo também introduz um diferencial dentro a equipe de três. Cada carro tem uma função no time. Há sempre o carro da velocidade, que normalmente consegue ficar à frente dos demais e tem um impulso de aceleração maior.

O segundo tipo é um carro de técnica. Significa que esse carro pode acelerar por terrenos que demais carros normalmente desacelerariam. Como sair do asfalto e ir para a terra. Com esse carro, mesmo que você sai da pista, sua aceleração não é diminuída. É um carro bom para atalhos. Fazer uma curva mais fechada, e ganhar terreno comendo um pouco por fora da pista. Só é preciso lembrar que não adianta ficar fora da pista e ficar em primeira posição, pois aí você está criando a sua faixa de slingshot em um terreno em que os membros da sua equipe não conseguem acompanhar.

O terceiro tipo é um carro pesado. Significa que ele pode quebrar barreiras na pista sem tomar dano ou desacelerar. Um bom exemplo acontece em uma pista de gelo onde há grandes contêiners espalhados pela pista. Esse carro pode bater na parte do contêiner e abri-la. Liberando uma passagem de turbo para seus demais companheiro. Outros carros podem fazer isso, mas vão domar dano e parar por alguns segundos até poder voltar a acelerar. Três tipos de carros. Jogue de acordo com o estilo e tipo.

Elenco reduzido

Team Sonic Racing é muito bom em renovar os clichês do gênero, e até mesmo dos jogos anteriores da série com o Sonic, porém talvez seja nisso que ele escorregue em alguns aspectos. Não gosto, por exemplo, de como o rooster do jogo é pequeno e pré-definido. Basicamente são apenas cinco equipes. E pré-definidas porque você não pode escolher quem faz parte da sua equipe. Na equipe do Sonic sempre será Tails & Knucles, assim como Shadow será sempre com Rogue e Omega, e assim respectivamente. Nada de formar uma equipe com Sonic, Shadow e Silver…

Perceba também que nesta terceira investida da Sumo Digital, em um jogo do Sonic com carros, se perdeu os convidados especiais de outros jogos da Sega. Nada de Aiai (Super Monkey Ball), Amigo (Samba de Amigo), Billy Hatcher ou Alex Kidd. Admito que senti falta desse elenco excêntrico.

Não acho que a trama não funcionaria se o crossover com outras séries da Sega ocorresse aqui. O enredo apresenta um misterioso cão-guaxinim (tanuki) que surge desafiando os melhores corredores para um desafio automobilístico. Claro que Sonic topa na hora e arrasta todo mundo para a brincadeira. Se até mesmo Silver e Blaze são convocados de outra dimensão (ou futuro – não me peça para entender a cronologia da série com estes personagens – eles mesmo parecem confusos com isso), não haveria problema usar o pretexto do multiverso para trazer alguns convidados de outros jogos.

Sete mundos, 21 pistas

Outro ponto fraco, na minha opinião, é como foi planejado o design das pistas. Jogando o modo aventura notei que as pistas pareciam repetir muito rapidamente. Não havia variedade, ainda que alguns destas pistas soassem ligeiramente diferentes, como outras versões. Depois é que fui entender o que ocorrer aqui.

Team Sonic Racing tem um total de 21 pistas, com diversas delas tendo a opção de poder correr no percurso de forma espelhadas (Mirror Track). Porém são três pistas temáticas para cada “mundo” selecionado para serem representadas aqui. Isso faz cenário, trajetos, entre outros elementos se repetirem entre uma e outra. Fica parecendo que o jogo tem apenas 7 pistas ao todo, que é a quantidade de temas escolhidos.

Merece o elogio o fato de que o design delas serem muito boas. São excelentes, sempre com diversos caminhos, atalhos em muitas delas, com pistas realmente largas para comportar a quantidade de carros correndo juntos, com armadilhas, obstáculos, itens de trapaça constantes. Pistas que demoram para se conseguir três voltas ao todo.

Só lamento mesmo a baixa variedade com base na grandiosidade que é o universo de Sonic e seus jogos. Co certeza há locações que fazem falta aqui. Os dois games anteriores era muito mais diversificado e inspirado na criação de coisas bem loucas nesse sentido. Aqui se optou por mais sobriedade, para se dar excelência aos percursos. Se conseguiu, porém é um sacrifício que não acho que tenha valido à pena.

Também é desnecessário dizer que em Team Sonic Racing também se botou as corridas com aviões ou embarcações. Nada de terrenos aquáticos ou aéreos. Outra simplificação. Apenas corridas com carros. Funcional para os controles, mas simplificou um elemento que certamente alguns sentirão falta.

Modos de jogo

Chegando perto de terminar tudo que preciso pontuar sobre este jogo, eis que chega a hora de destrinchar um pouco o Modo Aventura, além de seus outros modos. A começar pelas outras modalidades, Team Sonic Racing cobre tudo que se espera desse gênero: há os torneios (campeonatos) de taça, as corridas para bater seu próprio tempo (time trial) e seu multiplayer, local e online.

O multiplayer não tem muito segredo, ainda que talvez seja onde o jogo possa brilhar ainda mais se você tem muitos amigos para jogar de forma regular o título. Dá para se jogar o título com três jogadores formando um time. Sem que uma I.A. assuma as posições dos outros dois membros. Da mesma forma que se pode jogar competitivamente, três amigos com suas próprias equipes de I.A., que funcionam surpreendentemente bem. Dificilmente passei raiva com meus ajudantes eletrônicos.

No online, que tem matchmaking, tanto para partidas casuais quanto rankeadas, senti que leva um certo tempo para fechar salas. Não consegui descobrir se é possível jogadores ingressarem em um único time. Todas as minhas tentativas fechavam com poucos jogadores, entre três ou quatro, e aí cada um tinha sua própria equipe. Não nos juntávamos. Se bem que vi a opção de convidar amigos no Xbox para que eles fossem a minha equipe. Então acredito que seja possível jogar assim.

A experiência online foi divertida. Nada a reclamar. Partidas sem engasgos, ainda que levou-se tempo para fechar as salas. Teste realizado no Xbox One, e não vi nenhum informação de que o jogo estivesse com cross-plataform. E nem no Xbox Game Pass, o que certamente ajudaria a tornar a parte online mais movimentada. Mas há pessoas jogado. Parecem poucas em nossa região, mas partidas foram achadas. Funciona.

Aventura principal

A maior atração de Team Sonic Racing acaba sendo seu modo aventura. Basicamente o modo história mencionado mais acima, a qual o jogador atravessa um mapa ganhando corridas, adquirindo estrelas e habilitando novas fases/corridas. São sete capítulos ao todo. Bem maior do que você irá esperar.

Nessa modalidade não há apenas corridas simples e de campeonatos (com 4 pistas seguidas), há também corridas especiais. Talvez a parte mais divertida, porém também frustrante do jogo. Todas estas missões secundárias possuem um reloginho em contagem regressiva, e não são nada fáceis.

Corra atrás de argolas enquanto derrapa, derrote robôs com mísseis, atravesse faixas, quebre alvos, passe por postes de sinalização. Há uma boa variedade e bem desafiadoras. Também há uma corrida de sobrevivência, onde os últimos colocados de cada volta de uma corrida são eliminados.

O grande porém dessa modalidade é justamente a repetição das pistas. A sensação de estar sempre jogando nas mesmas, ainda que existam as variações mencionadas acima. Tornam a experiência bem cansativa depois de determinado ponto.

Team Sonic Racing analise review

Considerações finais

Team Sonic Racing é um surpreendente jogo de corrida de carros do Sonic. E um com boas ideias, que não está simplesmente tentando clonar a velha fórmula de Mario Kart, ou apenas expandir conceitos dos jogos anteriores da série que saíram na geração passada. É uma proposta original.

Existe diversos outros aspectos não mencionados aqui. Veículos tem customização (ainda que não cheguem a me impressionar), além de um sistema de caixinhas sortidas (que se compra com moedas ganhas no jogo – não se pode comprar com dinheiro real) que destravam estes itens cosméticos. cada personagem tem quatro tipos de veículos que mudam apenas de seus status. São peças que podem ser combinadas com combos de outro set. É legal, como disse, nada que me fez ficar admirado.

Team Sonic Racing analise review

Os itens de trapaça também não são lá muito inventivos. Cobrem o básico da fórmula. Há projéteis, turbos, armadilhas e afins. O que é diferente aqui é que existem itens que somente algumas classes de carros podem tempo. Velocidade tem um que cria um rastro de fogo na pista, enquanto o de técnica pode encher a tela de notas musicais, assim como o peso pesado tem um campo de espinhos para proteção. Itens que são compartilhados entre os membros da equipe, caso o dono da classe do item o compartilhe com os demais membros.

Ao fim, Team Sonic Racing entrega uma experiência interessante para a série. Não é meu título favorito entre os três já feitos pela Sumo Digital, mas o colocaria como o pior. Certamente é uma ideia que poderia ser expandida e adicionado com elementos e mecânicas dos jogos anteriores. Uma sequência poderia fazer isso. Entretanto a ideia das corridas em equipes presentes aqui é original e diferente. Vale experimentar.

Galeria

Dando uma nota

Jogar em equipe é funcional e divertido - 9
Três classes de veículos, itens para cada classe - 8
Elenco de personagens é pequeno, poderia ter mais equipes - 7
Pistas fragmentadas em 7 temas dá a sensação de repetição - 6
Entretanto o design das 21 pistas são incríveis - 8.5
Modo aventura tem boas ideias para corridas com missões de desafios - 8
Slingshots são divertidos, controles são ótimos - 8

7.8

Vrum

Team Sonic Racing é um título que brinca com novas regras para um gênero recheado de clichês. Pensa fora da caixa e apresenta ideias novas para suas mecânicas. Porém sacrifica alguns importantes elementos dos dois jogos anteriores da série. Fãs sentirão falta disso. Jogar em equipe funciona e diverte.

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Thiago Machuca

Fundador e editor do Portallos (2008) e do Ponto de Checagem (2014). 32 anos, formato em Direito, vivendo desde sempre no interior de São Paulo (Vale do Paraíba). Casado e já papai. Games, quadrinhos e seriados são uma paixão desde a infância. Em busca de novos apoiadores que curtam estes projetos e a viabilidade deles crescerem!
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